Abane ibne Otomão

Abuçaíde Abane ibne Otomão ibne Afane Alumaui (em árabe: أَبُو سَعِيد أَبَان بْنُ عُثْمَانُ بْنُ عَفَّان الأُمَوِيّ; romaniz.: Abū Saʿīd Abān ibn ʿUthmān ibn ʿAffān al-Umawī; falecido em 105 H / 723) foi um historiador e tradicionalista muçulmano. Também exerceu um mandato de sete anos como governador de Medina entre 695 e 702, durante o reinado do califa omíada Abedal Maleque (r. 685–705).

Biografia

Abane era filho de Otomão (r. 644–656), o terceiro califa ortodoxo.[1] Sua mãe foi Ume Anre binte Jundabe ibne Anre Adaucia, da tribo dos azeditas do Iêmem.[2][3] Durante a Primeira Fitna, ocorrida na esteira do assassinato de seu pai, Abane combateu ao lado das forças de Aixa e de seus parentes da dinastia omíada contra o quarto califa ortodoxo, Ali (r. 656–661), na Batalha do Camelo, em novembro de 656.[4] Quando os partidários de Aixa estavam à beira da derrota, Abane fugiu do campo de batalha.[2] Posteriormente, o califa omíada Abedal Meleque (r. 685–705) nomeou Abane governador de Medina em 695, cargo que exerceu até ser substituído por Hixame ibne Ismail Almaquezumi em 702.[1] Durante seu mandato, presidiu as orações fúnebres — como era costume do governador — por Maomé ibne Hanafia, filho de Ali e líder da família álida.[4] Abane ficou incapacitado em 722/3 e faleceu em Medina no ano seguinte, em 723/4, durante o reinado do califa Iázide II.[5] Abane não parece ter sido um agente político de grande relevo entre os omíadas e deve a maior parte de sua fama ao seu conhecimento da tradição islâmica.[6] Vários estudiosos lhe atribuem a autoria do magazi (biografia) de Maomé, embora os historiadores Iacute de Hama e Amade de Tus atribuam essa obra a um certo Abane ibne Otomão ibne Iáia.[5]

Descendentes

Abane teve pelo menos duas esposas.[4] A primeira, Ume Saíde binte Abederramão, neta de Alharite ibne Hixame, pertencia ao clã dos maquezumitas.[4] Ela foi mãe de dois de seus filhos, o primogênito Saíde e Abderramão, além de uma filha.[4] Sua segunda esposa, Ume Cultume binte Abedalá, era neta de Jafar ibne Abi Talibe. Os nomes dos descendentes de Abane estão registrados nas fontes históricas pelo menos até 1375 no Egito, para onde alguns de seus descendentes se transferiram. Outros são mencionados nas fontes de Alandalus,[7] incluindo seu neto Otomão ibne Maruane e o bisneto deste, Maomé ibne Abderramão ibne Amade.[8]

Referências

  1. a b Landau-Tasseron 1998, p. 59, nota 263.
  2. a b Zetterstéen 1960, p. 2.
  3. Ahmed 2011, p. 115.
  4. a b c d e Ahmed 2011, p. 127.
  5. a b Zetterstéen 1960, p. 3.
  6. Zetterstéen 1960, pp. 2–3.
  7. Ahmed 2011, p. 128.
  8. Uzquiza Bartolomé 1994, p. 455.

Bibliografia

  • Landau-Tasseron, Ella (1998). The History of al-Ṭabarī, Volume XXXIX: Biographies of the Prophet's Companions and their Successors: al-Ṭabarī's Supplement to his History. SUNY Series in Near Eastern Studies. Albânia, Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Nova Iorque. ISBN 978-0-7914-2819-1 
  • Uzquiza Bartolomé, 1=Aránzazu (1994). «Otros Linajes Omeyas en al-Andalus». In: Marín, Manuela. Estudios onomástico-biográficos de Al-Andalus: V. Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas. pp. 445–462. ISBN 84-00-07415-7 
  • Zetterstéen, K. V. (1960). «Abān ibn ʿUthmān ibn ʿAffān». In: Gibb, H. A. R.; Kramers, J. H.; Lévi-Provençal, E.; Schacht, J.; Lewis, B.; Pellat, Ch. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume I: A–B. 1. Leida: Brill