Isabel Mavrikievna da Rússia

Isabel Mavrikievna
Grã-Duquesa da Rússia
Princesa de Saxe-Altemburgo
Dados pessoais
Nascimento25 de janeiro de 1865
Meiningen, Saxe-Meiningen
Morte24 de março de 1927 (62 anos)
Leipzig, Saxônia, República de Weimar
Nome completo
Elisabeth Auguste Marie Agnes (Nome de batismo em alemão)
Isabel Mavrikievna Romanova (Nome cristão-ortodoxo)
MaridoConstantino Constantinovich da Rússia
Descendência
João Constantinovich
Gabriel Constantinovich
Tatiana Constantinovna
Constantino Constantinovich
Oleg Constantinovich
Igor Constantinovich
Jorge Constantinovich
Natália Constantinovna
Vera Constantinovna
CasaSaxe-Altemburgo (nascimento)
Holsácia-Gottorp-Romanov (casamento)
PaiMaurício de Saxe-Altemburgo
MãeAugusta de Saxe-Meiningen
ReligiãoLuteranismo

Isabel Mavrikievna da Rússia (nome pessoal em alemão: Elisabeth Auguste Marie Agnes von Sachsen-Altenburg; Meiningen, 25 de janeiro de 1865Leipzig, 24 de março de 1927) foi uma grã-duquesa russa pelo casamento com o grão-duque Constantino Constantinovich, neto do czar Nicolau I da Rússia.

Biografia

Primeiros anos

Isabel era a segunda filha do príncipe Maurício de Saxe-Altemburgo e de sua esposa, a princesa Augusta de Saxe-Meiningen, filha do duque Bernardo II de Saxe-Meiningen. Ela pertencia, portanto, à Casa de Saxe-Altemburgo. Recebeu a educação usual para uma princesa alemã, com ênfase em religião, língua francesa, literatura clássica e piano.[carece de fontes?]

Casamento

Em junho de 1882, ela conheceu pela primeira vez o grão-duque Constantino Constantinovich durante sua curta visita a Altemburgo[1] por ocasião do funeral de sua irmã mais nova, Maria Margarida.[2] Ele era primo de terceiro grau do czar russo Alexandre III e igualmente um parente dela. Constantino ficou encantado com o charme e a elegância dos modos da princesa, dedicando a ela seus poemas. Isabel também ficou impressionada com ele desde o primeiro encontro. O casal trocava cartas ocasionalmente.[3] Os pais da jovem eram contrários à possibilidade de casamento, uma vez que conheciam as dificuldades presentes na vida familiar dos pais de Constantino. A mãe do rapaz residia em Pavlovsk, enquanto o pai mantinha uma união extraconjugal com a bailarina Kuznetsova.[4] Apesar disso, dois anos depois, durante a visita de Isabel a São Petersburgo acompanhada da família, o noivado foi anunciado. Foi permitido à noiva manter a fé luterana, uma decisão que foi um duro golpe para o seu futuro marido, uma vez que este era um fiel devoto da Igreja Ortodoxa Russa. Ainda pior foi o fato de Isabel se ter recusado a beijar a cruz que era mostrada durante as missas ortodoxas.[5]

Isabel em seu casamento

Aos dezenove anos, Isabel casou-se com o grão-duque Constantino Constantinovich, então com vinte e cinco anos de idade. O casamento ocorreu em 27 de abril de 1884 (15 de abril no calendário juliano) na igreja do Palácio de Inverno em São Petersburgo. A cerimônia foi realizada pelo Arcipreste Yanyshev.[2]

No dia de casamento, Isabel escreveu uma carta ao noivo para o deixar descansado, afirmando que prometo-te que nunca farei nada para te deixar zangado ou para te magoar por causa das nossas religiões divididas (...) apenas posso dizer-te mais uma vez o quanto te amo profundamente.[5]

Alguns dias depois, Constantino escreveu: Ela é minha esposa. Não me sentia tão feliz há muito tempo... Não sentimos vergonha nem timidez, mas nos tornamos muito mais próximos um do outro do que antes.[3] Na Rússia, a grã-duquesa passou a ser conhecida como Isabel Mavrikievna.

Vida na Rússia

Isabel e Constantino em 1894

Após o casamento, Isabel e Constantino passaram a residir no primeiro andar do Palácio de Mármore, situado no Cais do Almirantado, no centro da capital, residência ancestral da família de Constantino. O irmão mais novo dele, Dmitri, conhecido por suas visões misóginas, também vivia no palácio, mas alguns anos depois mudou-se para sua própria casa no Almirantado.[6] O casal costumava passar os verões em Pavlovsk, onde possuíam um palácio, ou em Strelna.[7]

A residência do casal tornou-se o centro da vida cultural da capital. Noites musicais eram realizadas nos salões do Palácio de Mármore, onde a elite intelectual de São Petersburgo se reunia, as melhores obras de autores estrangeiros e russos eram lidas e discutidas, e apresentações eram encenadas nas quais toda a família participava.[8]

Embora a grã-duquesa amasse o marido devotamente e estudasse a língua russa com afinco, Constantino, não se adaptou muito bem à vida familiar no início. Poucos meses após o casamento, o relacionamento do casal começou a esfriar. Desde jovem, Constantino possuía inclinações homossexuais, mas procurou superá-las, considerando-as um pecado e sofrendo de remorso.[9] Durante vários anos, ele conseguiu conter sua atração por homens, descrevendo suas experiências em detalhes em seus diários.[10]

A grã-duquesa Isabel Mavrikievna

Sobre Isabel Constantino escreveu:

Ela raramente tem conversas reais comigo. Geralmente me conta coisas banais. É preciso muita paciência. Ela acha que sou muito superior a ela e se surpreende com a minha ingenuidade. Ela tem a desconfiança comum à família Altenburg, a timidez sem limites, o vazio e o apego a notícias que não valem a pena. Será que algum dia conseguirei transformá-la à minha maneira?[7]

No entanto, um ano e meio após o casamento, Constantino escreveu sobre a vida de casado de uma forma completamente diferente: Nunca pensei que fosse correr tão tranquila e alegremente. O casal teve nove filhos. A mãe de Constantino, a grã-duquesa Alexandra Iosifovna, não gostava particularmente da nora, procurou reeducá-la e lhe fazia comentários maldosos, bem como era praticamente indiferente aos netos.[11]

A família Constantinovich em 1905. Da esquerda para a direita: Jorge, Igor, Oleg, Constantino (filho), Tatiana, Gabriel, João, Isabel e Constantino (pai)

Isabel nunca interferiu nos seus assuntos, cuidou cuidadosamente do marido durante as suas frequentes doenças e tentou criar um ambiente favorável aos seus estudos.[3] Constantino chamava carinhosamente Isabel de Lilenka, os Romanov na corte preferiam o apelido Mavra.[12]

A grã-duquesa estava ativamente envolvida em obras de caridade, sendo curadora da Sociedade Patriótica Imperial Feminina. Ela tinha interesse em arte e organizava exposições de artistas contemporâneos em benefício de crianças pobres e doentes.[4] Desde o início do século XX, a Sociedade para o Cuidado de Crianças Pobres e Doentes, que estava sob seu patrocínio estatal, introduziu livros de consumo em circulação, publicados em todas as principais cidades da Rússia; os livros listavam empresas que se comprometiam a dar descontos na venda de mercadorias à vista.[1]

Primeira Guerra Mundial e a Revolução

No verão de 1914, Isabel, seu marido e seus filhos mais novos estavam visitando a Alemanha. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, eles foram forçados a deixar o país. Seu trem atrasou-se perto da fronteira. A grã-duquesa conseguiu contornar a situação enviando um telegrama urgente à imperatriz alemã Augusta Vitória.[13] Seus cinco filhos mais velhos foram imediatamente para a frente de batalha. Um deles, Oleg, morreu em decorrência de um ferimento em Vilnius. Constantino Constantinovich morreu alguns meses depois.

Isabel Mavrikievna. Alexander Mikhaylovich Leontovsky (1906)

Após a morte do marido em 1915, Isabel visitava frequentemente a dacha do filho, João, em Pavlovsk.[4] A família enfrentava sérios problemas financeiros, pois perderam os pagamentos anuais do tesouro, estabelecidos para Constantino, neto do imperador, no valor de 150 mil rublos. De acordo com o testamento do grão-duque, Isabel recebeu seu capital e todos os bens imóveis vitaliciamente. Para tentar melhorar sua situação financeira, em 24 de fevereiro de 1916, a grã-duquesa, "no interesse de seus amados filhos", renunciou aos direitos de propriedade vitalícia e aos direitos de herança de todos os bens do marido que lhe pertenciam por testamento, restando-lhe apenas o direito de propriedade do Palácio de Mármore em Petrogrado, para onde se mudou com os filhos mais novos, vinda de Pavlovsk. Ela também recebia 20 mil rublos de apoio financeiro do tesouro.[14]

Após a Revolução de Outubro, os membros da família imperial foram obrigados a assinar um acordo de não-saída. Em maio de 1918, a família foi expulsa do Palácio de Mármore.[8] A grã-duquesa vivia num apartamento na casa de Zherebtsov, no Cais do Palácio. Em julho, três dos seus filhos morreram, tendo sido levados para a Sibéria e execultados pelos bolcheviques, mas Isabel apenas recebeu a notícia enquanto estava exilada. Devido à falta de dinheiro, foi obrigada a vender as suas propriedades.[14]

Exílio e morte

Isabel com os filhos Jorge e Vera em 1919

Em outubro de 1918, a grã-duquesa recebeu permissão para deixar o país. Cada membro da família tinha permissão para levar apenas um baú consigo, e ouro e prata eram proibidos. Isabel, prudentemente, pediu aos diplomatas suecos que retirassem os objetos de valor da família. Juntamente com eles, a família embarcou no navio a vapor Ongermanland de Petrogrado para Revel e, de lá, para Estocolmo, passando por Helsinque e Mariehamn. Isabel estava acompanhada de seus filhos mais novos, Jorge e Vera, e dois netos mais velhos, Vsevolod e Catarina.[15] Ela chegou à Suécia a convite da rainha Vitória, que também era uma princesa alemã de nascimento. Foram recebidas no porto de Estocolmo pelo príncipe herdeiro Gustavo Adolfo. Um mês depois, seu filho Gabriel foi levado de Petrogrado para a vizinha Finlândia.

Nos dois anos seguintes, a grã-duquesa e os seus filhos viveram em Estocolmo e Saltsbergen, onde se juntaram à sua nora Helena. No entanto, a Suécia revelou-se demasiado cara para viver e, pouco depois, a convite do rei dos belgas Alberto I, mudaram-se para a Bélgica. Mais tarde, Isabel regressou à Alemanha, onde se instalou no Palácio do Príncipe (em alemão: Prinzenpalais) em Altemburgo.[14] Nos seus últimos anos, viveu com o seu irmão Ernesto, que tinha abdicado e divorciado da sua mulher.

Isabel morreu em 24 de março de 1927 em Leipzig, vítima de câncer. Foi sepultada na cripta da Igreja Memorial da Duquesa Inês em Altemburgo.[16] Em 1939, seu corpo foi trasladado para o túmulo do Duque Ernesto em Trockenborn-Wolfersdorf.[17] Em seu testamento, a grã-duquesa expressou o desejo de ser sepultada na Rússia, ao lado de seu marido, quando possível.[14]

Em 2012, um broche em forma de escaravelho que o marido de Isabel lhe tinha oferecido em 1891 foi leiloado no Sotherby's.[18]

Arquivos

Os documentos pessoais de Isabel Mavrikievna (incluindo correspondência e fotografias) estão preservados na coleção "Documentos da Família Romanov" nos Arquivos da Instituição Hoover (Stanford, Califórnia, EUA).[19]

Genealogia

Os antepassados de Isabel Mavrikievna em três gerações
Isabel Mavrikievna Pai:
Maurício de Saxe-Altemburgo
Avô paterno:
Jorge, Duque de Saxe-Altemburgo
Bisavô paterno:
Frederico, Duque de Saxe-Altemburgo
Bisavó paterna:
Carlota Jorgina de Mecklemburgo-Strelitz
Avó paterna:
Maria Luísa de Mecklemburgo-Schwerin
Bisavô paterno:
Frederico Luís de Mecklemburgo-Schwerin
Bisavó paterna:
Helena Pavlovna da Rússia
Mãe:
Augusta de Saxe-Meiningen
Avô materno:
Bernardo II, Duque de Saxe-Meiningen
Bisavô materno:
Jorge I, Duque de Saxe-Meiningen
Bisavó materna:
Luísa Leonor de Hohenlohe-Langenburg
Avó materna:
Maria Frederica de Hesse-Cassel
Bisavô materno:
Guilherme II de Hesse-Cassel
Bisavó materna:
Augusta da Prússia

Referências

  1. a b "Grã-Duquesa Isabel da Rússia" de 24 de março de 2006 Arquivado em 2018-05-24 no Wayback Machine (em russo)
  2. a b Govorushko Eduard. KR. «ПИАНИНО КУПЛЕНО» Arquivado em 2018-05-24 no Wayback Machine (em russo)
  3. a b c Grã-Duquesa Isabel da Rússia. Parte 1 Arquivado em 2017-10-15 no Wayback Machine (em russo)
  4. a b c The State museum «PAVLOVSK» Konstantin Konstantinovich Arquivado em 2018-05-23 no Wayback Machine (em russo)
  5. a b Zeepvat, Charlotte, "The Camera and the Tsars", Sutton Publishing, 2004, p. 46
  6. Vostryshev. M. (2017). O destino dos irmãos coroados: Diários do Grão-Duque Constantino Constantinovich (Судьба венценосных братьев. Дневники великого князя Константина Константиновича). Editora Algoritmo (Алгоритм), 2017 (em russo)
  7. a b Artigo de Anna Kosinskaya "São Petersburgo há 100 anos: moradores do Palácio de Mármore" (2015) Arquivado em 2018-05-23 no Wayback Machine (em russo)
  8. a b Palácio de Mármore Arquivado em 2018-05-23 no Wayback Machine (em russo)
  9. Arzamas «Subcultura homossexual na São Petersburgo pré-revolucionária» Arquivado em 2018-05-23 no Wayback Machine (em russo)
  10. AZ.GAY.RU «Constantino Romanov "Diários 1903-1905"» Arquivado em 2018-05-19 no Wayback Machine (em russo)
  11. Vostryshev. M. (2017). O destino dos irmãos coroados: Diários do Grão-Duque Constantino Constantinovich (Судьба венценосных братьев. Дневники великого князя Константина Константиновича). Editora Algoritmo (Алгоритм), 2017 (em russo)
  12. Evgeniy Vladimirovych Pchelov. Os Romanov. A história da grande dinastia. Veche, 2013 Arquivado em 2018-05-24 no Wayback Machine (em russo)
  13. Artigo de Ella Matonina «Cruz para os Romanovs» (Хрест для Романових) no jornal "Kultura" de 31 de julho de 2014 Arquivado em 2018-01-19 no Wayback Machine (em russo)
  14. a b c d Grã-duquesa Isabel da Rússia. Parte 3 Arquivado em 2015-10-27 no Wayback Machine (em russo)
  15. LebenDom "Prinzessin Helen Serbien" Arquivado em 2018-05-24 no Wayback Machine (em alemão)
  16. ROYALTY (travel) GUIDE "ALTENBURGHERZOGIN-AGNES-GEDÄCHTNISKIRCHE" Arquivado em 2018-05-24 no Wayback Machine (em inglês)
  17. ROYALTY (travel) GUIDE TROCKENBORN-WOLFERSDORF Arquivado em 2018-05-24 no Wayback Machine (em inglês)
  18. "Magnificent jewels and noble jewels", consultado a 27 de Maio de 2013.
  19. «Romanov Family Papers». Hoover Institution Library & Archives. Consultado em 14 de outubro de 2021