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na serie dos acontecimentos passados, avalia melhor o tempo decorrido
desde aquelle facto etc.
4. Recordação, isto é, procurar propositalmente na memoria um facto esquecido. Só o homem possue a faculdade de recordar porque só elle conhece o esquecido como esquecido. No animal só pode haver recordações improprias, effeitos do acaso.
5. Differença entre a simples imagem, effeito da imaginação, e a imagem que reproduz um facto passado. Quando as distinguimos: (1) a imagem da memoria apresenta-se em geral com outras imagens associadas que dão um fundamento para esta distincção; (2) apresenta-se sempre do mesmo modo; (3) colloca-se espontaneamente na serie dos acontecimentos passados. (4) No homem accrescenta-se o conhecimento intellectual do passado como meio mais poderoso de distincção.
CAPITULO III
Dos sentidos em geral
1. Distincção entre os sentidos. Parece que as differentes actividades dos sentidos, tanto perceptivos como reproductivos, se reduzem a funcções da imaginativa. Conforme o que fica dito no Cap. I. § 3.º, e no Cap. II.º, I B, é a mesma faculdade interna que pelos sentidos externos percebe e pela imaginação reproduz. (NB. Nada importa na presente questão se a imagem é provocada por estimulo externo ou interno). O sentido commum é a imaginação emquanto reune as impressões dos sentidos; o sentido intimo é a mesma emquanto as percebe como suas proprias. Do mesmo modo a memoria não passa de uma funcção da imaginação. Alem disso, a memoria deve tambem perceber objectos presentes, do contrario não os podia relembrar. Emquanto transmitte ao appetite sensitivo impressões correspondentes ás percepções externas, a imaginação identifica-se com a estimativa. O facto de ella perceber notas que o sentido externo não percebeu não prova, que ella seja uma faculdade essencialmente differente.
2. Localisação. A. Na discussão sobre a origem da localisação distinguem-se duas theorias principaes: o nativismo que affirma que o ser sensitivo nasce com a faculdade de distinguir as tres dimensões, e de localisar, de algum modo, os objectos no espaço. O empirismo, pelo contrario, quer explicar toda a localisação, só pela experiencia. Nas suas formas extremas estas duas opiniões já não tem muitos defensores, hoje em dia. Tirando dellas o que cada uma tem de mais acceitavel, a localisação pode ser explicada como segue.
B. E՚ innata a faculdade de distinguir duas dimensões, tanto pela 25