Naja siamensis

Naja siamensis

Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Elapidae
Género: Naja
Espécie: N. siamensis
Nome binomial
Naja siamensis
Laurenti, 1768
Distribuição geográfica
Distribuição de Naja siamensis
Distribuição de Naja siamensis

Naja siamensis (em tailandês: งูเห่า, pronunciado: nguu hao) é uma espécie de cobra cuspideira encontrada no Sudeste Asiático.

Descrição

Esta é uma cobra elapídea de tamanho médio, com corpo mais esguio em comparação com a maioria das outras espécies do gênero Naja. A coloração do corpo varia de cinza a marrom ou preto, com manchas ou listras brancas. O padrão branco pode ser tão predominante que cobre a maior parte da serpente. A fase de coloração preta e branca altamente distintiva é comum no centro da Tailândia, enquanto espécimes do oeste da Tailândia são majoritariamente pretos, e indivíduos de outras regiões são geralmente marrons. A marca no capuz pode ter formato de monóculos, ser irregular ou estar ausente, especialmente em adultos.[2] Adultos têm comprimento médio entre 0,9 e 1,2 m,[3] podendo atingir até 1,6 m, embora isso seja considerado raro.[4] O peso corporal de adultos tende a ser cerca de 1.600 g.[5]

Esta espécie não deve ser confundida com a cobra-de-monóculo (Naja kaouthia), que tem habitat, tamanho e aparência semelhantes. Uma característica distintiva é que esta espécie é uma "verdadeira cuspidora"; ela cospe veneno prontamente, mas, ao contrário de muitas outras cobras cuspideiras que emitem um jato de veneno, esta espécie expele uma "névoa". Além disso, o alcance relatado de cuspir é de aproximadamente 1 m, o menor entre as cobras cuspideiras. No entanto, Wüster (não publicado) relata que N. siamensis cospe facilmente e pode ter um alcance maior, próximo a 2 m, expelindo o veneno em um jato.[6]

Escamação

Há 25-31 fileiras de escamas ao redor do capuz, 19-21 logo à frente do meio do corpo; 153-174 escamas ventrais, 45-54 escamas subcaudais, e os pares basais às vezes não são divididos.[7]

Taxonomia

Naja siamensis

Naja siamensis é classificada no gênero Naja da família Elapidae. Foi descrita pela primeira vez pelo zoólogo italiano nascido na Áustria Josephus Nicolaus Laurenti em 1768. O nome genérico Naja é uma latinização da palavra sânscrita nāgá (नाग), que significa "cobra". O epíteto específico siamensis deriva da palavra Siam ou Siamês, que significa "relativo ou característico da Tailândia ou de seu povo e língua".[8] Esta espécie foi por muito tempo confundida com a cobra-de-monóculo (Naja kaouthia) e a cobra-chinesa (Naja atra), e a extensa variação em padrão e escamação contribuiu para essa confusão. Análises morfológicas e moleculares detalhadas durante a década de 1990 revelaram que se trata de uma espécie distinta.[2][9]

Naja
(Naja)

Naja (Naja) naja

Naja (Naja) kaouthia

Naja (Naja) atra

Naja (Naja) sagittifera
Naja (Naja) oxiana

Naja (Naja) sputatrix

Naja (Naja) samarensis [en]

Naja (Naja) philippinensis

Naja (Naja) mandalayensis

Naja (Naja) sumatrana

Naja (Naja) siamensis

(Afronaja)

Naja (Afronaja) pallida

Naja (Afronaja) nubiae

Naja (Afronaja) katiensis

Naja (Afronaja) nigricollis

Naja (Afronaja) ashei

Naja (Afronaja) mossambica

Naja (Afronaja) nigricincta

(Boulengerina)

Naja (Boulengerina) multifasciata

Naja (Boulengerina) christyi

Naja (Boulengerina) annulata

Naja (Boulengerina) savannula

Naja (Boulengerina) subfulva

Naja (Boulengerina) guineensis [en]

Naja (Boulengerina) peroescobari

Naja (Boulengerina) melanoleuca

(Uraeus)

Naja (Uraeus) nivea

Naja (Uraeus) senegalensis [en]

Naja (Uraeus) haje

Naja (Uraeus) arabica [en]

Naja (Uraeus) annulifera

Naja (Uraeus) anchietae

Distribuição e habitat

A espécie é encontrada no Sudeste Asiático, incluindo Tailândia, Camboja, Vietnã e Laos. Pode ocorrer no leste de Mianmar, mas não há registros conhecidos.[2] Foi relatada em Taiwan, onde foi liberada na natureza com base em práticas folclóricas budistas.[10] Ocupa uma variedade de habitats, incluindo terras baixas, colinas, planícies e florestas.[4] Também pode ser encontrada em habitats de selva e, às vezes, é atraída para assentamentos humanos devido à abundância de roedores nessas áreas.[11]

Comportamento e dieta

É uma espécie primariamente noturna.[11] Apresenta um temperamento variável dependendo do horário em que é encontrada. Quando ameaçada durante o dia, geralmente é tímida e busca refúgio na toca mais próxima. No entanto, quando ameaçada à noite, é mais agressiva, tendendo a manter sua posição, erguer-se, exibir seu capuz e cuspir seu veneno.[12] Se cuspir veneno não funcionar, ela morderá como último recurso. Ao morder, esta espécie tende a segurar e mastigar ferozmente. Alimenta-se principalmente de roedores, sapos e outras serpentes.[3][11]

Reprodução

A cobra é ovípara. A fêmea deposita de 13 a 19 ovos[3] 100 dias após a oviposição. Os ovos eclodem após 48 a 70 dias, dependendo da temperatura de incubação. Os filhotes são independentes assim que nascem. Os filhotes medem entre 12 e 20 cm de comprimento e, como possuem sistemas de administração de veneno totalmente desenvolvidos, devem ser tratados com o mesmo respeito que os adultos.[12] Alguns filhotes podem atingir até 32 cm.[4]

Veneno

Como a maioria das cobras cuspideiras, seu veneno é primariamente uma neurotoxina pós-sináptica e citotoxina (necrosante ou causadora de morte de tecidos).[3] Como todas as cobras, esta espécie apresenta variação na toxicidade do veneno com base em diferentes fatores (dieta, localidade, etc.). Em um estudo de espécimes da Tailândia, a LD50 intravenosa foi de 0,28 μg/g (0,18-0,42 μg/g).[13] Fischer e Kabara (1967) listaram um valor de 0,35 mg/kg via injeção intraperitoneal.[14] Outro estudo indicou uma faixa de LD50 de 1,07-1,42 mg/g de peso corporal de camundongos.[15] Os sintomas da mordida incluem dor, inchaço e necrose ao redor da ferida. A mordida desta cobra é potencialmente letal para um adulto humano. Mortes, que geralmente ocorrem devido a paralisia e consequente asfixia, acontecem principalmente em áreas rurais onde a obtenção de soro antiofídico é difícil.

Se a serpente cuspir veneno nos olhos de um indivíduo, ele experimentará dor imediata e intensa, além de cegueira temporária ou, às vezes, permanente.[2][12]

Casos

Em um levantamento hospitalar nacional sobre serpentes responsáveis por mordidas na Tailândia, 10% de todas as serpentes mortas trazidas por pacientes mordidos eram desta espécie (descrita como "cobra cuspideira Naja atra do norte"). Sinais neurotóxicos (ptose e dificuldade respiratória) foram observados em 12 dos 114 casos (10,5%). Inchaço e necrose locais foram comuns, mas muitos pacientes foram acompanhados por tempo insuficiente para uma avaliação precisa da incidência desses efeitos. O inchaço e a necrose, comparáveis em todos os aspectos aos causados por mordidas de N. kaouthia, foram observados em pacientes envenenados por N. siamensis em Ubon e Kanchanaburi, na Tailândia.

Referências

  1. Stuart, B.; Thy, N.; Chan-Ard, T.; Nguyen, T.Q.; Bain, R. (2012). «Naja siamensis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2012: e.T177488A1488437. doi:10.2305/IUCN.UK.2012-1.RLTS.T177488A1488437.enAcessível livremente. Consultado em 20 de junho de 2025 
  2. a b c d Wüster, W.; D.A. Warrell; M.J. Cox; P. Jintakune; J. Nabhitabhata (1997). «Redescription of Naja siamensis Laurenti, 1768 (Serpentes: Elapidae), a widely overlooked spitting cobra from Southeast Asia: geographic variation, medical importance and designation of a neotype.» (PDF). Journal of Zoology. 243: 771–788. doi:10.1111/j.1469-7998.1997.tb01975.x. Consultado em 14 de junho de 2025. Arquivado do original (PDF) em 20 de dezembro de 2016 
  3. a b c d O'Shea, Mark (2005). Venomous Snakes of the World. United Kingdom: New Holland Publishers (UK) Ltd. pp. 94. ISBN 0-691-12436-1 
  4. a b c «Naja siamensis - General Details, Taxonomy and Biology, Venom, Clinical Effects, Treatment, First Aid, Antivenoms». WCH Clinical Toxinology Resource. University of Adelaide. Consultado em 14 de junho de 2025 
  5. «Black And White Spitting Cobra». Encyclopedia of Life. Smithsonian. Consultado em 14 de junho de 2025 
  6. Wüster, W; Slowinski, J (2000). «A new cobra (Elapidae: Naja) from Myanmar (Burma)». Herpetologica. 56 (2): 257–270 
  7. Wüster, W.; Warrell, D. A.; Cox, M. J.; Jintakune, P.; Nabhitabhata, J. (1997). «Redescription of Naja siamensis (Serpentes: Elapidae), a widely overlooked spitting cobra from S.E. Asia: geographic variation, medical importance and designation of a neotype». Journal of Zoology (em inglês) (4): 771–788. ISSN 1469-7998. doi:10.1111/j.1469-7998.1997.tb01975.x. Consultado em 14 de junho de 2025 
  8. «Siamese». Synonoms. Consultado em 14 de junho de 2025 
  9. Wüster, W.; R.S. Thorpe; M.J. Cox; P. Jintakune; J. Nabhitabhata (1995). «Population systematics of the snake genus Naja (Reptilia: Serpentes: Elapidae) in Indochina: multivariate morphometrics and comparative mitochondrial DNA sequencing (cytochrome oxidase I).» (PDF). Journal of Evolutionary Biology. 8 (4): 493–510. doi:10.1046/j.1420-9101.1995.8040493.x. Consultado em 21 de junho de 2025. Arquivado do original (PDF) em 20 de dezembro de 2016 
  10. News, Taiwan (22 de novembro de 2021). «Taiwan hiker bitten by Thai spitting cobra | Taiwan News | 2021-11-22 17:39:00». Taiwan News. Consultado em 21 de junho de 2025 
  11. a b c «Naja siamensis». Armed Forces Pest Management Board. United States Department of Defense. Consultado em 21 de junho de 2025. Arquivado do original em 11 de janeiro de 2012 
  12. a b c O'Shea, Halliday; Mark, Tim (2002). Reptiles and Amphibians. California, USA: Topeka Bindery. ISBN 0-613-53093-4 
  13. Yap, MKK; Tan, NH; Fung, SY (2011). «Biochemical and toxinological characterization of Naja sumatrana (Equatorial spitting cobra) venom». Journal of Venomous Animals and Toxins Including Tropical Diseases. 17 (4). doi:10.1590/S1678-91992011000400012Acessível livremente 
  14. Russell, FE; Saunders, PR (1967). Animal Toxins Low molecular weight toxins isolated from Elapidae ed. Oxford: Pergamon Press. p. 283. ISBN 0080122094 
  15. Chanhome, L., Cox, M. J., Vasaruchaponga, T., Chaiyabutra, N. Sitprija, V. (2011). Characterization of venomous snakes of Thailand. Asian Biomedicine 5 (3): 311–328.