Chapa de frente
Chapa de frente
| |
|---|---|
![]() Chapa de frente ou chute bênção | |
| Informações gerais | |
| Tradução literal | Placa de frente |
| Outros nomes | Bênção |
| Arte marcial | Capoeira, Engolo |
| Local(is) de origem | Angola, Brasil |
| Escopo | Empurrão, controle de distância, ataque direto |
| Técnica base | Chute frontal com a sola do pé |
| Cronologia das artes marciais • Lista de artes marciais • Projeto Artes Marciais | |
Chapa de frente, também conhecida como bênção, é um chute frontal de empurrão com a sola do pé.[1] Em algumas variantes, a bênção pode ser aplicada com o calcanhar no peito do oponente.[2][3]
A chapa de frente é um dos chutes fundamentais da capoeira.[4] Também é documentada na arte marcial africana engolo, considerada precursora da capoeira.[5] Esse chute tradicional é direto, firme e veloz.[6]
A técnica pode ser aplicada em diversas regiões do corpo, dependendo da posição do adversário.[7] Frequentemente, é direcionada à região do peito.[7]
Nomes
Chapa de frente (em tradução livre, "placa de frente") é uma denominação descritiva, pois o golpe pertence à classe dos chutes de empurrão executados com a sola do pé, coletivamente conhecidos como chapa (do português europeu "placa").[8] Esse nome tradicional já era utilizado pelo menos desde meados do século XX.[7]
Bênção é um nome irônico, derivado da posição inicial curvada do capoeirista.[9] Durante o período escravocrata no Brasil, os senhores de escravos costumavam encontrar seus cativos pela manhã — especialmente aos domingos — e lhes ofereciam "bênçãos". Os escravizados eram forçados a se curvar e demonstrar gratidão, apesar dos maus-tratos que sofriam. O chute bênção reflete essa contradição: o praticante aparenta estar recebendo uma bênção, mas projeta o pé para frente, atingindo o oponente no abdômen.[9]
Origem

Vários chutes de empurrão são comuns no engolo, uma arte marcial angolana considerada a precursora da capoeira.[10] Existem vários tipos de chutes de empurrão no engolo, incluindo: chute frontal de empurrão (chapa de frente), chute traseiro de empurrão (chapa de costas), chute lateral de empurrão (chapa lateral), chute giratório de empurrão (chapa giratória) e chute de empurrão a partir da posição invertida.[5][11]
Técnica
A bênção é executada elevando primeiro o joelho antes de dar o pontapé. Segue-se um poderoso empurrão para a frente com os quadris para potenciar a extensão da perna que chuta. O golpe incide principalmente com a sola do pé, mais concretamente com o calcanhar da parte plana do pé.[1] Toda a sola do pé de apoio deve permanecer em contacto com o chão.[1]
Normalmente, o capoeirista avança um passo a partir da ginga em direção ao adversário antes de executar a chapa de frente.[12] O pontapé revela-se particularmente eficaz quando faz contacto total com o oponente.[12]
O nível de impacto varia consoante o alcance, desde um toque suave até um pisão saltado para dentro. A chapa de frente é um pontapé muito perigoso, não só pela força com que pode ser aplicado, mas sobretudo devido à natureza delicada da zona onde incide, onde se situam órgãos muito sensíveis.[13]
Na capoeira Angola, quando um praticante completa uma chapa de frente, costuma descer rapidamente ao chão, procurando refúgio contra possíveis derrubes ou contra-ataques dirigidos à sua face.[14]
Variações
Chapa de frente baixa

Existe uma variação baixa da chapa de frente, executada a partir do chão, geralmente na posição de queda de quatro. Consiste num impulso com os quadris para aumentar tanto a força como o alcance.
É um pontapé popular no estilo capoeira Angola.
Versão recuada (escorão)
Escorão (escolha, recuo) é uma versão astuta deste pontapé, descrita por Burlamaqui. O praticante recua o pé e, simulando uma retirada, lança rapidamente o pé contra o abdómen do adversário.[15]
Versão saltada (bênção pulada)
Por vezes, o pontapé frontal pode ser executado com força excessiva, em que o passo inicial evolui para um salto completo, aproveitando todo o peso do capoeirista para o golpe. Nestes casos, quem executa o pontapé pode perder o controlo e não conseguir recolher a perna após o golpe. Se o alvo não for atingido, tende a cair para a frente.[12]
Aqui reside uma lição: Na capoeira, quando se ataca de forma muito violenta, costuma-se ficar exposto a um contra-ataque caso o pontapé não seja eficaz. Normalmente, pontapés que vão “tudo ou nada” são uma faca de dois gumes, não só perigosos para o adversário, mas também para o próprio atacante.[12]
Este pontapé frontal saltado é conhecido como bênção pulada.[12]
Defesas

A defesa contra o pontapé frontal pode ser praticada de várias formas. Segundo mestre Pastinha, uma possível defesa ao chapa de frente consiste em bloquear a perna do atacante com os antebraços cruzados.[13] Outra possibilidade é o defensor descer rapidamente com os antebraços cruzados, tentando desequilibrar o atacante ao suspender a perna estendida. Por fim, o capoeirista pode aplicar um contra-ataque ao chapa de frente dirigido ao seu peito, descendo rapidamente e tentando derrubar o atacante com uma rasteira (rasteira).[13]
A velocidade dos movimentos e a flexibilidade corporal são essenciais tanto para o ataque quanto para a defesa. Um capoeirista habilidoso percebe rapidamente as intenções do adversário, não perdendo tempo a organizar a sua defesa e contra-ataque. A mera posição do atacante indica a forma como poderá atacar.[13]
Referências
- ↑ a b c Taylor 2012, p. 46. Erro de citação: Código
<ref>inválido; o nome "FOOTNOTETaylor201246" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes - ↑ Da Costa 1961, p. 36.
- ↑ «Capoeira Chapa De Frente». www.lalaue.com. Consultado em 11 de junho de 2025
- ↑ Assunção 2002, p. 157.
- ↑ a b Desch-Obi 2008, pp. 219–224.
- ↑ Taylor 2012, p. 47.
- ↑ a b c Pastinha 1988, pp. 64–68.
- ↑ Chapa – Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
- ↑ a b Talmon-Chvaicer 2008, p. 167.
- ↑ Desch-Obi 2008, pp. 40.
- ↑ Matthias Röhrig Assunção, Engolo and Capoeira. From Ethnic to Diasporic Combat Games in the Southern Atlantic
- ↑ a b c d e Capoeira 2007, pp. 80-81.
- ↑ a b c d Pastinha 1988, pp. 64-68.
- ↑ Capoeira 2007, pp. 125.
- ↑ Burlamaqui 1928, pp. 34.
Bibliografía
- Burlamaqui, Anibal (1928). Gymnástica nacional (capoeiragem), methodisada e regrada. Rio de Janeiro: [s.n.]
- Da Costa, Lamartine Pereira (1961). Capoeiragem, a arte da defesa pessoal brasileira. Rio de Janeiro: Oficial da Marinha
- Pastinha, Mestre (1988). Capoeira Angola. [S.l.]: Fundação Cultural do Estado da Bahia
- Assunção, Matthias Röhrig (2002). Capoeira: The History of an Afro-Brazilian Martial Art. [S.l.]: Routledge. ISBN 978-0-7146-8086-6
- Capoeira, Nestor (2007). The Little Capoeira Book. [S.l.]: Blue Snake Books. ISBN 9781583941980
- Desch-Obi, M. Thomas J. (2008). Fighting for Honor: The History of African Martial Art Traditions in the Atlantic World. Columbia: University of South Carolina Press. ISBN 978-1-57003-718-4
- Talmon-Chvaicer, Maya (2008). The Hidden History of Capoeira: A Collision of Cultures in the Brazilian Battle Dance. [S.l.]: University of Texas Press. ISBN 978-0-292-71723-7 Verifique o valor de
|url-access=registration(ajuda) - Taylor, Gerard (2012). Capoeira 100: an Illustrated Guide to the Essential Movements and Techniques. Columbia: Blue Snake Books. ISBN 9781583941768
.jpg)
