Mestre Leopoldina

Mestre Leopoldina
Nome completoDemerval Lopes de Lacerda
Outros nomesLeopoldina
Nascimento
Morte
17 de outubro de 2007 (74 anos)

Nacionalidadebrasileiro

Demerval Lopes de Lacerda (Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 1933São José dos Campos, 17 de outubro de 2007), mais conhecido como Mestre Leopoldina é um capoeirista brasileiro, considerado um dos maiores compositores de capoeira de seu tempo e símbolo da malandragem carioca.[1][2]

Histórico

Juventude e início na malandragem

Demerval foi criado por sua mãe e depois por tias e outras senhoras que o acolheram. Quando adolescente, foi por vontade própria para o SAM ‑ Serviço de Assistência ao Menor. Por lá, entre outras coisas, aprendeu a nadar, dando regularmente a volta na ilha onde estava situado o reformatório, o que lhe deu uma excelente forma física.[3]

Durante a adolescência, Demerval foge de casa para vender doces na Central do Brasil. Já aos 18 anos, ele conhece a Capoeira carioca de idade com o marginal João Félix, conhecido como Quinzinho, um malandro carioca e pertencente a uma das maltas da época, provavelmente da malta Guaiamuns. Ele ensina a Leopoldina a "tiririca", a capoeira dos malandros cariocas, que não possuía toque de berimbau e era uma movimentação executada pelos malandros, mas que possuía código de ética, sendo transmitida sem violência. O intuito do treinamento era preparar Leopoldina para ser um bandido. Um ano depois, em 1954, Quinzinho é preso e assassinado na cadeia de Ilha Grande, durante uma de suas rebeliões.[1][4][5][6]

Vida adulta e história na capoeira

Após a morte de Quinzinho, Leopoldina sa a treinar sozinho até que conhece o capoeirista baiano Mestre Artur Emídio, que veio se Itabuna, e começa a treinar com ele no ano de 1954 na academia de Valdo Santana, um lutador profissional, em Bonsucesso.[3][4] Apesar dessa influência da capoeira baiana, Leopoldina ao longo dos anos é visto como um praticante da capoeira das ruas. Porém , segundo ele próprio, a influência de Mestre Artur Emídio foi responsável por fazê-lo deixar de consumir entorpecentes e arranjar um emprego e dar aulas de capoeira, fundando o seu grupo de capoeira Bantos de Angola.[6][7]

Algum tempo depois, ele passa a trabalhar no Cais do Porto e entra para a Resistência, um dos ramos da estiva. Leopoldina se aposenta cedo, antes dos 45 anos, devido a um acidente de trabalho (que não deixou sequelas) o que possibilitou ele se dedicar inteiramente à capoeira, trazendo seu estilo para a Suíça, Itália, Holanda, Alemanha e Senegal.[1][3]

A partir de 1961, ele passa a atuar na ala-show da escola de samba Mangueira, levando cerca de 60 capoeiristas para desfiles que misturavam Samba de roda e Capoeira Angola na avenida.[1]

Ele começou a ficar reconhecido no meio da capoeira lentamente com o tempo, durante viagens que fazia constantemente à São Paulo e na participação do hegemônico Grupo Senzala carioca.[8] Como compositor de músicas de capoeira, Leopoldina fala sobre mandinga, malandragem e crítica o sistema da sua época e a suposta valentia de alguns capoeiras.[2]

Em 2005 é lançado o documentário Mestre Leopoldina – A Fina Flor da Malandragem, contando com depoimentos e histórias narradas por Nestor Capoeira, em homenagem a ele.[9]

Morreu em 17 de outubro de 2007, em São José dos Campos, mas continua mantendo sua influência nas próximas gerações de capoeiristas pelo Brasil e mundo afora.[1]

Ver também

Referências

  1. a b c d e Capoeira, Palito (5 de agosto de 2025). «Palito Capoeira Mestre Leopoldina». Palito Capoeira. Consultado em 30 de agosto de 2025 
  2. a b «Capoeira na universidade – A não ortogonalidade corporal externa no campus». Nestor Capoeira. Algazarra (PUC-SP) (5). 2017. Consultado em 30 de agosto de 2025 
  3. a b c «Mestre Leopoldina - parte 1 - CAPOEIRA CONTEMPORÂNEA». Capoeira History. 7 de novembro de 2019. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  4. a b «Outros Mestres CPPA». Companhia Pernas pro Ar (CPPA). Consultado em 30 de agosto de 2025 
  5. Cunha, Pedro Figueiredo Alves da (9 de dezembro de 2014). Capoeiras e valentões na história de São Paulo (1830-1930). [S.l.]: Quincas 
  6. a b Teixeira, Raphael (2022). Dissertação de Mestrado. MESTRES TOURO E DENTINHO, OS IRMÃOS BEMVINDO: Uma perspectiva da memória corporal e diaspórica da Capoeira Carioca a partir do território da comunidade Vila Cruzeiro. Rio de Janeiro: UNIRIO 
  7. Fonseca, Vivian (2011). «"Menino, com quem aprendeu?" – como os antigos aprendizes vêem seus mestres hoje». Anais do XXVI Simpósio Nacional de História. Consultado em 30 de agosto de 2025 
  8. «Mestre Leopoldina - parte 3 - CAPOEIRA CONTEMPORÂNEA». Capoeira History. 4 de março de 2020. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  9. «Mestre Leopoldina, a fina flor da malandragem». TV Brasil. 20 de setembro de 2014. Consultado em 31 de agosto de 2025