Eneida de Moraes
| Eneida de Moraes | |
|---|---|
| Nome completo | Eneida de Villas Boas Costa de Moraes |
| Nascimento | |
| Morte | 27 de abril de 1971 (66 anos) |
| Nacionalidade | |
| Ocupação | Jornalista, escritora, militante política e pesquisadora |
| Principais trabalhos | História do carnaval carioca (1958) |
Eneida de Villas Boas Costa de Moraes (Belém, Pará, 23 de outubro de 1904 — Rio de Janeiro, 27 de abril de 1971), ou simplesmente Eneida, como ela preferia ser chamada, foi uma jornalista, escritora, militante política e pesquisadora brasileira.
Biografia
Filha de um comandante de navios, desde pequena nutriu grande afeição pelos rios e pela Amazônia. Ainda criança, participou de um concurso de Jovens Escritores, obtendo o primeiro lugar, com um texto que falava do imaginário de um caboclo amazônida.[1]
Embora torcedora do Clube do Remo,[2] veio a casar-se com Geraldo Bayma de Moraes,[1] precisamente um dos fundadores do rival Paysandu Sport Club.[3][4][5] Com ele, teve de filhos Léa e Octávio Moraes,[1][6] destacado atacante do Botafogo na década de 1940,[7] quando Octávio também defendeu a Seleção Brasileira.[8]
Durante os anos 20 e 30, Eneida colaborou em jornais como o Estado do Pará, Para Todos (RJ), e nas revistas Guajarina, A Semana e Belém Nova.[1] Na década de 1930, pelo trabalho bancário de Genaro,[6] que possuía cargo de chefia no Banco Nacional Ultramarino,[9] a família fixa residência no Rio de Janeiro. Na então capital federal, ela irá filiar-se ao Partido Comunista Brasileiro.[10]
Declaradamente marxista, Eneida liderou greves e manifestações contra o sistema capitalista e as opressões do governo brasileiro. Envolveu-se diretamente nas revoluções de 1932 e 1935, o que resultou em 11 prisões durante o Estado Novo, além de torturas, clandestinidade e exílio. Na prisão, conhece Olga Benário e Graciliano Ramos, que a imortalizou em Memórias do Cárcere. Atuou como jornalista profissional em periódicos partidários e da grande imprensa, nas funções de repórter e de cronista, entremeando essas atividades com a publicação de 11 livros e várias traduções.
Escreveu História do carnaval carioca (1958), a primeira grande obra sobre este assunto, que estabeleceria as principais categorias do carnaval brasileiro ao definir o conceito de cordões, corso, ranchos, sociedades e entrudo, entre tantos outros.[1] Foi criadora do "baile do Pierrot" no Rio de Janeiro e em Belém, onde a celebração ocorria no seu Clube do Remo.[2]
Ainda na década de 1950, produziu uma série de reportagens para o jornal Diario de Noticias (Rio de Janeiro) intitulada "Mulheres contam sua vida". Os artigos abordavam diferentes trabalhos de mulheres, das lavadeiras[11] às químicas, entre muitas outras.
As escolas de samba Salgueiro em 1973, com o tema Eneida, amor e fantasia, Império de Samba Quem São Eles de Belém Pa em 1973 com o tema Eneida sempre amor e Paraíso do Tuiuti em duas ocasiões: uma em 1990 e outra em 2010, com o título "Eneida, o pierrot está de volta", mas, em ambas as ocasiões, com sambas distintos, numa homenagem à jornalista no carnaval.
Obras
- História do carnaval carioca (1958);
- Promessa em azul e branco (1957);
- Terra verde, poesia;
- O quarteirão, crônicas;
- Paris e outros sonhos, crônicas;
- Sujinho da terra, crônicas;
- Cão da madrugada, crônicas;
- Aruanda, crônicas;
- Banho de Cheiro, autobiografia.
Referências
- ↑ a b c d e MARINHO, Carla Figueiredo (dezembro de 2019). «DE 'APRENDIZ DE ANTROPÓLOGA' A "TIA": UM BREVE DIÁLOGO EM SALA DE AULA COM ENEIDA DE MORAES». Universidade Federal da Paraíba. Consultado em 28 de março de 2025
- ↑ a b «Baile do Pierrot do Remo». O Liberal. 17 de janeiro de 1989. Consultado em 28 de março de 2025
- ↑ SAUMA, Jorge (2 de fevereiro de 2014). «'Vou fundar um clube para vencer o Remo', disse idealizador do Papão». Globo Esporte. Consultado em 28 de março de 2025
- ↑ «O Paisandu, no seu maior dia» (PDF). O Liberal. 2 de fevereiro de 1951. Consultado em 28 de março de 2025
- ↑ «ESTATUTO SOCIAL» (PDF). Paysandu. Consultado em 28 de março de 2025
- ↑ a b PROENÇA, Edgard (1º de junho de 1945). «GENARO E OCTAVIO, O PASSADO E O PRESENTE...». O Globo Sportivo n. 353, p. 9. Consultado em 28 de março de 2025
- ↑ «Morre Octávio Moraes, campeão carioca pelo Botafogo em 48». Globo Esporte. 19 de outubro de 2009. Consultado em 28 de março de 2025
- ↑ BRANDÃO, Caio (12 de janeiro de 2016). «Nos 400 anos de Belém, um timaço só com grandes jogadores paraenses que serviram a Seleção». Trivela. Consultado em 28 de março de 2025
- ↑ «VIDA SPORTIVA - Paysandú Sport Club». O Jornal. 20 de dezembro de 1917. Consultado em 28 de março de 2025
- ↑ MARINHO, Carla Figueiredo. «Eneida de Moraes em "Momento Feminino": um jornal a serviço do seu lar.». Universidade Federal do Pará. Consultado em 28 de março de 2025
- ↑ Jornal Diário de Notícias, ENEIDA (17 de outubro de 1951). «Honorina, a lavadeira do morro.». Hemeroteca Digital da BN. Consultado em 7 de dezembro de 2025
Ligações externas