Almir Guineto
| Almir Guineto | |
|---|---|
![]() Almir em 2014, no 25º Prêmio da Música Brasileira | |
| Informações gerais | |
| Nome completo | Almir de Souza Serra |
| Nascimento | 12 de julho de 1946 Rio de Janeiro, DF, Brasil |
| Morte | 5 de maio de 2017 (70 anos) Rio de Janeiro, RJ Brasil |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Gênero(s) | samba, pagode |
| Ocupação | sambista e compositor |
| Instrumento(s) | vocal, banjo, cavaquinho |
| Período em atividade | 1969–2017 |
| Afiliação(ões) | Fundo de Quintal |
Almir de Souza Serra (Rio de Janeiro, 12 de julho de 1946 – Rio de Janeiro, 5 de maio de 2017), mais conhecido como Almir Guineto, foi um sambista e compositor brasileiro. Membro fundador do Fundo de Quintal, foi um dos maiores representantes do samba de raiz, inovando no gênero ao introduzir o banjo adaptado com um braço de cavaquinho (o banjo-cavaquinho). Destacou-se também pelo modo extremamente original de executar o instrumento, afinando-o à moda das últimas cordas do violão e palhetando-as velozmente, fazendo-as tremular conforme o suingue do repique de mão e do tantã.[1] Entre seus principais sucessos, destacam-se "Caxambu", "Conselho", "Jiboia", "Lama nas Ruas", "Mel na Boca",[2] "Insensato Destino" e "Coisinha do Pai".
O Guineto de seu nome artístico é uma derivação da palavra magnata, que evoluiu para magneto e, então, Guineto.[1]
Biografia
Infância
Nascido e criado no Morro do Salgueiro, na cidade do Rio de Janeiro, Almir Guineto teve contato direto com o samba desde a infância, já que havia vários músicos em sua família. Seu pai, Iraci de Souza Serra (Seu Ioiô), era violonista, um dos fundadores do GRES Acadêmicos do Salgueiro em 1953 e membro da ala de compositores da escola; e também integrava o grupo Fina Flor do Samba. Sua mãe, Nair de Souza (mais conhecida como "Dona Fia"), era costureira e componente dedicada da ala das baianas e uma das principais figuras da mesma agremiação que o marido — Acadêmicos do Salgueiro; seus irmãos: Francisco de Souza Serra (ou Chiquinho) foi um dos fundadores dos Os Originais do Samba, e Lourival de Souza Serra, mais conhecido como Louro, ou Mestre Louro, foi o lendário mestre de bateria e que mais tempo esteve à frente da "Furiosa", animada bateria da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.
Início de carreira
Na década de 1970, Almir já era mestre de bateria e um dos diretores da Salgueiro e fazia parte do grupo de compositores que frequentavam o Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos. Nessa época ele inovou o samba ao introduzir o banjo adaptado com um braço de cavaquinho (ideia revolucionária dele e do antigo companheiro do grupo musical Originais do Samba, o comediante Mussum). O instrumento híbrido foi afetivamente alcunhado de banjo-cavaquinho e adotado por vários grupos de samba até os dias de hoje.
Em 1979 Almir mudou-se para a cidade de São Paulo para tornar-se o cavaquinhista dos Originais do Samba. Lá fez "Bebedeira do Zé", sua primeira composição gravada pelo grupo, onde a voz do sambista apareceu puxando verso "Mas dá um tempo na cachaça, Zé/ Para prolongar o seu viver". A sambista Beth Carvalho gravou algumas composições de Guineto, como "Coisinha do Pai", "Pedi ao Céu"' e "Tem Nada Não".
Fundo de Quintal e carreira solo
No início dos anos oitenta, ele ajudou a fundar o grupo Fundo de Quintal junto com os sambistas Bira, Jorge Aragão, Neoci, Sereno, Sombrinha e Ubirany. Mas deixou o grupo logo após a gravação de Samba É no Fundo de Quintal - primeiro LP do conjunto - e seguiu para carreira solo. Almir conquistou fama com a premiação no Festival MPB-Shell, da TV Globo, em 1981, em que interpretou o samba-partido "Mordomia" (de Ari do Cavaco e Gracinha).
Sua notoriedade como compositor e intérprete aumentaria ao longo daquela década. Beth Carvalho gravou "É, Pois, É" (parceria com Luverci Ernesto e Luiz Carlos) em 1981, "À Luta, Vai-Vai!" (com Luverci Ernesto) e "Não Quero Saber Mais Dela" (com Sombrinha) em 1984, "Da Melhor Qualidade" (com Arlindo Cruz), "Pedi ao Céu" (com Luverci Ernesto) e "Corda no Pescoço" (com Adalto Magalha) em 1987. Alcione gravou "Ave Coração" (parceria com Luverci Ernesto) em 1981 e "Almas & Corações" (com Luverci Ernesto) em 1983. Jovelina Pérola Negra gravou "Trama" (parceria com Adalto Magalha) em 1987.
Em 1986, a gravadora RGE lançou o LP Almir Guineto, que teve grande sucesso comercial. Nesse disco, Almir Guineto gravou algumas de suas parcerias com Adalto Magalha, Beto Sem Braço, Guará da Empresa, Luverci Ernesto e Zeca Pagodinho. Entre os grandes destaques, estão "Caxambu", "Mel na Boca", "Lama nas Ruas" e "Conselho".
Participou, como ator, do filme "Natal da Portela" (1988), dirigido por Paulo Cesar Saraceni, sobre a vida do bicheiro e compositor homônimo que foi um dos fundadores da Portela. Nele, Almir Guineto interpreta o compositor Paulo da Portela.
Ainda na década de 1980, a RGE lançou os LPs Perfume de Champanhe (1987) - que teve repercussão com "Batendo na Palma da Mão" (parceria com Guará da Empresa) - e "Jeito de Amar" (1989). Em 1991, a gravadora lançou o disco De Bem com a Vida.
Canção em Marte
Em 1997, "Coisinha do Pai" foi programada pela engenheira brasileira da Nasa Jacqueline Lyra para acionar um robô norte-americano da missão Mars Pathfinder, em Marte. No ano seguinte, compôs com Arlindo Cruz, Sombrinha e Xerife "Samba de Marte", que relata a história da chegada de "Coisinha do Pai" em solo marciano.
Em 2002, a gravadora Paradoxx lançou o CD "Todos os Pagodes". Naquele mesmo ano, Almir Guineto participou de "Bum-bum-baticum-Beto" e "Tributo a Beto Sem Braço", dois shows em homenagem a este sambista carioca, que ocorreram respectivamente no Bar Supimpa e Teatro João Caetano, ambos na cidade do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, se mudou para sítio na cidade de Tupã, em São Paulo. [1] A mudança o ajudou a se afastar do alcoolismo e das drogas, como relatou em algumas entrevistas. [2] [3]
Em julho de 2007, Almir Guineto comemorou seu aniversário em um show, com diversos convidados, no Espaço Santa Clara, na cidade de São Paulo. Apesar das diferenças de estilos, o samba e o rap tem semelhanças representando as camadas mais pobres da sociedade brasileira em momentos distintos.[3] Em 2009, fez parceria com o rapper Mano Brown, dos Racionais MC's,[4] na música Mãos.[5]
Morte
Nos últimos meses de vida padeceu de problemas renais e decorrentes da diabetes. Almir Guineto morreu em 5 de maio de 2017, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações provocadas por insuficiência renal crônica.[6] A doença havia sido diagnosticada no final de 2015, e desde junho de 2016 o sambista estava afastado dos palcos.[7] Foi sepultado dois dias depois no Cemitério de Inhaúma,[8] após ser velado na quadra do Salgueiro.[9] A classe artística e seu público lamentou seu falecimento.[10]
Discografia
- "O Suburbano" (1981) Discos Beverly/Discos Copacabana
- "A Chave do Perdão" (1982) Discos Copacabana
- "Sorriso Novo" (1985) RGE
- "Almir Guineto" (1986) RGE
- "Perfume de champagne" (1987) RGE
- "Olhos da Vida" (1988) RGE
- "Jeito de amar" (1989) RGE
- "De bem com a vida" (1991) RGE
- "Pele de Chocolate" (1993) RGE
- "Acima de Deus, só Deus" (1995) RGE
- "Pés" (1997) RGE
- "Almir Guineto" (1999) Universal
- "Todos os pagodes" (2002) Paradoxx
- "Sambas de Almir" (2003) Vieira Records
- "Cartão de Visita" (2012) Radar Records
Ver também
Referências
- ↑ a b Bernardo Oliveira (8 de maio de 2017). «Almir Guineto foi sambista completo e inovador». Folha de S.Paulo. Consultado em 23 de março de 2024
- ↑ «Morre no Rio o sambista Almir Guineto, fundador do Fundo de Quintal, aos 70 anos». Extra. 5 de maio de 2017. Consultado em 5 de maio de 2017
- ↑ «Narrativas do samba e do rap guardam semelhanças entre si que vão além das origens». Jornal da USP. 22 de outubro de 2020. Consultado em 31 de outubro de 2025
- ↑ «Sambas de Germano Mathias e raps dos Racionais MC's são analisados em pesquisa do IEB». #Jornal da USP. 20 de fevereiro de 2020. Consultado em 31 de outubro de 2025
- ↑ Sciré, Rachel D'Ipolitto de Oliveira; Silveira Junior, Walter Garcia da (2019). «Ginga no asfalto: figuras de marginalidade nos sambas de Germano Mathias e nos raps do Racionais MC's». Consultado em 31 de outubro de 2025
- ↑ «Cantor Almir Guineto morre aos 70 anos com legado para o samba». Agência Brasil. 5 de maio de 2017. Consultado em 31 de outubro de 2025
- ↑ «Sambista Almir Guineto morre aos 70 anos no Rio». g1. 5 de maio de 2017. Consultado em 23 de março de 2024
- ↑ «Ao som de samba, corpo de Almir Guineto é enterrado na Zona Norte do Rio». g1. 5 de maio de 2017. Consultado em 23 de março de 2024
- ↑ «Aos 70 anos, morre cantor e sambista Almir Guineto». correiodoestado.com.br. Consultado em 31 de outubro de 2025
- ↑ «Personalidades do samba lamentam morte de Almir Guineto». O Globo. 5 de maio de 2017. Consultado em 31 de outubro de 2025
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