Naja annulata

Naja annulata

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Elapidae
Género: Naja
Subgénero: Boulengerina
Espécie: N. annulata
Nome binomial
Naja annulata
Peters, 1876[2]
Distribuição geográfica

Sinónimos[2]
  • Aspidelaps bocagei Sauvage, 1884
  • Boulengerina annulata Schmidt, 1923

Naja annulata (anteriormente Boulengerina annulata) é uma espécie de cobra d'água do gênero Naja nativa do oeste e centro da África.

A espécie é uma das duas cobras-d'água conhecidas no mundo, sendo a outra a cobra-d'água do Congo (Naja christyi).

Descrição

É uma cobra de grande porte, com corpo robusto, cabeça curta, larga e achatada, com canto indistinto e separado do pescoço. Possui olhos médios e escuros com pupilas arredondadas. O corpo é cilíndrico, e a cauda é longa. As escamas são lisas e brilhantes, dispostas em 21–23 fileiras no meio do corpo. Os adultos atingem, em média, entre 1,4 e 2,2 m de comprimento, mas podem alcançar até 2,8 m.[3] As escamas lisas indicam o estilo de vida predominantemente aquático dessa espécie. É capaz de expandir um capuz estreito, porém impressionante. A coloração do corpo varia entre marrom brilhante, marrom-acinzentado ou marrom-avermelhado, com faixas pretas ao longo do corpo. A barriga é amarelo-pálida, enquanto a cauda é totalmente preta.[4][5]

Distribuição e habitat

Esta espécie é encontrada em partes do centro e oeste da África, incluindo Burundi, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, República do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Ruanda e a província de Cabinda, em Angola, além das margens burundianas, tanzanianas e zambianas do lago Tanganica. É uma espécie predominantemente aquática, raramente encontrada longe de água. Habita lagos e rios em terrenos de savana arborizada ou florestas de baixa altitude, onde há cobertura suficiente,[4] sendo mais comum em margens de lagos, rios e riachos com vegetação arbustiva ou florestada.[5]

Comportamento e dieta

É uma espécie reservada, raramente encontrada por humanos. É ativa durante o dia e a noite, embora seja mais ativa durante o dia. Esta cobra predominantemente aquática passa a maior parte do tempo na água. É uma excelente nadadora, capaz de permanecer submersa por até 10 minutos e mergulhar a profundidades de até 25 m.[3][4] Em terra, move-se lentamente e tende a se esconder entre rochas, buracos ou raízes de árvores que margeiam a água. Também utiliza estruturas artificiais, como pontes e cais, para se abrigar. Geralmente, não é agressiva; se abordada na água, nada rapidamente para longe, e em terra, tenta fugir para a água. Se ameaçada em terra, ergue o corpo, expande seu capuz estreito, porém proeminente, e pode sibilar alto, mas tende a evitar movimentos de ataque. Só morde quando provocada.[3][4]

Alimenta-se quase exclusivamente de peixes,[4] mas também pode predar sapos, rãs e outros anfíbios.[5]

Veneno

O veneno desta espécie é pouco estudado, mas acredita-se que seja perigosamente neurotóxico, como o da maioria das elapídeas. Um estudo indicou que a LD50 intraperitoneal (IP) desta espécie é de 0,143 mg/kg.[6]

Os venenos das cobras d'água foram analisados quanto à letalidade, atividade proteolítica e teor de proteína. Os venenos de Naja annulata annulata e Naja christyi apresentaram, em média, 89% de proteína e ausência de atividade proteolítica. A LD50 intraperitoneal murina de N. a. annulata e N. christyi foi de 0,143 e 0,120 mg/kg, respectivamente. O soro antiofídico polivalente produzido pelo Instituto Sul-Africano de Pesquisa Médica neutralizou 575 e 200 LD50 dos venenos de N. a. annulata e N. christyi por ml de soro antiofídico, respectivamente. A cromatografia por troca catiônica resolveu quatro picos letais do veneno de N. a. annulata e seis do veneno de N. christyi. Os principais picos letais (cerca de 12% da proteína total do veneno) foram purificados por cromatografia de peneira molecular e caracterizados como polipeptídeos de 61 (toxina de N. a. annulata) e 62 resíduos (toxina de N. christyi) com quatro meias-cistinas. A elucidação das sequências completas de aminoácidos indicou que essas toxinas pertencem à classe de neurotoxinas pós-sinápticas de cadeia curta. As neurotoxinas de cadeia curta 1 de N. a. annulata e N. christyi apresentaram valores de LD50 intraperitoneal murina de 0,052 e 0,083 mg/kg, respectivamente, e mostraram mais de 80% de homologia com a toxina alfa de N. nigricollis. A análise por fase reversa de outro pico presente em ambos os venenos resolveu uma toxina com um N-terminal idêntico à neurotoxina de cadeia curta 1 de N. christyi. Essas frações também continham toxinas facilmente separáveis da isotoxina de cadeia curta por cromatografia de fase reversa preparativa. A sequenciação de aminoácidos dos primeiros 28 resíduos indicou que ambas as toxinas eram neurotoxinas de cadeia longa com N-terminais idênticos. A LD50 das neurotoxinas de cadeia longa 2 de N. a. annulata e N. christyi foi de 0,086 e 0,090 mg/kg, respectivamente. Os venenos desses elapídeos pouco conhecidos apresentam alguns dos menores valores de LD50 intraperitoneal entre as espécies de Naja africanas estudadas até o momento e possuem altas concentrações de neurotoxinas pós-sinápticas potentes.[6]

Taxonomia

Subespécie Autor do táxon Distribuição geográfica
N. a. annulata Buchholz e Peters, 1876[2] Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, República do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Ruanda, Algola
N. a. stormsi Dollo, 1886[2] Burundi, Tanzânia

Ver também

Referências

  1. Wagner, P.; Branch, W.R.; Safari, I.; Chenga, J.; Gonwouo, N.L.; Kusamba, C.; Zassi-Boulou, A.-G. (2021). «Naja annulata». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2021: e.T44929978A44929995. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-1.RLTS.T44929978A44929995.enAcessível livremente. Consultado em 24 de junho de 2025 
  2. a b c d Naja annulata at the Reptarium.cz Reptile Database
  3. a b c Spawls, Stephen; Branch, Bill (1995). Dangerous Snakes of Africa. Londres, Reino Unido: Blandford Press. pp. 55–56. ISBN 0-7137-2394-7 
  4. a b c d e «Boulengerina annulata - General Details, Taxonomy and Biology, Venom, Clinical Effects, Treatment, First Aid, Antivenoms». Clinical Toxinology Resource. Universidade de Adelaide. Consultado em 24 de junho de 2025 
  5. a b c «Boulengerina annulata». Armed Forces Pest Management Board. Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Consultado em 24 de junho de 2025. Arquivado do original em 9 de janeiro de 2012 
  6. a b Weinstein, Scott A.; James J. Schmidt; Leonard A. Smith (30 de março de 1991). «Lethal toxins and cross-neutralization of venoms from the African water cobras, Boulengerina annulata annulata and Boulengerina christyi» 11 ed. Toxicon. 29: 1315–1327. Bibcode:1991Txcn...29.1315W. PMID 1814007. doi:10.1016/0041-0101(91)90118-B 

Leitura adicional