Balaschis
Os balaschis (em armênio: բալաշչիք; romaniz.: balaščikʼ) foram uma tribo indo-iraniana, registrada em fontes da Antiguidade.
Localização e identidade
Os balaschis são virtualmente desconhecidos. Os armênios associaram-nos com os mascutes, que foram presumidos como hunos nas fontes primárias, apesar da forte controvérsia a respeito dessa identificação. Otto J. Maenchen-Helfen discorda dessa relação e assume que, por conseguinte, os balaschis e as demais tribos associadas a eles não apresentam nomes presumivelmente hunos, o que permite descartas essa hipótese.[1] Stepʻan Malkhasyantsʻ propôs que fossem tribos citas nômades que habitavam a planície norte do Cáucaso, em direção ao mar Cáspio.[1]
O historiador Naseer Dashti sugeriu que migraram da Ásia Central, antes de se estabeleceram na região noroeste do mar Cáspio. Aparentemente habitavam a região de Balasagena, que foi mencionada desde o século III, ao lado de outras tribos. Como outros povos daquela região, foram influenciados pelos acontecimentos que ali ocorriam e provável devem ter absorvido influências culturais e linguísticas dos povos vizinhos.[2] Suren Eremyan sugeriu que habitavam o curso médio-inferior do rio Cura, no território da Albânia.[3] É possível que tenham ligação com os modernos balúchis.[2]
História
Em 335, os balaschis fizeram parte da confederação de povos liderados pelo rei Sanatruces dos mascutes contra o rei Cosroes III (r. 330–339) do Reino da Armênia. Diz Fausto, o Bizantino, que o exército era inumerável e os próprios invasores eram incapazes de calcular seus números. Para causar pânico entre os armênios, a cada encruzilhada os soldados lançavam pedras em pontos específicos para formar grandes montanhas que pressagiavam sua vinda e a dimensão de sua força. Por onde passaram, deixaram devastação e destruição, que se estendeu até Satala e Ganzaca, na fronteira com Atropatena. Dali, reuniram-se em Airarate, onde havia um grande acampamento.[4]
Um ano depois, o asparapetes (comandante-em-chefe) Vache I retornou do Império Romano, reuniu os nacarares mais valentes no monte Selu Gluque (Cabeça de Touro), onde matou muitos dos invasores. Dali, carregando butim, partiu à planície de Airarate. Ao chegar, avistou Sanatruces sitiando a cidade de Valarsapate.[5] Liderando suas tropas, atacou de surpresa o contingente invasor, que foi obrigado a recuar à fortaleza de Oxacã, onde outra batalha foi travada. Vache estava acompanhado de Pancrácio I, Mirabandaces I, Gareguim I, Vaanes I e Varazes e o exército armênio massacrou o contingente invasor. Os poucos sobreviventes foram perseguidos até o país dos balaschis e a cabeça de Sanatruces foi levada perante Cosroes III.[6]
Referências
- ↑ a b Fausto, o Bizantino 1989, p. 390.
- ↑ a b Dashti 2012, p. 44.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 364.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 73-74.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 74.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 74-75.
Bibliografia
- Dashti, Naseer (2012). The Baloch and Balochistan: A Historical Account from the Beginning to the Fall of the Baloch State. Bloomington, Indiana: Trafford Publishing
- Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard