O Clarim (Macau)

O Clarim
O semanário católico de Macau
PeriodicidadeSemanário (sai à 6.ª feira)
SedeRua Formosa n.º 5, Centro Diocesano, 8.º Andar, Macau
PaísMacau, China
Preço10 MOP (dez patacas)
Fundaçãomaio de 1948 (77 anos)
ProprietárioDiocese de Macau
DirectorPe. Eduardo Emilio Aguero
EditorJosé Miguel Encarnação
IdiomaPortuguês, chinês e inglês
CirculaçãoMacau
Websitewww.oclarim.com.mo

O Clarim (em chinês: 號角報) é um semanário trilingue de orientação católica a operar activamente em Macau, uma cidade localizada no sul da República Popular da China. Com edições digitais e em papel nas línguas portuguesa, inglesa e chinesa, este semanário é propriedade da Diocese de Macau. Fundado em 1948, é actualmente o jornal de língua portuguesa mais antigo de Macau ainda em circulação regular.

Missão e valores

O Clarim foi fundada como jornal de língua portuguesa em Macau, no mês de Maio de 1948, para noticiar, analisar e comentar os diversos acontecimentos da Igreja Católica e da sociedade em geral, com maior enfoque para os acontecimentos vividos em Macau e em Portugal. Também pretende ser uma voz e ferramenta de comunicação social da Igreja Católica em Macau, através, por exemplo, da divulgação e promoção de diversas actividades locais incentivadas e/ou desenvolvidas por ela, nomeadamente as de carácter pastoral, educacional e assistencial. Além de temas religiosos e espirituais, o jornal aborda, sempre à luz de uma perspectiva cristã, variados temas relacionados com o ser humano, em toda a sua globalidade, e o seu viver em sociedade.

Este jornal, além de ser noticioso, procura também ser uma importante ferramenta de formação, principalmente a nível social, cultural e religioso, através da defesa dos valores católicos e do pensamento cristão. Sempre com o objectivo de contribuir para a elevação e dignificação do ser humano, a acção do jornal deve ser compreendida como uma parte integrante do grande plano de acção social da Igreja Católica, norteado pela Doutrina Social da Igreja.

Sob a direcção do padre fiipino José Mário Mandía (2014-2022), O Clarim tornou-se num jornal trilingue, com edições semanais nas línguas portuguesa, inglesa e chinesa. Com esta reforma, o semanário quis servir melhor a multicultural população católica de Macau, que é essencialmente constituída por chineses, lusófonos (portugueses europeus, macaenses, angolanos, brasileiros, etc.) e anglófonos (maioritariamente filipinos).

História

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Macau, embora não estivesse ocupado pelo Império Japonês, estava completamente isolado do Mundo, com as suas vizinhanças ocupadas por esta temível potência beligerante. A população da cidade, principalmente os jovens, estava desinformada, incerta e perturbada com o futuro de Macau e da região circundante. Estava especialmente amedontrada pelos horrores cometidos pelos exércitos nipónicos por todo o Sudeste Asiático.

Foi neste ambiente atribulado de incertezas e de angústias que, em Junho de 1943, o então jovem padre Manuel Teixeira publicou uma pequena revista baptizada com o nome de Clarim. Esta revista, devido aos temas tratados, foi ganhando prestígio e importância. Esta revista teve uma vida curta, mas tornou-se na semente de um jornal que iria surgir cinco anos mais tarde.

O jornal só apareceu quando um grupo de jovens católicos (composto por José Patrício Guterres, Herculano Estorninho, José Silveira Machado, Abílio Rosa, Gastão de Barros, José de Carvalho e Rêgo, Rui da Graça Andrade e Rolando das Chagas Alves) apresentou aos padres Fernando Leal Maciel e Júlio Augusto Massa a ideia de publicarem um jornal. Os também jovens padres apoiaram esta proposta e acharam-na uma boa, mas ousada ideia, devido às inúmeras dificuldades que os jovens iriam encontrar, sobretudo as dificuldades financeiras. Estas últimas foram ultrapassadas com a decisão do então Bispo de Macau, D. João de Deus Ramalho, em financiar a impressão e as despesas do jornal. Assegurado o financiamento, os jovens, que concordaram em colaborar no jornal nas horas que lhes sobravam dos seus afazeres profissionais, iniciaram contactos e diligências respeitantes à parte técnica e tipográfica.

No dia 2 de Maio de 1948, o semanário O Clarim, com 8 páginas, suplemento da revista com o mesmo nome, foi posto a circular, sob o lema «Por Deus, pela Pátria», e com um cabeçalho desenhado pelo pintor russo, George Smirnoff, que naquela altura vivia em Macau.

Em 27 de Julho de 1955, o jornal passou a bissemanário. Em Maio de 1983 o número de páginas passou para 16, em Dezembro de 1989 para 20, e em Dezembro de 1990 para 24. Nestas 24 páginas, a partir de 1 de Junho de 2001, 4 são a cores, simbolizando a melhoria da qualidade do jornal a nível de impressão. No dia 6 de Outubro de 2006, O Clarim lançou o seu portal digital na Internet.

Em 2014, fruto de reformas, O Clarim passou a disponibilizar também edições semanais em língua inglesa (em Abril) e em língua chinesa (em Junho), nos formatos digital (online) e em papel. Desde então, tornou-se num semanário trilingue.

A partir de Maio de 2025 passou a ter uma edição totalmente a cores.

Lista dos directores d'O Clarim

  • Pe. Dr. Fernando H. L. Maciel – De 2 de maio de 1948 a 4 de junho de 1948
  • Pe. Júlio Augusto Massa – De 11 de julho de 1948 a 14 de novembro de 1948
  • Pe. Áureo da Costa Nunes e Castro – De 21 de novembro de 1948 a 24 de abril de 1949 (Director interino)
  • Pe. Dr. Fernando H. L. Maciel – de 1 de maio de 1949 a 30 de abril de 1959
  • Pe. José Barcelos Mendes – De 3 de maio de 1959 a 1 de março de 1962
  • Pe. Artur Augusto Neves – De 4 de março de 1962 a 4 de agosto de 1966
  • Pe. José Barcelos Mendes – De 11 de agosto de 1966 a 18 de abril de 1971
  • Pe. Alfredo Tavares – De 22 de abril de 1971 a 4 de maio de 1972
  • Pe. Ramiro Marta – De 7 de maio de 1972 a 2 de agosto de 1973
  • Pe. Américo Casado – De 5 de agosto de 1973 a 12 de outubro de 1975
  • Pe. José Barcelos Mendes – De 16 de outubro de 1975 a 19 de fevereiro de 1978
  • Pe. José Coelho Matias – De 23 de fevereiro de 1978 a 30 de dezembro de 1979
  • António Augusto da Canhota – De 3 de janeiro de 1980 a 4 de junho de 1981
  • Tomás Rosa Pereira – De 7 de junho de 1981 a 3 de janeiro de 1982
  • António Augusto da Canhota – De 7 de janeiro de 1982 a 11 de março de 1982
  • Tomás Rosa Pereira – De 14 de março de 1982 a 3 de abril de 1983
  • Pe. Manuel F. Moreira – De 13 de junho de 1983 a 5 de julho de 1985
  • Pe. Albino Bento Pais – De 1 de julho de 1985, até 16 de abril de 2014
  • Pe. José Mário Mandía - De 16 de abril de 2014, até 1 de maio de 2022
  • Pe. Eduardo Agüero, SCJ - De 1 de maio de 2022, até ao presente momento.

Ver também

Ligações externas