Marco de São Torpes
| Marco de São Torpes | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Património de Portugal | |
| SIPA | 4701 |
| Geografia | |
| País | |
| Região | Alentejo |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |
O Marco de São Torpes, é um monumento religioso e um sítio arqueológico, situado no concelho de Sines, na região do Alentejo, em Portugal.
Descrição e história

O marco localiza-se nas imediações da foz da Ribeira da Junqueira, perto da ponte da marginal.[1] Consiste na base de um cruzeiro, produzido em cantaria, que aponta o sítio onde foram alegadamente encontrados os restos mortais de São Torpes.[2] O cruzeiro em si desapareceu quase completamente, tendo sobrevivido apenas a sua base, que ostenta a inscrição «O S. r S. Torpes / Este calvario mandou fazer e assentar o Capitão Alexandre de Campos Brº / anno de 1783».[2]
Nas Memórias Paroquiais de 1758, compiladas pelo padre Luís Cardoso e transcritas na revista O Arqueólogo Português por Pedro A. de Azevedo em 1896, faz-se uma referência à sepultura e monumento de São Topes: «na foz desta Ribeira de Junqueyra que ha na praya está a sepultura de São Torpes asignalada por huma crux».[3]
As escavações para encontrar as relíquias do santo foram feitas em 7 de Junho de 1591,[4] por ordem do Arcebispo de Évora, tendo sido sido descobertos os vestígios de uma anta, com esteios em pedra, e que continha vestígios osteológicos, fragmentos de peças de cerâmica,[2] e uma placa de xisto decorada, que foi desenhada por José Leite de Vasconcelos nos princípios do século XX.[1] As supostas relíquias de São Torpes foram transferidos para a Capela do Corpo Santo, no interior da Igreja Matriz, enquanto que dois dos esteios foram colocados à porta daquele santuário.[2] Todo o processo foi rigorosamente registado, tendo o texto sido publicado na obra Exemplar da Constancia dos Mártires em a Vida do Glorioso São Torpes, publicada por Estevão de Liz Velho em 1746.[1] tendo Leite de Vasconcelos copiado a parte correspondente ao inventário: «Certifico eu Pedro Lopes, notario publico apostolico, .. e faço fé que o que nesta caixa está, he o seguinte: a ossada que se tirou da foz da Junqueira, termo desta villa de Sines; a terra que se tirou dos ditos ossos ao tempo que se achárão; huma pomazinha quebrada de barro, que se achou na dita sepultura; huma estampa de pedra preta debuxada, que se achou na dita sepultura; .. está mais nesta caixa hum casco de cabeça, que foy achado á porta da sepultura, da banda de fóra; está mais huma pedra preta, que se achou fóra no vestigio; na ossada assima estão trez dentes atados na ponta de huma toalha .. por se acharem na sepultura.».[4]
No entanto, quando Leite de Vasconcelos foi investigar o cofre com as relíquias, relatou que este se encontrava no sacrário da Capela da Misericórdia, não na igreja matriz.[4] O cofre em si era de pequenas dimensões e forrado em seda, tendo o historiador descrito o seu conteúdo: «1) uma calote craniana (osso frontal, e resto dos dois parietais; 2) equírolas ósseas aglutinadas com terra (espécie de brecha óssea); 3) parte de uma vasilha grossa e tôsca de barro [...] com fracturas antigas, - feita à mão, sem roda de oleiro; 4) um medalhão ou «placa» de lousa, ornamentada de um lado, e com um friso do outro».[4] Segundo Leite de Vasconcelos, estas peças eram pré-históricas, sem qualquer relação com o São Torpes, tratando-se assim de um caso em que um dólmen ou anta foi erroneamente considerada como a sepultura de um santo.[4] Com efeito, a pedra decorada era muito semelhante às encontradas nas antas na região meridional do país, enquanto que a «pomazinha» era parecida a uma peça de cerâmica encontrada num sítio arqueológico em Aljezur.[4] A descrição de 1746 refere igualmente a presença de ossadas fora do monumento, o que provavelmente indicava que no local não se encontrava uma só anta mas várias.[4] Com efeito, Leite de Vasconcelhos mencionou que no sacrário da Capela da Misericórdia se encontravam igualmente os restos de um crânio, que segundo a tradição popular era de Santa Celerina, e um osso comprido, atribuído também a São Torpes.[4]
Posteriormente a área foi alvo de trabalhos arqueológicos, coordenados por João Gualberto da Cruz e Silva, tendo sido encontrados vários vestígios antigos numa elevação perto da praia, que poderiam ter sido um povoado dos finais do Neolítico.[2]
Ver também
- Lista de património edificado em Sines
- Castelo de Sines
- Forte do Pessegueiro e Forte na Ilha do Pessegueiro
- Igreja Matriz de Sines
- Capela da Misericórdia de Sines
- Igreja de Nossa Senhora das Salvas de Sines
- Sítio arqueológico da Palmeirinha
- Sítio arqueológico do Pessegueiro
- Sítio arqueológico da Quitéria
- Sítio arqueológico de Vale Pincel
Referências
- ↑ a b c «Monumento de S. Torpes». Portal do Arqueólogo. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 2 de Junho de 2025
- ↑ a b c d e «Marco de S. Torpes». Sítios arqueológicos. Câmara Municipal de Sines. Consultado em 2 de Junho de 2025
- ↑ AZEVEDO, Pedro A. de (1896). «Extractos archeológicos das Memórias Parochiais de 1758» (PDF). O Arqueólogo Português. Série I (7). p. 268. Consultado em 3 de Junho de 2025. Arquivado do original (PDF) em 16 de Abril de 2014 – via Museu Nacional de Arqueologia
- ↑ a b c d e f g h VASCONCELOS, José Leite de (1914). «Excursão arqueológica à Extremadura Transtagana» (PDF). O Arqueólogo Português. Série I (19). p. 318-319. Consultado em 3 de Junho de 2025. Arquivado do original (PDF) em 3 de Junho de 2025 – via Museu Nacional de Arqueologia
Ligações externas
- Cruzeiro de São Torpes na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural
- Monumento de S. Torpes na base de dados Portal do Arqueólogo da Direção-Geral do Património Cultural
- «Página sobre o Marco de São Torpes, no sítio electrónico Trip Advisor»