Daniel, Príncipe Herdeiro de Montenegro
| Daniel | |
|---|---|
| Príncipe Herdeiro de Montenegro | |
![]() Daniel em 1911 | |
| Pretendente ao Trono de Montenegro | |
| Período | 1 de março de 1921 a 7 de março de 1921 |
| Antecessor(a) | Nicolau I de Montenegro |
| Sucessor | Miguel de Montenegro |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Danilo Aleksandar Petrović-Njegoš 29 de junho de 1871 Cetinje, Principado do Montenegro |
| Morte | 24 de setembro de 1939 (68 anos) Viena, Alemanha Nazista |
| Sepultado em | 4 de outubro de 1939 Cemitério Central, Viena, Áustria |
| Esposa | Juta de Mecklemburgo-Strelitz |
| Casa | Petrović-Njegoš |
| Pai | Nicolau I de Montenegro |
| Mãe | Milena Vukotić |
| Religião | Ortodoxa Montenegrina |
| Assinatura | |
Daniel Alexandre Petrović-Njegoš (em sérvio: Данило Александар Петровић-Његош; romaniz.: Danilo Aleksandar Petrović-Njegoš; Cetinje, 29 de junho de 1871 – 24 de setembro de 1939) foi o príncipe herdeiro de Montenegro de seu nascimento até a abolição da monarquia em 1918. Era o filho mais velho do rei Nicolau I e de sua esposa Milena Vukotić.[1]
Por circunstâncias diversas, o príncipe jamais ascendeu ao trono. Deixou Montenegro às vésperas da Primeira Guerra Mundial e, até então, não participara da vida política. Fracassou também a tentativa do rei Nicolau de lhe conceder oportunidade de afirmação militar durante a Primeira Guerra dos Bálcãs, quando lhe atribuiu um comando crucial para o qual o Príncipe Daniel não estava preparado, o que resultou em sérios reveses militares e pesadas perdas humanas. No exílio, tampouco demonstrou interesse por política nem participou de planos para restaurar a monarquia montenegrina. Abdicou de seus direitos em favor de seu sobrinho Miguel, embora, àquela altura, a coroa já estivesse irremediavelmente perdida.[2]
Primeiros anos
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O nascimento de Daniel, em 1871, foi recebido com ampla celebração. Após o nascimento de quatro filhas, a dinastia Petrović-Njegoš finalmente via concretizada a chegada do herdeiro masculino ao trono. Seu padrinho foi o imperador russo Alexandre II, representado por seu plenipotenciário, o primeiro ajudante de campo imperial, o Conde Tolstói. A criança recebeu o nome Daniel Alexandre em homenagem ao príncipe soberano Daniel I de Montenegro e o imperador russo. O segundo nome, contudo, caiu em desuso com o passar do tempo.[2]
Na época do nascimento de Daniel, a população montenegrina não passava de duzentas e cinquenta mil pessoas, e sua capital, Cetinje, não era mais que uma aldeia com três mil habitantes. Embora politicamente diminuto, o Montenegro exercia influência desproporcional na Europa graças às habilidades de casamenteira da rainha Milena, mãe de nove filhas. Quando um diplomata estrangeiro comentou ao rei que Montenegro não possuía exportações, Nicolau respondeu: "Você se esquece das minhas filhas", que eram enviadas às cortes europeias maiores e mais sofisticadas para completar sua formação.[1]
Desde a infância, na condição de herdeiro presuntivo, Daniel concentrou sobre si a atenção integral da corte e do Estado. No palácio, todas as disposições convergiam para sua formação; recebeu instrução de mestres altamente qualificados e usufruiu de uma educação refinada. Era frequentemente exaltado por seus conhecimentos e por suas conquistas cinegéticas, despertando admiração contínua e mantendo o interesse constante da opinião pública. Com o tempo, porém, tornou-se evidente que o príncipe não correspondia às expectativas depositadas em sua figura. Revelou-se incapaz de perpetuar a tradição de seus antepassados, carecendo de talento, inclinação, empenho e firmeza de caráter para o exercício das responsabilidades inerentes ao seu futuro papel. Demonstrava apreço quase exclusivo pelos privilégios proporcionados por sua posição e por uma existência confortável, desprovida de encargos, marcada por viagens, presenças assíduas em salões aristocráticos europeus, permanências em cortes estrangeiras e atividades de caça.[2]
Casamento

Quando Daniel atingiu a atingiu a idade de casar, suas irmãs já haviam consolidado alianças matrimoniais de elevado prestígio: Milica e Anastásia estavam unidas a grão-duques da dinastia Romanov; a princesa Zorka tornara-se esposa do futuro rei Pedro I da Sérvia; e a princesa Helena ascendera ao trono italiano como consorte do rei Vítor Emanuel III.[1]
A figura de Daniel era imponente em uniforme, mas pouco inclinado à ação. Seu pai referia-se a ele como "um grande preguiçoso, destinado a nada produzir". Assim, em 1898, o Rei Nicolau enviou o herdeiro à corte imperial russa, onde suas irmãs deveriam intervir na busca de uma noiva adequada. Milica e Anastásia, contudo, desfrutavam em São Petersburgo de reputação inquietante como adeptas de práticas ocultistas, sendo conhecidas como o "Par Negro". Foram elas, inclusive, que introduziram o monge Grigori Rasputin à Imperatriz Alexandra, contribuindo para instabilidades que, posteriormente, se entrelaçariam aos desdobramentos que precipitaram a Revolução Russa.[1]

Foi na capital russa que o príncipe conheceu a duquesa alemã Juta de Mecklemburgo-Strelitz, que consentiu em converter-se à fé ortodoxa para contrair matrimônio com o herdeiro montenegrino. A jovem, e seu dote, representavam uma união altamente vantajosa. Em 1899, o New York Times registrou que "o iminente casamento do príncipe herdeiro Daniel de Montenegro com a princesa Juta de Mecklemburgo-Strelitz será celebrado com esplendor sem precedentes na terra das Montanhas Negras".[1]
Entretanto, desentendimentos diplomáticos emergiram. O Rei Nicolau ressentiu-se pelo fato de o dote de Mecklemburgo-Strelitz não lhe ser destinado diretamente e, às vésperas do enlace, divulgou que o príncipe se encontrava gravemente enfermo. Em resposta, o ducado publicou boletim afirmando que a saúde da duquesa Juta igualmente se debilitara. A intervenção do imperador russo Nicolau II solucionou o impasse: concedeu a Juta um dote de dois milhões de rublos, compelindo o rei montenegrino a emitir nota conciliatória, segundo a qual o príncipe Daniel acabara de se recuperar de uma operação crítica, mas bem-sucedida.[1]

Encerrados os desacordos, iniciaram-se as tratativas para a organização da cerimônia nupcial. O primo de Juta, o imperador alemão Guilherme II, desejava que o casamento se realizasse em Berlim. Entretanto, ao ser informado de que a duquesa pretendia converter-se à fé cristã ortodoxa, recusou-se terminantemente a autorizar que a celebração ocorresse na capital imperial.[3] Diante disso, decidiu-se transferir o enlace para Cetinje, capital do Principado de Montenegro, marcando-o para 17 de julho de 1899.
O casamento realizou-se em 27 de julho do mesmo ano, em Cetinje; Juta foi acompanhada por seu futuro cunhado, o príncipe herdeiro Vítor Emanuel da Itália, em sua entrada solene em Cetinje para a celebração do casamento.[4] A conversão de Juta ao rito ortodoxo ocorreu poucas horas após sua chegada a Antivari, em território montenegrino. Após o matrimônio e a profissão de fé, a duquesa adotou o nome ortodoxo de "Milica".
Daniel e sua esposa não tiveram filhos e, à exceção de algumas aparições ocasionais na cena real europeia — como sua presença como convidados de honra na coroação do rei Pedro I da Sérvia, em 1904, ou como representantes de Montenegro na coroação do Rei Jorge V, em 1911 —[5], a vida conjugal transcorreu de forma marcadamente monótona.[1]
Vida posterior

O Rei Nicolau e o Príncipe Daniel participaram ativamente das Guerras dos Bálcãs (1912–1913), e Montenegro foi o primeiro país vizinho a acudir a Sérvia durante a invasão austro-húngara em 1914. Durante a Primeira Guerra dos Bálcãs, Daniel comandou o Destacamento da Zeta no cerco a Escodra. Em 1913, após a conquista da cidade pelo exército montenegrino, o general otomano Essad Paxá Toptani entregou simbolicamente as chaves da cidade ao príncipe-herdeiro. Desde 1910, como herdeiro do trono, Daniel possuía o posto de general-major do exército russo.[5]
Durante a Primeira Guerra Mundial, o Príncipe Daniel e a Princesa Milica escaparam por pouco de atentados quando pilotos austríacos bombardearam sua residência em Antivari e alvejaram um navio de guerra em que desembarcavam.[1]

Após a vitória dos Aliados em 1918, Montenegro inicialmente acolheu com simpatia as tropas sérvias, mas rapidamente percebeu o risco de anexação pelo vizinho. A família real refugiou-se na Itália e posteriormente na França, enquanto os territórios montenegrinos foram incorporados ao recém-criado Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, renomeado Iugoslávia em 1929. O rei Nicolau recusou-se a reconhecer a perda de seu país e faleceu em Antibes, em 1921.[1]
Em fevereiro de 1928, em Gênova, diante do cônsul-geral do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, o príncipe Daniel declarou reconhecer formalmente o novo Estado e comprometeu-se a abster-se de qualquer ação, direta ou indireta, que pudesse contrariar o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos.[5]
O Príncipe Daniel voltou brevemente às manchetes em 1934 ao processar a Metro-Goldwyn-Mayer por difamação, devido à representação fictícia de sua pessoa no filme mudo The Merry Widow (1925).[6] Em tribunal, declarou: "Fico profundamente magoado ao ver-me travestido por um ator de cinema barato. O filme constitui séria calúnia contra mim, minha família e meu falecido país, Montenegro." O diretor Erich von Stroheim respondeu que tais acusações eram absurdas, cabendo apenas "um riso e uma piscadela". Daniel obteve vitória judicial, recebendo 4.000 dólares de indenização.[1]
Faleceu em Viena, em 1939, após o Anschluss alemão.[1]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k Sherwood, James. «HRH Prince Danilo of Montenegro». Henry Poole & Co (em inglês). https://henrypoole.com/. Consultado em 8 de dezembro de 2025
- ↑ a b c Nikolić, Milica. «"Princ Danilo"». SRODNIČKI ODNOSI I POLITIKA U DINASTIJI PETROVIĆ NJEGOŠ. Montenegrina – digitalna biblioteka crnogorske kulture (em sérvio). Consultado em 8 de dezembro de 2025
- ↑ The Near East from Within. Adamant Media Corporation. 2002. pp. 202. ISBN 1402197241.
- ↑ Willets, Gilson (2004). Rulers of the World at Home. Kessinger Publishing. pp. 306. ISBN 1417917393.
- ↑ a b c Martinović, Niko. «Petrović Njegoš, Danilo». Leksikon likovne umjetnosti Crne Gore (em sérvio). Consultado em 8 de dezembro de 2025
- ↑ Golden, Eve, John Gilbert: The Last of the Silent Film Stars (The University Press of Kentucky, 2013), Chapter 6, pp.10-11
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