Maomé ibne Alanafia
Maomé ibne Alanafia (em árabe: مُحَمَّد ابْن الْحَنَفِيَّة; romaniz.: Muḥammad ibn al-Ḥanafiyya, c. 637–700, 15–81 A.H.) foi um filho de Ali, o quarto califa no islã sunita (r. 656–661) e o primeiro imame no islã xiita. Ibne Alanafia foi um eficiente tenente de seu pai Ali durante o seu califado. Após o assassinato de Ali e as mortes de seus dois filhos Haçane e Huceine, muitos reconheceram Ibne Alanafia como o chefe da Casa de Ali. Alegando representar Ibne Alanafia, Almoquetar Atacafi levantou-se no Iraque em 686 para vingar Huceine e seus parentes, que haviam sido massacrados em 680 EC pelas forças do califa omíada Iázide ibne Moáuia (r. 680–683). O reservado Ibne Alanafia não se associou ativamente a essa rebelião, mas ainda assim foi resgatado por Almoquetar quando foi detido pelo califa rival Abedalá ibne Zobair. O apoio a Ibne Alanafia continuou mesmo após a derrota e a morte de Almoquetar em 686–687 na forma dos caissanitas, uma seita xiita hoje extinta que fazia remontar o imamato a Ibne Alanafia e a seus descendentes, em especial seu filho Abu Haxim. Após a morte de Ibne Alanafia em 700–701, alguns caissanitas declararam que ele era o Mádi, o líder escatológico islâmico que reapareceria no fim dos tempos para erradicar a injustiça e o mal. Os caissanitas forneceram posteriormente a estrutura organizacional para que os [[Califado Abássida|abássidas derrubassem os omíadas em 750.
Nascimento
Frequentemente conhecido por seu título Ibne Alanafia,[1] Maomé nasceu de Caula binte Jafar, uma mulher da tribo dos hanifaítas, e de Ali, primo do profeta islâmico Maomé. Ali é também reconhecido como o quarto califa ortodoxo (r. 656–661) e o primeiro imame xiita. Ibne Alanafia nasceu ou em 16 A.H. (637–638 EC),[2] ou por volta de 633.[3] Ele foi o único filho de Caula,[1] uma escrava liberta,[4] com quem Ali se casara algum tempo após a morte de sua primeira esposa Fátima, filha de Maomé.[5] A cúnia de Ibne Alanafia era Abu Alcácime.[6] Diz a tradição que Ali obteve permissão de Maomé para, caso viesse a ter outro filho, dar-lhe o nome Maomé e a cúnia de Abu Alcácime.[7]
Vida inicial
Pouco após o assassinato do califa Otomão (r. 644–656), Ali foi eleito califa em Medina.[4] Durante seu califado, Ibne Alanafia acompanhou Ali nas batalhas do Camelo e Sifim,[4] como seu campeão e porta-estandarte.[8][9] Quando Ali foi assassinado em Cufa em janeiro de 661,[10][11] seu filho mais velho Haçane foi eleito califa ali,[12][13] mas posteriormente abdicou em favor de Moáuia I (r. 661–680) em agosto de 661.[14][15] Haçane morreu em 669 em Medina, provavelmente envenenado por instigação de Moáuia,[15][14][16] o que abriu caminho para a sucessão de seu filho Iázide I (r. 680–683),[17][18] frequentemente retratado por historiadores muçulmanos como ímpio e imoral.[17][19][20] Haçane foi assim sucedido por seu irmão mais novo Huceine como chefe da família de Maomé.[14] Quando o omíada Maruane e a viúva do profeta Aixa impediram o sepultamento de Haçane junto a seu avô, diz-se que Ibne Alanafia convenceu Huceine a enterrar o irmão no Cemitério de Albaqui.[21]
Batalha de Carbala
Com a morte de Moáuia e a ascensão de Iázide em 680, este instruiu seu governador de Medina a assegurar à força o juramento de fidelidade de Huceine. Huceine partiu imediatamente para Meca para evitar reconhecer Iázide como califa.[9] Ali recebeu cartas de apoio dos habitantes de Cufa, cujas intenções foram verificadas por seu emissário Muslim ibne Aquil.[9] Entre muitos outros, diz-se que Ibne Alanafia advertiu Huceine a não confiar nos cufanos, que haviam traído seu pai Ali e seu irmão Haçane, sugerindo que permanecesse em Meca ou se ocultasse no Iêmem.[9][22] Huceine ignorou tais advertências,[9] afirmando que esperava ser morto enquanto combatia a tirania de Iázide.[23][24] No caminho para Cufa, em 680, a pequena caravana de Huceine foi interceptada pelo exército omíada.[9]
Huceine foi morto na subsequente Batalha de Carbala, juntamente com a maioria de seus parentes masculinos e seu pequeno séquito, após terem sido cercados por vários dias e privados da água do próximo rio Eufrates. Após a batalha, as mulheres e crianças do acampamento de Huceine foram feitas prisioneiras e conduzidas à capital omíada Damasco, na Síria.[17][19][20] O apoio prometido pelos cufanos não se concretizou, pois Ubaide Alá ibne Ziade, o novo governador de Cufa, matou o emissário de Huceine e intimidou os chefes tribais locais.[9] Ao contrário de Huceine, diz-se que o reservado Ibne Alanafia prestou juramento de fidelidade (baia) a Iázide.[25] Satisfeito com essa postura, Iázide o convidou à capital do califado e tratou-o com consideração, e Maomé não viu inconveniente em aceitar seus favores (Albaladuri, III, 469–470).[7]
Levante de Almoquetar
Após a morte de Huceine, seu único filho sobrevivente, Ali Açajade, retirou-se para uma vida apolítica em Medina.[26][27] Ibne Alanafia passou, assim, a ser considerado por muitos como o chefe da Casa de Ali.[26][2] Nesse período, começaram em Medina preparativos para uma revolta contra Iázide. Maomé tentou dissuadir os líderes do levante, afirmando que sua iniciativa era equivocada. Quando se soube que o exército omíada enviado para reprimir a revolta aproximava-se de Medina, partiu para Meca juntamente com Abedalá ibne Abas. O exército, após sufocar a revolta em Medina, marchou contra Meca e sitiou Abedalá ibne Zobair, mas levantou o cerco e retornou à Síria ao receber a notícia da morte de Iázide (683). Nesse contexto, Ibne Zobair, que se proclamara califa, convidou Maomé e Ibne Abas a prestarem juramento de fidelidade, receoso de que Maomé se tornasse o líder dos descendentes de Ali. Ambos recusaram, afirmando que o califa deveria ser escolhido por consenso de todos os muçulmanos. Algum tempo depois, Ibne Abas retirou-se para Taife, e Maomé retornou a Medina.[7]
Durante o cerco omíada a Meca, Almoquetar Atacafi, que se encontrava ao lado de Ibne Zobair, dirigiu-se a Cufa após a morte de Iázide, alegando que o direito ao imamato havia passado para Maomé, conclamando à vingança pelo massacre de Carbala.[28][29] Seus esforços foram reforçados pela derrota da revolta alternativa dos penitentes em 684. Almoquetar tomou o controle de Cufa em 686 de Ibne Zobair.[28] É duvidoso que Almoquetar realmente representasse o quiescente Maomé.[25][30] Ainda assim, diante dessa situação, desenvolvida sem seu conhecimento, Maomé procurou agir com cautela. Embora não confiasse em Almoquetar, também não desejava rejeitá-lo abertamente, pois este havia reunido muitos apoiadores em Cufa. Quando os cufanos lhe perguntaram sobre sua opinião a respeito de Almoquetar e se o havia nomeado seu representante, teria respondido de forma ambígua. Essa resposta, interpretada positivamente por seus interlocutores, facilitou a atuação de Almoquetar,[31][32] o que, por sua vez, fortaleceu o apoio dos cufanos a este último.[2] Este, atribuindo a Maomé o título de mádi, escreveu em seu nome uma carta a Ibraim ibne Alastar, conseguindo assim atraí-lo para seu lado. Maomé, contudo, recusou o uso do título de mádi. Ainda assim, considerando os perigos de romper publicamente com Almoquetar, preferiu manter silêncio a seu respeito (Ibne Sade, V.94, 105).[33]
Mádi
Após a morte de Huceine, Almoquetar provavelmente considerava Ibne Alanafia como o imame legítimo,[34] referindo-se a ele como o uaci (legatário) sobrevivente de Ali, depois de Haçane e Huceine.[35] Almoquetar também se referiu a Ibne Alanafia como o Mádi (lit. "o bem-guiado", isto é, o líder que libertaria os muçulmanos da opressão e difundiria a justiça.[27] Nesse momento, porém, esse título atribuído a Ibne Alanafia provavelmente ainda não possuía conotações messiânicas.[36][37] Em todo caso, diz-se que Ibne Alanafia evitou esse título,[2] pois permaneceu em sua cidade natal, Medina, e recusou a liderança ativa da revolução.[29] Talvez como um indício de sua atitude ambígua em relação à rebelião, afirma-se que Ibne Alanafia teria sido representado em algumas peregrinações posteriores do Haje por seu estandarte pessoal, como chefe da Casa de Ali.[38][26]
Vingança por Huceine
Fiel à sua promessa,[39] Almoquetar matou várias figuras consideradas responsáveis pelo massacre de Carbala, incluindo o governador de Cufa Ibne Ziade e o comandante omíada Omar ibne Sade (m. 686), cuja cabeça teria sido enviada a Ibne Alanafia segundo alguns relatos.[38][40] Também foi morto Xamir ibne Di Aljauxane,[41] frequentemente visto como responsável pela decapitação de Huceine em Carbala.[42][43] Em outro episódio, Murra ibne Munquide Alabedi sobreviveu a uma tentativa de vingança, mas ficou gravemente ferido.[44] Diz-se que ele teria matado o filho de Huceine, Ali Alaquebar.[45][44] Já Asma ibne Carija Alfazari e Maomé ibne Alaxate Alquindi escaparam ilesos de Almoquetar. O último foi procurado por seu papel na morte de Muslim ibne Aquil, e o segundo foi acusado de ter insultado Huceine em Carbala.[46]
Confronto com Ibne Zobair
Em 66 (686), quando Maomé foi a Meca para a peregrinação, Ibne Zobair propôs novamente que ele lhe prestasse juramento de fidelidade, proposta que Maomé rejeitou reiterando a condição do consenso geral dos muçulmanos.[47] Ibne Zobair tentou então forçá-lo. Alguns sugeriram, por isso, que Ibne Alanafia poderia ter suas próprias ambições para o alto cargo.[38] Nesse momento, chegou a notícia de que Almoquetar havia tomado Cufa e convocava o povo a reunir-se em torno de Maomé. Talvez tenha sido essa recusa em prestar o juramento de fidelidade, somada à tomada de Cufa por Almoquetar, que levou o califa mecano a prender Ibne Alanafia.[47] Ibne Zobair enviou Maomé e seus familiares para uma casa próxima ao poço de Zamzam, acumulando lenha ao redor e ameaçando incendiá-la caso não prestassem juramento. Maomé então escreveu a Almoquetar pedindo ajuda e foi resgatado por seus destacamentos militares.[2][48] Diz-se que a missão de resgate foi incruenta, pois Ibne Alanafia havia proibido os homens de Almoquetar de lutar no santuário de Meca.[48] Esse apelo por auxílio sugere que a atitude passiva de Ibne Alanafia em relação a Almoquetar foi exagerada.[38]
Morte de Almoquetar
Após deixar Meca e estabelecer-se por algum tempo em Mina, Maomé não voltou a solicitar auxílio de Almoquetar e, graças a essa atitude, não sofreu represálias após a morte deste em 67/687.[27] Embora chamado por Ibne Zobair a retornar a Meca, preferiu dirigir-se a Taife. Na peregrinação de 68 (688), esteve novamente em Meca. Nesse ano, os peregrinos reuniram-se em Arafate sob quatro estandartes: o de Maomé, o de Ibne Zobair, o dos partidários omíadas e o dos carijitas. Após o haje, Ibne Zobair voltou a convidar Maomé, por intermédio de seu irmão Urua, a prestar-lhe juramento, mas Maomé afirmou não ter intenção de provocar discórdia e, apesar das ameaças, manteve-se firme na recusa. Nesses dias, ao ser convidado pelo califa Abedal Maleque a ir a Damasco, partiu acompanhado de Cutair e outros próximos.[49]
Ao chegar a Aila, foi recebido com manifestações de afeto pela população. Em seguida, Abedal Maleque enviou-lhe uma segunda carta, afirmando que não seria apropriado permanecer em seus domínios sem prestar-lhe juramento, exigindo-lhe ou a baia ou a saída do território. Maomé respondeu reiterando sua posição quanto à necessidade do consenso da comunidade e retornou a Meca, onde permaneceu até o cerco imposto por Alhajaje ibne Iúçufe a Ibne Zobair.[49] Durante o cerco de Meca em 72 (692), Alhajaje enviou-lhe uma mensagem solicitando que prestasse juramento a Abedal Maleque. Maomé recusou novamente, reiterando sua condição, mas após a morte de Ibne Zobair em 73/692, considerou-a satisfeita e prestou baia ao califa.[38] Segundo alguns relatos, ele visitou o califa em Damasco em 692 (ou 697[49]),[50] que o recompensou generosamente.[38][25] Nos anos seguintes, dedicou-se ao ensino em Medina. Maomé faleceu em Medina em Moarrão de 81 (março de 700) e foi sepultado no Cemitério de Albaqui.[49]
Caissanitas
A tentativa de Maomé de manter-se afastado da política costuma ser explicada por motivos religiosos, mas os acontecimentos que atingiram seu pai Ali e seus irmãos Haçane e Huceine certamente o marcaram profundamente. As informações sobre sua relação com Almoquetar são contraditórias: há relatos segundo os quais Almoquetar teria agido assim apenas para reunir apoio popular, sem que Maomé tivesse qualquer ligação com ele, enquanto outros indicam que Maomé teria incentivado seus partidários em Cufa a apoiá-lo e ficado satisfeito com a vingança tomada pela morte de Huceine. Contado entre os grandes sábios de sua época, Maomé beneficiou-se amplamente do ensinamento de seu pai e ouviu hádices de Otomão, Amar ibne Iacir, Abu Huraira e outros companheiros. Entre seus discípulos destacam-se seus filhos Abedalá, Haçane, Ibraim e Aune, aos quais se atribui influência no surgimento das doutrinas irjaista e do itizalita. Registra-se inclusive que os primeiros trabalhos sobre o irjaismo teriam sido iniciados por Maomé e seu filho Haçane. Menciona-se ainda que seu filho mais velho, Abu Haxim, que se tornou imame do grupo caissanita, teria influenciado Uacil ibne Ata, fundador do mutazilismo. Segundo a tradição, Abu Haxim teria legado seu direito ao imamato a Maomé ibne Ali ibne Abedalá ibne Alabás, abrindo assim caminho para o início da propaganda abássida.[51]
Os hoje extintos caissanitas eram uma seita xiita que fazia remontar o imamato a Ibne Alanafia e a seus descendentes.[52][53] A seita surgiu a partir do levante de Almoquetar,[54] cuja morte não pôs fim à propaganda em favor de Ibne Alanafia.[27][55] Os caissanitas condenavam os califas anteriores a Ali como usurpadores de seu direito de suceder ao profeta islâmico Maomé.[56][57] A maioria deles considerava Haçane, depois Huceine e, por fim, Ibne Alanafia como os imames divinamente designados após Ali.[54][57] Quando Ibne Alanafia morreu em 700–701,[2] ou em 703 ou 705,[58] a maioria dos caissanitas seguiu seu filho Abu Haxim,[59] mas alguns acreditaram que Ibne Alanafia havia entrado em ocultação, isto é, que fora providencialmente ocultado da humanidade até sua reaparição por vontade divina.[59] Foi talvez nesse contexto que o conceito do mádi se tornou dominante como o líder escatológico islâmico que erradicaria a injustiça e o mal no fim dos tempos.[60][61][55] Sendo o sobrenome (notável) filho de Ali, a morte de Ibne Alanafia também aprofundou as divisões na comunidade xiita.[62]
É difícil estimar a força numérica dos caissanitas.[63] Tardiamente, durante o período omíada, eles provavelmente superavam em número os xiitas imamitas, que seguiam uma linha de imames huceínidas através de Ali Açajade (Zaine Alabidim) e Maomé Albaquir.[64][65] De fato, Ibne Alanafia e depois seu sucessor Abu Haxim desviaram considerável apoio de Ali Açajade e de seu sucessor Maomé Albaquir, pois nenhum dos dois fez reivindicações públicas ao imamato e ambos permaneceram politicamente quiescentes.[66] O movimento de Almoquetar acabou por abrir caminho para a derrubada dos omíadas,[67] já que os caissanitas forneceram a estrutura organizacional para a bem-sucedida rebelião dos abássidas,[68][69] que reivindicavam descendência do tio paterno de Maomé, Alabás. Eles postularam que Abu Haxim fora sucedido no imamato pelo chefe da família abássida, Maomé ibne Ali ibne Abedalá.[69][70] Essa foi aparentemente a principal alegação abássida de legitimidade até que, por volta de 780, declararam que o herdeiro do profeta islâmico Maomé era seu tio Abas, e não seu primo e genro Ali.[71][69] Os abássidas, assim, voltaram-se gradualmente contra o xiismo dominante,[72][73] levando consigo grandes contingentes de caissanitas para o sunismo.[74]
A seita caissanita dividiu-se em cerca de dez ramos quanto à questão de saber se Maomé realmente morreu, onde se encontrava e a quem o imamato passou posteriormente. Em particular, o grupo dos carbitas sustentava que Maomé não havia morrido, mas vivia no monte Radua, próximo a Medina, onde recebia provisões, era protegido por um leão e um tigre, e que essa situação perduraria até o tempo determinado por Deus, quando ele reapareceria como mádi para estabelecer seu domínio. Essa crença também se reflete na poesia de Cutair e Assaíde Alimiari. Narrativas religioso-épicas que descrevem os feitos heroicos de Maomé, frequentemente em desacordo com os acontecimentos históricos, tornaram-se populares na literatura popular turca sob o título Muḥammad Ḥanafī Cengi, e nos países do Sudeste Asiático influenciados pela literatura persa, com o nome Ḥikāyāt-i Muḥammad Ḥanafiyya.[51]
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