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(p. ex. nos recem-nascidos), e outras que concorrem com actos aliás impostos pela intelligencia (amor de mãe); mas é duvidoso se haja no
homem affeições que por si só o determinam, e ainda mais se haja no
homem imagens innatas que o guiam á maneira das imagens instinctivas dos animaes.
CAPITULO II
Sentidos reproductivos
A imaginação é a faculdade organica que retem, reproduz e combina entre si as representações sensitivas dos differentes sentidos.
A imaginação não retem a propria imagem, mas uma disposição (especie commemorativa), a qual reproduz, quando determinada para isso, uma imagem identica com aquella que antes tiveramos. Cf. a chapa do grammophone. Esta disposição não é puramente material, porque as reproducções por associação não se fazem conforme leis mechanicas; ella reside na faculdade informada, pois as ditas reproducções se fazem conforme as leis psychologicas.
A imaginação pode ainda compor e decompor as imagens recebidas, e como tal é chamada "constructiva". Quando prosegue fins artisticos, chama-se tambem "creadora".
Dintinguem ainda: (a) imagem propriamente dita (as vezes erradamente chamada "idea"). (b) Assimilação: imagens de objectos que só julgamos perceber e que associamos a objectos actualmente percebidos. (c) Allucinações: imagens sem objecto, mas tão vivas que se projectam fora dos sentidos.
Cada sentido possue sua imaginação.
B. Differença entre a imaginação e a percepção externa
Os sentidos externos (a) dependem de um estimulo externo. (b) Suas imagens são incomparavelmente mais claras e (c) completas. (d) Quando applicados aos objectos, seu trabalho é independente da nossa vontade. (e) Trazem a convicção da realidade objectiva. A imaginação, por sua vez, não depende da presença dos objectos, dispõe, á vontade, dos elementos que os sentidos externos forneceram, constitue, por isso, uma faculdade mais alta.
A differença entre as duas faculdades não parece, entretanto, ser essencial senão só gradual. E՚ a mesma faculdade que como sentido