Festival Calango
Festival Calango
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| Número de edições | desde 2001 |
| Local(is) | Cuiabá, Brasil |
| Data(s) | agosto/setembro |
| Gênero | artes integradas, rock independente |
| Página oficial | www.festivalcalango.com.br |
O Festival Calango é um festival de música do rock independente brasileiro que ocorre anualmente, desde 2001, em Cuiabá, Mato Grosso. Ao longo das edições consolidou-se como um dos principais palcos da música independente no Centro-Oeste brasileiro, combinando shows, oficinas, mostras, debates e ações formativas. Desde cedo, o Festival Calango articulou cena local e circulação interestadual por meio de coletivos culturais (Espaço Cubo) e participou das redes de festivais independentes que ganharam força no país.[1][2]
O Festival foi criado e organizado em suas duas primeiras edições pelos produtores Caio Mattoso, Dudi Ribeiro e Caio Costa e em seguida, a partir da terceira edição pelo Instituto Cultural Espaço Cubo, que profissionalizou a curadoria e a estrutura do evento, que é considerado um dos eventos musicais de música independente de maior porte na região Centro-Oeste.[3][4]
História
Além do rock alternativo e do indie, o festival possui programação hip-hop, instrumental, música eletrônica e manifestações cênicas como circo e arte de rua, o que o tornou referência regional para a circulação de novas bandas e projetos artísticos.
Nesse festival, aconteceu shows de destaque nacional e internacional, oficinas, palestras e tenda eletrônica. Ao longo dos anos passaram pelo festival nomes importantes da cena independente brasileira, como Macaco Bong, Vanguart, Móveis Coloniais de Acaju, Graforréia Xilarmônica, Porcas Borboletas, Black Drawing Chalks, Emicida e outras atrações que ajudaram a projetar a festividade para além de Mato Grosso.
O Calango consolidou parcerias institucionais e patrocínios que marcaram sua expansão. Recebeu recursos de editais nacionais (programas de apoio da Petrobras/Ministério da Cultura nas edições de 2008 e 2009), contou com apoio do Governo do Estado de Mato Grosso, prefeituras locais e com participação de circuitos independentes.[5]
O festival já sediou atividades paralelas como excursões a Chapada dos Guimarães em edições com “turismo de festival" e adotou iniciativas criativas de ingresso como troca por livros para montar bibliotecas comunitárias. Muitas bandas que hoje são referência na cena independente passaram por Cuiabá antes de nacionalizarem suas carreiras.[6]
Histórico de Edições
Na 4ªedição, em 2006, o festival se firmou como um dos maiores do país, integrando a Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN) e atraindo dezenas de bandas de todas as regiões do Brasil.[5][7]
A 5ª edição foi realizada entre 31 de agosto e 2 de setembro de 2007 no Museu do Rio, no centro histórico de Cuiabá. As principais atrações dessa edição foram: Supersónicos (Uruguai), Fuzzly (MT), Debate (SP), Maldita (RJ), Revoltz (MT), The Rockefellers (GO), Móveis Coloniais de Acaju (DF), Macaco Bong (MT), Pública (RS), Vanguart (MT), Patife Band (PR), Astronauta Pinguim (RS).[8][9]
A edição de 2008 (6ª edição), aconteceu nos dias 8, 9 e 10 de agosto no Centro de Eventos do Pantanal e foi financiada com verbas do 1º Edital de Apoio a Festivais de Música, uma iniciativa da Petrobras, do Instituto Moreira Salles e do Ministério da Cultura.[10] As bandas nacionais e internacionais que se apresentaram foram: Papier Tigre (França), El Mato Un a Polícia Motorizado (Argentina), Cascadura (BA), Cabruêra (PB). Outras atrações estiveram presentes: Macaco Bong (MT), Fóssil (CE), Pata de Elefante (RS), Hurtmold (SP), Vanguart (MT), Jumbo Elektro (SP) e outras.[11][12]
Na edição de 2010 foram ocupadas várias casas noturnas e espaços culturais da cidade com programação que incluiu nomes nacionais e forte presença de bandas locais como as bancas Móveis Coloniais de Acaju, Vanguart e Macaco Bong, além de muitas bandas cuiabanas e do Centro-Oeste.[13]
Nas edições de 2012 e 2013 o Calango consolidou parcerias com coletivos e ampliou o número de atrações, com participação de dezenas de bandas, com programação em múltiplos palcos e continuidade de oficinas e palestras.[14]
Programação e formato
Tradicionalmente, o Festival é realizado em 3 dias, e reúne shows noturnos, palcos diurnos, mostras audiovisuais, mesas temáticas, oficinas e ações culturais paralelas, como o Calango in Video, Calango na Escola, Calango Verde. A curadoria privilegia a música autoral e independente, mas ao longo dos anos ampliou repertório para hip-hop, música instrumental, música eletrônica e manifestações cênicas e de arte de rua. Em algumas edições o festival adotou soluções criativas de ingresso (troca por livros para formar bibliotecas, entrada a preço simbólico) e integrou roteiros turísticos regionais.[5]
O Calango foi peça importante na formação e visibilidade da cena cuiabana: diversas bandas tiveram participação relevante no festival nas suas fases iniciais, e o evento funcionou como vitrine para circulação interestadual. O festival também esteve ligado ao processo de articulação do Circuito Fora do Eixo e, em alguns anos, passou a integrar redes e associações de festivais independentes (ABRAFIN), o que ampliou sua interlocução com outros produtores e circuitos de circulação. Pesquisas sobre cultura musical destacam o Calango como caso de organização coletiva, uso de editais públicos e estratégias de sustentabilidade local.[2][15]
Referências
- ↑ Cabral, Maria Clara de Oliveira Mendes (2022). «Jornalismo cultural em Cuiabá: Experiências de cobertura dos 300 anos em veículos digitais» (PDF). ppgcomufmt. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ a b Resende, Gabriel Murilo Magalhães (janeiro de 2013). «MACACOBONG.TEC – Música como tecnologia social de empoderamento estético e político». Repositório UFMG. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ «Diário de Cuiabá: prévias do Calango começam neste sábado». www.diariodecuiaba.com.br. Consultado em 11 de novembro de 2008
- ↑ «Histórico | Transparência». foradoeixo.org.br. Consultado em 29 de outubro de 2025
- ↑ a b c «Festival Calango: Impressões 01». DoSol. 12 de agosto de 2008. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ Costa, Marcelo (2 de novembro de 2009). «O melhor do Festival Calango 2009». ScreamYell. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ «Meio Desligado = música independente brasileira». Consultado em 29 de outubro de 2025
- ↑ Segundos, Web em (29 de outubro de 2025). «Começa hoje o 5ª Festival Calango». Repórter News. Consultado em 29 de outubro de 2025
- ↑ Alves, Adriana (9 de novembro de 2007). «Cena Quente». Rolling Stone Brasil. Consultado em 29 de outubro de 2025
- ↑ «1º Edital Petrobras de Festivais de Música». www.editalfestivaisdemusica.com.br. Consultado em 11 de novembro de 2008
- ↑ «Festival Calango 2008 apresenta programação de shows | MuzPlay». www.muzplay.net. Consultado em 29 de outubro de 2025
- ↑ «Diario de Cuiabá». Diario de Cuiabá. Consultado em 29 de outubro de 2025
- ↑ «Diario de Cuiabá». Diario de Cuiabá. Consultado em 29 de outubro de 2025
- ↑ «Diario de Cuiabá». Diario de Cuiabá. Consultado em 29 de outubro de 2025
- ↑ Filho, Claudionor Gomes da Silveira (2016). «Interdependência da música independente: Um estudo sobre a formação do coletivo Popfuzz e seu papel nos circuitos de eventos musicais em Maceió/AL» (PDF). Repositório UFAL. Consultado em 24 de novembro de 2025