Motiva

Motiva
Razão socialMotiva Infraestrutura de Mobilidade S/A
Nome(s) anterior(es)CCR (1999–2025)
Empresa de capital aberto
CotaçãoB3MOTV3
AtividadeInfraestrutura
Transporte
Fundação23 de janeiro de 1999 (27 anos)
SedeSão Paulo, SP, Brasil
Área(s) servida(s)
Pessoas-chaveMiguel Setas (CEO)[1]
Empregados17 000 (2022)[1]
Serviços
Divisões
Subsidiárias
Acionistas
Lista
Valor de mercadoBaixa R$ 21,49 bilhões (2023)[7][8]
AtivosAumento R$ 50,54 bilhões (2022)[1]
LucroAumento R$ 4,13 bilhões (2022)[1]
LAJIRAumento R$ 10,03 bilhões (2022)[1]
FaturamentoAumento R$ 18,53 bilhões (2022)[1]
Websitewww.motiva.com.br

A Motiva, anteriormente Grupo CCR ou CCR,[9][10] é uma empresa brasileira de capital aberto com foco na administração de concessões de ativos de infraestrutura e transporte, com sede em São Paulo.

Atualmente, estão sob gestão da companhia 39 concessões em 13 estados, somando 4,47 mil km de rodovias, 6 concessões de mobilidade urbana e 35 aeroportos no Brasil e no mundo.[11][12][13]

História

A empresa foi criada em 23 de janeiro de 1999, a partir da criação de uma holding pelos grandes grupos nacionais: Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa (atual Mover Participações) e Soares Penido, que já eram donos de múltiplas concessionárias "CCR", com o objetivo de consolidar as concessões de rodovias federais e estaduais já detidas.[12][14][15]

Contexto

Antes da implantação do programa de concessões rodoviárias, a regulação do transporte no Brasil focava principalmente em tarifas e segurança na mobilidade de passageiros e cargas. Essas responsabilidades eram exercidas por autarquias, como o extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e seus equivalentes estaduais. Nas décadas de 1960 e 1970, o Estado conseguia financiar a expansão e manutenção da malha rodoviária com recursos próprios. Contudo, na década de 1980, crises como a do Segundo Choque do Petróleo, a aceleração da inflação e turbulências políticas levaram a questionamentos sobre o papel do Estado na economia, em linha com tendências globais. Esse movimento ganhou força com o Consenso de Washington, em 1989, quando o FMI adotou políticas para promover ajustes macroeconômicos, incentivando a redução das funções do Estado, como privatizações, disciplina fiscal e desregulamentação.[16]

No Brasil, essa reforma administrativa começou em 1995, com o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, que buscava melhorar o equilíbrio fiscal, o crescimento econômico e o controle da inflação. Uma das iniciativas centrais foi o Programa de Concessões de Rodovias Federais, iniciado em 1993 e estruturado em etapas. Nesse contexto, a Lei Federal 8.987/95 foi promulgada, estabelecendo as bases para concessões no setor rodoviário. A legislação introduziu conceitos fundamentais como serviço adequado, política tarifária e equilíbrio econômico-financeiro dos contratos, permitindo a entrada de capital privado no setor.[16]

Ainda em 1995, ocorreu a primeira transferência de infraestrutura rodoviária ao setor privado, abrangendo quatro trechos de rodovias federais e a Ponte Rio-Niterói, totalizando 858,6 quilômetros, em que a concessionária Ponte S/A, uma empresa posteriormente incorporada ao grupo CCR,[17][15] venceu o leilão de concessão. Esse marco inaugurou uma nova fase no modelo de gestão rodoviária do país, reforçando o papel regulador do Estado e abrindo espaço para parcerias com a iniciativa privada.[16][17][15]

Crescimento

1995 – 1999

De sua fundação até 2000, a CCR já havia adquirido os direitos de administração de 6 concessões, sendo elas:

CCR Ponte, em 1995, (BR 101-RJ);[15] CCR Nova Dutra, em 1996, (BR-116);[15] CCR ViaLagos, em 1996, (RJ-124);[15] CCR RodoNorte, em 1997, (BR 376, PR 151, BR 277);[15][18] CCR AutoBAn, em 1998, (SP 300, SP 330, SP 348, SPI 102/330);[15] CCR ViaOeste, em 1998, (SP-15, SP-75, SP-280, SP-270, SP-091/270).[15]

2000 – 2009

O Grupo CCR obteve o registro de companhia aberta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em dezembro de 2000. No ano seguinte, em novembro de 2001, tornou-se a primeira empresa a aderir ao recém-criado Novo Mercado, segmento especial de listagem voltado para empresas com os mais altos padrões de governança corporativa e relacionamento com acionistas. Em fevereiro de 2002, as ações do Grupo CCR passaram a ser negociadas na Bolsa de Valores, hoje conhecida como B3. Ainda em 2002, foram criadas a CCR Actua e a CCR Engelog, com o propósito de impulsionar o crescimento do grupo e fortalecer sua competitividade em novos negócios.[15]

Em 2005, a companhia adquire a concessionária CCR ViaOeste, e no ano seguinte conquistou a concessão da operação da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, por meio do consórcio vencedor da primeira Parceria Público-Privada (PPP) do país, sendo formada a ViaQuatro. Ainda em 2006, a CCR EngelogTec é criada para centralizar as atividades e a gestão da tecnologia da informação das unidades do Grupo, que somada a CCR Actua e a CCR Engelog formam o Centro de Serviços Compartilhados do Grupo CCR (CSC).[15]

Em 2007, é inaugurada a sede da companhia, em São Paulo, denominada "Núcleo CCR de Infraestrutura e Logística". Já em 2008, a CCR adquire 40% do capital social da Renovias e vence a licitação para operar o trecho oeste do anel viário Mário Covas, constituindo a concessionária CCR RodoAnel Oeste.[15]

2010 – 2019

Em 2010, o grupo adquire a totalidade do capital social da CCR SPVias, e inicia a operação da linha 4-Amarela do metrô paulistano, entre as estações Paulista e Faria Lima,[15][19] e em 2011, a SAMM, empresa prestadora de serviços de comunicação multimídia e conectividade IP com mais de 4.700 quilômetros de fibra óptica subterrânea e aérea, inicia suas atividades no segmento de telecomunicações, expandindo o escopo de atuação do grupo.[20]

Em 2012, a companhia adquiriu participação de 45,49% na Quiport, concessionária que administra o Aeroporto Internacional de Quito, no Equador, e iniciou seu plano de internacionalização. Na sequência, comprou 48,75% do capital da Aeris, concessionária do Aeroporto Internacional de San Jose, na Costa Rica. E, antes do fim do ano, passou a deter 40,8% da Curaçao Airport Partners (CAP), concessionária do Aeroporto Internacional de Curaçau.[21] No Brasil, assinou o contrato para implantação, operação e manutenção da ViaRio, parte do pacote de investimentos previstos para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, além de, ainda nesse ano, adquirir 80% de participação na CCR Barcas.[15][22]

Em 2013, ampliou seu portfólio de ativos no segmento de mobilidade urbana, compondo o consórcio vencedor do leilão para construção e operação do VLT Carioca, e do Metrô de Salvador e Lauro de Freitas na Bahia, através da CCR Metrô Bahia, sendo o ultimo projeto uma PPP.[23] No ano seguinte, o Grupo CCR assumiu a concessão para ampliação, manutenção e operação do Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais com a composição da BH Airport, com participação do grupo Zurich Airport,[12][24] além da constituição da CCR MSVia e a criação do Instituto CCR - criada com o propósito de gerenciar os investimentos sociais do Grupo CCR direcionados para a promoção do desenvolvimento local, por meio de recursos próprios e das leis de incentivo.[15]

Em 2015, o Grupo CCR adquiriu 70% de participação na Total Airport Services (TAS), prestadora de serviços aeroportuários com atuação nos Estados Unidos, além de aumentar sua participação na Quiport para 50% e dar-se o término do contrato da CCR Ponte, concessionária responsável pela administração da Ponte Rio-Niterói, após 20 anos de prestação de serviços aos usuários. E em 2016, a companhia concluiu a venda da Sociedade de Tecnologias de Pagamento (STP), conhecido pela marca Sem Parar, recebendo R$ 1,4 bilhão pela participação que possuía na empresa.[15]

Já em 2017, a empresa passou a deter participação de 75% na ViaQuatro, administradora da Linha 4-Amarela de metrô de São Paulo, e de 66,66% na ViaRio, no Rio de Janeiro, ademais da reorganização da estrutura de gestão dos ativos do grupo, ao criar quatro novas divisões para a administração dos ativos de rodovias paulistas, rodovias federais, sistemas de mobilidade urbana e aeroportos.[15]

No ano seguinte, a companhia venceu a licitação para a operação e manutenção da Linhas 5-Lilás de metrô e Linha 17-Ouro de monotrilho de São Paulo, ambas operadas pela ViaMobilidade - Linhas 5 e 17[25][26] e conquistou a concessão da Rodovia de Integração do Sul (RIS), constituindo, assim, a CCR ViaSul. Ainda em 2018, o grupo também ampliou sua participação para 97,15% no capital social da Aeris, que administra o aeroporto da Costa Rica.[15] Em 2019, a empresa aumentou sua participação no VLT Carioca passando a deter mais de 95% de participação.

2020 – presente

Em 2020, venceu a concorrência para exploração da infraestrutura e da prestação do serviço público do trecho da BR-101/SC, constituindo, portanto, a ViaCosteira. Já em 2021, a empresa ganhou a concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda dos trens metropolitanos de São Paulo, criando a ViaMobilidade - Linhas 8 e 9, conquistou a concessão de 9 aeroportos do Bloco Sul e 6 do Bloco Central da 6ª rodada de concessões do Governo Federal, venceu, ainda, o leilão do Aeroporto da Pampulha, promovido pelo Governo de Minas Gerais e celebrou a extinção do Contrato de Concessão de Obras Públicas, cumprido pela controlada RodoNorte e o estado do Paraná, por intermédio do DER, (União).[12][18]

Em 2022, a companhia readequou sua estrutura para considerar os três negócios: CCR Rodovias, CCR Mobilidade e CCR Aeroportos, iniciou as operações das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda dos trens metropolitanos de São Paulo, iniciou a operação dos 9 aeroportos do Bloco Sul, 6 do Bloco Central e do Aeroporto da Pampulha e concluiu a alienação da participação acionária na empresa Total Airport Services (“TAS”), correspondente a 70%, pelo valor-base de US$ 143,5 milhões. Além disso, em outubro, a Itaúsa e a Votorantim concluíram a compra de 14,86% do capital total da empresa, detidas pela Andrade Gutierrez Participações pelo valor de aproximadamente R$ 4,1 bilhões.[27] Em 2023, o grupo aumentou sua participação acionária no VLT Carioca, detendo, a partir de então, 95,1737% do controle da companhia.[12]

Em 2025, a companhia deixou de ser a operadora do Transporte Aquaviário do Rio de Janeiro, sendo, agora, o serviço operado pelo Consórcio Barcas Rio.[28]

Subsidiárias

A empresa nasceu a fim de agregar múltiplas concessionárias já em operação no país, e, ao longo de sua história, novas empresas foram criadas, adquiridas, vendidas e extintas por diversas razões. Já compuseram ou fazem parte do grupo as seguintes empresas:

Subsidiárias
Plataforma de Atuação Nome Razão Social Concessão UF de Atuação Período de atuação Período incorporada ao Grupo
Serviços Controlar Controlar S.A.[29] Serviço de Avaliação de Emissões Veiculares da Cidade de São Paulo SP 1995–2014 2009–2014
SAMM Sociedade de Atividades em Multimidia Ltda.[30] Não Aplicável SP, RJ, MG, PR, BA 2011– 2011–
Total Airport Services (TAS) Total Airport Services, Inc.[31] Não Aplicável Estados Unidos 2012– 2015–2022
CCR Rodovias CCR Ponte Ponte S/A Ponte Rio-Niterói RJ 1995–2015 1999–2015
CCR NovaDutra Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S.A. BR-116 RJ, SP 1996–2022 1999–2022
CCR ViaLagos Concessionária da Rodovia dos Lagos S.A.[32] RJ-124 RJ 1996– 1999–
CCR RodoNorte RodoNorte - Concessionária de Rodovias Integradas S.A.[33] BR-376, PR-151, BR-277, BR-373 PR 1997–2021 1999–2021
CCR PRVias Concessionária de Rodovias PRVias S.A.[34] BR-376, BR-369, BR-373, PR-090, PR-170, PR-323, PR-445 PR 2025– 2025–
CCR AutoBAn Concessionária do Sistema Anahngüera-Bandeirantes S.A. SP-300, SP-330, SP-348, SPI-102/330 SP 1998– 1999–
CCR ViaOeste Concessionária de Rodovias do Oeste de São Paulo – ViaOeste S.A. SP-015, SP-075, SP-280 SP-270, SPI-091/270 SP 1998–2025 2005–2025[35]
Renovias Renovias Concessionária S.A. SP-215, SP-340, SP-342, SP-344, SP-350 SP 1998– 2007–
CCR SPVias Rodovias Integradas do Oeste S.A. SP-127, SP-255, SP-258, SP-270, SP-280 SP 2000– 2010–[36]
CCR RodoAnel Concessionária do Rodoanel Oeste S.A. SP-21 SP 2008– 2008–
CCR MSVia Concessionária de Rodovia Sul-Matogrossense S.A. BR-163 MS 2014– 2014–
ViaRio Concessionária ViaRio S.A.[37] TransOlímpica RJ 2016– 2016–
CCR ViaSul Concessionária das Rodovias Integradas do Sul S.A. BR-101, BR-290, BR-386, BR-448 RS 2019– 2019–[38]
CCR ViaCosteira Concessionária Catarinense de Rodovias S.A. BR-101 SC 2020– 2020–
CCR RioSP Concessionária do Sistema Rodoviário Rio-São Paulo S.A BR-116, BR-101 RJ, SP 2022- 2022-
CCR Sorocabana Concessionária Rota Sorocabana S.A. [39][40] SP-075, SP-079, SP-264, SP-270, SP-280, SPA-103/079, SPA-104/079, SPA-160/250, SPA-053/280, SPI-060/270, SPI-087/270, SPI-091/270[41] SP 2025– 2025–
CCR Mobilidade CCR Barcas Barcas S.A. - Transportes Marítimos Rio de Janeiro ↔ Niterói;
Rio de Janeiro ↔ Paquetá;
Mangaratiba ↔ Ilha Grande;
Angra dos Reis ↔ Ilha Grande;
Rio de Janeiro ↔ Cocotá;
Rio de Janeiro ↔ Charitas;
RJ 1998–2025[28] 2012–2025
ViaQuatro Concessionária da Linha 4 do Metrô de São Paulo S.A. Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo SP 2006– 2006–
VLT Carioca Concessionária do VLT Carioca S.A. Linha 1, Linha 2, Linha 3 e Linha 4 do VLT Carioca RJ 2016– 2016–
CCR Metrô Bahia Companhia do Metrô da Bahia S.A. Linha 1 e Linha 2 do Metrô da Bahia BA 2013– 2013–
ViaMobilidade - Linhas 5 e 17 Concessionária das Linhas 5 e 17 do Metrô de São Paulo S.A. Linha 5-Lilás e Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo SP 2018– 2018–
ViaMobilidade - Linhas 8 e 9 Concessionária das Linhas 8 e 9 do Sistema de Trens Metropolitanos de São Paulo S.A. Linha 8-Diamante e Linha 9-Esmeralda de Trens Metropolitanos de São Paulo SP 2021– 2021–
CCR Aeroportos Quiport Corporación Quiport S.A. [42] Aeroporto internacional Mariscal Sucre Ecuador 2012– 2012–
Aeris Aeris Holdings Costa Rica Aeroporto internacional Juan Santamaría Costa Rica 2012– 2012–
Curaçao Airport Partners (CAP) Curaçao Airport Partners Aeroporto Internacional Hato Curaçau 2012– 2012–
BH Airport Concessionaria do Aeroporto Internacional de Confins S.A. Aeroporto Internacional de Belo Horizonte-Confins MG 2014– 2014–
CCR Aeroportos - Bloco Sul Concessionária do Bloco Sul S.A.[43] Aeroporto Internacional Afonso Pena;
Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu/Cataratas;

Aeroporto Governador José Richa;

Aeroporto de Bacacheri;
Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder;
Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola;
Aeroporto Internacional João Simões Lopes Neto;
Aeroporto Internacional Ruben Berta;
Aeroporto Internacional Comandante Gustavo Kraemer;

PR, SC e RS 2021– 2021–
CCR Aeroportos - Bloco Central Concessionária do Bloco Central S.A.[44] Aeroporto Santa Genoveva;
Aeroporto Marechal Cunha Machado;
Aeroporto Senador Petrônio Portella;
Aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues;
Aeroporto Senador Nilo Coelho;
Aeroporto Prefeito Renato Moreira;
GO, MA, PI, TO, PE. 2021– 2021–
CCR Aeroportos - Aeroporto da Pampulha Concessionaria do Aeroporto da Pampulha S.A.[45] Aeroporto Carlos Drummond de Andrade MG 2021– 2021–

Controvérsias

Operação Lava Jato

Operação Integração

A Motiva (à época, grupo CCR) participou, em 1997, dos leilões do Anel de Integração do Paraná — conjunto de rodovias federais e estaduais que atravessam o estado — realizados na primeira rodada de concessões rodoviárias do Programa de Concessões Rodoviárias do Governo Federal. No certame, o grupo venceu o Lote 5, que abrangia as rodovias federais BR-376, BR-277 e BR-373, além da rodovia estadual PR-151, com prazo contratual até 2021.[46]

Em 2018, desdobramentos da Operação Lava Jato apontaram a existência de um esquema de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos estaduais e federais, associado à celebração de aditivos contratuais considerados fraudulentos, com previsão de reequilíbrios econômico-financeiros em favor de concessionárias, em prejuízo ao erário.[47] No âmbito da Operação Integração — fase voltada à apuração de contratos de concessão rodoviária —, foram efetuadas prisões[47] e a concessionária RodoNorte foi relacionada às investigações. Diante dos fatos apurados, o grupo CCR firmou acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF), comprometendo-se ao pagamento de aproximadamente R$ 750 milhões, nos seguintes termos:[48][49][50]

  • R$ 35 milhões sendo destinados para a multa prevista na Lei de Improbidade Administrativa;[50]
  • R$ 350 milhões sendo destinadas para a redução de 30% das tarifas dos pedágios da empresa, previstas a serem implementadas para os usuários em até 30 dias após a homologação do acordo;[50]
  • R$ 365 milhões sendo destinadas para a execução de parte das obras nas rodovias concedidas à empresa, de acordo com o plano de exploração original. [50]
Delação premiada de Adir Assad

Ainda em 2018, em delação premiada anexada a processos da Operação Integração,[51] o empresário Adir Assad afirmou ter pago “comissões” ao ex-diretor da DERSA, Paulo Vieira de Souza (Paulo Preto), e o vinculou a um esquema de corrupção que teria envolvido o Grupo CCR. Segundo Assad, o esquema incluía a geração de recursos em espécie por meio da emissão de notas fiscais superfaturadas; em outro trecho, ele declarou que parte desses valores teria sido direcionada a campanhas eleitorais de políticos, incluindo os ex-governadores José Serra e Geraldo Alckmin, além de deputados, com menção a ao menos 15 nomes.[52][53]

Posteriormente, a CCR informou ao mercado que celebraria um “Termo de Autocomposição” com o Ministério Público do Estado de São Paulo, a ser encaminhado para homologação judicial, prevendo o pagamento de R$ 81,530 milhões para encerrar o inquérito civil instaurado com base na delação premiada de Assad. Do total, R$ 64,53 milhões seriam destinados ao Estado de São Paulo e R$ 17 milhões seriam doados à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, com pagamentos previstos em duas parcelas: R$ 49,265 milhões em 1º de março de 2019 e o saldo remanescente em 1º de março de 2020; a companhia declarou que, por exigência legal, os termos do acordo seriam sigilosos e que manteria cooperação com autoridades, além de ajustes em governança e compliance.[52][53]

“Plano de Incentivo à Colaboração”

Em 22 de abril de 2019, o Grupo CCR informou que realizaria assembleia extraordinária para deliberar sobre um “Plano de Incentivo à Colaboração”. Conforme noticiado, a proposta previa o pagamento de R$ 78 mil mensais, por cinco anos, a cada um de 15 ex-executivos que colaborassem com investigações de corrupção, totalizando cerca de R$ 71 milhões. O tema ocorreu no contexto de investigações envolvendo a companhia, com referência os episódios acima descritos e a diligência de busca e apreensão na sede da empresa em São Paulo.[54]

Em nota, a CCR afirmou que não procede a alegação de que ex-executivos teriam de comunicar previamente à empresa o conteúdo de suas colaborações, sustentando que tais informações são sigilosas e acessíveis apenas às autoridades competentes. A companhia declarou que o plano buscaria viabilizar que ex-administradores prestassem todas as informações às autoridades e informou que o acordo de leniência com o Ministério Público Federal no Paraná foi assinado e anunciado em 6 de março de 2019 e homologado pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF em 28 de março de 2019; também declarou que divulga custos e termos de acordos em documentos públicos, incluindo aqueles disponibilizados na CVM e no site corporativo.[54]

Referências

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