Cobra-filipina

Cobra-filipina

Estado de conservação
Quase ameaçada
Quase ameaçada (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Elapidae
Género: Naja
Espécie: N. philippinensis
Nome binomial
Naja philippinensis
Taylor, 1922[1][2]
Distribuição geográfica
Distribuição da N. philippinensis
Distribuição da N. philippinensis

Naja philippinensis, também conhecida como cobra-filipina,[3] é uma espécie de cobra cuspideira robusta e altamente venenosa, nativa das regiões do norte das Filipinas. Em tagalo, é chamada de ulupong, e em ilocano, carasaen.

Taxonomia

Naja philippinensis foi descrita pelo herpetologista americano Edward Harrison Taylor em 1922. O nome genérico naja é uma latinização da palavra em sânscrito nāgá (नाग), que significa "cobra". O epíteto específico philippinensis é latim e significa literalmente "das Ilhas Filipinas".[2]

Descrição

A cobra-filipina é uma serpente robusta de comprimento médio, com costelas cervicais longas que podem se expandir, formando um capuz quando ameaçada. O comprimento médio desta espécie é de 1,0 m,[4] mas pode atingir até 1,6 m de comprimento.[4] No entanto, subpopulações da espécie, especialmente exemplares da Ilha de Mindoro, são relatadas como podendo atingir 2 m, embora esses relatos não tenham sido confirmados. Se verdadeiros, 2 m seriam muito raros e considerados o comprimento máximo absoluto para esta espécie.[5] A cabeça é elíptica, achatada, ligeiramente distinta do pescoço, com um focinho curto e arredondado e narinas grandes. Os olhos são de tamanho moderado, com pupilas redondas e escuras, típicas de outras espécies de cobras e semelhantes a outros elapídeos em geral. Possui um corpo relativamente robusto para um elapídeo, e as cobras adultas são uniformemente de cor marrom claro a médio, enquanto os juvenis tendem a ser de um marrom mais escuro.[4]

Escamação

Possui 23-27 (geralmente 25) fileiras de escamas ao redor do pescoço, 21 (raramente 23) imediatamente antes da metade do corpo; 182-193 ventrais, 36-49 subcaudais, com pares basais às vezes indivisos.[4][6]

Distribuição e habitat

N. philippinensis ocorre principalmente nas regiões do norte das Filipinas. Pode ser encontrada nas ilhas de Luzon, Mindoro, Catanduanes e Masbate. É provável que ocorra em outras ilhas vizinhas, mas isso permanece sem confirmação. Registros do grupo Calamianes e de Palawan requerem confirmação.[7]

O habitat da N. philippinensis inclui planícies baixas e regiões florestadas,[4] além de campos abertos, pastagens, selvas densas, áreas agrícolas e assentamentos humanos. Esta espécie tem particular preferência por água, sendo frequentemente encontrada próxima a lagos, rios ou grandes poças d'água.[4][8]

Dieta

Esta espécie se alimenta predominantemente de pequenos mamíferos, sapos e até outras serpentes.[4] Roedores pequenos, como camundongos e ratos pequenos, são sua presa preferida e compõem a maior parte de sua dieta. No entanto, também consome serpentes de tamanho considerável, lagartos pequenos, sapos, ovos e, quando há oportunidade, aves pequenas.[5][6]

Predadores

Os predadores desta espécie incluem humanos, aves de rapina, a cobra-real e o mangusto.[8] Ratos grandes que foram mordidos por esta cobra e estão em posição de reagir frequentemente o fazem. Embora raro, ratos grandes podem ferir fatalmente a cobra ao arranhar, morder ou até mesmo cegar um ou ambos os olhos da serpente. Embora o rato acabe sucumbindo ao veneno, a cobra frequentemente sofre lesões nos olhos, podendo ficar cega, e mordidas severas na região do focinho deixam a cobra vulnerável a infecções e doenças.[5]

Veneno

Embora os valores de toxicidade do veneno possam variar muito mesmo entre espécimes da mesma espécie, a cobra-filipina é considerada uma das cobras do gênero Naja com veneno mais tóxico. De acordo com Tan et al., a DL50 murina via intravenosa para esta espécie é de 0,18 mg/kg (0,11-0,3 mg/kg).[9] Dados de 150 espécimes de N. philippinensis ordenhados (69 machos; 81 fêmeas) indicaram um rendimento médio de veneno por espécime por extração de 0,33 ml (úmido) ou 70,1 mg (seco).[10]

O veneno da N. philippinensis é um potente neurotóxico pós-sináptico que afeta a função respiratória e pode causar neurotoxicidade e paralisia respiratória, pois as neurotoxinas interrompem a transmissão de sinais nervosos ao se ligarem às junções neuromusculares próximas aos músculos. Pesquisas mostram que seu veneno é puramente neurotóxico, sem componentes necrotizantes aparentes e sem cardiotoxinas.[11] Essas cobras são capazes de cuspir seu veneno com precisão em um alvo a até 3 m de distância. Os sintomas de uma mordida podem incluir dor de cabeça, náusea, vômito, dor abdominal, diarreia, tontura e dificuldade para respirar.[12] Mordidas da N. philippinensis produzem neurotoxicidade proeminente com sinais locais mínimos ou inexistentes. Um estudo com 39 pacientes envenenados por essa cobra foi conduzido em 1988. A neurotoxicidade ocorreu em 38 casos e foi o principal sintoma clínico. Insuficiência respiratória completa desenvolveu-se em 19 pacientes, muitas vezes de início rápido; em três casos, a apneia ocorreu em apenas 30 minutos após a mordida. Houve duas mortes, ambas em pacientes que estavam moribundos ao chegar ao hospital. Três pacientes desenvolveram necrose, e 14 indivíduos com sintomas sistêmicos não apresentaram inchaço local. Tanto a cardiotoxicidade quanto sinais inespecíficos confiáveis de envenenamento estavam ausentes. Mordidas pela N. philippinensis produzem um quadro clínico distinto, caracterizado por neurotoxicidade grave de início rápido e danos locais mínimos.[11]

Ver também

Referências

  1. a b «Naja philippinensis». The IUCN Red List of Threatened Species. www.iucn.org. Consultado em 20 de julho de 2025 
  2. a b «Naja philippinensis Taylor, 1922». The Reptile Database. reptile-database.org. Consultado em 20 de julho de 2025 
  3. «Cobra-filipina (Naja philippinensis)». iNaturalist. Consultado em 21 de julho de 2025 
  4. a b c d e f g «Naja philippinensis». Clinical Toxinology Resource. The University of Adelaide. Consultado em 20 de julho de 2025 
  5. a b c Lutz, M. 2006. Die Kobras des philippinischen Archipels, Teil I: Die Philippinen-Kobra, Naja philippinensis Taylor 1922. Sauria 28 (3): 5-11
  6. a b Wüster, Wolfgang (1993). «A century of confusion: Asiatic cobras revisited». Vivarium. 4 (4): 14–18. Consultado em 20 de julho de 2025 
  7. Wüster, Wolfgang (1996). «Taxonomic changes and toxinology: Systematic revisions of the Asiatic cobras (Naja naja species complex)» (PDF). Toxicon. 34 (4): 399–406. Bibcode:1996Txcn...34..399W. PMID 8735239. doi:10.1016/0041-0101(95)00139-5. Consultado em 20 de julho de 2025 
  8. a b Wüster, W. & R.S. Thorpe (1990) Systematics and biogeography of the Asiatic cobra (Naja naja) species complex in the Philippine Islands. In G. Peters & R. Hutterer (Eds.), Vertebrates in the Tropics: 333-344. Museum A. Koenig, Bonn [(Naja naja) species complex in the Philippine Islands]
  9. Wong, KY; Tan, CH; Tan, NH (2019). «Venom and Purified Toxins of the Spectacled Cobra (Naja naja) from Pakistan: Insights into Toxicity and Antivenom Neutralization». The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene. 94 (6): 1392–1399. PMC 4889763Acessível livremente. PMID 27022154. doi:10.4269/ajtmh.15-0871 
  10. Salafranca, ES (1972). «Venom yields of the Philippine cobra, Naja naja philippinensis». Zoologica. 57 (3): 127–134. Consultado em 20 de julho de 2025 
  11. a b Watt, G.; Padre L; Tuazon L; Theakston RD; Laughlin L. (1988). «Bites by the Philippine cobra (Naja naja philippinensis): prominent neurotoxicity with minimal local signs». The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene. 39 (3): 306–11. PMID 3177741. doi:10.4269/ajtmh.1988.39.306 
  12. «Snakebite: Background, Pathophysiology, Etiology». 22 de maio de 2025. Consultado em 25 de julho de 2025 

Ligações externas