Parte dos acervos destas linguagens está disponível para consulta no site da instituição, assim como em seus centros culturais. Sua atuação se expande também para a manutenção de canais de rádio na internet[4] e para a edição de publicações diversas, como catálogos de exposições; de livros de literatura, fotografia e música; e das revistas Zum (projeto de periodicidade semestral sobre fotografia contemporânea do Brasil e do mundo) e Serrote (publicação quadrimestral sobre ensaios e ideias).
Algumas características diferenciam o IMS de outras instituições culturais privadas do Brasil e do exterior. Uma delas diz respeito à sua forma direta de intervenção: contrapondo-se à prática do mecenato tradicional, a instituição prefere atuar fundamentalmente em iniciativas que ela própria concebe e executa. Outro fator que singulariza a atuação do Instituto Moreira Salles é a prioridade que ele confere a projetos de médio e longo prazos, o que significa escapar da fugacidade dos eventos, desenvolvendo programas regulares voltados para a formação e o aprimoramento do público.[5]
Unidades
Poços de Caldas
A cidade mineira de Poços de Caldas recebeu no ano de 1992 o primeiro Centro Cultural do Instituto Moreira Salles graças à escolha do próprio embaixador Walther Moreira Salles, como forma de homenagear a região onde sua família se estabeleceu em 1918.[6]
Definida por Guilherme Wisnik como "uma casa de chácara", a antiga residência de Walther Moreira Salles é, segundo o arquiteto, "uma construção monumental, elegante e austera, projetada para abrigar tanto uma família numerosa quanto uma intensa vida social, marcada por frequentes recepções para convidados ilustres".
Centro Cultural IMS PaulistaSão Paulo
Desde 2017, a mais recente sede do IMS está localizada em São Paulo e abrange 6.000 metros quadrados na Avenida Paulista, 2424.[7] Projetado pelo escritório de arquitetura Andrade Morettin, o edifício foi inaugurado no dia 20 de setembro de 2017, após 6 anos de obras, com custo aproximado de R$150 milhões de reais. Distribuídos em nove andares, o prédio possui três salas de exposição, um cineteatro para 150 pessoas, um espaço de estudos, três salas de aula para palestras e cursos, um café e um restaurante comandado por Rodrigo Oliveira. Digno de nota é a obra monumental ECHO de Richard Serra instalada em janeiro de 2019, única escultura do artista na América do Sul.[8]
O edifício chegou a conquistar em 2017 o prêmio de melhor obra de arquitetura em São Paulo, concedido pela APCA na categoria Arquitetura e Urbanismo.[9]
Acervo fotográfico
O Instituto Moreira Salles possui atuação destacada na área da fotografia, com ênfase na formação de acervos e preservação de conjuntos raros que abordam questões referentes à memória e à história do país, às comunicações e às artes visuais.
Seu acervo fotográfico começou a ser constituído em 1995, por meio de coleções de imagens do século XIX. Na sequência, o instituto adquiriu a coleção do antropólogo Claude Lévi-Strauss, da década de 1930.
Em 2016, o IMS adquiriu também o arquivo fotográfico do grupo Diários Associados, que, no decorrer do século XX, sob o comando de Assis Chateaubriand, foi um dos maiores conglomerados de mídia do país. Com a aquisição, o IMS incorporou ao seu acervo a coleção fotográfica dos periódicos cariocas O Jornal, criado em 1919; Diário da Noite (Rio de Janeiro), fundado em 1929; e Jornal do Commercio, criado em 1827, incorporado aos Diários Associados em 1957 e publicado até abril de 2016. [11]
No novo IMS da Avenida Paulista, a instituição manterá ainda uma biblioteca inteiramente dedicada à fotografia, com capacidade para até 30.000 itens.[12]
Acervo Musical
O IMS entende a música como patrimônio a ser preservado, pesquisado e disponibilizado: sua Coordenadoria/Reserva Técnica Musical organiza, conserva e promove acervos de compositores, instrumentistas, pesquisadores e colecionadores, articulando ações de catalogação, higienização, digitalização e acesso público para permitir pesquisas musicológicas e culturais.[13]
História e formação do acervo musical
A Reserva Técnica Musical do IMS foi criada no início dos anos 2000 e hoje guarda dezenas de acervos (o site oficial registra “vinte acervos” de compositores, instrumentistas, pesquisadores e colecionadores). Esses conjuntos reúnem suportes variados , desde partituras, livros, fotografias, programas de rádio, entrevistas e principalmente fonogramas em formatos históricos (78 rpm, LPs etc.), que exigem tratamentos específicos de preservação.[13]
Aquisições e coleções-chave
O IMS incorporou coleções de nomes centrais da música brasileira e de estudiosos: acervos relacionados a Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Baden Powell, José Ramos Tinhorão, entre outros, que enriquecem o arquivo de fontes primárias para pesquisadores.[13]
Em 2019 o IMS adquiriu a coleção de Leon Barg[14], com mais de 31 mil discos em 78 rpm, e reconhecida como a maior coleção privada brasileira desse formato, o que ampliou substancialmente a cobertura histórica da fonografia nacional e alimentou projetos de digitalização.[15][16]
Projetos de digitalização e acesso público
Um projeto estruturante é o site Discografia Brasileira, apoiado pelo IMS, que mapeia fonogramas registrados no Brasil (século XX) e disponibiliza milhares de gravações em domínio público para download, uma iniciativa que transforma acervo físico em fonte auditiva consultável para musicólogos, historiadores e docentes. Em 2025 (e nas comunicações recentes) o IMS anunciou a disponibilização de cerca de 5.900–6.000 gravações digitalizadas como parte dessa ação.[17][18]
Atividades conexas relevantes para musicologia
Catalogação e atendimento a pesquisadores: o IMS disponibiliza bases de dados e atendimento para consultas ao acervo musical (descrições, cópias digitais de áudio e informações de catálogo).[13]
Publicação e difusão: além de liberar fonogramas, o IMS produz e-books, notas técnicas e postagens curatoriais (ex. série “Discografia Brasileira – Os pioneiros”) que contextualizam fontes e ajudam a estruturar fontes primárias para uso acadêmico.[17][19]
Programação cultural e formação: nas suas sedes (IMS Paulista, IMS Rio, Poços de Caldas) ocorrem ciclos de shows, seminários, exibições e cursos que ligam pesquisa e divulgação musical ao público amplo, importantes para a interlocução entre musicologia e público.[20]
Influência e relevância para a musicologia brasileira
Preenchimento de lacunas históricas: a incorporação de coleções raras (ex.: Leon Barg) e a digitalização de fonogramas ampliam o acervo auditivo disponível para estudos sobre indústria fonográfica, repertórios regionais e práticas de gravação, permitindo revisões historiográficas e análises tipológicas das gravações antigas.[21][22]
Fonte primária acessível: ao conectar preservação física com disponibilização online e publicações analíticas, o IMS reduz barreiras à pesquisa (especialmente para quem não pode deslocar-se às reservas técnicas), ampliando o alcance da musicologia a estudantes e pesquisadores de diferentes regiões.[17]
Interlocução com academia e imprensa: estudos acadêmicos e reportagens reconhecem o papel do IMS como guardião de acervos e como agente que promove projetos colaborativos de recuperação da memória sonora brasileira.[18][23]
↑Erico João Siriuba Stickel (2004). Uma pequena biblioteca particular: subsídios para o estudo da iconografia. [S.l.]: EDUSP. 294 páginas. ISBN 85-314-0825-3
↑Ana Carla Fonseca Reis (2003). Marketing Cultural e Financiamento da Cultura: teoria e prática em um estudo internacional comparado. [S.l.]: Pioneira Thomson. 39 páginas. ISBN 85-221-0305-4