Eleições legislativas em Macau em 2025
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As eleições legislativas em Macau em 2025 foram realizadas no dia 14 de Setembro de 2025 e tinha por objectivo a eleição de 26 deputados à Assembleia Legislativa de Macau (num total de 33 deputados), sendo 12 eleitos por sufrágio indirecto (isto é, por um número restrito e selecto de dirigentes associativos que representavam certos sectores de interesses) e 14 por sufrágio universal directo (isto é, por todos os cidadãos adultos recenseados que residiam permanentemente em Macau). Os restantes 7 deputados não eram eleitos, mas sim nomeados pelo Chefe do Executivo de Macau.[1]
Eleitores
Quem pode votar?
No sufrágio directo, todos os residentes permanentes da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China (RAEM), maiores de 18 anos, gozam de capacidade eleitoral activa, desde que estejam devidamente recenseados. No sufrágio indirecto, gozam de capacidade eleitoral activa todas as pessoas colectivas (associações ou organizações representativas locais), devidamente registadas e recenseadas, que tenham sido reconhecidas como pertencentes aos respectivos sectores de interesses "há, pelo menos, quatro anos e tenham adquirido personalidade jurídica há, pelo menos, sete anos."[2] Cada pessoa colectiva "tem direito a um número máximo de vinte e dois votos, os quais são exercidos por outros tantos votantes escolhidos de entre os membros dos respectivos órgãos de direcção ou administração, que estejam em exercício na data da marcação das eleições."[3]
Número de eleitores recenseados
Em 2025, estavam recenseados 328 506 eleitores individuais ou singulares para as eleições por sufrágio directo e 17 226 votantes em representação de 783 eleitores colectivos (pessoas colectivas) para as eleições por sufrágio indirecto.[4]
Regra da atribuição de mandatos
Nas eleições legislativas, em ambos os sufrágios, a conversão dos votos em mandatos é realizado de seguinte modo: "o número de votos obtido por cada candidatura é dividido sucessivamente por 1, 2, 4, 8 e demais potências de 2, até ao número de mandatos a distribuir, sendo os quocientes alinhados pela ordem decrescente da sua grandeza numa série de tantos termos quantos os mandatos."[5]
Desqualificação de candidatos
Em Julho de 2025, a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), de acordo com a Lei Eleitoral e na sequência do parecer vinculativo emitido pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) da RAEM, desqualificou 12 candidatos de 2 listas do sufrágio directo ("Poder da Sinergia" e "Força da Livelihood Popular em Macau"), por "não defenderem a Lei Básica ou não serem fiéis à RAEM."[6] Entre os candidatos excluídos, estava Ron Lam U Tou, deputado à Assembleia Legislativa durante a VII legislatura (2021-2025), cabeça da lista "Poder da Sinergia" e considerado "uma das poucas vozes críticas do executivo na AL".[7]
Resultados
No sufrágio directo
Nestas eleições, existiu mais candidatos do que os 14 lugares reservados para os deputados eleitos por sufrágio directo, havendo por isso concorrência. Um total de 175 272 cidadãos votaram nestas eleições, ou seja, cerca de 53,35% do total dos eleitores inscritos.[4]
Na lista a seguir, estão os resultados obtidos pelas 6 listas (pela sua ordem numérica saída do sorteio) que concorreram nestas eleições:[4]
| Número | Lista | N° de Votos | % | Mandatos | Deputados | Plataforma |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Associação dos Cidadãos Unidos de Macau (ACUM) | 29 464 | 18,16% | 3 | Song Pek Kei; Nick Lei Leong Wong; Chan Lai Kei |
Pró-empresarial; comunidade originária de Fujian[6][8] |
| 2 | Nova Esperança | 43 367 | 26,73% | 3 | José Maria Pereira Coutinho; Chan Hao Weng; Che Sai Wang |
Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau; direitos laborais e sociais; comunidade macaense/portuguesa local.[6][7][8][9][10][11] |
| 3 | União Promotora para o Progresso (UPP) | 21 750 | 13,41% | 2 | Leong Hong Sai; Ngan Iek Hang |
Tradicional (pró-Pequim); União Geral das Associações dos Moradores de Macau (Kai Fong).[6][8] |
| 4 | União de Macau-Guangdong | 21 464 | 13,23% | 2 | Joey Lao Chi Ngai; Lee Koi Ian |
Pró-empresarial; comunidade originária de Jiangmen.[6][8] |
| 5 | União para o Desenvolvimento (UPD) | 27 435 | 16,91% | 2 | Lei Cheng I; Leong Sun Iok |
Tradicional (pró-Pequim); Federação das Associações dos Operários de Macau (interesses laborais)[nota 1][6][8] |
| 6 | Aliança de Bom Lar | 18 752 | 11,56% | 2 | Wong Kit Cheng; Loi I Weng |
Tradicional (pró-Pequim); Associação Geral das Mulheres de Macau.[6][8] |
Houve ainda 5987 votos em branco (3,42%) e 7053 votos nulos (4,02%) nestas eleições por sufrágio directo.[4]
No sufrágio indirecto
No sufrágio indirecto, o sistema eleitoral reserva 4 lugares para o sector industrial, comercial e financeiro (interesses empresariais); 3 lugares para o sector profissional (interesses profissionais); 2 lugares para o sector do trabalho (interesses laborais); outros 2 lugares para o sector cultural e desportivo (interesses culturais e desportivos); e 1 lugar para o sector dos serviços sociais e educacional (interesses assistenciais/sociais e educacionais). Cada sector de interesses possui o seu próprio colégio eleitoral, constituído por pessoas colectivas (associações) locais com capacidade eleitoral activa que representam os interesses abrangidos por esses sectores.[12] Cada pessoa colectiva "tem direito a um número máximo de vinte e dois votos, os quais são exercidos por outros tantos votantes escolhidos de entre os membros dos respectivos órgãos de direcção ou administração, que estejam em exercício na data da marcação das eleições."[3]
Nestas eleições houve 2 listas, com 2 candidatos cada, a concorrer para os 2 lugares reservados para o sector dos interesses laborais. Ambas as listas estão ligadas à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).[13] Nos restantes 4 sectores, apenas houve uma lista única de candidatos a deputados em cada um dos sectores. Ou seja, a concorrência nas eleições por sufrágio indirecto é comedida.
A seguir, estão mencionados os resultados eleitorais obtidos pelas seis listas, que originaram os 12 deputados eleitos indirectamente, segundo o seu sector de interesses:
Sector industrial, comercial e financeiro
A única lista que apresentou candidatos para este sector foi a União dos Interesses Empresariais de Macau (OMKC), que obteve 1021 votos, num colégio eleitoral constituído por 2376 indivíduos com direito a voto (em representação de 108 pessoas colectivas diferentes), dos quais apenas 1047 votaram. Assim, os 4 deputados eleitos em lista única foram:[4][14]
- José Chui Sai Peng
- Ip Sio Kai
- Si Ka Lon[nota 2]
- Kevin Ho King Lun
Sector profissional
A única lista que apresentou candidatos para este sector foi a União dos Interesses Profissionais de Macau (OMCY), que obteve 720 votos, num colégio eleitoral constituído por 1386 indivíduos com direito a voto (em representação de 63 pessoas colectivas diferentes), dos quais apenas 755 votaram. Assim, os 3 deputados eleitos em lista única foram:[4][14]
- Iau Teng Pio
- Vong Hou Piu
- Wong Chon Kit
Sector do trabalho
As duas listas que apresentaram candidatos para este sector foram a Comissão Conjunta da Candidatura das Associações de Empregados (CCCAE) e a União das Associações de Trabalhadores (UAT), ambas ligadas à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM)[nota 1][13]. A CCCAE obteve 484 votos (45,57%) e 1 mandato (Lam Lon Wai) e a UAT obteve 578 votos (54,43%) e 1 mandato (Leong Pou U). O colégio eleitoral era constituído por 1496 indivíduos com direito a voto (em representação de 68 pessoas colectivas diferentes), dos quais apenas 1082 votaram. Assim, os 2 deputados eleitos foram:[4][14]
- Leong Pou U (UAT)
- Lam Lon Wai (CCCAE)
Sector cultural e desportivo
A única lista que apresentou candidatos para este sector foi a União Cultural e Desportiva do Sol Nascente (União do Sol Nascente), que obteve 1648 votos, num colégio eleitoral constituído por 8404 indivíduos com direito a voto (em representação de 382 pessoas colectivas diferentes), dos quais apenas 1747 votaram. Assim, os 2 deputados eleitos em lista única foram:[4][14]
- Angela Leong On Kei
- Ma Chi Seng
Sector dos serviços sociais e educacional
A única lista que apresentou candidatos para este sector foi a Associação de Promoção do Serviço Social e Educação (APSSE), que obteve 1969 votos, num colégio eleitoral constituído por 3564 indivíduos com direito a voto (em representação de 162 pessoas colectivas diferentes), dos quais apenas 2014 votaram. Assim, o único deputado eleito em lista única foi:[4][14]
- Ho Ion Sang[nota 3]
Nomeações feitas pelo Chefe do Executivo
Os restantes 7 deputados foram nomeados pelo Chefe do Executivo, no dia 28 de Setembro de 2025, completando assim a nova composição da Assembleia Legislativa de Macau para a legislatura de 2025-2029. Os 7 deputados nomeados eram:[15][16]
- André Cheong Weng Chon;[nota 4]
- Lei Wun Kong;
- Kou Kam Fai;
- Chao Ka Chon;
- Lam Fat Iam;
- Wong Ka Lon;
- Kou Ngon Seng.
Ver também
Notas
- ↑ a b A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) tinha, antes de 2005, a designação de "Associação Geral dos Operários de Macau" (AGOM).
- ↑ De 2013 até 2025, Si Ka Lon foi deputado à Assembleia Legislativa, eleito por sufrágio directo pela lista da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau (ACUM).
- ↑ De 2009 até 2021, Ho Ion Sang foi deputado à Assembleia Legislativa, eleito por sufrágio directo pela lista da União Promotora para o Progresso (UPP).
- ↑ De 2019 até 2025, Cheong Weng Chon foi Secretário para a Administração e Justiça do Governo da RAEM.
Referências
- ↑ Breve Apresentação das Eleições Legislativas de 2025
- ↑ Artigo 2.º da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau, republicada no Despacho do Chefe do Executivo n.º 94/2024
- ↑ a b Artigo 22.º da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau, republicada no Despacho do Chefe do Executivo n.º 94/2024
- ↑ a b c d e f g h i Boletim Oficial, n.º 39/2025 (série I): Proclamação Resultado da Eleição dos Deputados à Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau por Sufrágio Directo e Indirecto
- ↑ Lei n.º 3/2001, arts. 17 e 24
- ↑ a b c d e f g Ron Lam e outros 11 candidatos desqualificados da corrida às eleições, Jornal Tribuna de Macau, 16 de Julho de 2025.
- ↑ a b Desqualificações mostram que deputados “têm de ser mais politicamente correctos”, Jornal Tribuna de Macau, 17 de Julho de 2025.
- ↑ a b c d e f Eleições | Coutinho foi o vencedor de noite marcada pelos votos brancos e nulos, Hoje Macau, 15 de Setembro de 2025.
- ↑ Coutinho: Nova Esperança "tem três deputados portugueses" na AL, TDM, 17 de Setembro de 2025.
- ↑ New Hope wins by a landslide and elects three lawmakers, Macau Daily Times, 15 de Setembro de 2025.
- ↑ Coutinho acredita que Governo “gostou” do desfecho eleitoral, Jornal Tribuna de Macau, 22 de Setembro de 2025.
- ↑ Sufrágio indirecto - Breve apresentação
- ↑ a b Sufrágio indirecto | Lei Chan U de fora das listas ligadas aos Operários, Hoje Macau, 18 de Junho de 2025.
- ↑ a b c d e Eleições | Programas políticos com foco na economia e apoios sociais, Hoje Macau, 5 de Setembro de 2025.
- ↑ Ordem Executiva n.º 44/2025
- ↑ André Cheong passa do Governo para o Hemiciclo, Jornal Tribuna de Macau, 30 de Setembro de 2025.

