Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno
Nascimento27 de dezembro de 1917
Araci
Morte9 de dezembro de 2011
Salvador
CidadaniaBrasil

João Pereira dos Santos, conhecido como Mestre João Pequeno (Araci, 27 de dezembro de 1917 - Salvador, 9 de dezembro de 2011) foi um mestre de capoeira brasileiro[1].

Biografia

Filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índigenas, e de Maximiliano Pereira dos Santos, cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas.

Aos 15 anos, fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas, seguindo depois para Mata de São João, onde permaneceu dez anos, trabalhando na plantação de cana-de-açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio , que era ferreiro e capoeirista na Fazenda São Pedro, e foi aí que conheceu a capoeira.

Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes, e na construção civil como servente de pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido, que lhe apresentou o Mestre Barbosa, que era um carregador do Largo Dois de Julho. Mestre Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos, e nos finais de semana ia nas rodas de Mestre Cobrinha Verde no Chame-chame.

Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha. Desde então, João Pereira passou a acompanhar o Mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso por meados de 1945. Algum tempo depois, João Pereira tornou-se então João Pequeno.

No final da década de 1960, quando Pastinha não podia mais ensinar, passou a capoeira para João Pequeno, dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”.

Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu grande parceiro de jogo, Morais e Curió[2]. Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos, e dedicar-se mais a capoeira.

Embora pensasse que não passaria dos 50 anos, percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade.

Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande, João Pequeno também foi feirante e carvoeiro, chegando a ser conhecido como João do Carvão. Residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó.

Sua primeira esposa faleceu, mas um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, e constituíram família. Com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos, lá no subúrbio, bem longe do Centro, onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo.

Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada "uma boa árvore para dar bons frutos". Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo, que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente, e até mesmo servir como terapia, além de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela. João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, "na qual ninguém deve machucar o respectivo par". Ele defende a ideia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário[2].

Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), no Forte Santo Antônio Além do Carmo (1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a Capoeira Angola despontaria para o mundo. Embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto número de discípulos.

Na década de 1990 houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o Forte Santo Antônio, para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente, em um período também em que foi amplamente homenageado, recebendo o título de cidadão da cidade de Salvador pela Câmara Municipal de Vereadores, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva[2].

A festa anual comemorativa de seu aniversário é um evento espontâneo da capoeira, onde se realiza uma grande roda, com a participação de vários mestres e membros da comunidade capoerana. Além de ser de impressionar a todos que tem a oportunidade de vê-lo jogar , com a sua excelentíssima capoeira e mandigagem, João Pequeno destaca-se como educador na capoeira, uma autoridade maior na capoeiragem de seu tempo, um referencial de luta e de vida em defesa da nobre arte afrodescendente.[2]

Em 1970, Mestre Pastinha assim se manifestou sobre ele e seu companheiro João Grande: "Eles serão os grandes capoeiras do futuro, e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso, como existem por aí, e que só servem para destruir nossa tradição, que é tão bela. A esses rapazes ensinei tudo o que sei, até mesmo o pulo do gato".

Mestre João pequeno Pequeno aparece cantando aos 37min e 57s no documentário nego bom de pulo.[3]

Ver também

Referências

  1. «Notícia de sua morte» 
  2. a b c d Santos, João Pereira dos (2011). Mestre João Pequeno, Uma vida de Capoeira. [S.l.: s.n.] ]
  3. Movimento Popular Da Capoeira (23 de julho de 2022), Capoeira | Documentário nego bom de pulo, consultado em 28 de março de 2025