Myrna Herzog
| Myrna Herzog | |
|---|---|
![]() Myrna Herzog em 2005 | |
| Nome completo | Myrna Herzog Feldman |
| Nascimento | 1 de dezembro de 1951 (74 anos) |
| Nacionalidade | Brasileira e israelense |
| Progenitores | Mãe: Yvonne Schaack Herzog[1] Pai: Leon Herzog[2] |
| Parentesco | Nikolaus Schaack (avô)[3] |
| Cônjuge | Eliahu Feldman[4] |
| Filho(a)(s) | Daniel Feldman, David Feldman, Michel Feldman[5][6] |
| Alma mater | ECO (B. Jornalismo),[7] UFRJ (B. Música, Violoncelo),[8] Universidade Bar-Ilan (PhD Musicologia)[5] |
| Ocupação | Musicista, regente, pesquisadora e professora |
| Início da atividade | 1970 |
| Carreira musical | |
| Gênero(s) | Música antiga, música barroca |
| Instrumento(s) | Viola da gamba, violoncelo barroco |
| Afiliações | Lista
|
| Website | www |
Myrna Herzog (em hebraico: מירנה הרצוג; nascida em 1º de dezembro de 1951) é uma musicista, regente, professora e pesquisadora brasileira-israelense, reconhecida como pioneira na prática da música antiga no Brasil e referência internacional na interpretação historicamente informada. Especialista em viola da gamba e violoncelo barroco, Herzog fundou e dirigiu conjuntos emblemáticos, como o Quadro Cervantes e a Academia Antiqua Pro-Arte, além do Ensemble PHOENIX, em Israel e do PHOENIX-Brasil. Sua atuação abrange concertos, gravações, pesquisa organológica e ensino, com contribuições significativas para a difusão da música medieval, renascentista e barroca na América Latina e no Oriente Médio.
Origens, família e primeiros estudos

Myrna é filha de uma brasileira filha de Yvonne Schaack Herzog e Leon Herzog,[9] um judeu polonês sobrevivente do holocausto que veio para o Brasil em 1946 e construiu a primeira motocicleta brasileira, a Leonette.[10][11] Seus avós paternos, Jacob e Esther, foram mortos pelo nazismo antes de ela nascer.[11] Seu avô materno foi Nikolaus Schaack, citarista.[12]

Em 1969 apareceu em propaganda da Leonette.
Ainda em 1969, ainda aos 17 anos, Myrna foi reconhecida como parte do grupo Geração de novos poetas, junto a Denise Emmer, Geraldo Moneratt, Hamilton Vaz Pereira e Sérgio Frota (our Fontana), publicando o livro de poemas "Canto Aberto".[13] [14] [15]
Myrna estudou violoncelo com Iberê Gomes Grosso. [16] Aos 18 anos, Myrna estudava flauta doce com Marcelo Madeira, primo-irmão de Tom Jobim, que estava formando um conjunto de música antiga. Simultaneamente, ela estudava o violoncelo e foi convidada por Marcelo a integrar o grupo tocando a viola da gamba.[11] Ela aceitou e viajou para os Estados Unidos, onde conheceu a violista da gamba Judith Davidoff em oficinas do instrumento e decidiu se dedicar a ele.[11] Mais tarde, Herzog estudou viola da gamba com Wieland Kuijken.[17]
Carreira musical
Brasil (1971-1992)
Kalenda Maya
Fundado em 1970 por integrantes do Conjunto Roberto de Regina, o grupo Kalenda Maya especializou-se na interpretação de música medieval e renascentista com instrumentos de época, como viola da gamba, crumhorn, dulciana, darbuka e flautas históricas. Em junho de 1972, o conjunto apresentou-se no Teatro Casa Grande com um programa dedicado ao compositor Josquin des Prez, em homenagem aos 450 anos de sua morte. A proposta do grupo, segundo reportagem do Jornal do Brasil, era recriar com fidelidade o estilo e a sonoridade das cortes europeias dos séculos XV e XVI, combinando rigor histórico com apresentações informais e semanais.
O grupo era vinculado à Pró-Arte e contava com músicos como Marcelo Madeira, Heloísa Madeira, Myrna Herzog, e outros ex-integrantes do Conjunto Roberto de Regina. A matéria destaca que Herzog, então com apenas 19 anos, havia sido premiada como solista pela Orquestra Sinfônica Brasileira, tornando-se a primeira gambista no mundo a receber tal reconhecimento. A atuação do Kalenda Maya foi elogiada por especialistas internacionais e contribuiu para a consolidação da música antiga como campo artístico e acadêmico no Brasil.[18] Em novembro de 1971, o jornal Correio da Manhã já destacava a atuação do Kalenda Maya e a participação de Herzog como gambista, evidenciando sua inserção precoce na cena profissional da música antiga no Brasil.[19]
Em junho de 1972, o grupo voltou a ser mencionado na imprensa, em reportagem do Diário de Notícias, que ressaltou seu compromisso com a autenticidade interpretativa e o alto nível técnico. A mesma matéria registrou que Herzog havia vencido o concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica Brasileira naquele ano, tornando-se, segundo o jornal, a primeira gambista no mundo a conquistar um prêmio dessa natureza.[20]
O Kalenda Maya era formado por quatro especialistas em música medieval e renascentista: Myrna Herzog (viola da gamba), Heloisa Madeira, Marcelo Madeira e Léo Soares. Segundo reportagens da época, o grupo estava ligado à Pró-Arte e dedicava-se à interpretação historicamente informada de repertórios medievais e renascentistas, buscando alto rigor estilístico e excelência técnica.[19][20]
Filha, neta e prima de músicos, Myrna Herzog iniciou seus estudos de piano aos seis anos de idade, mas só decidiu seguir carreira musical aos doze, após uma experiência marcante com a audição de um disco de Bach em ritmo de jazz. A partir daí, passou a estudar violino, violoncelo e, posteriormente, viola da gamba, instrumento que viria a se tornar sua especialidade. Em 1972, com apenas três anos de prática, venceu o concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica Brasileira, tornando-se a primeira gambista a conquistar esse reconhecimento.
Segundo reportagem do Jornal do Brasil, Herzog iniciou seus estudos de viola da gamba de forma autodidata, pesquisando livros, discos e filmes, antes de aprofundar sua formação com professores brasileiros e estrangeiros. Estudou violoncelo com Iberê Gomes Grosso e música antiga com gambista nos Estados Unidos, e se tronou na única professora do instrumento no Brasil. Na época, integrava o grupo Kalenda Maya.[21]
Pró-Arte Antiqua
Fundado em 1971 por professores e alunos dos Seminários de Música da Pró-Arte, no Rio de Janeiro, o conjunto Pró-Arte Antiqua dedicava-se à interpretação historicamente informada de repertórios medievais, renascentistas e barrocos, utilizando instrumentos de época e técnicas de recriação sonora.
Em 1972, Myrna Herzog integrou o conjunto Pró-Arte Antiqua (fundado em 1971), grupo vinculado à instituição Pró-Arte e dedicado à interpretação de música antiga com instrumentos de época. A estreia do grupo ocorreu no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, com um programa que incluía obras de Telemann, Benedetto Marcello, Haydn e Bach, executadas com atenção à prática historicamente informada.
A formação do Pró-Arte Antiqua reunia músicos especializados em instrumentos barrocos e renascentistas, sob direção de Odette Ernest Dias. Os integrantes e seus respectivos instrumentos eram:
- Odette Ernest Dias – direção artística
- Denis Borges Barbosa – flauta doce
- Heloísa Madeira – soprano
- Homero Magalhães Filho – flauta doce
- Leo Gandelman – viola da gamba
- Marcelo Madeira – flauta traversa
- Marisa Gandelman – cravo concertante
- Mauro Corrêa da Rocha – violão e alaúde
- Myrna Herzog – viola da gamba
- Noreen Morozowic – flauta traversa
- Roberto Estrela Malta – cravo
- Rozana Lanzelotti – cravo
O repertório incluía sonatas, divertimentos e árias, com destaque para a sonoridade dos instrumentos originais e a diversidade tímbrica do conjunto. A atuação de Herzog como gambista reafirma sua posição como uma das pioneiras na prática profissional da viola da gamba no Brasil.[22]
Em junho de 1974, o grupo apresentou-se na Série Vesperal da Sala Cecília Meireles com um recital inteiramente dedicado à música renascentista inglesa, incluindo obras de John Adson, Thomas Morley, William Byrd, John Dowland, Holborne, Henrique VIII, entre outros.
A formação do grupo na ocasião incluía:
- Braz Veloso Neto – cravo, organeto, flauta doce
- Dayse Szajubrum – flauta doce, flauta transversal
- Helder Parente – viola da gamba, flauta doce, flauta transversal, rauschpfeife
- Heloísa Madeira – mezzo-soprano, viola da gamba, krumhorn
- Jaques Morelenbaum – viola da gamba
- Leo Gandelman – flauta doce, viola da gamba, krumhorn
- Lia Gandelman – flauta doce, krumhorn, shawm
- Marisa Gandelman – cravo, organeto, flauta doce
- Homero de Magalhães Filho – flauta doce, krumhorn, viola da gamba
- Marcelo Madeira – flauta doce, flauta transversal, dulciana, shawm
- Myrna Herzog Feldman – viola da gamba
A direção artística era compartilhada por Homero de Magalhães Filho e Marcelo Madeira, com direção coral de Jaques Morelenbaum. O repertório incluía madrigais, danças e peças instrumentais típicas do período elisabetano, executadas com instrumentos como cravo, organeto, dulciana, rauschpfeife, krumhorn e shawm, reforçando o compromisso do grupo com a autenticidade sonora e estilística.[23]
Competição de Jovens Solistas da Série Juventude (1972)
Em 1972, Myrna Herzog foi uma das vencedoras da competição de Jovens Solistas promovida pela Orquestra Sinfônica Brasileira, como parte da Série Juventude. A seleção envolveu 22 candidatos e foi marcada por inovações, como a inclusão de instrumentos de música antiga entre os solistas. Herzog apresentou-se com viola da gamba e flauta doce, ao lado de Homero Ribeiro de Magalhães, também intérprete de música antiga. Ambos foram oficialmente selecionados pelo júri da OSB para se apresentar como solistas nos concertos da Série Juventude, realizados entre agosto e outubro no Teatro João Caetano.
A lista de vencedores incluiu também Valério Gazire (piano), Eliane Rodrigues (piano), Roberto Lima Araújo (piano), e os irmãos Sérgio Assad e Odair Assad (violões). Cada vencedor executaria um movimento de concerto clássico, compondo programas com orientação didática e formato de show musical. Herzog e Magalhães foram designados para interpretar o *Concerto para Viola da Gamba, Flauta Doce e Orquestra*, de Telemann.
Segundo reportagem do *Jornal do Brasil*, a participação de Herzog e Magalhães representou um marco na valorização da música antiga no Brasil, ao introduzir instrumentos como a viola da gamba e a flauta doce em contextos sinfônicos tradicionais.[24][25]
O concerto ocorreu no dia 27 de outubro de 1972 no Teatro João Caetano, sob regência de Isaac Karabtchevsky.[26]
Concurso da Sociedade Villa Lobos (1973)
Myrna Herzog fo a vencedora do concurso da Sociedade Villa Lobos em 1973, de acordo com o livro 'International Who's Who in Music and Musicians' Directory' em sua edição de 1980.[16]
Quadro Cervantes

O conjunto surgiu originalmente em 1972 sob a forma de trio, composto por Myrna Herzog Feldman (viola da gamba), Homero de Magalhães Filho (flauta doce) e Rosana Lanzelotte (cravo). Em seus primeiros anos, o grupo obteve reconhecimento em concertos na Casa de Rui Barbosa e na Sala Cecília Meireles.[7]
Em 1974, Ronaldo Miranda mencionou a Trio tendo lotado a casa Rui Barbosa de jovens que queriam ouvir a nova música antiga.[27]
Em meados de 1974, com a integração de Helder Parente (flauta doce, viola da gamba e voz), o grupo passou a se chamar "Quadro Cervantes". A escolha do termo "Quadro" visava evitar a associação imediata com o tradicional quarteto de cordas, mantendo uma identidade própria para a música de câmara antiga.[7]
O grupo destacou-se por realizar concertos comentados, onde as obras e os instrumentos eram explicados ao público. Em 1975, o conjunto registrou participações na TV Globo, no programa Concertos para a Juventude.[7]
Integrantes (Formação em 1975)
- Myrna Herzog Feldman: Responsável pela viola da gamba. Iniciou no piano e violoncelo antes de se especializar em música antiga nos Estados Unidos com Judith Davidoff. É formada em Jornalismo pela UFRJ.[7]
- Helder Parente: Flautista, gambista e cantor. Atuou em diversos conjuntos de música antiga, como o da Rádio MEC e o Kalenda Maya, sendo pioneiro no ensino de flauta pelo Método Orff no Brasil.[7]
- Homero de Magalhães Filho: Flautista e cravista autodidata. Atuou como professor de flauta doce em instituições como a Pro-Arte e a Associação de Canto Coral.[7]
- Rosana Lanzelotte: Cravista com formação pianística. Descobriu o cravo no Festival de Inverno de Ouro Preto e graduou-se em Engenharia pela PUC-Rio.[7]
Repertório
O repertório do grupo em sua fase inicial incluía compositores como:
Crítica
Em setembro de 1975, o crítico Edino Krieger destacou o conjunto Quadro Cervantes como uma das expressões mais promissoras da nova geração de músicos brasileiros voltados à música antiga. Em resenha publicada no *Jornal do Brasil*, Krieger elogiou a apresentação do grupo no auditório do IBAM, ressaltando a intimidade do espaço e sua adequação ao repertório camerístico.
Formado por Rosana Lanzelotte (cravo), Myrna Herzog Feldman (violoncelo, viola da gamba e flauta doce contralto) e Helder Parente (flautas, viola da gamba e canto), o Quadro Cervantes foi descrito como exemplo do “despertar para a música” entre os jovens, especialmente através do repertório medieval, renascentista e barroco. A crítica valorizou a abordagem sensível e musical dos intérpretes, destacando momentos de envolvimento artístico e revelação técnica.
Krieger dedicou atenção especial à execução da Sonata em sol menor de Vivaldi, elogiando a interpretação de Myrna Herzog, cuja sonoridade “levemente lamentosa” nos movimentos lentos e articulação “elegante e cheia de vida” nos rápidos evocava as jovens do Ospedale della Pietà. Também foram mencionadas obras de Scarlatti e Colin Stern, esta última dedicada a Helder Parente, evidenciando o diálogo entre tradição e criação contemporânea.
A crítica conclui que, mesmo sem perfeição absoluta, o concerto ofereceu uma lição de musicalidade e autenticidade, reafirmando o valor da música antiga como espaço de formação e expressão artística para a juventude brasileira dos anos 1970.[28]
Aniversário de 15 anos
Em 1988, o grupo comemorou quinze anos de atividade com uma série de concertos na Casa de Cultura Laura Alvim, destacando seu uso de instrumentos históricos — originais ou réplicas — como a viola de roda, e sua abordagem estética singular. Formado por músicos como Myrna Herzog (viola da gamba), Clarice Szajnbrum (soprano), Helder Parente (flauta) e Rosana Lanzelotte (teclado), o conjunto também incorporou música contemporânea ao seu repertório, com obras dedicadas por Ronaldo Miranda. Reconhecido por sua continuidade e influência, o Quadro Cervantes serviu de modelo para outros grupos e contribuiu para a formação de um público interessado em música antiga no Brasil.[29]
Academia Antiqua Pro-Arte

Em 1983, Myrna fundou a primeira Orquestra Barroca do Brasil, a Academia Antiqua Pro-Arte.[10][9][30] A Academia Antiqua Pró-Arte era um conjunto dedicado à interpretação historicamente informada de música barroca e pré-clássica. Inspirado nas academias musicais inglesas do século XVIII, o nome do grupo refletia seu compromisso com repertórios anteriores a Händel e com práticas instrumentais autênticas, como o uso de cordas de tripa e arcos históricos. Segundo Herzog, a escolha por instrumentos antigos implicava desafios técnicos e sonoros, mas era essencial para evitar o que ela chamava de “retratos desfigurados” da música barroca. A base da orquestra incluía em 1984 oito músicos:[31]
- Hélder Parente (flauta doce)
- Hermano Tarumi (flauta doce)
- Paulo Keuffer (violino)
- Eliahu Feldman (violino)
- Ivan Niremberg (viola)
- Myrna Herzog (violoncello)
- Ricardo Medeiros (contrabaixo)
- Rozana Lanzelotte (cravo)
A orquestra durou até 1992,[11] quando Myrna tinha 40 anos[9] e se mudou para Israel[32]—segundo ela, "pura e simplesmente por sionismo",[9] e também para facilitar seu trabalho de pesquisa, ficando mais próxima da Europa.[10]
Trio MMM
Em julho de 1990, Myrna Herzog integrou o "Trio MMM", formado em conjunto com a cantora Margarita Schack e a pianista Maria Tereza Madeira. O grupo estreou com um recital eclético no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), apresentando um repertório que abrangia desde Mozart e Schubert até Duke Ellington e Tom Jobim.[33]
O projeto marcou a primeira apresentação pública de Herzog como vocalista (atuando em segunda e terceira vozes) e seu retorno temporário ao violoncelo moderno, instrumento no qual possui formação acadêmica. Na ocasião, a crítica destacou sua importância como uma das principais incentivadoras da música antiga no Brasil, mencionando sua atuação na colaboração com músicos estrangeiros e na edição de livros de musicologia, apesar de ter optado por "silenciar" momentaneamente sua viola da gamba para este projeto específico. Mesmo no violoncelo moderno, Herzog manteve o uso de cordas de tripa, características da sonoridade histórica.[33]
Encontros Brasileiros de Viola da Gamba (1981 - 1985)
Em fevereiro de 1981, Myrna Herzog organizou o primeiro Encontro Brasileiro de Violas da Gamba, reunindo quinze músicos de várias cidades brasileiras em atividades pedagógicas e artísticas voltadas à prática historicamente informada do instrumento. Representante da American Society of Viols da Gamba no Brasil, Herzog coordenou seminários, concertos e debates técnicos, promovendo o intercâmbio entre intérpretes e consolidando a presença da viola da gamba no cenário musical brasileiro.[34]
O Segundo Encontro Brasileiro de Violas da Gamba foi realizado em janeiro de 1983, em Curitiba, como parte da programação da I Oficina de Música da cidade. Coordenado por Myrna Herzog, o evento reuniu cerca de vinte gambistas de diversas regiões do país e promoveu aulas, concertos e atividades de ornamentação musical voltadas à prática historicamente informada. A iniciativa teve papel central na consolidação da viola da gamba no Brasil, destacando sua presença em grupos locais como a Camerata Antiqua e o Conjunto Renascentista, e contou com a participação do luthier Joaquim Pinheiro, que apresentou modelos e técnicas de construção do instrumento.[35]
Em julho de 1985, Myrna Herzog organizou, na Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio), o terceiro Encontro Brasileiro de Violas da Gamba, realizado no contexto do II Seminário de Música Antiga promovido pela instituição. O encontro, descrito pela imprensa como um inédito ajuntamento de gambistas vindos de diversos estados brasileiros, foi apontado por Herzog como um sinal de amadurecimento da prática de música antiga no país, em especial no repertório para cordas friccionadas históricas. Segundo ela, o seminário representava a primeira iniciativa inteiramente dedicada à música antiga, e o crescimento do número e da qualidade dos intérpretes contribuía para superar a antiga sensação de isolamento entre gambistas no Brasil.[36]
Série de concertos com Wieland Kuijken (1988)
Em julho de 1988, o gambista belga Wieland Kuijken realizou dois concertos no Brasil ao lado de Myrna Herzog e Rosana Lanzelotte, em uma visita amplamente noticiada pelo Jornal do Brasil. Myrna Herzog teve aulas com Wieland. Anunciado inicialmente como uma das “visitas” mais significativas daquele ano, Kuijken apresentou-se no Rio de Janeiro em 29 de julho, na Sala Cecília Meireles, em recital promovido pelo Studio de Música Antiga da Uni-Rio, com programa dedicado a obras de Christopher Simpson, Marin Marais, Antoine Forqueray e J. S. Bach.[37][38][39][40] O concerto integrou uma semana de atividades que incluía também o curso ministrado por Kuijken no Studio, destacando sua abordagem realista da interpretação historicamente informada. Após o recital no Rio, o músico seguiu para São Paulo, onde apresentou-se em evento igualmente associado ao Studio de Música Antiga, ampliando o alcance de sua visita e consolidando o intercâmbio artístico entre Brasil e Bélgica descrito pela imprensa.[17]
Em São Paulo, Wieland Kuijken apresentou-se no Teatro Maksoud Plaza, em recital dedicado à viola da gamba, instrumento histórico cuja sonoridade foi descrita como de “antigos encantos”. Acompanhado por Rosana Lanzelotte ao cravo e por Myrna Herzog — identificada pela reportagem como “o maior nome da viola da gamba no Brasil” e ex-aluna de Kuijken — o concerto reforçou o prestígio da prática historicamente informada no país, com obras de Simpson, Marais, Bach e Forqueray.[41]
Motor da Música Antiga no Brasil (1988)
Em 2 de outubro de 1988, Myrna Herzog apresentou-se ao lado de Francine Berkmans na Chácara do Céu, em Santa Teresa, em recital dedicado à viola da gamba com obras de Hume, Couperin, Shenk e Hummel. A reportagem destacou a relevância de Herzog para o movimento brasileiro de música antiga, descrevendo-a como “um dos motores da música antiga no Brasil”, além de mencionar sua atuação em diversos conjuntos, entre eles o Quadro Cervantes.[42]
Educação de Música
Pró-Arte (1971-1990)
Herzog foi professora da Pró-Arte em dois períodos: 1971 a 1975, e de 1987 a 1990. Em 1990, a gambista Myrna Herzog — ex-integrante do grupo Quadro Cervantes — estabeleceu um trabalho pedagógico na Pró-Arte, em Santa Teresa, voltado à formação de uma banda especializada em música antiga. O conjunto era composto por alunos com idades entre 9 e 25 anos, incluindo jovens como Carolina Cattan, de 15 anos, e Michel Feldman, filho da musicista, que iniciou seus estudos de flauta doce aos cinco anos de idade. Com uma instrumentação baseada em cinco flautas doces, três violinos e uma viola da gamba, o foco central da atividade era a prática de conjunto e a técnica de afinação coletiva, visando proporcionar uma formação erudita abrangente aos estudantes por meio do repertório renascentista e barroco.[43]
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) (1986)
Em 1986, Myrna Herzog ministrou o curso "Iniciação à Música Antiga" no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). O curso, realizado sob a supervisão da Coordenadoria de Música do museu, ocorreu entre os meses de abril e junho daquele ano.[44]
Studio de Música Antiga da Universidade Santa Úrsula (1986-1989)
O primeiro Studio de Música Antiga ocorreu entre 18 e 26 de julho de 1986 na Universidade Santa Úrsula, como 'workshop' internacional. Em sua primeira edição, incluiu aulas de Viola da Gamba, Violino, Alaúde, Oboé, Cravo, Danças da Renascença, e Flautas doce e transversa, e incluiu um exposição de instrumentos de época.[45]
Em julho de 1987, foi realizado no Rio de Janeiro o segundo Studio de Música Antiga, iniciativa voltada à prática e ao estudo da música medieval, renascentista e barroca com instrumentos de época e abordagem historicamente informada. O evento reuniu músicos brasileiros e estrangeiros em seminários intensivos, promovendo a difusão de repertórios compostos entre os séculos XIV e XVIII. Myrna Herzog participou como gambista, integrando a orquestra do Studio e contribuindo para a execução de obras com sonoridade histórica. A proposta do Studio, segundo reportagem do *Jornal do Brasil*, era formar intérpretes capazes de compreender os tratados originais e aplicar técnicas autênticas, aproximando o público brasileiro das tradições europeias de performance musical antiga.[46]
Em julho de 1988, o Studio de Música Antiga realizou sua terceira edição, consolidando-se como um dos principais eventos dedicados à música histórica no Brasil. O ciclo, realizado entre os dias 20 e 30, contou com a presença do gambista belga Wieland Kuijken, referência mundial na interpretação de música antiga. Participaram também o cravista holandês Jacques Ogg e a Academia Internacional de Música Antiga de Versalhes, que se apresentou no auditório da Universidade Santa Úrsula. O corpo docente brasileiro incluiu nomes como Helder Parente, Homero de Magalhães Filho, Laura Rónai, Myrna Herzog, Nicolas de Souza Barros e Rosana Lanzelotte. O encerramento ocorreu em 5 de julho com o lançamento do livro *Studio Música Antiga III* e a exibição do vídeo *Quem é que faz instrumentos antigos no Brasil?*.[47]
O Studio de Música Antiga IV, promovido pela Universidade Santa Úrsula, teve início em 19 de julho de 1989, reunindo intérpretes especializados em música histórica. A edição contou com a participação de Laura Rónai (flauta transversal barroca), Myrna Herzog (viola da gamba), Nicolas de Souza Barros (alaúde), Rosana Lanzelotte (cravo e órgão), Jean-Claude Veilhan (flauta doce), Helder Parente (dança renascentista), Homero de Magalhães Filho (técnico em instrumentos musicais), Florentino Mauro (violoncelo barroco) e Philippe Couvert (violino barroco). O curso reforçou a proposta de formação e difusão da prática musical historicamente informada no Brasil. [48] O Studio de Música Antiga IV, realizado em julho de 1989, foi descrito como uma verdadeira “arqueologia da sonoridade e do estilo barrocos”, reunindo músicos dedicados à recriação histórica da música dos séculos passados. Através de cursos e concertos, o grupo buscou resgatar práticas interpretativas originais, utilizando instrumentos de época e técnicas baseadas em tratados antigos. A iniciativa, promovida pela Universidade Santa Úrsula, foi comparada a uma expedição arqueológica musical de Indiana Jones, com seus integrantes — entre eles Myrna Herzog — atuando como exploradores em busca de tesouros esquecidos da tradição barroca.[49]
Curso de Interpretação de Música Barroca (1990)
Em março de 1990, a Escola de Música da UFRJ implementou um curso pioneiro de interpretação de música barroca, coordenado pela gambista Myrna Herzog. A iniciativa fazia parte de um movimento de renovação acadêmica da instituição e buscava suprir a carência de conhecimento técnico sobre a execução de obras do período anterior ao classicismo.[50] Com uma abordagem teórica e prática, o curso focava na análise estilística, utilizando como bibliografia base a obra O Discurso dos Sons, de Nikolaus Harnoncourt. Segundo a crítica da época, a disciplina propunha que a escrita musical barroca fosse compreendida como uma "estenografia", exigindo do intérprete o conhecimento de regras específicas para conferir eficácia à música, em um processo comparado à liberdade interpretativa do jazz.[50]
Em julho de 1990, o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, iniciou o projeto "Música Ilustrada", uma série de concertos de caráter didático organizada pela Music Marketing e idealizada por Bernardo Bessler para a formação de novas plateias de música erudita. O primeiro ciclo da série, intitulado "Os Instrumentos", contou com a participação dos músicos Marcelo Fagerlande (cravo), Myrna Herzog (viola da gamba) e Cléa Galhano (flauta doce) em sessões dedicadas aos instrumentos barrocos. Apresentados por Ester Jablonsky, os espetáculos ocorriam ao meio-dia e faziam parte de um programa que incluía ciclos subsequentes sobre conjuntos musicais e compositores.[51]
IX Oficina de Música Antiga em Jerusalém (1991)
Em 1991, Myrna Herzog tornou-se possivelmente a primeira musicista brasileira de música antiga a lecionar no exterior, ao ministrar um curso na IX Oficina de Música Antiga em Jerusalém. Segundo artigo em O Globo de Luiz Paulo Horta, como expoente técnica da viola da gamba, Myrna Herzog consolidou seu papel de educadora internacional ao romper fronteiras culturais em setembro de 1991. Ao ser convidada para lecionar na IX Oficina de Música Antiga de Jerusalém, em Israel, Myrna não apenas levou o nome do Brasil para um centro musical de relevância global, mas também inverteu o fluxo tradicional de ensino da música barroca. Sua trajetória demonstra que o 'feeling' e a criatividade brasileira, aliados a um rigor acadêmico profundo, permitiram que uma musicista sul-americana se tornasse referência no ensino de instrumentos de época em instituições internacionais de prestígio.[52]
Israel (1992-2024)
Se estabelecendo na cena Israelense (1992 - 1997)
Em resenha publicada no Jerusalem Post em 14 de dezembro de 1993, Ury Eppstein analisou o concerto “Mainly Bach”, realizado na St. Andrew’s Church, destacando a participação de Myrna Herzog como gambista. Segundo o crítico, sua atuação ao lado de Kati Debrezeni (violino), Idit Shemer (flauta) e David Shemer (cravo) na Trio Sonata BWV 529 resultou em um conjunto “agradável”, que buscou recriar, dentro das possibilidades instrumentais, os registros originais de órgão da obra. Eppstein também elogiou o “espírito barroco” presente no Concerto de Telemann para flauta doce e viola da gamba, ressaltando o caráter vivaz, espontâneo e tecnicamente refinado da interpretação de Herzog e do flautista Sarig Sela.[53]
Em crítica publicada no Jerusalem Post em 17 de maio de 1994, Ury Eppstein analisou a atuação do C.P.E. Bach Ensemble em recital realizado na Ticho House, em Jerusalém, destacando a participação de Myrna Herzog como gambista. Segundo o crítico, sua interpretação de uma suíte de Marais revelou uma viola da gamba “sonora, porém discreta”, valorizada pelo toque elegante da instrumentista. Eppstein observou ainda que o Duo para flauta e violino de C.P.E. Bach foi o ponto alto do programa.[54]
Em 6 de dezembro de 1994, o crítico Ury Eppstein, do Jerusalem Post, publicou uma resenha elogiosa sobre um recital de Myrna Herzog e do cravista David Shemer, realizado em celebração aos 250 anos de uma viola da gamba construída por Andrea Castagneri em 1744 e restaurada naquele ano. Segundo Eppstein, o instrumento revelou “sonoridade fascinantemente discreta e expressiva” em obras de Forqueray, Marais, Lidl e Bach, destacando-se tanto nos movimentos lentos quanto nas danças rápidas do repertório barroco. O crítico ressaltou ainda o caráter francês de Papillon, de d’Hervelois, e comentou a peça contemporânea Magic Stone, de Gerson Grunblatt, que explora o contraste entre os timbres do cravo e da gamba. Eppstein observou que Shemer interpretou Couperin e Forqueray com fidelidade estilística, embora o cravo ocasionalmente se sobrepusesse à gamba no equilíbrio sonoro do conjunto.[55]
Em resenha publicada no Jerusalem Post em 7 de março de 1995, Ury Eppstein analisou o Concerto n.º 2 da Keshet Baroque Orchestra, realizado na St. Andrew’s Church sob a direção de David Shemer, destacando a interpretação de Myrna Herzog no raro concerto para viola da gamba de Tartini. Segundo o crítico, Herzog revelou “o encanto inerente” da obra, ornamentando-a com fidelidade estilística e recuperando a tradição barroca — quase esquecida — de executar cadências próprias. O programa, centrado sobretudo em obras de Telemann, incluiu ainda participações do Ankor Children’s Choir e de solistas como Eyal Lerner e Idit Shemer, além de comentários críticos sobre equilíbrio, articulação e dicção vocal ao longo da apresentação.[56]
Em crítica publicada no Jerusalem Post em 17 de outubro de 1995, Ury Eppstein analisou o concerto “Baroque Buds”, apresentado por artistas convidados do workshop anual Musica Antiqua, destacando a atuação de Myrna Herzog como continuísta de viola da gamba. Segundo o crítico, Herzog ofereceu execução “impecável” em L’Ambitiosa, de Frescobaldi, enquanto o recital foi dominado pelo violino barroco de Walter Reiter, elogiado por sua vivacidade, leveza e fidelidade estilística. A soprano canadense Linda Perillo também recebeu destaque por sua voz brilhante e expressiva em canções de Purcell, e David Shemer demonstrou domínio estilístico em uma suíte para cravo do mesmo compositor.[57]
Ensemble PHOENIX (1998-2024)
Após conseguir a doação de quatro violas da Viola da Gamba Society para a Universidade Bar-Ilan, onde fez doutorado em música,[10] Myrna formou uma primeira geração de musicistas de gamba no Ensemble Phoenix,[10][9] fundado em 1998.[10] O projeto cresceu, começou a incorporar outros instrumentos e Myrna começou a atuar como regente também a partir de um projeto de música barroca boliviana.[9]
Em 2018, ela iniciou um trabalho para interpretar o oratório La Caduta Dell' Angeli de Francesco Rossi com vozes da Universidade de Tel Aviv e do Ludovice Ensemble de Portugal, com quem Myrna desenvolveu uma relação após promover a figura do músico brasileiro José Maurício Nunes Garcia em Israel.[9]
Herzog também trabalhou com ópera. Ela transcreveu e encenou a Peça de Daniel do século XIII e a ópera barroca La púrpura de la rosa.[58]
Em junho de 2019, Myrna Herzog regeu a estreia israelense da ópera The Pirates (1792), de Stephen Storace, em produção realizada pelo Ensemble PHOENIX — que ela fundou e dirige — em parceria com a Ópera de Israel. A matéria destacou que a montagem celebrava os 20 anos do conjunto e trazia a reconstrução da partitura perdida no incêndio do Teatro Drury Lane, realizada por David Sebba. Cantada em inglês com legendas em hebraico e interpretada por solistas do Studio Meitar, a produção foi descrita como leve, bem-humorada e marcada por elementos que, segundo Herzog, antecipam características da música da Broadway.[59]
Em fevereiro de 2024, Myrna ministrou oficinas sobre música barroca para maestros no Brasil e na Royal Academy of Music em Londres.[58]
Série de Concertos sobre o Quintão (1999)
Em 7 de junho de 1999, o Jerusalem Post publicou a matéria “In with the quinton”, de Michael Aijzenstadt, destacando o papel de Myrna Herzog na redescoberta contemporânea do quinton, instrumento híbrido do século XVIII que combina características da viola da gamba e do violino. A reportagem descreve como Herzog identificou e restaurou um raro quintão francês do luthier Chappuy (c. 1760), passando a utilizá‑lo em concertos e pesquisas acadêmicas. Segundo o jornal, Herzog organizou uma série de apresentações dedicadas ao instrumento, incluindo: (1) dois concertos em Israel — no Enav Center, em Tel Aviv, e na Scottish Church, em Jerusalém — com repertório francês do século XVIII e obras contemporâneas de André Hajdu e de seu filho David Feldman; e (2) uma apresentação e palestra em Londres, em 12 de junho de 1999, patrocinadas pela Viola da Gamba Society of Great Britain e pelo British Council.[60]
Jerusalem Consort (1999)
O Jerusalem Consort recebeu atenção crítica pelo seu primeiro álbum lançado pelo selo belga Arcobaleno, destacado por Michael Ajzenstadt no The Jerusalem Post como uma interpretação vigorosa de repertório barroco francês, incluindo obras de Jacquet de La Guerre, Drouard de Bousset, Marais e Couperin. O crítico ressaltou a qualidade do conjunto liderado por David Shemer e a contribuição vocal de Miriam Meltzer, e de Myrna Herzog na viola da gamba, descrevendo o disco como uma seleção de peças de alto nível técnico e expressivo.[61]
Primeiro recital de Viola da Gamba solo no Rio de Janeiro (2003)
Em abril de 2003, Myrna Herzog realizou o primeiro recital solo de viola da gamba na cidade do Rio de Janeiro, como parte da série “Sábados Clássicos” promovida pelo Arte SESC. Radicada em Israel, Herzog apresentou um programa com obras de J. S. Bach, Diego Ortiz e Giovanni Bassani, explorando a sonoridade singular do instrumento — uma viola de arco de seis a sete cordas, popular na Renascença e no período barroco.[62]
Projeto Symphonia Concertante (2010)
Em 2 de maio de 2010, o jornal israelense *Israel Hayom* publicou um artigo de Matan Oren sobre um concerto do projeto “סימפוניה קונצרטנטה” (Symphonia Concertante), da Orquestra Barroca Israelense, que explorava obras influenciadas pela simbologia e pelos ideais da maçonaria. A matéria discutiu o impacto da estética maçônica na música de Mozart e destacou a participação de músicos ligados à performance historicamente informada, entre eles Myrna Herzog, cuja atuação foi apresentada no contexto do esforço da orquestra em aproximar o público israelense da música clássica por meio de repertórios temáticos e abordagens interpretativas de época.[63]
Concerto "Od srca srcu" no Festival Sarajevska Zima (2011)
Em fevereiro de 2011, Myrna Herzog apresentou-se no festival internacional Sarajevska zima (Sarajevo Winter), em Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina. Anunciada pela imprensa local como uma das mais conhecidas musicistas israelenses, ela realizou o concerto solo Od srca srcu ("Do coração ao coração") na cena da Comunidade Judaica de Sarajevo. O programa, executado na viola da gamba, reuniu músicas de diferentes países e séculos e dialogou com o tema do festival, abordando diversas formas de amor — entre pessoas, entre pais e filhos e pela própria música.[64]
Primer Congreso y Festival Internacional de Música Barroca Iberoamericana (2012)
Em novembro de 2012, Myrna Herzog participou do Primer Congreso Festival Internacional Música Barroca Iberoamericana, realizado em Lima e organizado pela Universidad Orval em colaboração com o Arzobispado de Lima, o Instituto de Investigación Musicológica Carlos Vega (Argentina) e a Real Academia de Bellas Artes de San Fernando (Espanha). O congresso reuniu especialistas de Israel, Espanha, Equador, Argentina, Chile, México e Peru, além de grupos musicais dedicados ao repertório barroco. Herzog integrou o primeiro concerto do evento, realizado na Igreja de San Marcelo, apresentando o programa “Memoria de España” ao lado de Sergio Pelacani e Daniel Ganum, ambos integrantes do ensamble uruguaio De Profundis.[65]
Primer Encuentro Internacional de Música Religiosa, Litúrgica y Dramática de la Real Audiencia de Quito y del Virreinato del Perú (2013)
Myrna Herzog participou do Primer Encuentro Internacional de Música Religiosa, Litúrgica y Dramática de la Real Audiencia de Quito y del Virreinato del Perú, iniciativa acadêmica dedicada ao estudo, interpretação e contextualização histórica da música sacra produzida nos territórios coloniais andinos. O encontro reuniu pesquisadores, intérpretes e instituições especializadas na música dos séculos XVII e XVIII, promovendo conferências, debates e apresentações voltadas ao repertório litúrgico e dramático do período. A participação de Herzog integrou o eixo performático do evento, contribuindo para a articulação entre pesquisa musicológica e prática histórica de performance, um dos objetivos centrais do encontro.[66]
46º Festival de Inverno de Campos do Jordão (2015)
Em julho de 2015, Myrna Herzog apresentou-se na Sala São Paulo como parte da programação do 46º Festival de Inverno de Campos do Jordão. A violista da gamba interpretou obras de compositores como Karl Friedrich Abel e Marin Marais, utilizando um instrumento construído no século XVII. O concerto, realizado no dia 14, integrou uma noite dedicada às cordas, que também contou com a participação do Brodsky Quartet. A apresentação destacou o papel da viola da gamba na música barroca e sua sonoridade distinta, em contraste com os instrumentos modernos de cordas friccionadas.[67]
Incidente com viola da gamba em viagem aérea (2018)
Em janeiro de 2018, uma viola da gamba de Myrna foi destruída durante uma viagem do Rio de Janeiro a Tel Aviv com escala em Roma pela companhia aérea italiana Alitalia. Segundo a musicista, a empresa havia garantido a ela que o instrumento seria carregado a mão e com cuidado,[10][68][69][70][71][72] e o objeto estava sem peças soltas que pudessem danificá-lo e acomodado em uma maleta própria.[32][70] Myrna chegou a ser criticada por permitir que tal antiguidade fosse despachada,[70][73] e a companhia aérea alegou que ela recusou a possibilidade de comprar um assento adicional para levar o instrumento consigo e assinou um documento isentando a empresa de responsabilidade sobre o objeto.[74] Myrna, por sua vez, alegou que há 40 anos leva instrumentos em viagens de avião e nunca havia passado por isso[70] (exceto um incidente com um violoncelo[75]), e que não era verdade que lhe ofereceram a compra de um assento adicional.[70]
O instrumento em questão era uma viola construída pelo fabricante inglês Edward Lewis em 1685 e fazia par com outra viola construída com a madeira da mesma árvore derrubada em 1662 e comprada por Myrna.[32] Myrna restaurou os dois instrumentos em 2001[68] com base em sua pesquisa e sob orientação do especialista Johan Topham, bem como o legado dos finados Dietrich Kessler e Ephraim Segerman, e viajou com eles pelo mundo para se apresentar ao vivo.[32] Uma das violas ficou em Israel e a outra no Brasil, onde Myrna a mantinha para tocá-la para seus pais. Quando estes morreram, ela decidiu trazer o instrumento ao país de residência, e foi nesta viagem que os danos aconteceram.[32] Segundo ela, o instrumento valia US$ 200 mil,[76] mas outra fonte diz que ele foi avaliado em US$ 60 mil.[10]
Quase um mês mais tarde, a viola da gamba começou a ser restaurado pelo lutier de Jerusalém Shlomo Moyal,[72][76] após a companhia aérea assumir a responsabilidade e custear integralmente o processo.[32] A restauração levou um ano para ser concluída.[32]
Em março de 2018, o guitarrista do grupo alemão de rock progressivo Rufus Zuphall, Günter Krause, compôs uma peça para viola após saber do incidente e contatou Myrna para que ela própria tocasse, o que ela fez usando a viola gêmea da que foi destruída.[77]
De volta ao Brasil (2024-)
Em outubro de 2024, Myrna Herzog retornou aos palcos brasileiros com o recital solo "Nas Cordas do Coração", apresentado no Espaço Cenáculo, no Rio de Janeiro. O programa reuniu obras que atravessam diferentes períodos da história da viola da gamba, incluindo peças de Ganassi, Hume, Marais, Bach e Abel, além de composições contemporâneas dedicadas à intérprete. Tocando uma viola da gamba original de 1744, construída por Andrea Castagneri, Herzog destacou a versatilidade expressiva do instrumento em um concerto que marcou sua volta à cena brasileira após anos de atuação majoritariamente internacional.[78] Em julho de 2025, Herzog integrou a programação do Festival de Inverno de Petrópolis com o concerto "Conversa Galante", apresentado no Museu Imperial ao lado de Laura Rónai (flauta), Roger Ribeiro (violino) e Eduardo Antonello (cravo). O repertório combinou obras de Locatelli, [[Telemann[[ e C. P. E. Bach com composições brasileiras de Chiquinha Gonzaga e Villa-Lobos, refletindo o diálogo entre tradições europeias e nacionais que caracteriza parte da trajetória da artista. O evento foi divulgado como um dos destaques camerísticos do festival, reforçando a presença de Herzog na cena musical brasileira contemporânea.[79]
PHOENIX-Brasil
Em 2024, após décadas de atuação em Israel, onde fundou o Ensemble Phoenix, Myrna Herzog retornou ao Brasil motivada por questões familiares e pelo cenário de instabilidade no Oriente Médio. Estabelecida no Rio de Janeiro, a musicista lançou em 2025 o projeto Phoenix-Brasil, uma extensão do seu conjunto original composta por 15 músicos brasileiros dedicada ao repertório barroco e de música antiga. Herzog retomou a tradição de promover saraus musicais em sua residência em Copacabana e planejar circuitos de concertos pelo país através de projetos incentivados pela Lei Rouanet. Segundo Luciana Medeiros, Myrna Herzog é como uma 'locomotiva da música antiga', reconhecida pelo seu pioneirismo e pela capacidade de inspirar e formar novas gerações de músicos de renome internacional.[80]
Entrevistas
Myrna Herzog concedeu diversas entrevistas em vídeo, podcast e rádio ao longo de sua carreira, abordando temas como a prática historicamente informada, a viola da gamba, sua trajetória no Brasil e em Israel, e o trabalho com o ensemble PHOENIX. A seguir, uma lista organizada cronologicamente:
- Entrevista em vídeo sobre sua trajetória e a música antiga.[81]
- Entrevista em podcast discutindo carreira, repertório e interpretação histórica.[82]
- Entrevista em vídeo sobre música antiga e projetos artísticos.[83]
- Entrevista em vídeo abordando repertório barroco e atuação como regente.[84]
- Entrevista para a Rádio Jornal Indaiatuba, discutindo carreira e música antiga.[85]
Discografia
Álbuns solo
- Bachiana Mineira (1983) de Calimério Soares (Brasil, 1944-2011) para viola da gamba solo. Gravado no CD Toccata de 2001.[86]
- Choose Life: Music for Solo Viola da Gamba (2022) – álbum solo de viola da gamba.[87]
Com o Quadro Cervantes
- 1989 Concerto BHU. Quadro Cervantes, Coro de Câmera Pro-Arte, Rosana Lanzelotte, Settecento (3xLP, Box) no number 1989[88]
- 1984 Quadro Cervantes, Telemann. Brazil 1984. Vinyl, Barclay- 4192621[89]
- 1979 Quadro Cervantes, Música Medieval, Renascentista e Barroca. Brazil 1979. Vinyl, Continental (3) – 1-35-404-012[90]
Com Denise Emmer
- 1982 Canto Lunar, Music by Denise Emmer. Vinyl 1982 RGE – 308.6029[91]
Com Wieland Kuijken e Rosana Lanzellote
- 1988 Wieland Kuijken live in Rio. Wieland Kuijken, Myrna Herzog, Rosana Lanzelotte. Recorded in 1988. Released Tratore 2020.[92]
Com o Jerusalem Consort
Com o Ensemble PHOENIX (direção de Myrna Herzog)
- 2025 VENICE: Lotti, Caldara - Ensemble PHOENIX e The Madrigal Singers sob direção de Myrna Herzog[95]
- 2025 Michelangelo Falvetti: IL NABUCCO (1683) - Ensemble PHOENIX[96]
- 2025 Convivencia: Moors, Christians and Jews in Iberia – Ensemble PHOENIX.[97]
- 2024 Bach in Italy – Ensemble PHOENIX.[98]
- 2024 Leonora Duarte, Palazzo & Synagogue – Ensemble PHOENIX.[99]
- 2023 Brazil: Dom Pedro I and the Music of Imperial Brazil – Ensemble PHOENIX.[100]
- 2022 BACH GOLDBERG VARIATIONS arranged by Bernard Labadie. Ensemble PHOENIX & Myrna Herzog. Tratore 2022[101]
- 2021 Uri Brener: Spanish Lamento. Ensemble PHOENIX & Myrna Herzog. Tratore 2021[102]
- 2020 José Maurício Nunes Garcia: REQUIEM. Ensemble PHOENIX[103]
- 2020 François Couperin: Pièces de Clavecin à deux violes. Myrna Herzog, Giomar Sthel, Ensemble PHOENIX. Tratore 2020.[104]
- 2017 Misa Zapoteca and the Exotic Music of Baroque México (2017).[105]
- 2007 O Pray for the Peace of Jerusalem. Ensemble PHOENIX.[106]
- 2003 Wind and Sea. Ensemble PHOENIX.[107]
- 2000 As Brazil was DISCOVERED. Ensemble PHOENIX.[108]
- 1999 SHAKESPEARE. Ensemble PHOENIX com Miriam Meltzer e Benny Hendel.[109]
Com Tal Arbel
- 2024 Matthew Locke: Duos on Lewis Viols – com Tal Arbel.[110]
Com David Loeb
- 2022 Hidden Pathways: David Loeb and others. 2022 Centaur Records Inc, CRC 3920[111]
Publicações
Poemas
- Canto Aberto: Cinco Poetas Jovens. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.[112]
- A Casa do Alaúde. Rio de Janeiro: Boca da Noite, 1999.[113]
Musicologia
A produção bibliográfica de Myrna Herzog foca predominantemente na organologia, na história de instrumentos de cordas friccionadas e na prática de execução histórica, com diversos trabalhos publicados e disponibilizados em plataformas acadêmicas.
Artigos e Ensaios
- The Division Viol – an overview: Estudo detalhado sobre a viola de divisão, sua técnica e repertório.[114][115]
- Reassessing Bourdelot-Bonnet’s first French History of Music (1715): Reavaliação histórica da obra fundamental de Bourdelot-Bonnet sobre a música francesa.[116] Este trabalho também possui uma versão em espanhol intitulada La reevaluación de la primera Historia de la Música francesa de Bourdelot-Bonnet.[117]
- Is the quinton a viol? A puzzle unravelled: Uma investigação sobre a natureza híbrida do quinton e sua classificação organológica dentro das famílias de instrumentos.[118]
- Looking through the mist of "Tous les matins du Monde": Sainte-Colombe revisited: Uma análise crítica e histórica sobre a figura de Sainte-Colombe, contrastando a realidade histórica com a representação cinematográfica moderna.[119]
- Stradivari’s viols: Pesquisa sobre as violas da gamba remanescentes e documentadas produzidas pelo luthier Antonio Stradivari.[120]
- Violin Traits in Italian Viols: Estudo técnico sobre a influência e a presença de características físicas próprias dos violinos em violas da gamba de origem italiana.[121]
- The viol in Bach's Passions: a performer's notes: Notas e reflexões técnicas sob a perspectiva de uma intérprete sobre o papel e a execução da viola da gamba nas Paixões de J.S. Bach.[122]
- Finding the true identity of the Castagneri viol: a detective story: Relato de uma investigação organológica detalhada para identificar a procedência e a autoria de uma viola histórica específica.[123]
Teses
- The Quinton and other Viols with Violin Traits: Tese de doutorado focada na intersecção organológica entre a família das violas e dos violinos no século XVIII.
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