Forte do Pessegueiro e Forte na Ilha do Pessegueiro

| Tipo | |
|---|---|
| Parte de |
Forte do Pessegueiro, incluindo a ilha do mesmo nome, abrangendo o Forte da Ilha de Dentro (d) |
| Fundação | |
| Estatuto patrimonial |
| Localização |
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| Coordenadas |
|---|
| Forte do Pessegueiro Forte de Nossa Senhora da Queimada do Pessegueiro Forte da Ilha de Dentro Forte da Praia do Pessegueiro | |
|---|---|
![]() Forte do Pessegueiro, na linha costeira | |
| Informações gerais | |
| Construção | 1690 (conclusão) |
| Promotor | Filipe II (início da construção) |
| Aberto ao público | |
| Património de Portugal | |
| Classificação | |
| DGPC | 74610 |
| SIPA | 4092 |
| Geografia | |
| País | Portugal |
| Localização | Porto Covo, Sines |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |
| [♦] ^ DL 41191 de 18 de Julho de 1957 | |

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O Forte da Ilha do Pessegueiro, também conhecido como Forte da Ilha de Fora ou Forte de Santo Alberto do Pessegueiro, localiza-se na costa alentejana, na ilha do Pessegueiro, na freguesia de Porto Covo, município de Sines, distrito de Setúbal, em Portugal.[1]
Cruzava fogos, no continente, com outro forte marítimo, o Forte do Pessegueiro, também conhecido o Forte de Nossa Senhora da Queimada do Pessegueiro, Forte da Praia do Pessegueiro ou Forte da Ilha de Dentro, em posição dominante sobre a praia do Pessegueiro.[2]
Ambos faziam parte de um projeto maior de defesa da Costa Vicentina, que compreendia um porto artificial ao abrigo de um molhe de pedra que ligaria a ilha do Pessegueiro à ilhota fronteira (penedo do Cavalo) e esta ilhota ao continente. Atualmente encontram-se compreendidos na área do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
Ambos os fortes estão classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1957.[1][2] O forte continental foi considerado por Ricardo Pereira, arquitecto da Câmara Municipal de Sines, como «uma obra magnífica de finais do século XVII» que domina «toda aquela praia e a ilha em frente».[3]
Descrição
Este conjunto defensivo é formado por duas fortificações, uma situada na Ilha do Pessegueiro, e outra no lado terrestre, em posição oposta no canal que separa a ilha do continente.[4] Ambos os fortes estavam inseridos no sistema de defesa da faixa costeira alentejana.[5]
Forte do Pessegueiro
Esta fortificação, igualmente conhecida como Forte de Nossa Senhora da Queimada, assenta num declive rochoso na área Sul da praia.[4] Foi construído sobre uma duna consolidada, numa formação quaternária.[5]
Apresenta uma planta de forma poligonal estrelada, com uma bateria virada para o oceano e dois baluartes poligonais.[4] No interior apresenta um conjunto de edifícios unidos em forma de U, com cobertura em terraço.[4] Estes compartimentos incluíam casernas e uma capela,[5] dedicada a Nossa Senhora da Queimada.[4] O forte é rodeado por um fosso, que é por seu turno limitado no exterior por um muro.[4]
Forte da Ilha do Pessegueiro
Este imóvel também é conhecido como Forte de Santo Alberto ou Forte da de Ilha de Dentro, e encontra-se no centro da Ilha do Pessegueiro, a Norte da outra fortificação.[4]
História
Antecedentes
Tanto a ilha como a faixa de terra no outro lado do canal foram ocupados desde épocas muito remotas.[5] No caso do forte continental, foram ali encontrados vestígios de indústrias líticas, provavelmente do período paleolítico, enquanto que na ilha foram descobertos indícios da Idade do Ferro.[5] Nas imediações do forte continental foram identificadas as ruínas de um povoado das Idades do Bronze e Ferro, com uma necrópole associada.[6]
A construção dos fortes
O forte continental começou a ser construído em 1588, enquanto que 1603 foi ordenada a construção do forte insular, durante o período do domínio filipino de Portugal.[7] Foi o maior empreendimento no âmbito do programa de defesa da costa alentejana, que então estava a ser assolada por piratas e corsários magrebinos, franceses, holandeses e britânicos.[8] Os trabalhos começaram a cargo do engenheiro militar italiano Filipe Terzio, tendo sido continuadas, a partir de 1590, por Alexandre Massai.[8] Ambas as fortalezas não chegaram a ser concluídas,[7] embora a parte inacabada do imóvel continental tenha sido aproveitada para a construção de um novo forte, cujas obras se iniciaram em 1680[8] ou 1690, e que tinha igualmente como finalidade proteger aquele trecho da costa contra as investidas dos piratas e corsários.[7]
Séculos XVIII e XIX
O forte foi utilizado até aos princípios do século XVIII.[8] Sofreu graves danos no Sismo de 1755.[7] Em 1880 passou a ser utilizado pela Guarda Fiscal, função que manteve até 1942, quando foi deixado ao abandono.[8]
Séculos XX e XXI
Classificado como Monumento Nacional pelo Decreto nº 41.191 de 18 de Julho de 1957 e como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 735, de 21 de Dezembro de 1974, entre 1983 e 1985 foram-lhe procedidas obras de consolidação e de beneficiação da estrutura por iniciativa da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), especificamente a nível dos paramentos exteriores do baluarte esquerdo e da zona central, na zona da porta de entrada, tendo se procedido ainda à reconstrução de zonas ruídas ou em riscos de desprendimento.[carece de fontes]
Entre 1983 e 1985 o forte continental foi alvo de de obras de restauro e beneficiação, por parte da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.[8] Em 1989 um dos fortes foi alvo de trabalhos arqueológicos, coordenados por Carlos Manuel Lindo Tavares da Silva, feitos no âmbito da criação da carta arqueológica da região de Setúbal.[9] Na década de 1990, a administração do Parque Natural começou a preparar a realização de obras de restauro no forte, mas estes planos foram suspensos em 1997, sem terem sido executados.[7]
Em 2004, o historiador António Martins Quaresma alertou para o mau estado em que se encontrava o forte continental, principalmente o terraço principal, e a pilastra que sustinha a abóbada sobre o portal de entrada.[8] Também nesse ano, o organismo do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina apresentou um programa para a valorização do monumento, que iria incluir a instalação de um parque de estacionamento, obras de consolidação nas arribas, e a construção de um centro interpretativo para o património arqueológico e natural.[8] Em 2006 foi assinado um acordo de colaboração entre a Câmara Municipal de Sines e o Instituto de Conservação da Natureza para a realização de obras de restauro no forte, tendo o município sido responsável pela organização e realização das obras em si, enquanto que o instituto iria cobrir a maior parte das despesas, calculadas em cerca de 200 mil Euros.[8] Em Novembro de 2007, o forte foi encerrado ao público devido às más condições de conservação, encontrando-se então em risco de derrocada e tendo sido alvo de vandalismo.[3] As obras já tinham sido adjudicadas em Setembro desse ano, e iniciaram-se nos primeiros dias de Janeiro de 2008,[8] tendo sido concluídas em Setembro de 2008.[3] Esta intervenção teve como finalidade melhorar as condições de estabilidade da fortaleza e das arribas sobre as quais assenta, que estavam a ser ameaçadas pela erosão marítima, e incluiu o reforço das paredes, pavimentos, terraços e das coberturas.[8] Parte do processo de restauro foi feito através da aplicação de reboco nas paredes do monumento, pelo que foi necessário fazer uma limpeza prévia daquelas áreas, com recursos a ar comprimido e água.[8] Segundo o então presidente da Câmara Municipal, Manuel Coelho, para assegurar o futuro ao monumento seria necessário que passasse a ter uma função «nobre», realçando a sua integração nos vários programas turísticos que estavam planeados para a freguesia de Porto Covo.[8] Revelou que para proceder à sua recuperação total seria preciso um investimento de cerca de 2,5 milhões de Euros, tendo planeado a apresentação de uma candidatura de financiamento como parte do Quadro de Referência Estratégica Nacional.[8]
No entanto, mesmo após as obras o forte continuou a sofrer de problemas de conservação.[8] Em 26 de Setembro de 2009 foi alvo de uma visita guiada por parte de António Martins Quaresma, organizada pela autarquia no âmbito das Jornadas Europeias do Património.[3] O novo presidente da autarquia de Sines, Ricardo Pereira, comentou então à Agência Lusa que «se não fosse esta câmara, o forte já tinha ruído», acrescentando que «estas obras foram pagas pela câmara, mas quem as devia ter feito era o Estado, que é o proprietário do imóvel, que ainda por cima é um imóvel classificado como de interesse público», e que «é preciso fazer muito mais e para isso é necessário sensibilizar o proprietário do edifício, que é o Ministério das Finanças, de que temos de descobrir uma utilização que seja compatível com a conservação do edifício e com a visita».[3] Referiu que a autarquia estava a tentar estabelecer uma parceria público-privada para garantir o futuro do forte: «Queremos que haja um entendimento para que aquela fortaleza edificada tenha fins de alguma nobreza, mas também tenha usos ligados ao turismo».[3] Esta solução foi apoiada por António Quaresma, que comentou que o monumento «tem grande capacidade de responder a algumas necessidades de turismo cultural», complementando o «turismo de sol e praia que se faz nesta costa e no litoral do Porto Covo».[3]
Em 16 de Janeiro de 2020, o portal noticioso O Digital reportou que a empresa Polis Litoral Sudoeste – Sociedade para a Requalificação e Valorização do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina tinha recentemente lançado um concurso público para o programa de valorização e qualificação da Praia da Ilha do Pessegueiro, que iria incluir a reorganização e requalificação das bolsas de estacionamento, permitindo desta forma um enquadramento mais favorável em relação ao forte.[10] Em 23 de Julho desse ano, decorreu no Forte do Pessegueiro a cerimónia de apresentação dos órgãos sociais que constituíam a nova Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos.[11] Em Março de 2023, o Forte da Ilha do Pessegueiro foi temporariamente aberto ao público, no âmbito da iniciativa Semana ID, organizada pela Associação Rota Vicentina.[12] Em Junho desse ano, uma delegação de deputados do Partido Socialista estiveram no Forte do Pessegueiro, como parte de uma visita à freguesia de Porto Corvo.[13]

Ver também
Referências
- ↑ a b MENDONÇA, Isabel; MATIAS, Cecília. «Forte na Ilha do Pessegueiro». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 14 de Junho de 2025
- ↑ a b MENDONÇA, Isabel. «Forte do Pessegueiro». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 14 de Junho de 2025
- ↑ a b c d e f g NOBRE, Ângela (27 de Setembro de 2009). «Forte do Pessegueiro abandonado e com acesso vedado». Público. Consultado em 10 de Junho de 2025
- ↑ a b c d e f g «Forte do Pessegueiro, incluindo a ilha do mesmo nome, abrangendo o Forte da Ilha de Dentro». Património Cultural. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 14 de Junho de 2025
- ↑ a b c d e «Forte do Pessegueiro». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 9 de Junho de 2025
- ↑ «Sítios arqueológicos». Câmara Municipal de Sines. Consultado em 10 de Junho de 2025
- ↑ a b c d e «Forte da costa de Porto Covo vai ser recuperado». Público. 8 de Junho de 2006. Consultado em 13 de Junho de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o DIAS, Carlos (8 de Janeiro de 2008). «Sines arrancou com obras de recuperação estrutural no Forte do Pessegueiro». Público. Consultado em 12 de Junho de 2025
- ↑ «Prospeção (1989)». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 9 de Junho de 2025
- ↑ «Porto Covo: Praia da Ilha do Pessegueiro vai sofrer obras de requalificação, que ultrapassam os 400 mil euros». O Digital. 16 de Janeiro de 2020. Consultado em 8 de Junho de 2025
- ↑ «Cláudia Gaspar já assumiu a presidência nova Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos». O Digital. 30 de Julho de 2020. Consultado em 8 de Junho de 2025
- ↑ BERNARDO, Joaquim (28 de Março de 2023). «Forte da Ilha do Pessegueiro está aberto durante esta semana». Rádio Sines. Consultado em 8 de Junho de 2025
- ↑ BERNARDO, Joaquim (7 de Junho de 2023). «Deputados socialistas visitaram a freguesia de Porto Covo». Rádio Sines. Consultado em 8 de Junho de 2025
Ligações externas
- Forte do Pessegueiro, incluindo a ilha do mesmo nome, abrangendo o Forte da Ilha de Dentro na base de dados Ulysses da Direção-Geral do Património Cultural
- Forte do Pessegueiro na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural
- Forte na Ilha do Pessegueiro na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural
- Forte do Pessegueiro na base de dados Portal do Arqueólogo da Direção-Geral do Património Cultural
- «Página sobre o Forte da Ilha do Pessegueiro, no sítio electrónico All About Portugal»
- «Página sobre o Forte do Pessegueiro, no sítio electrónico All About Portugal»
- «Página sobre o Forte de Nossa Senhora da Queimada do Pessegueiro , no sítio electrónico Wikimapia»
- «Página sobre o Forte de Santo Alberto do Pessegueiro , no sítio electrónico Wikimapia»
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