Rabo de arraia
Rabo de arraia
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![]() Mestre Ciríaco demonstrando como preparar o "rabo de arraia", revista O Malho (1909) | |
| Informações gerais | |
| Tradução literal | Cauda de arraia |
| Arte marcial | Capoeira, Engolo |
| Local(is) de origem | Angola, Brasil |
| Escopo | Evasão, força física, precisão |
| Técnica base | Chute invertido por cima da cabeça |
| Cronologia das artes marciais • Lista de artes marciais • Projeto Artes Marciais | |
Rabo de arraia (lit. cauda de arraia) é uma técnica-mãe na capoeira para chutes invertidos por cima da cabeça, que lembram o golpe de uma arraia. Este termo inclui as seguintes técnicas principais:
- Meia-lua de compasso com suas variações, sendo o rabo-de-arraia tradicional na capoeira Angola.[1]
- Chute escorpião com suas variações, sendo o rabo-de-arraia tradicional na capoeira carioca.[2]
No Brasil, o rabo-de-arraia é provavelmente o chute "mais associado à capoeira", embora seja importante notar que esse termo abrange uma variedade de movimentos distintos.[3][4]
Todas as técnicas derivadas partem da posição inicial agachada do "rabo de arraia".
Terminologia
Embora o termo rabo de arraia seja geralmente usado de forma genérica, alguns autores o utilizam para técnicas específicas derivadas, como:
- a versão sem apoio de mãos da meia-lua de compasso[5]
- a versão baixa da meia-lua de compasso[6]
- o escorpião com as duas pernas chutando
- o escorpião com uma perna chutando[3]
Origem

Os movimentos específicos conhecidos como rabo de arraia (meia-lua de compasso e chute escorpião) foram originalmente desenvolvidos na arte marcial africana n'golo.[7] As posições invertidas, que formam a base de todas essas técnicas, acredita-se que tenham se originado do uso de bananeira por xamãs bantu, imitando seus ancestrais, que caminhavam sobre as mãos no mundo espiritual.[8]
No engolo, a classe de chutes giratórios com as mãos no chão é chamada de okuminunina ou okusanene komima nas línguas bantu.[7]
História
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No século XIX, o rabo de arraia era um chute popular na capoeira carioca praticada no Rio de Janeiro.[9]
Em 1909, ocorreu uma luta famosa em que o capoeirista Francisco da Silva Ciríaco derrotou o campeão japonês de jujitsu, Sado Miyako, com um chute do tipo rabo de arraia.[7] Campeões de artes marciais japonesas que visitavam o Brasil frequentemente desafiavam os locais para combates livres. Em 1909, um campeão japonês que ensinava ju-jitsu no Rio foi desafiado por Ciríaco, um estivador negro de Campos. A luta atraiu uma grande multidão em um pavilhão especialmente montado na Avenida Central.[10] Após a vitória, Ciríaco foi carregado nos ombros e aclamado como herói nacional no Rio.[7]
Embora frequentemente se interprete que ele usou uma meia-lua de compasso, Ciríaco aplicou uma técnica diferente de rabo de arraia, hoje conhecida como chute escorpião.[11]
Técnicas derivadas
Escorpião

Pantana (pântano) ou escorpião, originalmente conhecida como rabo de arraia (cauda de arraia), é um chute invertido distinto, lançado por cima da cabeça, que lembra o golpe de uma arraia ou de um escorpião.
Essa é uma das técnicas de capoeira mais perigosas, tanto para quem executa quanto para quem recebe.[12] Quando realizada corretamente, pode ter consequências fatais para o oponente.[12]
Esse tipo de rabo de arraia é uma técnica muito antiga da capoeira, que era bastante popular na capoeira carioca[2] e na capoeira Angola.[3]
Meia-lua de compasso

Rabo de arraia ou meia-lua de compasso é uma técnica distinta presente nas artes marciais do engolo e da capoeira, que combina uma manobra evasiva com um chute reverso.
É considerada um dos chutes mais potentes e eficientes da capoeira, além de ser um de seus movimentos mais icônicos, junto com a rasteira.[13] Chega-se a considerar que o nível geral de habilidade de um capoeirista pode ser avaliado pela força e velocidade com que consegue executar uma meia-lua de compasso.[13]
O chute é aplicado com o calcanhar.[13]
Pantana de lado

A pantana de lado (pântano lateral) é uma variação lateral do chute escorpião ou rabo de arraia. O capoeirista parte da posição inicial agachada do rabo de arraia, entra em um movimento semelhante a uma estrela (Aú) e, ao final, chuta o oponente com os dois pés.
O chute pantana de lado já não é mais comumente utilizado sob esse nome na capoeira moderna. O golpe moderno mais semelhante a ele é a meia-lua de compasso dupla.
Bibliografía
- Burlamaqui, Anibal (1928). Gymnástica nacional (capoeiragem), methodisada e regrada. Rio de Janeiro: [s.n.]
- Pastinha, Mestre (1988). Capoeira Angola. [S.l.]: Fundação Cultural do Estado da Bahia
- Capoeira, Nestor (2002). Capoeira: Roots of the Dance-Fight-Game. [S.l.]: Blue Snake Books. ISBN 978-1-58394-637-4
- Assunção, Matthias Röhrig (2002). Capoeira: The History of an Afro-Brazilian Martial Art (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 978-0-7146-8086-6
- Capoeira, Nestor (2007). The Little Capoeira Book (em inglês). [S.l.]: Blue Snake Books. ISBN 9781583941980
- Desch-Obi, M. Thomas J. (2008). Fighting for Honor: The History of African Martial Art Traditions in the Atlantic World (em inglês). Columbia: University of South Carolina Press. ISBN 978-1-57003-718-4
- Taylor, Gerard (2012). Capoeira 100: An Illustrated Guide to the Essential Movements and Techniques (em inglês). [S.l.]: Blue Snake Books. ISBN 9781583941768
Referências
- ↑ Pastinha 1988, pp. 76.
- ↑ a b Burlamaqui 1928, pp. 24.
- ↑ a b c Capoeira 2007, pp. 131.
- ↑ «VÍDEO: Rabo de arraia leva árbitro de MMA à lona em torneio mundial». ndmais.com.br. 11 de março de 2022. Consultado em 9 de junho de 2025
- ↑ Capoeira 2007, pp. 127.
- ↑ Taylor 2012, pp. 71.
- ↑ a b c d Desch-Obi 2008, pp. 43.
- ↑ Desch-Obi 2008, pp. 39.
- ↑ Desch-Obi 2008, pp. 173.
- ↑ Assunção 2002, pp. 126.
- ↑ Burlamaqui 1928, pp. 26.
- ↑ a b Burlamaqui 1928, pp. 25–26.
- ↑ a b c Capoeira 2007, pp. 83.

