Milica de Montenegro

Militza
Princesa de Montenegro
Grã-Duquesa da Rússia
Dados pessoais
NascimentoMilica Petrović-Njegoš
26 de julho de 1866
Cetinje, Montenegro
Morte5 de setembro de 1951 (85 anos)
Alexandria, Egito
MaridoPedro Nikolaevich da Rússia
Descendência
Marina Petrovna da Rússia
Romano Petrovich da Rússia
Nádia Petrovna da Rússia
Sofia Petrovna da Rússia
CasaPetrović-Njegoš (por nascimento)
Romanov (por casamento)
PaiNicolau I de Montenegro
MãeMilena Vukotić

Militza Nikolaevna (Cetinje, 26 de julho; 14 de julho no calendário juliano de 1866Alexandria, 5 de setembro de 1951) foi uma grã-duquesa russa. Nascida princesa Milica de Montenegro, filha do rei Nicolau I e da rainha Milena, ela adotou o nome de "Militza" após se casar com o grão-duque Pedro Nikolaevich da Rússia.

Biografia

Primeiros anos

A princesa Milica nasceu em Cetinje, Montenegro, em 14 de julho de 1868. Era membro da Casa de Petrović-Njegoš, que governava ininterruptamente o Principado de Montenegro desde 1697, e segunda filha do Rei Nicolau I da Rainha Milena, nascida filha do voivoda e senador montenegrino Petar Vukotić. Embora tenha recebido o nome de Vidosava ao nascer, tornou-se amplamente conhecida por seu nome de batismo, Milica. O padrinho de seu batismo foi Miguel Obrenović, príncipe da Sérvia, que também havia apadrinhado sua irmã mais velha, Zorka.[1]

Entre todos os filhos do Príncipe Nicolau, Milica foi a que mais cedo demonstrou interesse constante pelos livros e pelo desenvolvimento intelectual. Conforme relataram suas irmãs mais novas, ela jamais era vista sem um livro ao lado, sempre imersa na leitura, ávida por conhecimento e concentrada em um silêncio tranquilo.[2] O pai, orgulhoso, incentivava as meninas a enfrentar os rigorosos invernos da capital com longas horas de trenó, patinação no gelo e caminhadas sobre a neve. Na primavera e no verão, quando o clima se tornava mais ameno, realizavam excursões prolongadas pelas montanhas próximas, faziam trilhas, piqueniques e também passavam férias na Vila Topolica, residência do príncipe às margens do mar Adriático. As meninas aprenderam a montar sem sela, a atirar e a caçar, a jogar golfe e a conduzir com facilidade uma carruagem de quatro cavalos. Nicolau e Milena, porém, mantinham sempre em vista a necessidade de educar princesas respeitáveis, preparadas para futuros casamentos. Por isso, contrataram governantas e professores suíços e alemães, responsáveis por instruí-las em disciplinas fundamentais e avançadas, além de línguas estrangeiras, boas maneiras e habilidades consideradas essenciais a uma jovem bem-educada, como pintura, desenho e dança. Sob esse sistema rigoroso, conforme registrou um artigo da época, as princesas desenvolveram-se de meninas traquinas em mulheres de graça e beleza incomuns, dotadas de distinção pessoal e grande talento em várias áreas.[carece de fontes?]

As crianças da corte montenegrina eram orientadas para o contato com a boa literatura, o estudo de línguas estrangeiras e o conhecimento da história nacional. As aulas de piano eram obrigatórias e o desempenho dependia do talento, da determinação e da persistência de cada uma.[carece de fontes?]

Em 1869 foi fundado em Cetinje o Instituto Feminino da Imperatriz Maria Alexandrovna, criado para formar as filhas de nobres e militares. Financiado quase exclusivamente pela imperatriz, o instituto oferecia um currículo amplo que abrangia a educação primária e secundária. Embora esse fosse o caminho educacional mais natural para Milica e suas irmãs, o Príncipe Nicolau decidiu que suas filhas deveriam receber educação na Rússia imperial. Criadas em um ambiente patriarcal, no espírito da fé ortodoxa e instruídas segundo as boas maneiras europeias, as princesas foram enviadas para a Rússia ainda muito jovens, atendendo ao convite do Imperador Alexandre II, com o objetivo de completar a formação e adquirir maior refinamento cultural.[3] Essa decisão foi provavelmente também uma escolha política ponderada.[4]

Educação no Instituto Smolny

As princesas Anastásia, Zorka e Milica, em 1874, antes de partirem para o Instituto Smolny

Em 1875, Milica e sua irmã Zorka foram convidadas por Alexandre II da Rússia a estudar no Instituto Smolny, uma escola destinada a damas nobres. Um ano depois, a irmã mais nova, Anastásia, juntou-se a elas e, nos anos seguintes, conforme atingiam a idade adulta, as demais irmãs Maria, Helena e Ana também passaram a frequentar o instituto.[5]

As jovens eram colocadas sob os cuidados diretos da diretora, recebiam acomodações separadas e manutenção pessoal e dispunham de um tutor e de uma empregada doméstica. Apesar desses privilégios, assistiam às aulas juntamente com as outras alunas. Além disso, por ordem de Alexandre II, o Tesouro do Estado fornecia um pagamento único de 1.000 rublos destinado à instalação das meninas e uma mesada anual de cerca de 1.500 rublos para suas despesas.[carece de fontes?]

Os quartos especiais, reservados apenas para alunas de melhor classificação, ficavam próximos ao apartamento da diretora. As irmãs jantavam com ela, acompanhadas de outras alunas que se revezavam nas refeições, enquanto o chá era servido em seus próprios aposentos. Após o término das aulas, recolhiam-se aos seus quartos. Nos domingos e feriados recebiam jovens companheiras autorizadas a brincar e a dançar com as princesas montenegrinas. Frequentemente visitavam a família do imperador como convidadas e, durante o Natal, uma carruagem da corte era enviada para seus passeios, que incluíam também outras alunas do instituto. Em Smolny, as filhas de Nicolau conviviam com as colegas sem ostentação de superioridade.[6]

Retrato de Milica em traje nacional de Montenegro, por Vlaho Bukovac, 1888.

Segundo o barão Carl Wrangell-Rokassovsky, Milica e suas irmãs não gozavam de grande popularidade durante o período em que estudaram no Instituto Smolny. Um parente seu, que frequentou o instituto ao mesmo tempo que elas, recordava que as jovens eram muito pobres, mas esperavam que as outras alunas dividissem com elas os presentes valiosos enviados por suas famílias. A situação teria mudado após uma visita oficial do pai, o Príncipe Nicolau, a São Petersburgo, quando o Imperador Alexandre III o recebeu em um banquete no Palácio de Inverno e o saudou como seu único e verdadeiro amigo. Depois do episódio, o estatuto das irmãs Montenegro em Smolny foi imediatamente elevado ao de membros da realeza e os professores passaram a tratá-las com etiqueta real. Wrangell-Rokassovsky observou também que Milica e Anastásia eram altivas e arrogantes. Anastásia, em especial, frequentemente se recusava a recitar suas lições, respondendo apenas Nyet ("Não") enquanto permanecia sentada. Nesse período, a postura cada vez mais assertiva e dominadora das irmãs começou a gerar tensões com outras alunas, embora Helena continuasse bem vista.[carece de fontes?]

Em 1885, durante os estudos das irmãs no instituto, Maria de Montenegro adoeceu gravemente, vítima de pneumonia ou tifo. Apesar dos esforços dos médicos imperiais, morreu aos dezesseis anos. Milica e as irmãs ficaram inconsoláveis, mas foram confortadas pela mãe, que havia viajado a São Petersburgo. Maria foi vestida com o traje nacional de Montenegro e seu caixão recebeu escolta de honra militar até a estação de trem para a última viagem à terra natal. Alexandre III e o Czarevich Nicolau compareceram pessoalmente à cerimônia final no Smolny e acompanharam a procissão até a estação como sinal de respeito.[7]

A irmã mais velha, Zorka, deixou o instituto e, em Paris, conheceu Pedro Karađorđević, príncipe exilado e pretendente ao trono sérvio, que mais tarde se tornaria Pedro I da Sérvia. Casou-se com ele e estabeleceu-se em Cetinje, perto dos pais.[8]

Milica e Anastásia concluíram o curso no Smolny como jovens cultas e intelectualmente curiosas. Milica recebeu a Medalha de Ouro por Excelente Desempenho Acadêmico, concedida pela Imperatriz Maria. Ambas eram profundamente religiosas e interessadas em filosofia e em ideias de caráter esotérico. Milica destacava-se por sua inclinação intelectual e chegou a falar fluentemente cinco línguas: russo, inglês, francês, alemão e sérvio. Além disso, possuía conhecimento prático de árabe, sânscrito e persa, que utilizou para traduzir obras de Omar Caiame para o russo. Era artista talentosa e pianista habilidosa, compunha música e estudava arquitetura. Demonstrava interesse constante por misticismo, ocultismo, medicina e pensamento oriental, explorando diferentes teologias e sistemas de ideias. Anastásia, mais reservada, também era muito culta e compartilhava o talento artístico da irmã.[9]

As princesas reuniam uma série de qualidades consideradas atraentes na época e capazes de conquistar pretendentes adequados. Em aparência, eram marcantes, com tez levemente mais escura, olhos escuros e silhuetas esbeltas. Segundo Witte, como o Príncipe Nicolau procurava manter a boa vontade de Alexandre III, "era natural que o imperador dedicasse atenção às jovens após a conclusão de seus estudos. Essa deferência bastou para encorajar alguns membros jovens da família imperial a pedir suas mãos em casamento".[10]

Perspectivas de casamento

As princesas Milica e Anastásia em trajes de teatro

O primeiro membro da dinastia Romanov a demonstrar interesse por uma das princesas montenegrinas foi o grão-duque Pedro Nikolaevich da Rússia. Nascido em 1864, ele era o filho mais novo do grão-duque Nicolau Nikolaevich, terceiro filho do Imperador Nicolau I, e de sua esposa, a grã-duquesa Alexandra Petrovna, nascida duquesa de Oldemburgo.[carece de fontes?]

As princesas montenegrinas possuíam atributos considerados altamente atraentes para possíveis pretendentes. Em aparência, destacavam-se pela tez levemente mais escura, pelos olhos escuros e por figuras esbeltas.[11]

Há indícios de que Alexandre III e sua consorte, Maria Feodorovna, tiveram participação direta no incentivo ao romance. Em uma manhã de janeiro de 1889, Milica e Anastásia, conhecida como Stana, foram convidadas para tomar café da manhã com a família imperial no Palácio Anitchkov, em São Petersburgo. Embora houvesse cerca de trinta convidados, Alexandre III escolheu sentar-se entre as duas irmãs. Na mesma noite, a imperatriz as convidou para um jantar familiar. É provável que em uma dessas ocasiões Pedro tenha notado Milica pela primeira vez.[12]

Pedro não precisou de estímulo adicional. Segundo o testemunho de seu neto, Nicholas Romanov, ele encontrou Milica em diversos outros eventos da corte em São Petersburgo e passou a conhecê-la melhor. Rapidamente se apaixonou, pois a considerava bela e inteligente e identificava nela o mesmo entusiasmo por atividades intelectuais. De acordo com o Nicholas, "formaram uma parceria harmoniosa baseada em valores e interesses compartilhados".[13]

Na véspera do casamento de Milica com o grão-duque Pedro Nikolaevich, foi anunciado também o noivado de Anastásia com o viúvo príncipe Jorge Maximilianovich de Leuchtenberg. O príncipe era conhecido por sua reputação libertina e há relatos de que o Imperador Alexandre III teria apoiado a união na expectativa de que Jorge se estabilizasse e encerrasse os rumores a seu respeito. Seja isso verdade ou não, o casamento parece ter sido uma união arranjada, mais pragmática do que romântica. Quando perguntado mais tarde se chegara a amar Anastásia, Jorge teria afirmado que não amara a esposa nem por um único dia. Para Anastásia, o casamento tampouco parece ter sido particularmente inspirador e pode ter sido aceito principalmente como meio de permanecer na Rússia e perto de Milica. Jorge, contudo, descendia da Casa de Beauharnais, na França, fixou-se na Rússia, possuía grande riqueza e conexões influentes e tornou-se Duque de Leuchtenberg.[14] Em 1907, após divorciar-se do duque, Anastásia contraiu novo matrimônio com o grão-duque Nicolau Nikolaevich da Rússia, cunhado de sua irmã e figura de destaque no exército imperial, conhecido na família como Nikolasha.[carece de fontes?]

Noivado

O grão-duque Pedro Nikolaevich, por volta de 1885

Milica foi a primeira princesa a tornar-se noiva de um membro da família imperial russa que já professava a fé ortodoxa, o que dispensava qualquer conversão religiosa para a realização do casamento. Era frequentemente descrita como culta, inteligente e arrogante, características que contrastavam com o temperamento reservado de Pedro.[carece de fontes?]

Quando Pedro finalmente solicitou a Alexandre III autorização para o casamento, o imperador manifestou apoio integral. Segundo o senador de Estado Alexander Polovtsov, Alexandre III declarou "estar extremamente satisfeito porque a nova integrante da família imperial não seria uma princesa alemã, mas sim uma jovem ortodoxa e, conforme disse, não desprovida de atrativos".[15]

O noivado de Milica com Pedro, anunciado em maio de 1889, e a perspectiva de união entre as casas reais de Montenegro e da Rússia foram recebidos com grande entusiasmo em Montenegro. Após receber as felicitações enviadas por telégrafo por Alexandre III e pela Imperatriz Maria, Milica respondeu afirmando que "a bondade indescritível de Suas Majestades Imperiais para com ela e sua família enchia seu coração de alegria e que lhe faltavam palavras para expressar seus sentimentos". Na Rússia também houve celebrações. Um jornal descreveu o casamento como "um acontecimento de especial importância política". O periódico afirmava que "a relevância do evento se tornava evidente diante do descontentamento dos inimigos da Rússia e da alegria manifesta em todo o mundo eslavo". Segundo o jornal, "pela primeira vez a antiga casa sérvia, célebre por seus valores militares, unia-se à Rússia por laços de sangue". A matéria destacava ainda que Milica era "sérvia, cristã ortodoxa e educada na Rússia e concluía que todo o país compartilhava a alegria dessa união, vista como o início de uma nova era".[16]

No dia seguinte ao noivado, o Imperador Alexandre III ofereceu um café da manhã cerimonial no Palácio de Peterhof, durante o qual reafirmou, em forma de brinde, as palavras que costumava dirigir ao Príncipe Nicolau. Declarou brindar à saúde do soberano montenegrino, apresentado como o único amigo leal e sincero da Rússia. Nesse mesmo evento, Alexandre III concedeu ao príncipe de Montenegro o Décimo Quinto Regimento da Guarda de Fuzileiros, que passou a levar seu nome, e autorizou o príncipe herdeiro Daniel a utilizar o uniforme do regimento que homenageava o pai. Concedeu-lhe também a Grã-Cruz da Ordem Imperial de Santo Alexandre Nevsky.[17]

Durante o noivado, o grão-duque Pedro Nikolaevich viajou para visitar seus futuros sogros em Montenegro. Navegou até Rijeka e, a partir dali, seguiu no navio a vapor Sibil até Kotor. No desembarque, foi conduzido pelas carruagens da corte até Cetinje. Chegou acompanhado de seu ajudante de ordens, o barão Alexei Staël von Holstein, e foi recebido no litoral pelo ajudante de ordens do Príncipe Nicolau, Slavko Slava Đurković.[carece de fontes?]

Na fronteira, Pedro foi saudado pelo duque Božo Petrović-Njegoš, parente da noiva e primeiro-ministro de Montenegro, bem como pelo ministro imperial russo na corte montenegrina, Kimon Emmanuilovich Argyropoulo, além de outras autoridades. Os aposentos reservados ao grão-duque situavam-se na residência de Pedro Karađorđević, genro do Príncipe Nicolau.[carece de fontes?]

Em sua homenagem, encenou-se a peça Balkanska carica ("A Imperatriz dos Balcãs"), escrita pelo próprio Príncipe Nicolau. No dia seguinte, um destacamento de infantaria participou de manobras militares no Monte Lovćen sob sua observação. Organizou-se também um passeio com almoço em Prilip, local de excursões próximo a Cetinje. Nessa ocasião, Pedro esteve acompanhado de sua noiva, Milica, e dos pais dela. Juntaram-se ao grupo Darinka, princesa viúva de Montenegro, e sua filha, a Princesa Olga, que viajaram de Veneza, onde habitualmente residiam, para participar das festividades.[carece de fontes?]

Após permanecer vários dias em Montenegro, o noivo de Milica partiu a cavalo, acompanhado de diversos oficiais, em direção ao porto de Bar, de onde retornou por via marítima à Rússia.[18]

Casamento

O casamento da Princesa Milica com o Grão-Duque Pedro, realizado em julho de 1889 em Peterhof

O casamento realizou-se em Peterhof em 7 de agosto (26 de julho no calendário juliano) de 1889. Nicolau e Milena vieram de Montenegro para as festividades, embora o príncipe governante de um pequeno e politicamente modesto país balcânico, Nicolau era um monarca aliado, ortodoxo e eslavo, e a corte russa fez questão de marcar a ocasião com o cerimonial grandioso de praxe. O banquete da véspera decorreu em clima festivo, e o dia da cerimônia apresentou calor incomum, com o sol atravessando as janelas do palácio enquanto as procissões se alinhavam nos salões dourados de Peterhof.[19]

Pela manhã, por volta das 8 horas, cinco tiros de canhão anunciaram que os casamentos programados para Peterhof ocorreriam naquele dia. Pouco antes da cerimônia, um trem especial vindo de São Petersburgo trouxe membros do corpo diplomático, entre eles o embaixador alemão Hans Lothar von Schweinitz (1822–1901), o austro-húngaro conde Anton von Wolkenstein-Trotsburg, o britânico Sir Robert Marier, o francês Paul Lefebvre de Laboulaye e outros. Todos trajavam uniforme formal; a única ausência foi a do embaixador turco Mehmed Şakir Paxá, então fora da cidade e representado por membros de sua missão. As damas compareceram em indumentária ricamente ornamentada.[carece de fontes?]

No mesmo trem chegou o príncipe Vladimir Andreevich Dolgorukov (1865–1891), governador-geral de Moscou. Por volta das 13 horas os participantes designados no cerimonial começaram a se reunir, e às 14h35 Sua Majestade Imperial a Imperatriz chegou acompanhada por Sua Alteza Real a rainha Olga da Grécia. A música do Regimento Preobrazhensky da Guarda da Vida executou o hino nacional russo enquanto a imperatriz e a rainha ingressavam nos novos aposentos para assistir à preparação da noiva. Na galeria de retratos, o Imperador aguardava com altos dignitários.[carece de fontes?]

A noiva era assistida pelas damas da corte: a Senhora Chefe da Corte da Imperatriz; a condessa Anna Stroganova; a dama imperial Baronesa Maria Petrovna von Budberg-Bönninghausen (nascida d’Oubril, 1819–1913); e a principal dama de companhia de Milica, Fräulein Louise Neukomm von Hallau (1845–1932), outrora sua governanta.[20]

Após a bênção, a procissão cerimonial dirigiu-se à igreja. À frente da noiva iam a imperatriz russa, portando a Ordem Imperial de Santa Catarina e um kokoshnik de diamantes, e o príncipe montenegrino em traje militar nacional, ostentando a faixa russa e o colar da Ordem de Santo André. Seguiam-nos o Imperador e a rainha Olga da Grécia, ele em uniforme imperial completo, ela em traje de corte russo com a faixa de Catarina.[carece de fontes?]

Em seguida vinham o grão-duque Frederico Francisco III de Mecklemburgo-Schwerin com a Duquesa de Edimburgo; o Duque de Edimburgo com a grã-duquesa Anastásia Mikhailovna de Mecklemburgo-Schwerin; o herdeiro do trono, Nicolau Alexandrovich, com a grã-duquesa Isabel Feodorovna; o grão-duque Vladimir Alexandrovich com a grã-duquesa Alexandra Georgievna; além de outros membros da realeza e convidados ilustres. O grão-duque Pedro trajava uniforme militar de parada, com a faixa de Alexandre e o colar da Ordem de Santo André.[carece de fontes?]

A noiva vestia manto de tom oliva, guarnecido com arminho e a faixa da Ordem de Catarina, usando a Coroa Nupcial russa. Sua irmã, a Princesa Anastásia, apresentou-se em suntuoso traje nacional de Montenegro. Os noivos foram recebidos na igreja pelo bispo metropolitano Isidor e membros do Santo Sínodo; o sacramento foi celebrado pelo protopresbítero Ivan Leontyevich Yanyshev (1826–1910). Entre os padrinhos figuravam o herdeiro Nicolau Alexandrovich, o príncipe herdeiro Danilo de Montenegro e diversos grão-duques: Dmitri Constantinovich, Nicolau Nikolaevich, Sérgio Mikhailovich e Alexandre Mikhailovich.[carece de fontes?]

O menu do casamento da Princesa Milica de Montenegro e do Grão-Duque Pedro da Rússia: sopa de tartaruga, esterlina (peixe), teterevas (aves silvestres), pato em aspic, entre outros pratos. Peterhof, 26 de julho de 1889

Concluída a cerimônia, os recém-casados agradeceram ao Imperador e ao Príncipe Nicolau, que os felicitou calorosamente. Um grande banquete russo teve lugar no Salão das Pinturas de Peterhof, prosseguindo depois no Salão Chesma ao som da orquestra da corte, com repertório de Glinka, Mendelssohn, Tchaikovsky e Wagner. As celebrações continuaram no Palácio Znamenka, pertencente em grande parte ao irmão do noivo, o grão-duque Nicolau Nikolaievich, e em parte ao próprio Pedro. Ali reuniram-se membros da família Romanov, parentes das casas de Oldemburgo, Leuchtenberg e Mecklemburgo radicados na Rússia, além da alta aristocracia russa.[carece de fontes?]

Os recém-casados seguiram em carruagens imperiais puxadas por quatro cavalos, recebidos por guarda de honra do Regimento de Ulanos da Guarda Imperial, com música e estandarte. O mesmo esquadrão incluía militares ligados ao grão-duque Pedro Nikolaevich. O casal retornou depois ao Palácio de Peterhof para o jantar, percorrendo vias ladeadas por palácios e residências de verão iluminados com esplendor.[21]

Pedro e Milica tiveram um casamento feliz. Formavam um casal atraente, compatível em temperamento e interesses, unidos pela apreciação das artes e pela curiosidade em relação à cultura, arquitetura e pensamento do Oriente Médio. Estima-se que viveram um dos raros casamentos Romanov imunes a escândalos de infidelidade ou acusações de filhos ilegítimos. Pedro, marcado pela união desastrosa de seus pais e pela humilhação sofrida por sua mãe, encontrou em Milica, segundo o neto de ambos, Nicholas Romanov, um refúgio de afeto e cuidado, ausentes em sua infância.[22] Assim como Nicolau e Alexandra, quando separados escreviam-se diariamente, às vezes várias vezes ao dia, em linguagem tão terna quanto a do casal imperial. Para Pedro, Milica era "minha amada Zaza", "minha Santa Misya" e "minha alegria"; ela o tratava por "meu amado" e "meu queridíssimo Petushka".[23]

Vida na Crimeia

O Palácio de Nicolau, uma propriedade da família que Pedro e seu irmão Nicolau tiveram que vender para cobrir as enormes dívidas deixadas por seu falecido pai

Após a morte do pai, Pedro e o irmão foram obrigados a vender o vasto Palácio Nicolau, em São Petersburgo, para liquidar as numerosas dívidas deixadas por ele, restando pouca herança após o pagamento dos credores. Como filho mais velho, Nicolau recebeu o Palácio Znamenka, no golfo da Finlândia, próximo à propriedade imperial de Peterhof, e Pedro e Militza passaram a ali permanecer durante a primavera e o verão. Para sua residência na capital, alugaram também um apartamento no antigo Palácio Derviz. Nos primeiros quatro anos de casamento, viajavam por até seis meses ao ano para climas mais amenos, realizando longas estadias no sul da França, além de visitas prolongadas ao Egito e à Palestina. Em 1893, contudo, o ritmo constante de viagens começou a afetá-los; desejosos de estabelecer uma residência semipermanente em clima suave, mas ainda dentro da Rússia, voltaram-se para a Crimeia. Pedro adquiriu um terreno da propriedade vizinha dos Yusupov em Koreiz, onde pretendiam erguer um novo palácio.[24] Como essa casa seria a residência principal durante grande parte do ano, precisavam de algo mais substancial que uma vila de veraneio: o Palácio Dulber foi concebido como um palácio em sentido pleno, dimensionado para acolher não apenas o casal e a família, mas também suas suítes, pessoal doméstico, tutores e criados dos filhos.[carece de fontes?]

Palácio Znamenka, residência de verão de Militza e Pedro, pertencente a seu irmão Nicolau

Militza e Pedro decidiram construir a nova residência em estilo mourisco. A grã-duquesa era versada em arquitetura persa, antiguidades e artes decorativas, e Pedro estava profundamente impressionado com os edifícios amplos e luminosos que haviam visto no Egito. Em 1895, Pedro confiou o projeto a Nikolai Krasnov, então arquiteto municipal de Yalta, já conhecido por suas vilas ao longo do mar Negro para membros da aristocracia. Sua restauração do Palácio de Bakhchisarai, antiga residência dos cãs tártaros, provavelmente chamou a atenção do casal: ali, Krasnov revelara sensibilidade e rigor no trabalho com arquitetura mourisca e islâmica, demonstrando capacidade de absorver um universo estético completamente distinto. Essa competência convenceu os grão-duques de que ele poderia materializar seus planos.[carece de fontes?]

Palácio Dulber, Yalta, na Crimeia.

Segundo o príncipe Romano Petrovich, único filho de Pedro e Militza, "Dulber foi um projeto bastante complicado". O plano, elaborado pelo próprio casal, previa mais de cem cômodos distribuídos em alas de dois e três pavimentos acomodadas à encosta e circundando o pátio de entrada. Krasnov, inicialmente, ficou intimidado. "Ele examinou as anotações e os esboços de meu pai", recordou Romano, "e disse que não estava familiarizado com o estilo árabe. Pediu tempo para estudar o projeto e avaliar como poderia torná-lo viável. Meu pai apreciou sua seriedade. Considerou-o um homem afável e, com o tempo, tornaram-se grandes amigos".[25]

Retrato da grã-duquesa Militza Nikolaevna da Rússia com um cão Borzoi, pintado por um artista desconhecido, retratando-a em seu jardim russo.

Krasnov superou as hesitações e traduziu os esboços de Pedro e Militza em projetos definitivos. As obras duraram três anos, interrompidas por uma crise em 1897. Herdeiro das dívidas paternas, Pedro dispunha de recursos limitados e gastara generosamente na construção. Quando Krasnov enviou sua fatura trimestral a São Petersburgo, recebeu resposta do barão Alexander von Staël-Holstein, conselheiro financeiro do grão-duque, informando que não havia fundos para o pagamento. O barão ordenou a suspensão das obras e sugeriu que o palácio inacabado fosse vendido para saldar as dívidas. Uma investigação revelou que o administrador anterior desviara valores substanciais para aventuras desastradas na bolsa. Pedro recusou-se a abandonar o projeto. Procurou primeiro o ministro das Finanças, Sergei Witte, solicitando um empréstimo do Tesouro Imperial; Witte, que nutria aversão às princesas montenegrinas, recusou. Restou a Pedro agir por conta própria: vendeu parte das terras de Znamenka e uma fábrica de tijolos pertencente ao espólio, leiloou diversas obras de arte e obteve ainda um empréstimo pessoal de Nicolau II. Assim pôde quitar Krasnov e retomar a construção.[26]

Concluído o palácio, Pedro batizou-o "Dulber", palavra tártara que significa "belo". Erguido no alto dos penhascos sobre o mar Negro, parecia mais uma mesquita que uma residência russa, evocando uma paisagem saída de alguma fantasia oriental. As paredes brancas apresentavam galerias e torres, e cúpulas azuis com crescentes dourados coroavam os telhados planos. "Aos raios do sol poente", escreveu o Príncipe Romano, "o palácio adquiria um tom rosado; ao luar, parecia prateado".[27]

Para o Nicholas Romanov, "Dulber representava uma fantasia, um sonho e um refúgio para meus avós. No exílio, falavam sempre dele com saudade, desejando poder revê-lo. Era muito mais que um edifício: em certo sentido, refletia o casamento feliz que tiveram e tornara-se quase como um quarto filho".[28]

Vida na Corte Imperial

A Grã-Duquesa Militza com seus filhos

Onde Militza se estabelecia, sua irmã Anastásia logo a acompanhava. Em 1904, um jornal norte-americano noticiou que o casamento de Anastásia tivera "uma felicidade sem nuvens".[29] A realidade, contudo, era distinta. A relação era qualificada como "tempestuosa e turbulenta" e afirmava-se que Jorge "a insultara e a ultrajara desde o primeiro dia de casamento".[30] Em poucos anos, Jorge abandonou a esposa e passou a viver publicamente com a amante em Biarritz. "Assim o príncipe lava seu corpo imundo nas ondas do oceano", observou Alexandre III acerca de uma dessas viagens.[31]

O afastamento de São Petersburgo proporcionava algum alívio diante da animosidade mal dissimulada que cercava Militza e Anastásia na Corte Imperial. A condessa Lili von Nostitz, crítica severa, frequentemente imprecisa e por vezes histérica, declarou de modo categórico que o nome de Anastasia "era sinônimo de intrigas" e acusou as irmãs de contribuírem para a ruína da Rússia Imperial.[32] Antes, elas eram conhecidas na sociedade de São Petersburgo como as "Pérolas Negras", denominação que evocava tanto sua tez escura quanto sua origem. Os críticos passaram a distorcer esse nome para o mais ameaçador "Perigo Negro".[33]

Segundo Olga Alexandrovna, irmã de Nicolau II, as duas montenegrinas eram profundamente detestadas. "As irmãs foram apelidadas de Cila e Caríbdis, e ninguém ousava agir antes que as damas montenegrinas estivessem no lugar que julgavam adequado".[34] A grã-duquesa Maria Georgievna também recordou: "Essas duas damas não eram muito populares na família e possuíam uma mentalidade bastante distinta. Eram extremamente cultas e inteligentes, mas muito, muito ambiciosas".[35]

Entre os Romanov, a inteligência das duas irmãs jogava contra elas, assim como seu interesse por filosofia e misticismo. Nicholas Romanov, neto de Militza, recordou: "A avó era realmente uma mulher extraordinária, movida por uma paixão por tudo. Amava a leitura e raramente me lembro de vê-la sem um livro por perto. Seus interesses eram vastíssimos. É verdade que se dedicava intensamente a temas esotéricos, mas considero importante lembrar que era profundamente ortodoxa. Fora educada na fé e jamais dela se desviou".[36]

A Grã-Duquesa Militza, adornada com joias e vestida com um elegante traje de baile de noite

Havia outra mulher na corte que também se sentia uma estrangeira, uma figura deslocada e incompreendida pelos Romanov, que viam seu comportamento como singular e seu interesse por religião e filosofia como excessivo: a Imperatriz Alexandra. As três mulheres, todas sentindo-se julgadas em sua nova família e todas buscando respostas para questões mais amplas, acabaram inevitavelmente aproximando-se. Não se sabe ao certo quando a amizade se formou. A narrativa mais comum é a seguinte: por volta de 1900, Alexandra adoeceu gravemente com uma forte gripe gástrica. Militza e Anastásia teriam dispensado à imperatriz, considerada altiva, toda a deferência que esta esperava, colocando-se em posição de humildade para agradar a sua vaidade e conquistar sua confiança. Quando a enfermidade surgiu, teriam entrado no palácio, dispensado as criadas habituais e assumido pessoalmente os cuidados com a soberana, realizando inclusive "as tarefas desagradáveis associadas à doença", segundo Sergei Witte. Assim, "ganharam o favor da imperatriz, mas o imperador lhes prestou pouca atenção enquanto estava sob a influência de sua mãe, e à medida que essa influência declinou, a posição das montenegrinas junto a ele se fortaleceu".[37]

É mais provável, contudo, que o vínculo entre elas tenha se formado a partir de questões espirituais e filosóficas. É fato inegável que as duas montenegrinas foram responsáveis por apresentar Nicolau e Alexandra a uma sucessão singular de homens santos errantes, místicos e autoproclamados videntes. Essa cadeia de encontros culminou, em 1905, na apresentação do célebre Grigori Rasputin ao casal imperial. Entretanto, o processo que levou a tais aproximações reflete mais o estado geral da religiosidade na Rússia da virada do século do que alguma suposta influência maléfica exercida por Militza e Anastásia sobre o imperador e a imperatriz. "É verdade que a avó desempenhou um papel na entrada de Rasputin na corte imperial", afirmou Nicholas Romanov, neto de Militza, "mas é injusto atribuir-lhe toda a responsabilidade. Costuma-se esquecer que outras vozes importantes também o recomendaram ao imperador e à imperatriz, incluindo membros respeitados do clero ortodoxo. Creio que isso deve ser lembrado. E, naturalmente, à época tais práticas eram bastante comuns, sobretudo nos círculos imperiais".[38]

Militza aparece com sua família em Montenegro durante a coroação de seu pai, ocasião em que o país foi elevado à categoria de reino, em 1910

A interpretação simplista costuma seguir a visão de Witte de que Militza e Anastásia "foram contaminadas por essa doença conhecida por nomes como espiritualismo e ocultismo".[39] Afirma-se com frequência que ambas trouxeram de seu Montenegro natal "uma crença inabalável no sobrenatural. Bruxas e feiticeiros sempre viveram ali, nas montanhas elevadas cobertas de florestas selvagens, e alguns habitantes eram capazes de falar com os mortos e predizer o destino dos vivos".[40]

Essa busca encontrou receptividade em Nicolau e Alexandra. Ambos partilhavam não apenas profundo interesse religioso, mas também forte inclinação pelo espiritualismo. Eram devotos da fé ortodoxa, porém igualmente receptivos ao ensinamento eclesiástico segundo o qual milagres ainda ocorriam e homens dotados de graças espirituais podiam ser encontrados especialmente entre o povo simples. Nesse contexto, convém lembrar que o casal imperial já havia começado a receber, independentemente da influência de Militza, diversos peregrinos itinerantes e reputados homens santos na virada do século. O arquimandrita Theophan Bystrov, diretor do Seminário Teológico de São Petersburgo e futuro confessor particular de Nicolau e Alexandra, assegurou-lhes: "Ainda existem os homens de Deus na terra. Até hoje a nossa Santa Rússia é fértil em santos. Deus envia consolo ao seu povo, de tempos em tempos, sob a forma de homens justos, e eles constituem o fundamento da Santa Rússia".[41]

Durante esses anos, Pedro e Militza passavam grande parte do tempo em São Petersburgo, no Palácio Znamenka, pertencente ao irmão de Pedro, onde Anastásia também possuía aposentos. A propriedade localizava-se a poucos quilômetros da costa do golfo da Finlândia, não distante de Peterhof, onde Nicolau II e Alexandra geralmente passavam o início do verão. Logo, o casal imperial começou a visitar as duas irmãs e os dois grão-duques, passando longas noites em conversas sobre filosofia e misticismo. Poucas coisas permaneciam secretas por muito tempo, sobretudo quando envolviam o imperador e a imperatriz, e as notícias dessas reuniões rapidamente se espalharam pela sociedade. O príncipe Felix Yusupov, que mais tarde se tornaria célebre como um dos assassinos de Rasputin, afirmava, em seu estilo tipicamente histriônico, que Znamenka era "o centro das forças do mal" dentro do Império Russo.[42]

Palácio Von Derviz, residência de Militza e Pedro em São Petersburgo

Ambas as irmãs exerciam influência social considerável na corte imperial. Militza e Anastásia eram ambiciosas em nome de seus maridos e procuravam conquistar influência sobre a imperatriz e, por seu intermédio, sobre o imperador. Os contemporâneos observavam com frequência que eram extraordinariamente inteligentes, excepcionalmente instruídas e mais politicamente conscientes que muitos dos grão-duques. Ao mesmo tempo, eram vistas como conspiradoras perigosas cujas intrigas representavam ameaça constante no ambiente palaciano. Suas manobras eram amplamente detestadas pelos membros da família imperial e pelo restante da corte.[carece de fontes?]

Receberam conjuntamente diversos apelidos, entre eles "Perigo Negro", "Corvos Negros", "Par Negro", "Aranhas Montenegrinas", "Almas Negras" e "Princesas Negras". Eram ortodoxas praticantes e mantinham profundo interesse pelo ocultismo. Foram elas que apresentaram à família imperial o místico Philippe Nizier-Vashod, conhecido como "Padre Filipe", e posteriormente o místico Rasputin.[43]

Nada disso permaneceu oculto. "Durante todo o verão", escreveu o grão-duque Constantino Constantinovich em seu diário, "dizia-se que suas majestades haviam se tornado muito próximas de Militza. Comentava-se que passavam quase todas as noites em Znamenka, permanecendo até tarde, enquanto a imperatriz evitava sair sob o pretexto de que a imperatriz viúva sofria de fadiga. Agora posso ver e saber que a imperatriz viúva e todos os seus próximos estão profundamente irritados com Militza e sua irmã Anastásia. A própria Anastásia – que se sentou ao meu lado no jantar de ontem – queixou-se de que ela e Militza estavam sendo injustamente acusadas de conspirações e intrigas".[44] O grão-duque Sérgio Alexandrovich também anotou em seu diário: "A Soberana está absurdamente envolvida com algum tipo de mesmerista, uma espécie de Cagliostro, trazido por aquelas montenegrinas estúpidas".[45]

Rasputin

Embora Militza tenha apresentado Rasputin ao casal imperial, ela tomou o cuidado de restringir o acesso do camponês a Nicolau e Alexandra. Avisou-lhe que só deveria procurá-los quando ela organizasse o encontro; sob nenhuma circunstância deveria visitá-los por conta própria.[46] É provável que desejasse controlar as interações de Rasputin com o imperador e a imperatriz, talvez para assegurar-se de continuar sendo o principal ponto de contato e, assim, manter sua própria posição no centro das atenções imperiais. Mas Rasputin não era homem de acatar limitações, sobretudo quando estas interferiam na expansão de sua influência sobre o casal imperial. Impedi-lo de visitá-los autonomamente equivalia, na prática, a estimulá-lo a fazê-lo. E foi justamente o que ocorreu. Para grande desgosto de Militza, o camponês tornou-se rapidamente um visitante assíduo do Palácio de Alexandre, excluindo-a do convívio com o casal.[47]

Ao se desvincular das irmãs, Rasputin provocou-lhes forte ressentimento, e elas passaram a vigiá-lo por todos os lados, aguardando qualquer deslize que pudesse comprometer sua posição. A hostilidade explícita que nutriram contra ele tornou-se mais do que evidente. Em consequência, ambas as irmãs e seus respectivos maridos acabaram caindo em desgraça perante a Imperatriz Alexandra. À medida que o poder e a influência de Rasputin aumentavam, igualmente crescia sua lista de adversários. Em 1907, quando membros do clero da localidade de Pokrovskoye, sua terra natal, o acusaram de vínculos com a seita herética dos Khlysty, a Igreja Ortodoxa Russa instaurou uma investigação formal. Alegou-se que a Grã-Duquesa Militza teria estado envolvida no caso, como forma de vingança contra o camponês que se insinuara na Casa Imperial e já não necessitava do seu apoio.[48]

Em 1909, porém, Militza e sua irmã perderam completamente a influência junto à imperatriz e, movidas por ressentimento, desencadearam um violento contra-ataque. Alexandra referiu-se a elas como "minhas maiores inimigas" em carta a Nicolau II. As duas irmãs organizaram uma campanha feroz, quase impiedosa, contra a reputação da soberana, acusando-a de embriaguez, libertinagem e até espionagem, ao mesmo tempo que conspiravam para depor o imperador em favor de seu cunhado, Nicolau, e instavam para que a imperatriz fosse enclausurada em um mosteiro.[49]

Entretanto, Anna Vyrubova tornou-se o principal elo entre Rasputin e a família imperial. Militza e Anastásia procuraram minar sua crescente influência sobre a imperatriz, afastando-a da corte, mesmo que para isso fosse necessário sacrificar o próprio Rasputin. De acordo com o major-general Vladimir Nikolaevich Voeykov, posteriormente comandante do Palácio, Anastásia chegou a proibir Rasputin de visitar Vyrubova, como ele confessou mais tarde em suas memórias.[50]

Nicholas Romanov, neto de Militza, confirmou a hostilidade da avó em relação a Vyrubova. "Suponho", declarou, "que tenha havido algum elemento de ciúme. Sei que minha avó detestava Vyrubova profundamente. Ela conquistou a confiança do casal imperial e se aproveitou de sua posição, como se tornaria evidente mais tarde, quando se envolveu em assuntos políticos".[51]

A disputa crescente na esfera imperial provavelmente influenciou a decisão do grão-duque Pedro de renunciar ao cargo de inspetor-geral do Departamento de Engenharia Militar, em 1909, e trasladar-se definitivamente com a família para sua propriedade na Crimeia, Dulber. Lá, viviam tranquilamente, afastados da corte: dedicavam-se à leitura, visitavam parentes e planejavam novos jardins para o palácio.[carece de fontes?]

Militza e Anastásia com suas filhas Marina e Helena, no Kremlin, em Moscou, na década de 1910.

Militza e o marido passavam igualmente longos períodos no exterior, devido à saúde frágil de Pedro. Raramente compareciam a funções oficiais, apresentando-se apenas quando o protocolo o exigia. Em 1911, quando a sobrinha de Militza e Anastásia, a princesa Helena da Sérvia, casou-se com o príncipe João Constantinovich da Rússia, as irmãs mantiveram-se deliberadamente afastadas da capital. Sua ausência derivou menos de qualquer ressentimento para com a família imperial e mais da suspeita de que a Sérvia conspirava contra Montenegro.[52]

Tal postura refletia o patriotismo e a lealdade inabaláveis que sempre nutriram por sua terra natal. "A avó e a tia Anastásia", explicou o Nicholas Romanov, "sentiam-se plenamente russas, mas nunca deixaram de ser verdadeiras montenegrinas. Nada poderia diminuir o amor que tinham por seu país".[53] Militza fundou e financiou um jardim de infância em Cetinje, entrevistou e contratou professores e custeou integralmente sua manutenção.[54] Em agosto de 1910, as duas irmãs viajaram para Montenegro com o marido de Militza para participar de um evento memorável. No quinquagésimo aniversário de sua ascensão ao trono, o Príncipe Nicolau assumiu o título de rei, em cerimônia realizada em Cetinje.

Quando as Guerras Balcânicas eclodiram em 1912, Militza e Anastásia retornaram temporariamente ao Montenegro para supervisionar os esforços de socorro. "Trabalho o dia todo", escreveu Militza, "recebendo a chegada constante de feridos. São tantos que é impossível prestar auxílio suficiente".[55] Ela escrevia com frequência a Nicolau II, implorando que intercedesse em nome de seu pai e defendendo suas propostas.[carece de fontes?]

Primeira Guerra Mundial

Edifício da Legação Russa, utilizado até 29 de dezembro de 1915, em plena Primeira Guerra Mundial, quando todos os diplomatas estrangeiros na corte montenegrina deixaram Cetinje

No verão de 1914, o presidente da França, Raymond Poincaré, realizou uma visita oficial à Rússia. As irmãs Militza e Anastásia, acompanhadas de seus maridos, participaram dos banquetes em Peterhof e das revistas militares em Krasnoye Selo. No entanto, o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando e de sua esposa morganática, Sofia, duquesa de Hohenberg, ocorrido poucas semanas antes, deixara todos em estado de tensão. Militza e Anastásia, em particular, estavam convencidas de que uma guerra europeia era iminente e acreditavam que tal conflito favoreceria sua pátria, Montenegro. Maurice Paléologue, embaixador da França na Rússia, recordou que, durante um jantar oferecido pelo grão-duque Nicolau Nikolaevich ao presidente francês, as duas irmãs "pareciam transbordar de entusiasmo". Anastásia exclamou: "Vocês se dão conta de que estamos vivendo dias históricos, dias decisivos... Na revista de amanhã, as bandas tocarão apenas a Marcha da Lorena e Sambre et Meuse. Recebi um telegrama cifrado do meu pai hoje. Ele me disse que teremos guerra antes do fim do mês... Que herói é meu pai... Ele é digno da Ilíada! Vejam só esta caixinha que sempre levo comigo. Ela contém terra da Lorena, terra da Lorena de verdade que peguei do outro lado da fronteira quando estive na França com meu marido, dois anos atrás. Olhem ali, na mesa de honra: está coberta de cardos. Eu não queria nenhuma outra flor ali. São cardos da Lorena, não veem? Coletei várias plantas no território anexado, trouxe-as para cá e plantei as sementes no meu jardim... Vai haver guerra... Não sobrará nada da Áustria..." Apenas um olhar severo do imperador conseguiu pôr fim à torrente de previsões provocativas.[56]

Jardim de infância em Cetinje, Montenegro, fundado pela Grã-Duquesa Militza; entre as pessoas retratadas está sua irmã mais nova, a Princesa Xenia, no início da década de 1910

Era talvez natural que as irmãs adotassem tais posições. Como país eslavo, Montenegro nutria profundo sentimento de afinidade com a Rússia e a Sérvia e, quando a Áustria apresentou ultimato a esta última, Militza e Anastásia passaram a considerar a guerra inevitável. Circularam, contudo, rumores de que as duas montenegrinas tinham conhecimento prévio do atentado em Sarajevo e teriam auxiliado os assassinos sérvios, ou ainda que atuaram ativamente nos bastidores para influenciar Nicolau II a declarar guerra à Alemanha e à Áustria, ou ambas as coisas.[57] A condessa Lili von Nostitz chegou a afirmar que as irmãs "tiveram papel significativo na entrada da Rússia na Grande Guerra".[58]

Com a declaração de guerra, Militza lançou-se imediatamente ao trabalho. Organizou e presidiu o Comitê de Assistência a soldados russos, montenegrinos e sérvios feridos e a suas famílias, coordenando esforços de auxílio à frente de batalha e dedicando-se a arrecadar fundos para equipar hospitais de campanha e trens-ambulância.[carece de fontes?]

No início de 1914, sua filha, a princesa Nádia Petrovna da Rússia, havia se apaixonado pelo príncipe Oleg Constantinovich da Rússia, considerado o mais talentoso e o mais belo entre os numerosos filhos do grão-duque Constantino Constantinovich. Comentários maliciosos afirmavam que Milica se opunha ao romance, pois, embora Oleg fosse príncipe do sangue imperial e igual em precedência a Nádia, a grã-duquesa supostamente desejava um casamento mais prestigioso para sua segunda filha. Verdade ou não, o casal estava informalmente noivo, mas, dois meses depois do início dos combates, Oleg foi mortalmente ferido e morreu em decorrência de septicemia, tornando-se o único Romanov a cair em batalha durante a Primeira Guerra Mundial.[carece de fontes?]

Revolução Russa

Grã-Duquesa Militza em Kiev, em 1916

As irmãs, seus maridos e suas famílias ainda viviam no Cáucaso quando a Revolução de Fevereiro eclodiu em 1917. Quando Nicolau II abdicou do trono em nome próprio e de seu filho Alexei, e quando o irmão do imperador, o grão-duque Miguel Alexandrovich, recusou a sucessão salvo se fosse legitimado por uma futura Assembleia Constituinte, a dinastia Romanov, após 304 anos, chegou ao fim. Pouco depois, os Romanov que permaneciam no Cáucaso receberam um pedido de Alexander Kerensky, então ministro da Justiça do Governo Provisório, para que se mudassem para a Crimeia, onde se reuniram à imperatriz viúva Maria Feodorovna, às duas filhas dela e às respectivas famílias.[carece de fontes?]

Anastásia e Nicolau Nikolaevich passaram a residir na Vila Tchair, com vista para o Mar Negro, acompanhados dos filhos Sérgio e Helena, nascidos do primeiro casamento da grã-duquesa com o duque de Leuchtenberg. Militza, Pedro e seus três filhos, o príncipe Romano e as princesas Marina e Nádia, instalaram-se no Palácio de Dulber. A imperatriz viúva, suas filhas e netos passaram a viver no Palácio Ai-Todor, situado nas proximidades e pertencente à Grã-Duquesa Xenia e ao marido, o Grão-Duque Alexandre.[59][60]

A Villa Tchair de Anastásia em Gaspra, Crimeia, onde vários membros da família foram protegidos

O Comitê Militar Revolucionário de Sebastopol logo tomou medidas para restringir a liberdade do grupo. Na madrugada de 21 (8 no calendário juliano) de maio, soldados armados do Soviete de Sebastopol chegaram a Dulber, Tchair e Ai-Todor para realizar buscas por armas e confiscar objetos de valor. Nas três propriedades, reviraram aposentos, abriram gavetas, espalharam papéis e apreenderam itens diversos, entre eles as anotações de jardinagem de Militza e os diários de sua filha Marina. Em seguida, chegaram ordens de Kerensky, enviadas de Petrogrado, determinando que os Romanov se considerassem prisioneiros. Seus automóveis foram confiscados e eles foram informados de que toda correspondência enviada ou recebida seria examinada por censores com o objetivo de impedir qualquer possível conspiração contrarrevolucionária.[61]

A Revolução de Outubro instaurou um regime significativamente mais rigoroso. Os bolcheviques nomearam o comissário Zadorozhny para supervisionar os prisioneiros, e foi ele quem acabou por salvá-los da vingança revolucionária do Soviete de Yalta ao ordenar que todos os Romanov se reunissem no Palácio de Dulber, onde estariam mais protegidos contra qualquer tentativa de atentado. Militza e Pedro tiveram então de encontrar acomodações para a imperatriz viúva, para Anastásia e Nicolau Nikolaevich, para a Grã-Duquesa Xenia, seu marido Alexandre e seus seis filhos, além de dezenas de criados e membros das respectivas casas.[carece de fontes?]

Militza estava particularmente preocupada com o bem-estar da imperatriz viúva. Nunca haviam sido próximas, e ela sabia que Maria Feodorovna a responsabilizava por ter apresentado Rasputin a Nicolau e Alexandra. A grã-duquesa, portanto, empenhou-se em recebê-la com o máximo de cortesia quando esta chegou, oferecendo-lhe uma profunda reverência, assegurando que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para garantir seu conforto e até cedendo seu próprio quarto, boudoir, camarim e banheiro para que a imperatriz não se sentisse apertada.[62] Os demais hóspedes foram distribuídos pelos quartos restantes e acomodados em camas improvisadas em escritórios e salas de estar, enquanto membros das suítes e empregados se alojaram nas dependências de serviço.

O grão-duque Alexandre Mikhailovich recordou que "costumavam zombar de Pedro por causa dos muros intransponíveis de Dulber. Com a reclusão forçada, perceberam que, inadvertidamente, ele construíra uma prisão para si mesmo e para todos os demais, o que gerou inúmeras piadas. Ainda assim, o bom humor coletivo permitiu suportar a tensão constante em que viviam".[63] A segurança em Dulber era motivo de preocupação para Zadorozhny, que trabalhou com o Grão-Duque Alexandre e com o Príncipe Romano para instalar metralhadoras ao longo das varandas e do telhado, a fim de permitir uma defesa eficaz caso bolcheviques rebeldes tentassem capturá-los.[carece de fontes?]

O comissário Zadorozhny, por volta de 1917, supervisionou os prisioneiros e os salvou

Na primavera de 1918, chegou a notícia da assinatura do Tratado de Brest-Litovski pelo governo de Lenin. Antecipando que soldados alemães chegariam em breve e libertariam os Romanov, membros do Soviete de Yalta aprovaram uma resolução para invadir Dulber e executar os prisioneiros. Zadorozhny alertou-os para a possibilidade do ataque e devolveu-lhes todas as armas anteriormente confiscadas, permitindo que ajudassem na defesa do palácio.[64] Ainda assim, autorizou que Militza e Pedro visitassem a filha Nádia em Yalta; ela se casara com o Príncipe Orlov durante sua permanência na Crimeia e estava prestes a dar à luz sua primeira filha, a princesa Irina Orlova. Contudo, Zadorozhny julgou mais seguro transferir Nádia, o marido e a criança, bem como a filha de Anastásia, a duquesa Helena de Leuchtenberg, e seu marido, o conde Stefan Tyszkiewicz, para a Vila Tchair, onde poderia protegê-los melhor com um pequeno contingente de soldados.[65] Em maio, porém, Anastásia foi obrigada a vender a propriedade devido à falta de recursos e retornou com o marido para Dulber.[66]

Houve uma tentativa hesitante do Soviete de Yalta de invadir Dulber, mas os prisioneiros e seus guardas conseguiram repelir o ataque planejado. Pouco depois, na manhã de um dia de abril, contingentes de soldados alemães chegaram à região. Os prisioneiros não se alegraram com a perspectiva de serem resgatados pelo exército do Kaiser, embora reconhecessem que a chegada alemã provavelmente lhes salvara a vida. Os militares trouxeram uma oferta de asilo do imperador alemão Guilherme II, prontamente recusada pelos Romanov, que, no entanto, não puderam recusar a guarda armada enviada para garantir sua segurança. Uma vez livres, Alexandre Mikhailovich e um de seus filhos retornaram a Ai-Todor; a Grã-Duquesa Xenia e seus outros filhos seguiram logo depois, enquanto a imperatriz viúva se mudou para Harax. Mais tarde, ela confidenciou ao príncipe Roman a estima que nutria pela hospitalidade e proteção oferecidas por Militza e Pedro em Dulber.[67]

Em julho, chegou a notícia do assassinato da família imperial em Ecaterimburgo, nos Montes Urais. Havia rumores vagos sobre o destino de outros membros da família Romanov (Mártires de Alapayevsk e execução dos grão-duques na Fortaleza de Pedro e Paulo) e ninguém sabia ao certo em quem confiar. Os oito meses seguintes foram marcados pela incerteza, com o desenrolar da Guerra Civil e a ameaça constante de que o controle da Crimeia passasse dos alemães ao Exército Branco e, posteriormente, aos bolcheviques. Tornou-se evidente que um retorno ao antigo modo de vida era impossível, o que obrigou o grupo a deixar a Rússia definitivamente.[carece de fontes?]

Vida no exílio

Durante a revolução, diversas ofertas de asilo foram feitas, provenientes de parentes dinamarqueses da Imperatriz Maria, nascida princesa Dagmar da Dinamarca, e do cunhado das irmãs Militza e Anastásia, o rei Vítor Emanuel III da Itália, mas todas foram recusadas. Finalmente, em abril de 1919, o Rei Jorge V enviou um contingente de embarcações militares à Crimeia para resgatar sua tia, a imperatriz viúva, e outros membros da família Romanov. A logística do resgate levou alguns dias para ser organizada, mas, finalmente, em 11 de abril, todos os Romanov ainda na Crimeia embarcaram no HMS Marlborough e, ao pôr do sol, partiram de Yalta rumo ao exílio na Europa.[carece de fontes?]

Após a chegada a Constantinopla, Militza, Anastásia, seus maridos e filhos seguiram para o Reino da Itália, onde permaneceram como hóspedes temporários da rainha Helena e do rei Vítor Emanuel, que forneceram recursos financeiros para auxiliá-los na adaptação à nova vida. As irmãs não puderam retornar a Montenegro: em 1916, seu pai, o Rei Nicolau I, fugira do país após ameaças de soldados austríacos à capital. Ele perdeu qualquer vantagem que pudesse ter tido junto aos aliados ao enviar seu filho a Viena para formalizar a rendição do país.[carece de fontes?]

Tanto a Rússia quanto a Sérvia passaram a ver Nicolau como um traidor, e, em 1918, ele foi forçado ao exílio permanente após a anexação de Montenegro pelo novo Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (mais tarde, Reino da Iugoslávia). Ele e sua esposa se estabeleceram em Cap d'Antibes, na Riviera Francesa, onde, em 1 de março de 1921, o rei exilado Nicolau I faleceu. Dois anos depois, em 16 de março de 1923, Militza e Anastásia perderam a mãe, a rainha Milena.[carece de fontes?]

Eventualmente, as duas irmãs e seus cônjuges se estabeleceram na França. Militza teve a sorte de ter levado consigo algumas peças de sua coleção de joias quando partiu para Tiblíssi e depois para a Crimeia, após a revolução. Apesar das buscas realizadas pelos soldados, ela conseguiu escondê-las com sucesso e transportá-las para fora da Rússia. Seu neto, Nicholas Romanov, lembrou-se de como ela conseguiu vender as peças: seis fios de pérolas de água doce perfeitamente combinadas, que chegavam à sua cintura quando usadas; broches de diamantes e pérolas; e algumas esmeraldas que ela recebera em seu casamento. Felizmente, Militza conseguiu realizar as vendas no primeiro ano de exílio europeu, antes que o mercado fosse inundado pelas coleções de outros emigrantes. Com parte do dinheiro, ela comprou uma elegante propriedade de cinco acres, a Vila Donatello, em Cap d'Antibes, na Riviera Francesa.[carece de fontes?]

Na primavera de 1931, o Grão-Duque Pedro sofreu uma grave recaída da tuberculose que o acompanhara durante toda a sua vida. Em 17 de junho, ele faleceu em Cap d'Antibes, aos sessenta e seis anos. "A avó ficou absolutamente devastada", disse Nicholas Romanov. "Pedro e os filhos dela haviam sido sua vida inteira. Lembro-me de que, embora ela nunca tenha sucumbido à depressão evidente, algo de luminoso se apagou em sua vida quando o avô morreu. Ela ainda era o centro do nosso mundo feliz, mas ria menos do que antes e parecia ligeiramente retraída".[68]

Vila Saboia, residência de Militza durante a Segunda Guerra Mundial, onde ela viveu após fugir dos nazistas

Do quarteto formado pelas duas irmãs que se casaram com dois irmãos, foi Militza quem viveu por mais tempo. Quando a saúde de sua irmã mais nova, Anastásia, começou a falhar, Militza permaneceu ao seu lado. As duas haviam sido inseparáveis durante toda a vida, e Militza cuidou dela pessoalmente, com a ajuda das outras irmãs, que também se uniram para apoiá-las.[69] Após a morte de Anastásia, Militza se mudou para a Itália para ficar mais próxima da irmã, a Rainha Helena. Durante algum tempo, ela residiu em uma vila em Luca, mas, em 1943, com a invasão nazista, foi forçada a fugir. Em uma partida apressada, ela pegou algumas coisas e se refugiou na Vila Saboia, nos arredores de Roma, onde logo foi acompanhada pelo Rei Vítor Emmanuel III e sua irmã. Em 1944, quando os nazistas começaram a procurar membros da família real italiana e seus parentes, Militza novamente foi obrigada a fugir para garantir sua segurança. Ela fez as malas rapidamente e, com a ajuda de um soldado, foi transportada em um jipe durante a noite até o Vaticano, onde recebeu asilo.[70]

Morte

Em 1946, ao término da Segunda Guerra, o rei Vítor Emanuel abdicou e, um mês depois, um referendo público pôs fim à monarquia italiana. O rei, a rainha Helena e Milica trasladaram-se para o Egito, estabelecendo-se em Alexandria como hóspedes do Rei Faruque.[carece de fontes?]

Milica morreu em 5 de setembro de 1951. Conforme seu último desejo, seu corpo foi levado de volta à França para repousar ao lado do marido, Pedro, de sua irmã Anastásia e do cunhado Nicolau Nikolaievich, na Igreja de São Miguel Arcanjo, em Cannes.[71]

Referências

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Ligações externas

  • The Njegoskij Fund Public Project: Fundo documental digital baseado em arquivos familiares privados, com foco na história e cultura da realeza de Montenegro (em inglês)