Gleisi Hoffmann

Gleisi Hoffmann
Hoffmann em 2025
Ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Brasil
Período10 de março de 2025
até 3 de abril de 2026
PresidenteLuiz Inácio Lula da Silva
Antecessor(a)Alexandre Padilha
Deputada Federal pelo Paraná
Período1º de fevereiro de 2019
até a atualidade[nota 1]
Legislaturas56ª (2019–2023)
57ª (2023–2027)
Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores
Período5 de julho de 2017
até 7 de março de 2025
Antecessor(a)Rui Falcão
Sucessor(a)Humberto Costa (interino)
Senadora pelo Paraná
Período1º de fevereiro de 2011
até 1º de fevereiro de 2019
[nota 2]
Legislaturas54ª (2011–2015)
55ª (2015–2019)
Ministra-Chefe da Casa Civil do Brasil
Período8 de junho de 2011
até 2 de fevereiro de 2014
PresidenteDilma Rousseff
Antecessor(a)Antonio Palocci
Sucessor(a)Aloizio Mercadante
Diretora financeira da Itaipu Binacional
Período21 de janeiro de 2003
até 29 de março de 2006[1]
PresidenteLuiz Inácio Lula da Silva
Antecessor(a)Rubens Ghilardi
Sucessor(a)Margaret Mussoi Luchetta Groff
Secretária Municipal de Gestão Pública de Londrina
Período2002
até 2003
PrefeitoNedson Micheleti
Secretária de Reestruturação Administrativa do Mato Grosso do Sul
Período1999
até 2000[2]
GovernadorZeca do PT
Dados pessoais
Nascimento6 de setembro de 1965 (60 anos)
Curitiba, Paraná, Brasil
Nacionalidadebrasileira
Alma materFaculdade de Direito de Curitiba
CônjugePaulo Bernardo (c. 1998; div 2019)
PartidoPCdoB (1983-1989)
PT (1989-atualidade)
Religiãocatólica[3]
Profissãoadvogada

Gleisi Helena Hoffmann (Curitiba, 6 de setembro de 1965) é uma advogada e política brasileira, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), é deputada federal pelo Paraná. Foi presidente nacional do seu partido entre 2017 e 2025 e foi ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da presidência da República, no terceiro governo Lula.[4][5][6][7][8]

Foi líder estudantil, chegando à presidência da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES). Formada pela Faculdade de Direito de Curitiba, exerceu diversos cargos no Legislativo e no Executivo entre 1988 e 2003 e foi diretora financeira da Itaipu Binacional de 2003 a 2006. Elegeu-se senadora da República[9] pelo estado do Paraná em 2010, exercendo o mandato até 2019, e foi ministra-Chefe da Casa Civil de 2011 a 2014, no primeiro governo Dilma Rousseff.[10]

No Senado Federal, presidiu em 2016 a Comissão de Assuntos Econômicos e, em outubro do mesmo ano, foi eleita vice-presidente da comissão de assuntos econômicos do Parlamento do Mercosul.[11][12] Foi líder do seu partido na casa, deixando a representação após assumir a presidência do PT.[13]

Em 2018 elegeu-se deputada federal e foi reeleita nas eleições de 2022, sendo a segunda mais votada no Paraná, atrás apenas do candidato Deltan Dallagnol (NOVO).[14][15]

Primeiros anos e infância

A família Hoffmann (da esquerda para a direita): o pai, Júlio; a mãe, Dona Gegê; e a filha Gleisi, criança.

De família de origem alemã, recebeu o nome de Gleisi em referência a Grace Kelly.[16] Viveu a infância e adolescência na Vila Lindoia, bairro de Curitiba, ao lado do pai Júlio Hoffmann, da mãe Getúlia Adga e dos três irmãos: Bertoldo Paulo (engenheiro), Juliano Leônidas (veterinário) e Francis Mari (administradora de empresas).[16][17][18]

A mãe, Getúlia Agueda,[19] Dona Gegê como é mais conhecida,[20] era cabeleireira e seu pai, já falecido, foi um agricultor nascido em Mafra, no norte de Santa Catarina[21] e que morou trinta anos na capital paranaense onde foi representante comercial.[22] Seu avô era o catarinense Bertholdo Hoffmann e seu bisavô foi o imigrante silesiano Julius Hoffmann.[23]

Movimento estudantil e formação acadêmica

Gleisi recebeu educação básica no Colégio Nossa Senhora Esperança, administrado pelas irmãs bernardinas, onde permaneceu até a oitava série.[16] Em seguida, integrou o Colégio Medianeira, de formação jesuítica.[16] Gleisi considerou a educação recebida como uma fase importante da formação de suas convicções: "Fui estudar no Medianeira e fui estimulada pelo próprio colégio a pensar politicamente. Entendi que a visão cristã de igualdade e fraternidade poderia se materializar por meio da ação política."[17] Durante a adolescência, influenciada pelo discurso da Teologia da Libertação,[16] até pensou em seguir a vida como freira na sede do convento da Congregação do Colégio Nossa Senhora da Esperança, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, mas foi impedida pelo pai.[16]

Foi integrante da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de Curitiba (Umesc) e ingressou no curso de Eletrotécnica no Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-PR), atual Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), onde desenvolveu a militância estudantil e foi eleita presidente da Umesc e, posteriormente, presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES) e ainda assumiu a direção da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).[16] No Cefet, onde esteve um ano e meio, ajudou a reorganizar o Grêmio Estudantil após a redemocratização do Brasil.[17]

Em 1987 iniciou o curso de direito na Faculdade de Direito de Curitiba. Após concluir a graduação, cursou MBA em Gestão de Organizações Públicas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, em 2000, e especialização em Administração Financeira[24] pela Faculdade de Administração e Economia do Paraná (FAE) em 2005, em Curitiba.[8]

Realizou ainda diversos cursos, como, por exemplo, de Orçamento Público pela Associação Brasileira de Orçamento Público (ABOP), em Curitiba, em 1997, Gestão de Finanças Públicas pela Escola Superior de Assuntos Fazendários do Ministério da Fazenda (ESAF/MF), em 2000,[16] e Finanças Públicas e Programação Financeira, pelo Instituto do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Brasília, em 2000.[8]

Carreira profissional

Advogada,[8] atuou como assessora na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) de 1988 a 1989, na Câmara Municipal de Curitiba de 1989 a 1993 e na Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, em Brasília, de 1993 a 1998.[17]

Ainda durante o período de sua graduação, passou a atuar como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná em 1988.[25] Em seguida, integrou a assessoria do então vereador Jorge Samek (PMDB), de Curitiba, o mesmo que a levou para a Itaipu Binacional e, mais tarde, ao Partido dos Trabalhadores (PT).[25] Na câmara teve contato com associações de bairros e com movimentos populares da região metropolitana da capital paranaense.[17][26]

Em 1993, Gleisi foi convidada para trabalhar em Brasília, onde conheceu Paulo Bernardo, com quem se casaria em 1998.[23] Quando o então ex-deputado federal Lula era presidente do PT, foi assessora parlamentar no Congresso Nacional, participando da equipe de técnicos da Comissão de Orçamento e também colaborou com a equipe do Instituto de Cidadania.[17]

Em 1999 foi nomeada diretora de Administração e Finanças e Secretária Executiva de Gestão Financeira do estado do Mato Grosso do Sul. Ocupou o cargo até outubro de 2000 quando foi nomeada para a Secretaria Extraordinária Estadual de Reestruturação e Ajuste, durante a gestão do governador Zeca do PT.[16][2] No executivo sul-mato-grossense liderou uma reforma administrativa no governo, onde atuou para sanar uma crise financeira e organizacional. Sua gestão foi marcada pelo enxugamento da máquina pública, resultando na redução de 30% dos cargos comissionados e na demissão de cerca de 1.500 funcionários, medidas fundamentais para modernizar a estrutura, regularizar salários atrasados e reformar a previdência estadual.[16][2]

Em 2002, foi nomeada para comandar a recém criada pasta da Secretaria Municipal de Gestão Pública da prefeitura de Londrina, no norte do Paraná, na gestão de Nedson Luiz Micheleti.[27][28] Em Londrina buscou a modernização da gestão pública municipal, iniciou a discussão do plano de carreira para os servidores da prefeitura e estabeleceu o pregão eletrônico, gerando uma economia de aproximadamente em 30% nos gastos municipais.[17][23][29]

Carreira política

O primeiro contato com o mundo político foi com o seu avô, que a influenciou inicialmente, despertando assim o seu interesse por política e movimentos sociais.[22] Em 1983,[16] aos 17 anos,[23] Gleisi teve o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) como o primeiro partido político, influência de sua atuação no período do movimento estudantil.[25] Nessa época, recebeu influências de seus livros de cabeceira, As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, e Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, conforme revelação ao jornalista Aroldo Murá Haygert no livro Vozes do Paraná 2.[16]

O vereador Jorge Samek foi para o PT em 1989 e convidou Gleisi para filiar-se ao partido fundado em São Paulo. A então assessora aceitou ao convite e filiou-se ao movimento de esquerda fundado por militantes, sindicalistas e intelectuais de oposição à Ditadura Militar. Integrante então do PT desde 1989, compôs, de 2002 a 2003, a equipe de transição de governo de Luiz Inácio Lula da Silva.[29] Sua aproximação com o governo federal rendeu a sua nomeação em 2003 para o cargo de diretora financeira da Itaipu Binacional, quando a entidade passou a ser presidida por Samek.[17]

Gleisi foi ganhando espaço politicamente, principalmente dentro do partido, tornando-se Secretária Estadual de Mulheres e membro do Diretório Nacional do PT. Em 2008 consolida-se como um importante nome no cenário do PT paranaense, sendo eleita presidente do partido no Paraná. Em 2009 foi responsável por reorganizar o partido no estado, percorrendo mais de 200 municípios.[9]

Diretora da Itaipu Binacional

Sua aproximação com o governo federal rendeu a sua nomeação em 2003 para o cargo de diretora financeira da Itaipu Binacional, quando a entidade passou a ser presidida por Jorge Samek. Foi nomeada em 21 de janeiro de 2003 em substituição a Rubens Ghilardi.[30] A diretoria financeira era responsável, naquele período, por um orçamento anual superior a 3 bilhões de dólares, administrando operações em três moedas, real, guarani e dólar, em razão do caráter binacional da empresa, compartilhada entre Brasil e Paraguai.[17] Durante sua gestão, foram implementadas medidas estruturantes, como a modernização administrativa e de controle financeiro, com integração dos sistemas de gestão econômica da usina e a adoção de mecanismos mais transparentes de compras públicas, incluindo o uso do pregão eletrônico, buscando maior eficiência e economia na gestão de recursos da hidrelétrica.[17][31]

Em Itaipu, Gleisi tornou-se a primeira mulher a ocupar um cargo de diretoria na história da empresa, que então completava três décadas de existência.[31] Além da gestão financeira, sua atuação ficou marcada pelo fortalecimento das políticas socioambientais da usina, que passaram a receber investimentos significativos e a integrar a estratégia institucional da empresa. Nesse período, foram estruturados projetos voltados à saúde, educação e proteção social na região da tríplice fronteira, incluindo programas de combate à exploração sexual infantil, iniciativas de saúde preventiva e campanhas de vacinação infantil em comunidades vulneráveis.[16][31]

Entre as iniciativas de maior impacto social esteve a reestruturação do Hospital Ministro Costa Cavalcanti, originalmente voltado ao atendimento de trabalhadores da usina, mas que passou a ampliar o acesso ao atendimento público para a população da região. Também foi criada a Casa Abrigo de Foz do Iguaçu, espaço destinado ao acolhimento de mulheres e crianças vítimas de violência doméstica, oferecendo suporte social e psicológico. No âmbito interno da empresa, foram desenvolvidas políticas de valorização do trabalho feminino e de equidade de gênero, incluindo programas voltados às funcionárias e medidas de conciliação entre trabalho e vida familiar.[31] A gestão de Gleisi também contribuiu para consolidar o setor de responsabilidade social da empresa e fortalecer iniciativas de cooperação na região de fronteira entre Brasil e Paraguai, ampliando o papel de Itaipu como agente de desenvolvimento regional. Permaneceu no cargo até março de 2006, quando deixou a diretoria para disputar seu primeiro cargo eletivo no Paraná.[16][31] Foi substituída por Margaret Mussoi Luchetta Groff.[32][33]

Candidata ao Senado Federal

Nas eleições de 2006 concorreu ao Senado Federal e obteve cerca de 45% dos votos válidos, ficando em segundo lugar na disputa. Na disputa por uma vaga não obteve êxito apesar de expressiva votação, perdendo para a reeleição de Alvaro Dias.[27]

Candidata a Prefeitura de Curitiba

Em 2008 candidatou-se à prefeitura de sua cidade natal, Curitiba, obtendo o segundo lugar com 18,17% do votos nas eleições de 5 de outubro de 2008,[34] sendo derrotada por Beto Richa do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).[25] A disputa ficou polarizada entre Richa e Hoffmann,[35] concorrendo também ao comando do executivo municipal candidatos como: Carlos Moreira Júnior do PMDB (1,90% dos votos), Maurício Furtado do PV (0,88% dos votos) e Ricardo Gomyde do PCdoB (0,71% dos votos).[36]

Senadora pelo Paraná

Foto oficial como Senadora
Pronunciamento da Senadora Gleisi Hoffmann no plenário do Senado durante sessão deliberativa ordinária.

Em 2010 disputou novamente o cargo de senadora, elegendo-se desta vez como a primeira mulher no Paraná e a mais votada no pleito,[9][16] juntamente com Roberto Requião (PMDB), que obteve o segundo lugar.[37] Seu primeiro suplente foi Sérgio Souza, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e seu segundo suplente foi Pedro Irno Tonelli (PT).

Quando senadora, criou um projeto de lei que extingue os 14º e 15º salários dos parlamentares. Depois de dois anos em tramitação no Congresso, o projeto foi aprovado pela casa em fevereiro de 2013.[38] O projeto previu uma redução nos custos de quase R$32 milhões.[39]

Em novembro de 2015, votou contra a prisão de Delcídio Amaral.[40] Já em 8 de março de 2016, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado elegeu a senadora para presidir o colegiado em substituição ao senador petista Delcídio do Amaral (MS).[41]

Gleisi se posicionou contrária ao impeachment de Dilma Rousseff e declarou que o Senado Federal não tinha moral para julgar a Presidente, o que gerou revolta em muitos senadores.[42] Por causa do ocorrido, a senadora Ana Amélia (PP-RS) chegou a entrar com uma representação contra Gleisi no Conselho de Ética do Senado.[43]

Em fevereiro de 2017 foi escolhida pelo seus correligionários para liderar a bancada do PT no Senado durante o ano de 2017, substituindo o senador Humberto Costa (PE).[44] No mesmo mês, Gleisi se posicionou contrária ao foro privilegiado. "Minha posição pessoal – não como bancada –, eu sou contra o foro privilegiado. Acho que todos têm que ter o mesmo tratamento perante a Justiça, independente do cargo que ocupam, e a Justiça não tem que fazer política. Em segundo lugar, acho que o Congresso tem que debater, o Supremo está legislando muito.", afirmou.[45]

Ainda no Senado, atuou para ampliar o combate à violência e à discriminação contra as mulheres, fortalecendo mecanismos da rede de proteção previstos na Lei Maria da Penha. O Projeto de Lei 7181/17, institui o programa Patrulha Maria da Penha, a ser executado pelos órgãos de segurança dos estados e do Distrito Federal para acompanhar casos em que a Justiça conceda medidas protetivas a mulheres vítimas de violência doméstica. A iniciativa prevê visitas periódicas às residências das vítimas para fiscalizar o cumprimento das medidas e prevenir novas agressões, podendo contar também com a participação das guardas municipais.[46]

Ministra-chefe da Casa Civil

Gleisi Hoffmann com a presidente Dilma Rousseff e o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo

Com o pedido de demissão de Antonio Palocci em 7 de junho de 2011, Gleisi foi, no mesmo dia, indicada ministra-chefe da Casa Civil,[47] e tomou posse no dia seguinte em cerimônia no Palácio do Planalto.[48] Em sua vaga no Senado Federal assumiu seu primeiro suplente Sérgio Souza (PMDB).[49]

Gleisi Hoffmann na 10 ª edição do Congresso Internacional Brasil Competitivo em 2012

Classificada como de perfil técnico,[50][51] a ministra em uma análise pessoal de seu desempenho na administração federal indagou sua pouca experiência naquele âmbito e lamentou não poder concluir todas a propostas pertinentes, como finalizar as concessões de rodovias e aeroportos.[52]

Gleisi afirmou em dezembro de 2013 que a presidente Dilma Rousseff pretendia realizar uma reforma ministerial em 2014 e que provavelmente iria deixar a pasta, podendo concorrer as eleições ao governo do Paraná.[52] Gleisi deixou a Casa Civil em fevereiro de 2014[53] e retornou ao Senado.[54] Foi sucedida por Aloizio Mercadante.[55]

Candidata ao governo do Paraná

Em março de 2014, em comitiva com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi anunciada a pré-candidatura de Gleisi ao governo do Paraná.[56] Na eleição de 2014, foi candidata ao governo do Estado pela coligação Paraná Olhando pra Frente, formada pelo PT, Partido Democrático Trabalhista (PDT), PCdoB, Partido Trabalhista Nacional (PTN) e pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB), tendo o médico Haroldo Ferreira, do PDT, como companheiro de chapa.[57] A dupla alcançou 881.857 votos no primeiro turno (14.87% do total de votos válidos), terminando a disputa na terceira colocação, atrás do governador Beto Richa, que acabou reeleito, e do senador Requião.[58]

Presidência do PT

Cerimônia de posse de Gleisi na presidência do PT

Gleisi esteve na presidência do Partido dos Trabalhadores (PT) de 2017 até 2025, onde buscou a reorganização interna do partido e resultados eleitorais. Em abril de 2017, Gleisi foi lançada ao comando da sigla pela corrente majoritária Construindo um novo Brasil (CNB), com o apoio do ex-presidente Lula. A eleição ocorreu durante o 6º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, que aconteceu no início de junho.[59][60] Teve como adversário na disputa o senador fluminense Lindberg Farias, do campo Muda PT.

Acabou eleita em 3 de junho ao receber os votos de 61% dos delegados, substituindo, portanto, Rui Falcão e tornando-se a primeira mulher na presidência nacional do partido, com mandato até 2019.[61] Durante o seu primeiro momento de fala como presidente, Gleisi ressaltou: "tenho uma grande responsabilidade por ser a primeira mulher a presidir o PT."[59] Hoffmann assumiu a presidência do partido em um contexto, em que a presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment e que a força eleitoral da sigla foi reduzida significativamente, conforme mostraram as eleições municipais de 2016, o que gerou uma forte crise interna.[62] Atuou na articulação entre grupos e lideranças históricas, sendo vista como figura importante para costurar consensos dentro do partido, entre as diferentes correntes internas.

Manifestação em frente ao STF durante julgamento de habeas corpus preventivo para Lula

Foi durante sua gestão no comando do partido, que o ex-presidente Lula foi preso em regime fechado na sede da Polícia Federal em Curitiba. O PT e movimentos sociais se organizaram na criação Comitê Internacional de Solidariedade em Defesa de Lula e a Democracia no Brasil, mantendo vigília em frente à sede da PF, pedindo sua liberdade.[63][64] Lula fez da petista uma "espécie de porta-voz" ao lado de fora da prisão.[62] Durante a segunda condenação de Lula, Gleisi alegou que "uma segunda condenação a jato foi proferida, exatamente quando cresce a possibilidade de Lula ser Nobel da Paz".[65]

Como presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann foi à posse de Nicolás Maduro como presidente da Venezuela em janeiro de 2019, o que causou críticas dentro e fora do PT, pela crise democrática enfrentada pelo país, sob o comando de Maduro.[66][67] Durante o governo de Jair Bolsonaro, Gleisi Hoffmann consolidou o PT como a principal força de oposição de esquerda ao liderar críticas à gestão federal, articular alianças com outros partidos progressistas, mobilizar movimentos sociais e atuar na defesa pública de Luiz Inácio Lula da Silva perante seus processos judiciais.

Gleisi Hoffmann em 2025.

Durante o 7º Congresso do partido, realizado novembro de 2019 na cidade de São Paulo, Gleisi foi reeleita presidente nacional do PT, com mandato até 2021. Candidata pela CNB, corrente majoritária, recebeu 71% dos votos, derrotando Margarida Salomão e Valter Pomar.[68][69] Sob a liderança partidária de Gleisi Hoffmann, a condução do PT nas eleições de 2022 foi marcada pela ampliação de alianças com partidos de esquerda e forças democráticas, culminando na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e no retorno da sigla ao governo federal. Em fevereiro de 2023, o Diretório Nacional do PT renovou os mandatos das direções nacional e estaduais do partido por dois anos, com isso, Gleisi continuou na presidência do PT até 2025. A atuação a frente do partido consistiu em fortalecer a comunicação política da sigla e coordenar seus congressos, promovendo simultaneamente a mobilização da militância e a articulação estratégica com sindicatos e movimentos sociais.[70] Com o fim de seu ciclo na presidência do PT, a sucessão interna passou a ser um dos principais temas dentro da legenda. Gleisi Hoffmann, manifestou apoio ao nome de Edinho Silva como possível sucessor na direção nacional do partido. Ex-prefeito de Araraquara, Edinho foi visto por Gleisi e por setores da direção petista como um quadro capaz de manter a unidade interna da legenda e conduzir o partido na nova etapa política do país, especialmente no período de sustentação ao governo do presidente Lula e na preparação para as próximas disputas eleitorais. O apoio de Gleisi foi interpretado como um movimento para garantir continuidade na linha política adotada durante sua gestão e fortalecer um nome com trânsito entre diferentes correntes internas do PT.[71]

Câmara dos Deputados

Deputada Gleisi Hoffmann cumprimenta parlamentares e autoridades estrangeiras na Posse Presidencial de Lula em 2023.

Nas eleições de 2018, foi eleita deputada federal.[72] Foi a mulher mais votada como deputada federal pelo Paraná nas eleições de 2018, além de ter sido a terceira parlamentar mais votada no estado e a mais votada de seu partido (PT) no Paraná e em todo o Brasil.[73][74][75] Respeitada entre os correligionários,[76] no dia 1º de fevereiro de 2019 Hoffmann tomou posse como deputada federal pelo Paraná, sendo vaiada por adversários políticos juntamente com a colega Maria do Rosário.[77]

Crítica ferrenha ao Governo Bolsonaro,[78] a curitibana articulou com demais partidos a formação de um bloco de oposição e defendeu fazer um firme enfrentamento aos governistas.[79] As primeiras propostas apresentadas pela congressista foram sobre a redução e fixação do valor de gás de cozinha, o aumento do salário mínimo e a isenção de imposto de renda para as pessoas físicas que recebem até cinco salários mínimos.[80]

Na eleição presidencial em 2022 foi uma das principais articuladoras da campanha de Lula.[81] Nas eleições estaduais foi reeleita deputada federal pelo Paraná, sendo a segunda deputada mais bem votada nas eleições no estado, com 261.242 votos.[15][82] Foi considerada entre os 100 mais influentes parlamentares do Congresso Nacional, de acordo com a avaliação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).[83][84] No dia 17 de maio de 2023, Hoffmann e outros parlamentares ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram indicados por Zeca Dirceu para participarem da oposição na CPI do MST.[85]

Durante o seu segundo mandato na Câmara dos Deputados, sua atuação foi marcada pela apresentação de projetos voltados à ampliação de direitos sociais e à proteção de grupos vulneráveis. Entre suas propostas destacam-se iniciativas para garantir proteção previdenciária a donas de casa de baixa renda e assegurar apoio a agricultores familiares atingidos por desastres naturais. Também apresentou projetos relacionados à regulação de atividades com impacto social, como a restrição à publicidade de apostas esportivas.

Ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais

A ministra Gleisi Hoffmann com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Em 28 de fevereiro de 2025, o Palácio do Planalto informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidou Hoffmann para assumir a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, pasta responsável pela articulação política do governo. Ela substituiu Alexandre Padilha (PT/SP), que assumiu o Ministério da Saúde no lugar de Nísia Trindade Lima. A posse foi realizada em 10 de março.[86] Em uma rede social, Lula comentou a escolha de Gleisi para a Secretaria de Relações Institucionais, afirmando que a parlamentar "vem para somar".[87]

Durante o período que esteve a frente a pasta, atuou em diversas pautas, entre elas, isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000, o fim da escala 6x1,[88][89] e, defendeu e trabalhou, junto com o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, no enfrentamento ao feminicídio como prioridade nacional.

É um problema cultural da nossa sociedade, que vem da educação. Não tem 100 anos que as mulheres entraram no mundo público e da iniciativa privada e que saíram das suas casas para entrar em empresas, na área política.

Gleisi, durante o seminário Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres em 2026.[90]

Comandou a articulação política que permitiu a aprovação da PEC da Segurança Pública na Câmara dos Deputados, que visa estabelecer o Sistema Único de Segurança Pública e combater o crime organizado.[91][92][93] Em 21 de janeiro de 2026, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, anunciou pré-candidatura ao Senado Federal pelo Paraná nas eleições do mesmo ano, devendo deixar o cargo em 31 de março.[94]

Vida pessoal

Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias.

O primeiro matrimônio de Gleisi Hoffmann foi com o jornalista Neilor Toscan, em 1990, e foram casados por seis anos.[24][23] Em 1998 casou com o político Paulo Bernardo,[95] e juntos tiveram dois filhos (João Augusto e Gabriela Sofia).[16][24] Gleisi e Paulo, formaram o primeiro casal ministerial da República, sendo assim algumas vezes lembrados pela imprensa.[23] Revezando entre Brasília e Curitiba, a família, em Curitiba, residia no bairro Água Verde.[9] Em agosto de 2019, Gleisi anunciou a separação de Paulo Bernardo.[96][97][98] Em março de 2020 assumiu o relacionamento com o político Lindbergh Farias.[99][100][101][102]

Desempenho eleitoral

Ano Eleição Partido Cargo Votos % Resultado Ref
2006 Estaduais no Paraná PT Senadora 2.299.088 45,14% Não eleita [103]
2008 Municipal de Curitiba Prefeita 183.027 18,17% Não eleita [104]
2010 Estaduais no Paraná Senadora 3.196.468 29,50% Eleita [105]
2014 Estaduais no Paraná Governadora 881.857 14,87% Não eleita [106]
2018 Estaduais no Paraná Deputada Federal 212.513 3,71% Eleita [107]
2022 Estaduais no Paraná 261.247 4,26% Eleita [108]

Controvérsias

Operação Lava Jato - indiciamento e absolvição

Operação Lava Jato

O doleiro Alberto Youssef, condenado por corrupção passiva na ação penal dos desvios da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato, afirmou em delação premiada que a campanha política de Gleisi Hoffmann nas eleições de 2010 recebeu R$ 1 milhão.[109] Paulo Roberto Costa também condenado, confirmou a acusação e o valor. Segundo artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, "Youssef era parceiro do deputado federal André Vargas, que fazia parte do mesmo grupo político de Gleisi e do marido, Paulo Bernardo.[110] Gleisi e Paulo Bernardo negam as acusações.[111] Segundo o jornal Folha de S. Paulo, seu nome foi citado em janeiro de 2015 na delação premiada da Operação Lava Jato.[112] Em 6 de março de 2015, o nome de Gleisi foi incluído na lista de políticos envolvidos na Operação Lava Jato,[113] e o ministro Teori Zavascki do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a instauração do Inquérito PET-5257, bem como a realização de diligências.[114] Um julgamento realizado pelo STF em 23 de setembro de 2015 decide que Gleisi Hoffmann não será investigada pela força-tarefa da Lava-Jato. O argumento do relator do caso, o ministro Dias Toffoli, é que a Lava-Jato se dedica à corrupção na Petrobras e não em outros setores.[115]

Indiciada pela PF e denunciada pelo MPF

Em março de 2016, a Polícia Federal indiciou Gleisi Hoffmann por corrupção passiva, na Operação Lava Jato, ao concluir que Gleisi e seu marido, o ex-ministro das Comunicações no governo Dilma, Paulo Bernardo, receberam R$ 1 milhão de propina oriunda de contratos da Petrobras.[116][117]

Em 7 de maio de 2016, foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) na Operação Lava Jato, juntamente com o marido Paulo Bernardo e o empresário Ernesto Kruger Rodrigues,[118] acusada de envolvimento em propinas na Petrobras.

Julgamento no STF e absolvição

Em 27 de setembro de 2016, a segunda turma do Supremo Tribunal Federal por unanimidade, aceitou a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra Gleisi na Operação Lava Jato.[119][120][121]

Em 19 de junho de 2018, Gleisi foi julgada e absolvida pela segunda turma do Supremo Tribunal Federal das acusações de corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. A segunda turma considerou que não há provas contra Gleisi e seu marido Paulo Bernardo e os dois foram absolvidos, assim como o empresário Ernesto Kugler Rodrigues, apontado como emissário do casal.[122][123]

Condecorações

Sua atuação na gestão pública lhe rendeu reconhecimento nacional, tendo recebido uma série de honrarias. Em 2003 foi agraciada com Honra ao Mérito, Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Foz do Iguaçu/PR, tendo no mesmo ano recebido na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná a Láurea de Homenagem e Reconhecimento-Movimento Pró-Paraná. Em 2005 recebeu o Certificado de Personalidade Amiga da Criança e da Cidadania, Associação de Futsal Planeta Bola - Francisco Beltrão/PR. Já em 2006 recebeu Agradecimento Público da Administração, Centro de Ensino Superior de Foz do Iguaçu/PR (CESUFOZ), e Homenagem ao Dia Internacional da Mulher, na Câmara Municipal de Curitiba, além da Medalha João Paulo II - Dedicação, atenção e compromisso em favor do Povo Paranaense, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional Sul II.

Em 2007 recebeu a Honra ao Mérito, da Federação Comunitária das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana (FEMOCLAM), e, Moção nos 21 anos de fundação da Federação Comunitária das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana (FEMOCLAM), na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná - Curitiba/PR. Em 2008, Menção Honrosa nos 25 anos da Fundação da Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia (APACN), Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. Voto de Louvor e Congratulações nos 22 anos da Federação das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana (FEMOCLAM), Câmara Municipal de Curitiba, também em 2008. em 2009 recebeu o título de Cidadã Honorária de São João do Triunfo - Lei Municipal 12/02/2009, Câmara Municipal de São João do Triunfo/PR.

Outras honrarias de destaque, tais como: Comenda da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, Grã-Cruz, em 2011.[124][125] Troféu “Mulher Simplesmente Mulher", Associação Comercial do Paraná, 2012.[126][127] Ordem do Mérito Militar, Grau de Grande-Oficial, 2012.[128] Troféu “Cooperativas – Orgulho do Paraná”, 2012.[129] Medalha da Inconfidência, 2013.[130] Ordem do Mérito Aeronáutico, 2013.[131] Prêmio Destaque A Lavoura, Sociedade Nacional da Agricultura, 2013.[132][133] Cidadã Honorária de Paranavaí/PR, 2014.[134] Comenda “Mulher Cidadã” Ednalva Bezerra, 2021.[135] Título de Cidadania Piauiense, 2023.[136] Medalha Tiradentes, 2023.[137] Ordem de Rio Branco - Grande Oficial, 2023.[138] Título de Cidadã do Recife, 2024.[139] Homenagem em reconhecimento pelas contribuições aos trabalhadores do Paraná, União Geral dos Trabalhadores - Paraná, 2025.[140] Prêmio Mulheres Exponenciais 2026, categoria Governança.[141] Comenda Ceci Cunha, 2026.[142]

Obras publicadas

  • O PT no Senado (2017).[143]
  • Muitos desafios e um compromisso (2017).[144]
  • Brasil: a hora da competitividade (2013).[145]
  • Sem favor ou generosidade (2011).[146]

Notas

  1. Licenciada desde 10 de março de 2025 para assumir a Secretaria de Relações Institucionais do Brasil.
  2. Licenciada entre 8 de junho de 2011 a 2 de fevereiro de 2014 para assumir o Ministério da Casa Civil

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Ligações externas

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