Foques
Foques (em armênio: Փոխք, p'oxk’), fosques (Փոսխք, P'osxk’), fasques (Փասխք, P'asxk’) ou fusques (Փուսխք, P'usxk’) foram uma tribo do Cáucaso, registrada em fontes da Antiguidade.
Localização e identidade
Os foques são virtualmente desconhecidos, salvo as menções em fontes armênias.[1] Os armênios associaram-nos com os mascutes, que foram presumidos como hunos nas fontes primárias, apesar da forte controvérsia a respeito dessa identificação. Otto J. Maenchen-Helfen discorda dessa relação e assume que, por conseguinte, os tavaspares e as demais tribos associadas a eles não apresentam nomes presumivelmente hunos, o que permite descartas essa hipótese.[2] De fato, os foques foram mencionados na Geografia de Ananias de Siracena vivendo ao norte do Cáucaso. Suren Eremyan sugeriu que foque e suas variantes seja o nome utilizado pelos maistuins (uma das tribos chechenas) para os montanheses georgianos quevessúrios. Nas fontes georgianas ocorrem os termos fecóvios (ფხოვი, p’xovi) e fecovêlnios (ფხოველნი, p’xovelni), que eram empregados para se referir aos fexávios e quevessúrios e que na chamada Crônica Armênia, um resumo armênio do século XII dos Anais Reais Georgianos, os fecóvios são chamados fecaios (P’xayk’).[3]
História
Em 335, os foques fizeram parte da confederação de povos liderados pelo rei Sanatruces dos mascutes contra o rei Cosroes III (r. 330–339) do Reino da Armênia. Diz Fausto, o Bizantino, que o exército era inumerável e os próprios invasores eram incapazes de calcular seus números. Para causar pânico entre os armênios, a cada encruzilhada os soldados lançavam pedras em pontos específicos para formar grandes montanhas que pressagiavam sua vinda e a dimensão de sua força. Por onde passaram, deixaram devastação e destruição, que se estendeu até Satala e Ganzaca, na fronteira com Atropatena. Dali, reuniram-se em Airarate, onde havia um grande acampamento.[4]
Um ano depois, o asparapetes (comandante-em-chefe) Vache I retornou do Império Romano, reuniu os nacarares mais valentes no monte Selu Gluque (Cabeça de Touro), onde matou muitos dos invasores. Dali, carregando butim, partiu à planície de Airarate. Ao chegar, avistou Sanatruces sitiando a cidade de Valarsapate.[5] Liderando suas tropas, atacou de surpresa o contingente invasor, que foi obrigado a recuar à fortaleza de Oxacã, onde outra batalha foi travada. Vache estava acompanhado de Pancrácio I, Mirabandaces I, Gareguim I, Vaanes I e Varazes e o exército armênio massacrou o contingente invasor. Os poucos sobreviventes foram perseguidos até o país dos balaschis (Balasagena) e a cabeça de Sanatruces foi levada perante Cosroes III.[6]
Referências
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 379.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 390.
- ↑ Hewsen 1992, p. 120.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 73-74.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 74.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 74-75.
Bibliografia
- Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard
- Hewsen, Robert H. (1992). The Geography of Ananias of Širak. The Long and Short Recensions. Introduction, Translation and Commentary. Wiesbaden: Dr. Ludwig Reichert Verlag