Boletus reticulatus
Boletus reticulatus
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| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Boletus reticulatus Schaeff. (1774) | |||||||||||||||||
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Boletus reticulatus é uma espécie de fungo basidiomiceto do gênero Boletus. Ocorre em florestas decíduas da Europa, onde forma uma relação micorrízica simbiótica com espécies de carvalho (Quercus). O fungo produz basidiomas nos meses de verão, que são comestíveis e amplamente coletados. A espécie foi formalmente descrita por Jacob Christian Schäffer como Boletus reticulatus em 1774, nome que tem precedência sobre B. aestivalis, descrito por Jean-Jacques Paulet em 1793.
Taxonomia
O naturalista alemão Jacob Christian Schäffer descreveu a espécie como Boletus reticulatus em 1774, em sua série sobre fungos da Baviera e do Palatinado, Fungorum qui in Bavaria et Palatinatu circa Ratisbonam nascuntur icones.[1] O micologista francês Jean-Jacques Paulet descreveu-a como Tubiporus aestivalis em 1793, acrescentando que era deliciosa com fricassé de frango e que podia ser encontrada no Bois de Boulogne no verão.[2] O epíteto deriva do latim aestas, "verão". O micologista sueco Elias Magnus Fries seguiu Paulet, utilizando Boletus aestivalis em 1838.[3]
Os dois nomes foram usados na literatura por muitos anos.[4]
Boletus reticulatus é classificada na seção Boletus do gênero Boletus, ao lado de parentes próximas como B. aereus, B. edulis e B. pinophilus. Um estudo genético das quatro espécies europeias constatou que B. reticulatus era táxon irmão de B. aereus.[5] Testes mais extensos de táxons mundiais revelaram que B. reticulatus era mais próximo de duas linhagens que haviam sido classificadas como B. edulis do sul da China e da Coreia e norte da China, respectivamente. O ancestral comum dessas três espécies era relacionado a uma linhagem composta por B. aereus e a geneticamente próxima B. mamorensis.[6] Análises moleculares sugerem que as linhagens B. aereus/mamorensis e B. reticulatus/B. edulis chinês divergiram há cerca de 6 a 7 milhões de anos.[7]
Descrição
O basidioma é um cogumelo com estipe bulboso inchado e píleo grande e convexo. O píleo é mais ou menos arredondado e geralmente atinge até 30 cm de diâmetro.[8] Apresenta uma pileipellis aveludada marrom, ferrugem a chocolate que, quando seca, frequentemente racha revelando a carne branca por baixo, dando a aparência de uma rede.
A tonalidade mais escura e uniforme, bem como a sensação aveludada do píleo, são características chave para distinguir esta espécie, assim como a ausência parcial ou total de uma margem branca no píleo, como visto em Boletus edulis. Os tubos e poros do himênio são inicialmente brancos, escurecendo com a idade para amarelo-pálido e finalmente marrom. O estipe é central, com até cerca de 12 cm de altura,[8] e possui um padrão reticulado fortemente marcado com cor variável de branca a marrom.
A carne é branca e espessa, permanecendo firme se amarelada à medida que o cogumelo envelhece, e frequentemente é atacada por larvas de insetos. Seu odor é agradável.
Distribuição e habitat
O cogumelo é encontrado em bosques por toda a Europa, após tempo quente e úmido, do início do verão até o final do outono. É particularmente comum no sul e oeste da França, bem como nos Apeninos tosco-emilianos na Itália. É menos específico em relação ao hospedeiro do que outros cogumelos boletos.[7] Ocorre na Ucrânia e na Crimeia,[9] e na República da Carélia, Carachai-Circássia, Krai de Krasnodar, Oblast de Tula, Oblast de Moscou e até o leste no Krai do Primorie, na Rússia.[10] Boletus reticulatus foi registrado no sul da África, onde provavelmente foi introduzido, crescendo sob a espécie mexicana Pinus patula.[7]
Comestibilidade
O cogumelo é comestível e útil na culinária. No entanto, sua carne é um pouco menos firme que a de outros boletos. Com base em análises de basidiomas coletados em Portugal, há 334 quilocalorias por 100 g de cogumelo (como peso seco). A composição de macronutrientes de 100 g de boleto seco inclui 22,6 g de proteína, 55,1 g de carboidratos e 2,6 g de gordura. Em peso, os basidiomas frescos contêm cerca de 91% de água.[11] B. reticulatus contém predominantemente ácidos graxos insaturados; principalmente ácido cis-linoléico, seguido por cis-oleico, palmítico e esteárico.[12] O componente carboidrato contém os monossacarídeos glicose, manitol e α,α-trealose, o polissacarídeo glicogênio e o polissacarídeo estrutural insolúvel em água quitina, que responde por até 80–90% da matéria seca nas paredes celulares dos cogumelos. Quitina, hemicelulose e carboidratos semelhantes à pectina – todos não digeríveis pelos humanos – contribuem para a alta proporção de fibra insolúvel em B. reticulatus. Contém também mais tocoferol do que outras espécies de cogumelos.[13]
Ver também
- Boletellus ananas
- Boletus barrowsii
- Boletus hiratsukae
- Boletus variipes
- Chalciporus piperatus
- Butyriboletus appendiculatus
Referências
- ↑ Schäffer JC. (1774). Fungorum qui in Bavaria et Palatinatu circa Ratisbonam nascuntur icones, nativis coloribus expressae (em latim). 4. Erlangen, Germany: Apud J.J. Palmium. p. 78
- ↑ Paulet, Jean-Jacques (1793). Traité des champignons (em francês). Paris: Impr. nationale. pp. 371–372
- ↑ Fries, E. M. (1838). Epicrisis Systematis Mycologici: Seu Synopsis Hymenomycetum [A Critical Study of Mycology: A Synopsis of the Hymenomycetes] (em latim). 1–2. Uppsala, Sweden: Regiae Academiae Typographia. p. 422. Arquivado do original em 16 de julho de 2021
- ↑ Gallardi, Matteo (2020). «Diversity, Biogeographic Distribution, Ecology, and Ectomycorrhizal Relationships of the Edible Porcini Mushrooms (Boletus s. str., Boletaceae) Worldwide: State of the Art and an Annotated Checklist». In: Pérez-Moreno, Jesús; Guerin-Laguette, Alexis; Arzú, Roberto Flores; Yu, Fu-Qiang. Mushrooms, Humans and Nature in a Changing World: Perspectives from Ecological, Agricultural and Social Sciences. Cham, Switzerland: Springer. pp. 239–242. ISBN 978-3-030-37378-8
- ↑ Beugelsdijk DC, van der Linde S, Zuccarello GC, den Bakker HC, Draisma SG, Noordeloos ME (2008). «A phylogenetic study of Boletus section Boletus in Europe». Persoonia. 20 (1): 1–7. PMC 2865352
. PMID 20467482. doi:10.3767/003158508X283692
- ↑ Dentinger BT, Ammirati JF, Both EE, Desjardin DE, Halling RE, Henkel TW, Moreau PA, Nagasawa E, Soytong K, Taylor AF, Watling R, Moncalvo JM, McLaughlin DJ (2010). «Molecular phylogenetics of porcini mushrooms (Boletus section Boletus)». Molecular Phylogenetics and Evolution. 57 (3): 1276–92. PMID 20970511. doi:10.1016/j.ympev.2010.10.004. Cópia arquivada (PDF) em 23 de maio de 2013
- ↑ a b c Feng B, Xu J, Wu G, Zeng NK, Li YC, Bau T, Kost GW, Yang ZL (2012). «DNA sequence snalyses reveal abundant diversity, endemism and evidence for Asian origin of the porcini mushrooms». PLOS ONE. 7 (5). Bibcode:2012PLoSO...737567F. PMC 3356339
. PMID 22629418. doi:10.1371/journal.pone.0037567
. e37567
- ↑ a b Francis-Baker, Tiffany (2021). Concise Foraging Guide. Col: The Wildlife Trusts. London: Bloomsbury. p. 177. ISBN 978-1-4729-8474-6
- ↑ Akulov, O.Yu; Pryidiuk, M.P. (2007). «] The preliminary checklist of boletoid fungi of Ukraine». Pagine di Micologia. 27 (117–144)
- ↑ Fedosova, Anna G.; Kovalenko, Alexander E. (2014). «Section Boletus of the genus Boletus in Russia: species diversity, morphology, ecology and phylogeny». Mikologiya i Fitopatologiya (em russo). 48 (2): 86–106. ISSN 0026-3648
- ↑ Heleno SA, Barros L, Sousa MJ, Martins A, Santos-Buelga C, Ferreira CF (2011). «Targeted metabolites analysis in wild Boletus species». LWT – Food Science and Technology. 44 (6): 1343–48. doi:10.1016/j.lwt.2011.01.017
- ↑ Günç Ergönül, Pelin; Akata, Ilgaz; Kalyoncu, Fatih; Ergönül, Bülent (2013). «Fatty Acid Compositions of Six Wild Edible Mushroom Species». The Scientific World Journal. 2013: 1–4. PMC 3690749
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