Pedro II de Montenegro
| Pedro II | |||||
|---|---|---|---|---|---|
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| Príncipe-bispo de Montenegro | |||||
| Reinado | 30 de outubro de 1830 a 31 de outubro de 1851 | ||||
| Antecessor(a) | Pedro I | ||||
| Sucessor(a) | Daniel II | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 13 de novembro de 1813 Njeguši, Montenegro | ||||
| Morte | 31 de outubro de 1851 (37 anos) Cetinje, Montenegro | ||||
| Sepultado em | Mausoléu de Njegoš, Monte Lovćen, Montenegro | ||||
| |||||
| Casa | Petrović-Njegoš | ||||
| Pai | Tomislav Petrović-Njegoš | ||||
| Mãe | Ivana Proroković | ||||
| Religião | Igreja Ortodoxa Sérvia | ||||
Vladika Pedro II Petrović-Njegoš (em sérvio: Петар II Петровић Његош; romaniz.: Petar II Petrović-Njegoš; Njeguši, 13 de novembro de 1813 – Cetinje, 31 de outubro de 1851), também conhecido simplesmente como Njegoš, foi o Príncipe-bispo de Montenegro de 1830 até sua morte em 1851. Foi também expoente poeta e filósofo cujas obras são amplamente consideradas algumas das mais importantes da literatura montenegrina e sérvia.
Nascido na aldeia de Njeguši, perto da então capital de Montenegro, Cetinje, era filho de e Tomislav Petrović-Njegoš e sua esposa Ivana Proroković.[1] Foi educado em vários mosteiros sérvios e tornou-se o líder espiritual e político do país após a morte do seu tio Pedro I.[2] Depois de eliminar toda a oposição interna inicial ao seu governo, concentrou-se na união dos clãs de Montenegro e no estabelecimento de um Estado centralizado.[3] Ele introduziu a tributação regular, formou uma guarda pessoal e implementou uma série de novas leis para substituir aquelas elaboradas por seu antecessor muitos anos antes. As suas políticas fiscais revelaram-se extremamente impopulares entre os clãs de Montenegro e foram a causa de várias revoltas durante a sua vida.[3]
O reinado de Pedro também foi definido pela constante luta política e militar contra o Império Otomano e pelas suas tentativas de expandir o território de Montenegro ao mesmo tempo que ganhava o reconhecimento incondicional da Sublime Porta.[4] Ele foi um defensor da união e libertação do povo sérvios, disposto a ceder os seus direitos principescos em troca de uma união com a Sérvia e do seu reconhecimento como o líder religioso de todos os sérvios (semelhante a um patriarca moderno da Igreja Ortodoxa Sérvia).[5] Embora a unificação entre os dois estados não tenha ocorrido durante a sua vida, ele lançou algumas das bases do iugoslavismo e introduziu conceitos políticos modernos em Montenegro.[6] Venerado como poeta e filósofo, ele é bem conhecido por seu poema épico Gorski vijenac (A coroa da montanha), que é considerado uma obra-prima da literatura sérvia e de outras literaturas eslavas do sul, e a epopeia da Sérvia, Montenegro e Iugoslávia.[6] Ele permaneceu influente na Sérvia e Montenegro, bem como nos países vizinhos.
Legado

Njegoš é considerado um governante ambicioso e capaz, estimado durante e após sua vida.[7] Ele é lembrado por ter lançado as bases para o moderno Estado montenegrino, bem como por ser um dos poetas eslavos do sul mais aclamados de sua época.[8] Desde sua morte, Njegoš permaneceu um pai político e cultural sérvio.[9] Durante o final do século XIX e início do século XX, diversas facções políticas (incluindo nacionalistas sérvios, iugoslavos e comunistas) se inspiraram em suas obras.[10] Nas décadas após a morte de Njegoš, Gorski vijenac tornou-se a epopeia nacional montenegrina, reafirmando suas conexões com os mundos sérvio e cristão e celebrando a habilidade militar de seus guerreiros. Para os sérvios, o poema foi significativo porque evocava temas semelhantes aos épicos do Kosovo e os lembrava de sua solidariedade com Montenegro contra os turcos otomanos.[11] Tal como muitos dos seus contemporâneos, Gavrilo Princip, o assassino do arquiduque Franz Ferdinand da Áustria, conhecia Gorski vijenac de cor.[12]

A influência de Njegoš é paralela à de Shakespeare no mundo anglófono e sua linguagem – embora arcaica – forneceu ao sérvio moderno diversas citações conhecidas.[13] A epopeia tornou-se o texto básico de educação para montenegrinos e sérvios. Em Montenegro, é aprendida de cor e integrada à tradição oral. A imagem de Njegoš pode ser vista frequentemente em tabernas, escritórios, hospitais, nas moedas iugoslavas e sérvias e nas casas das pessoas em Montenegro e na Sérvia.[14] Após a fundação da Iugoslávia no início do século XX, Njegoš foi declarado duas vezes poeta nacional da Iugoslávia, pelo governo real na década de 1920 e pelas autoridades comunistas após a Segunda Guerra Mundial. Em 1947, no centenário da publicação de Gorski vijenac, o governo promoveu Njegoš como poeta montenegrino, e não sérvio. A mudança na etnia de Njegoš pode ter estado relacionada com a política comunista de Fraternidade e unidade e a sua promoção de uma identidade étnica montenegrina (que os comunistas proclamaram distinta da dos sérvios em 1943). As obras de Njegoš, particularmente Gorski vijenac, têm sido fontes de identidade coletiva para sérvios, montenegrinos e iugoslavos.[6] As obras de Njegoš foram retiradas dos currículos escolares na Bósnia e Herzegovina para não incitar tensões étnicas, dada a natureza divisiva de algumas das suas obras.[15]
Em 2013, Njegoš foi canonizado regionalmente na eparquia ortodoxa sérvia de Montenegro e do Litoral como São Pedro de Lovćen, com seu dia festivo celebrado em 19 de maio (6 de maio de acordo com o calendário antigo).[16][17] Em 2017, a primeira igreja dedicada a ele foi inaugurada em Bar.[18]
Referências
- ↑ Zlatar 2007, pp. 451, 466.
- ↑ Zlatar 2007, p. 455.
- ↑ a b *Djilas 1966, pp. 87–91;
- Zlatar 2007, p. 465;
- Roberts 2007, p. 195;
- Pavlović 2008, p. 36;
- Jelavich 1983, p. 250.
- ↑ Banac 1992, p. 271–72.
- ↑
- Djilas 1966, pp. 402–13;
- Roberts 2007, pp. 210–13.
- ↑ a b c Trencsényi & Kopček 2007, p. 431.
- ↑ Roberts 2007, p. 214
- ↑ Pavlović 2008, p. 37
- ↑ Beissinger, Margaret; Tylus, Jane; Wofford, Susanne (31 de março de 1999). Epic Traditions in the Contemporary World: The Poetics of Community (em inglês). [S.l.]: University of California Press. p. 74. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Balić, Emily Greble (2006). Encyclopedia of Modern Christian Politics (em inglês). Westport, Connecticut: Greenwood Publishing Group. p. 413. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Cox, John K. (30 de maio de 2002). The History of Serbia (em inglês). [S.l.]: Bloomsbury Academic. p. 60. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Judah, Tim (1 de janeiro de 2000). The Serbs: History, Myth, and the Destruction of Yugoslavia (em inglês). [S.l.]: Yale University Press. p. 64. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Alexander, Ronelle (2006). Bosnian, Croatian, Serbian, a textbook : with exercises and basic grammar. Internet Archive. [S.l.]: Madison, Wis. : University of Wisconsin Press. p. 421. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Cornis-Pope, Marcel; Neubauer, John (2004). History of the Literary Cultures of East-Central Europe: Types and stereotypes (em inglês). [S.l.]: John Benjamins Publishing. p. 112. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Lampe, John; Mazower, Mark (1 de janeiro de 2004). Ideologies and National Identities: The Case of Twentieth-Century Southeastern Europe (em inglês). [S.l.]: Central European University Press. p. 133. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ «Петар II, Ловћенски Тајновидац – свети свједок Христовог Васкрсења». Православна Митрополија црногорско-приморска (Званични сајт) (em sérvio). 19 de maio de 2022. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ «Данас се прославља Свети Митрополит Петар Други Ловћенски Тајновидац». Православна Митрополија црногорско-приморска (Званични сајт) (em sérvio). 19 de maio de 2018. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ «У Бару освештана прва црква посвећена Светом Петру II Ловћенском Тајновидцу (видео)». Православна Митрополија црногорско-приморска (Званични сајт) (em sérvio). 21 de maio de 2017. Consultado em 2 de dezembro de 2025
Bibliografia
- Banac, Ivo (1992). The National Question in Yugoslavia: Origins, History, Politics 2ª ed. Ithaca, Nova Iorque: Cornell University Press. ISBN 0801494931
- Djilas, Milovan (1977). Harcourt Brace Jovanovich, ed. Wartime. Traduzido por Michael B. Petrovich. Nova Iorque: [s.n.] ISBN 978-0-15194-609-9
- Jelavich, Barbara (1983). History of the Balkans: Eighteenth and Nineteenth Centuries. 1. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 9780521252492
- Pavlović, Srdja (2008). Balkan Anschluss: The Annexation of Montenegro and the Creation of the Common South Slavic State. West Lafayette, Indiana: Purdue University Press. ISBN 978-1-55753-465-1
- Trencsényi, Balázs; Kopček, Michal (2007). Discourses of Collective Identity in Central and Southeast Europe (1770–1945) Volume II: National Romanticism — the Formation of National Movements. Budapeste: Central European University Press. ISBN 978-963-7326-60-8
- Roberts, Elizabeth (2007). Realm of the Black Mountain: A History of Montenegro. Ithaca, Nova Iorque: Cornell University Press. ISBN 978-0-80144-601-6
- Zlatar, Zdenko (2007). Peter Lang, ed. Njegoš. Col: The Poetics of Slavdom: The Mythopoeic Foundations of Yugoslavia. Berna, Suíça: [s.n.] ISBN 978-0-820481357
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