Vitória de França

 Nota: Para a filha do rei Henrique II de França e da rainha Catarina de Médici, veja Vitória da França (1556).
Vitória
Filha da França
Retrato por Jean-Marc Nattier, 1748
Dados pessoais
Nascimento11 de maio de 1733
Palácio de Versalhes, Versalhes, França
Morte7 de junho de 1799 (66 anos)
Trieste, Itália
Sepultado em20 de janeiro de 1817[1]
Basílica de Saint-Denis,
Seine-Saint-Denis, França
Nome completo
Maria Luísa Teresa Vitória (em francês: Marie-Louise-Thérèse-Victoire)[2]
CasaBourbon
PaiLuís XV de França
MãeMaria Leszczyńska
ReligiãoCatolicismo
AssinaturaAssinatura de Vitória
Brasão

Maria Luísa Teresa Vitória[2] (em francês: Marie-Louise-Thérèse-Victoire; Versalhes, 11 de maio de 1733Trieste, 7 de junho de 1799) foi uma princesa da França,[nota 1] sétima filha, a quinta menina, do rei Luís XV e da rainha Maria Leszczyńska.

Chamada de Madame Cinquième ('Madame Quinta') por ser a quinta filha do rei, Vitória ficou mais conhecida como Madame Vitória. Ela vivia na Corte com suas irmãs, quase todas solteiras, e juntas eram conhecidas como as Mesdames. Ela e sua irmã, Madame Adelaide, se opuseram fortemente à rainha Maria Antonieta e, no início da Revolução Francesa, se exilaram na Itália.[4]

Primeiros anos

Madame Vitória na infância, com um retrato de seu pai, o rei Luís XV, de pintor desconhecido, por volta de 1743

Vitória nasceu no Palácio de Versalhes em 11 de maio de 1733. Ela foi a sétima filh, a quinta menina, do rei Luís XV de França e da rainha Maria Leszczyńska. Ao contrário dos filhos mais velhos do rei, Madame Vitória não foi criada no Palácio de Versalhes. Em junho de 1738, ela foi enviada para viver na Abadia de Fontevraud com suas irmãs mais novas, pois o custo de criá-las em Versalhes, com todo o estatuto a que tinham direito, foi considerado muito caro pelo Cardeal Fleury, principal ministro de Luís XV. Ela permaneceu lá até 1748, quando tinha quinze anos.

De acordo com Madame Campan, as Mesdames tiveram uma educação bastante traumática em Fontevraud e não receberam muita instrução: "O Cardeal Fleury, que na verdade teve o mérito de restabelecer as finanças, levou esse sistema de economia tão longe que obteve do Rei a supressão da casa das quatro princesas mais novas. Elas foram criadas como meras pensionistas em um convento a oitenta léguas da Corte. Saint-Cyr teria sido mais adequado para a recepção das filhas do Rei. Porém, provavelmente o Cardeal compartilhava alguns desses preconceitos que sempre se apegam até mesmo às instituições mais úteis e que, desde a morte de Luís XIV, haviam sido levantados contra o nobre estabelecimento de Madame de Maintenon. Madame Luísa costumava me assegurar que, aos doze anos, ela não dominava o alfabeto inteiro e nunca aprendeu a ler fluentemente até após seu retorno a Versalhes. Madame Vitória atribuía certos paroxismos de terror, que nunca conseguiu superar, aos violentos sustos que experimentou na Abadia de Fontevraud, sempre que era enviada, como penitência, para rezar sozinha no mausoléu onde as irmãs estavam enterradas. Um jardineiro da abadia morreu enlouquecido. Sua moradia, fora das muralhas, ficava perto de uma capela da abadia, onde as Mesdames eram levadas para rezar pelas almas dos moribundos. Suas orações foram interrompidas mais de uma vez pelos gritos do homem moribundo."[5]

Na Corte de Luís XV

Em 24 de março de 1748, aos quinze anos e já considerada adulta, Vitória escreveu ao seu pai e obteve com sucesso permissão para retornar à Corte. Luís XV designou três damas de honra para atendê-la e a Duquesa de Duras, para buscá-la e acompanhá-la, encontrando-a com seu irmão, o Delfim, em Sceaux.[6] Em novembro de 1750, ela foi acompanhada por suas irmãs Sofia e Luísa.[6]

O quarto de Madame Vitória no Palácio de Versalhes
A biblioteca de Madame Vitória no Palácio de Versalhes

Ao chegarem à Corte, não foram incluídas no séquito de suas irmãs mais velhas Henriqueta e Adelaide, as Mesdames aînées ('Mesdames mais velhas'), mas receberam sua própria Casa, a das Mesdames cadettes ('Mesdames mais novas'), chefiada pela Duquesa de Duras.[7]

Embora sua educação tivesse sido negligenciada no convento, elas aparentemente compensaram isso e estudaram de forma intensiva após seu retorno à Corte, incentivadas por seu irmão, com quem formaram uma forte ligação: "Quando as Mesdames, ainda muito jovens, retornaram à Corte, desfrutaram da amizade de Monsenhor o Delfim, e aproveitaram seus conselhos. Dedicaram-se ardentemente aos estudos, e abandonaram quase todo o seu tempo a isso; passaram a escrever corretamente em francês e adquiriram um bom conhecimento de história. O italiano, o inglês, as ramas mais elevadas da matemática, marcenaria e relojoaria preencheram, por sua vez, os momentos de lazer."[5]

Vitória de França, como o elemento da Água
Jean-Marc Nattier, 1751, Museu de Arte de São Paulo

Vitória fez sucesso na Corte com sua autoconfiança e charme, e seu pai a considerava uma beldade; foi descrita assim: "Madame Vitória era bonita e muito graciosa; sua postura, semblante e sorriso estavam em perfeito acordo com a bondade de seu coração",[5] e "seus belos, suaves e ternos olhos castanhos, pele fresca [...] e um sorriso radiante transmitiam a impressão de felicidade e saúde, que, juntamente com seu desejo de agradar, irradiava de toda a sua personalidade".[6] Em 1753, sugeriu-se que ela pudesse eventualmente se casar com o rei Fernando VI da Espanha, pois sua esposa, Bárbara de Bragança, estava gravemente doente e esperava-se que morresse. Contudo, a rainha espanhola sobreviveu à sua doença e viveu mais cinco anos. Nenhum outro parceiro de casamento com religião e estatuto adequados foi encontrado, e Vitória permaneceu solteira.[5][8][9][10][11][12]

Vitória, assim como suas irmãs, mantinha uma relação muito próxima com seu irmão, via sua mãe como modelo e seguiu sua irmã Madame Adelaide em sua campanha contra a influência de Madame de Pompadour e, mais tarde, Madame du Barry. Também tinha uma amizade íntima com sua dama de companhia favorita, a Marquesa de Durfort, que "oferecia à Madame Vitória uma amizade agradável. A Princesa passava quase todas as suas noites com essa dama e acabou se considerando domiciliada com ela."[5] Em contraste com sua irmã mais velha Adelaide, Vitória foi descrita como "boa, doce, afável" e bem-quista tanto pela sociedade quanto por sua camarilha.[5]

Busto em mármore de Madame Vitória, por Louis-Claude Vassé, 1763

Madame Campan descreveu as irmãs e suas vidas por volta de 1770: "Luís XV via muito pouco de sua família. Ele chegava todas as manhãs por uma escada privada no apartamento de Madame Adelaide. Muitas vezes trazia e bebia o café que havia feito ele mesmo. Madame Adelaide puxava um sino que avisava Madame Vitória sobre a visita do Rei; Madame Vitória, ao se levantar para ir ao apartamento de sua irmã, tocava para Madame Sofia, que, por sua vez, tocava para Madame Luísa. Os apartamentos das 'Mesdames' eram de grandes dimensões. Madame Luísa ocupava o quarto mais distante. Esta dama era deformada e muito baixa; a pobre Princesa costumava correr o mais rápido que podia para juntar-se ao encontro diário, mas, tendo que atravessar vários quartos, frequentemente, apesar da pressa, mal tinha tempo de abraçar o pai antes que ele saísse para a caçada. Todas as noites, às seis, as 'Mesdames' interrompiam a leitura que faziam para acompanhar os príncipes até Luís XV; essa visita era chamada de 'debotté' do Rei [referia-se ao momento em que se retiravam as botas] e era marcada por uma certa etiqueta. As 'Mesdames' usavam um enorme anágua que destacava uma saia ornamentada com ouro ou bordado; amarravam uma longa cauda na cintura e ocultavam a indumentária da parte inferior com uma capa longa de tafetá preta que as envolvia até o queixo. Os cavaleiros de honra, as damas de companhia, os pajens, os estribeiros e os porteiros, com grandes archotes, as acompanhavam até o Rei. Em um instante, todo o palácio, geralmente tão quieto, estava em movimento; o Rei beijava cada Princesa na testa, e a visita era tão breve que a leitura que ela interrompia frequentemente era retomada após um quarto de hora; as 'Mesdames' voltavam aos seus apartamentos, desamarravam as fitas de suas saias e caudas; retomavam seu bordado, e eu o meu livro."[5]

Reinado de Luís XVI

Retrato das Mesdames Sofia, Vitória e Luísa de França, após François-Hubert Drouais, por volta de 1775

A partir de abril de 1774, Madame Vitória e suas irmãs ficaram ao lado de seu pai, Luís XV, em seu leito de morte, cuidando dele até o falecimento por varíola, em 10 de maio. Embora as irmãs nunca tivessem contraído a doença, e os membros masculinos da família real, assim como o Delfim, tivessem sido afastados por risco de infecção, as Mesdames foram autorizadas a permanecer com o rei até o fim, justamente por serem mulheres e, portanto, sem relevância política devido à lei sálica. Após a morte de Luís XV, seu neto, o delfim Luís Augusto, o sucedeu no trono como Luís XVI, e passou a chamá-las de Mesdames Tantes ('Madames Tias'). No entanto, as irmãs acabaram se infectando com a varíola e adoeceram, mas se recuperaram. Elas foram então isoladas em uma pequena casa perto do Castelo de Choisy, para onde a Corte foi evacuada após a morte do rei, até se restabelecerem completamente.[13]

Retrato de Madame Vitória tocando harpa, de Étienne Aubry, 1773

O sobrinho delas, o novo rei, permitiu que mantivessem seus apartamentos no Palácio de Versalhes, e continuaram a frequentar a Corte em ocasiões especiais – como, por exemplo, na visita do Sacro Imperador José II.[14] No entanto, elas se distanciaram da Corte e frequentemente preferiam residir em seu próprio Castelo de Bellevue em Meudon; também viajavam anualmente para Vichy, sempre com um séquito de pelo menos trezentas pessoas, e tornaram as águas termais da cidade populares.[15] As Mesdames continuaram sendo as confidentes de Luís XVI, e também mantiveram um bom relacionamento com sua sobrinha, Madame Isabel, e frequentemente a visitavam em seu retiro no Domaine de Montreuil.[16]

Entretanto, as Mesdames não se davam bem com a rainha Maria Antonieta. Quando a Rainha introduziu o novo costume de jantares informais em família, assim como outros hábitos informais que minavam a etiqueta formal da Corte, isso resultou em um êxodo da antiga nobreza da Corte, que se opunha às reformas da Rainha, reunindo-se no salão das Mesdames.[14] Elas ofereciam extensas recepções em Bellevue, assim como em Versalhes; seu salão era, segundo relatos, frequentemente frequentado pelo ministro Jean Frédéric Phélypeaux, Conde de Maurepas, a quem Adelaide havia elevado ao poder, com o auxílio de Príncipe de Condé e pelo Príncipe de Conti, ambos membros do partido anti-austríaco, assim como Pierre Beaumarchais, que lia em voz alta suas sátiras sobre a Áustria e suas figuras no poder.[15] O embaixador austríaco Florimond Claude, Conde de Mercy-Argenteau relatou que o salão delas era um centro de intrigas contra Maria Antonieta, onde as Mesdames toleravam poemas satirizando a rainha.[15] As Mesdames reuniam o partido extremista conservador dos Dévots, nobres que se opunham aos filósofos, aos enciclopedistas e aos economistas.[6]

Revolução e vida posterior

Madame Vitória de França
Adélaïde Labille-Guiard, 1788

Madame Vitória e sua irmã Adelaide estavam em Versalhes durante a Marcha das Mulheres sobre Versalhes em 6 de outubro de 1789, e foram algumas das pessoas reunidas no apartamento do rei na noite do ataque ao quarto de Maria Antonieta. Elas participaram da caravana que deixou o Palácio de Versalhes em direção a Paris; no entanto, suas carruagens se separaram do restante da procissão antes de chegarem à capital. Elas nunca residiram no Palácio das Tulherias com a família real, preferindo se retirar para o Castelo de Bellevue em Meudon.

Devido às leis revolucionárias contra a Igreja Católica, as irmãs solicitaram passaportes ao sobrinho, o rei, para fazerem uma peregrinação à Basílica de São Pedro em Roma. Luís XVI assinou os passaportes e avisou o Cardeal de Bernis, embaixador francês em Roma, sobre a chegada delas. No entanto, em 3 de fevereiro de 1791, antes de partirem, uma notificação anônima sobre seus planos foi enviada ao Clube Jacobino, o que gerou um protesto na Assembleia Nacional. Em 19 de fevereiro, um grupo de mulheres se reuniu no Palais Royal e decidiu marchar até o Castelo de Bellevue para tentar impedir a partida das Mesdames. Elas foram avisadas a tempo e saíram do castelo na carruagem de uma visitante, sem tempo de levar seus carros de bagagem. No entanto, os carros foram protegidos e enviados atrás delas pelo General Louis-Alexandre Berthier.[17] Elas partiram para a Itália em uma caravana de carruagens no dia 20 de fevereiro de 1791, acompanhadas por um grande séquito.

Madame Vitória de França
Élisabeth Vigée Le Brun, 1791

A partida das Mesdames foi amplamente comentada na imprensa. A Chronique de Paris escreveu: "Duas princesas, sedentárias por condição, idade e gosto, de repente se apossaram de uma mania por viagens e correrias pelo mundo. Isso é singular, mas possível. Elas estão indo, dizem, beijar o sapato do Papa. Isso é engraçado, mas edificante. [...] As senhoras, e especialmente Madame Adelaide, querem exercer os direitos do homem. Isso é natural. [...] As belas viajantes são seguidas por um séquito de oitenta pessoas. Isso é bonito. Mas elas levam doze milhões. Isso é muito feio. [...]", enquanto o Sahhats Jacobites escreveu: "As senhoras estão indo para a Itália tentar o poder de suas lágrimas e encantos sobre os príncipes daquele país. Já o Grão-Mestre de Malta fez com que Madame Adelaide fosse informada de que lhe dará seu coração e sua mão assim que ela deixar a França, e que poderá contar com a ajuda de três galés e quarenta e oito cavaleiros, jovens e velhos. Nosso Santo Padre se compromete a casar Vitória e promete a ela seu exército de trezentos homens para provocar uma contra-revolução."[17]

A viagem foi marcada por uma má publicidade. As irmãs foram temporariamente paradas por um motim contra sua partida em Moret e, no dia 21 de fevereiro, ficaram detidas por vários dias em uma taverna em Arnay-le-Duc, onde a prefeitura queria confirmar a autorização da Assembleia Nacional antes de deixá-las seguir. Em Paris, o caso causou tumultos; manifestantes invadiram o Jardim das Tulherias e exigiram que o rei ordenasse o retorno das tias à França.[17] O assunto foi debatido na Assembleia Nacional, onde Louis, Conde de Narbonne-Lara atuou como porta-voz das Mesdames. Honoré Gabriel Riqueti, Conde de Mirabeau convenceu a Assembleia de que "O bem-estar do povo não pode depender da viagem que as senhoras fazem a Roma; enquanto elas passeiam perto dos lugares onde outrora se erguia o Capitólio, nada impede que o edifício de nossa liberdade se erga em sua totalidade. [...] A Europa, sem dúvida, ficará muito surpresa ao saber que a Assembleia Nacional da França passou quatro horas inteiras deliberando sobre a partida de duas senhoras que preferem ouvir missa em Roma – do que em Paris."[17] O público em Arnay-le-Duc, porém, não ficou satisfeito com a decisão da Assembleia e, devido ao motim, as irmãs só puderam partir no dia 3 de março.[17]

Entre Lyon e a fronteira, as irmãs enfrentaram várias manifestações públicas. No entanto, finalmente deixaram a França, cruzando a fronteira em Le Pont-de-Beauvoisin, Isère, onde foram recebidas com gritos zombeteiros da margem francesa, enquanto salvas de artilharia da margem italiana as saudaram em Saboia. Foram recebidas por uma guarda real de escolta e pelos principais oficiais do palácio do rei Vítor Amadeu III da Sardenha, que as instalou no Castelo de Chambéry.[16] Elas continuaram a visitar sua sobrinha Clotilde na Corte de Turim, mas permaneceram apenas duas semanas: "nem mesmo a acolhida tocante e afetuosa oferecida pela família real, o carinho mostrado por Conde de Artois e o Príncipe e Princesa do Piemonte, seu sobrinho e sobrinha, conseguiram fazê-las esquecer a angústia e os perigos que haviam deixado para trás, e que envolviam sua família e seu país em uma nuvem de tristeza. Madame Vitória chorava continuamente, Madame Adélaïde não chorava, mas quase havia perdido o uso da fala."[16]

[...]

Em Roma o que dirão as vacas de suas tias?
Com certeza irão amaldiçoar os patriotas!
E o Papa de Roma nos excomungará,
E em breve do tirano um santo ele fará.
[18]

[...]

Trecho da canção revolucionária francesa Mort de Louis Capet ('Morte de Luís Capeto') – 1793, com citação às Mesdames

Elas chegaram a Roma em 16 de abril de 1791, onde ficaram por cerca de cinco anos. Em Roma, as irmãs receberam a proteção do Papa Pio VI e foram hospedadas no palácio do Cardeal de Bernis.[19] Nas recepções de sexta-feira do Cardeal de Bernis, Cornelia Knight as descreveu: "Madame Adelaide ainda conservava vestígios da beleza que a distinguira na juventude, e havia grande vivacidade em seu modo de ser e na expressão de seu rosto. Madame Vitória também tinha um rosto agradável, muito bom senso e grande doçura de temperamento. Seu vestuário, e o de seu séquito, era antiquado, mas sem ostentação. As joias que trouxeram foram vendidas, uma a uma, para ajudar os emigrantes pobres que pediam assistência às princesas em sua aflição. Elas eram muito respeitadas pelos romanos, não apenas pelas classes mais altas, mas também pelo povo comum, que tinha horror à revolução francesa e pouca simpatia pela nação francesa em geral."[20] Quando chegou a notícia de que Luís XVI e sua família haviam deixado Paris na Fuga para Varennes em junho, um mal-entendido causou inicialmente a impressão de que a fuga havia sido bem-sucedida; ao saber da notícia, "toda Roma gritou de alegria; a multidão se reuniu sob as janelas das princesas, gritando: 'Viva o Rei!",[16] e as Mesdames organizaram um grande banquete para a nobreza de Roma em celebração, que precisou ser interrompido quando se esclareceu que a fuga, na verdade, falhara.[16]

Em 1796, com a invasão da Itália pelas tropas revolucionárias francesas, Adelaide e Vitória deixaram Roma e seguiram para o Reino de Nápoles, onde Maria Carolina, irmã de Maria Antonieta, era rainha. Elas se instalaram na Corte napolitana, no Palácio de Caserta, mas a presença das princesas causou desconforto à rainha Maria Carolina, que comentou: "Tenho o terrível tormento de abrigar as duas velhas princesas da França com oitenta pessoas em seu séquito e todas as impertinências possíveis... Os mesmos rituais observados em seus aposentos aqui eram os mesmos de Versalhes."[21]

Quando Nápoles foi invadida pelas forças francesas em 1799, as irmãs partiram para Corfu e, finalmente, se estabeleceram em Trieste, onde Vitória faleceu de câncer de mama. Adelaide morreu no ano seguinte. Seus corpos foram retornados à França por Luís XVIII durante a restauração da monarquia Bourbon e enterrados na Basílica de Saint-Denis.[1]

Um romance de Frédéric Lenormand, Les Principes Vagabondes (1998), descreve a história das Mesdames, desde sua fuga para a Itália em 1791 até suas mortes.[22] Também se pode citar a biografia de Bruno Cortequisse, Mesdames de France, que aborda as filhas de Luís XV.[23]

No filme Marie Antoinette (2006), dirigido por Sofia Coppola, o papel de Madame Vitória é interpretada por Molly Shannon.[24] Já na série Marie Antoinette (2022), de Deborah Davis, a personagem ganha vida através da atuação de Caroline Piette.[25] Mais recentemente, em Jeanne du Barry (2023), dirigido por Maïwenn, Suzanne de Baecque assume o papel de Madame Vitória.[26]

Ancestrais

Notas e referências

Notas

  1. Tecnicamente as filhas dos reis da França no Antigo Regime nunca foram princesas, elas ostentavam o título de Fille de France (Filha da França) e o tratamento Mesdame (Madame).[3]

Referências

  1. a b Louis Pierre d' Hozier (1873). Armorial général, ou Registres de la noblesse de France: 5e registre, 2e partie, des Laurents-de Villette (em francês). Paris: Firmin-Didot. pp. 11–12 .
  2. a b Achaintre, Nicolas Louis, Histoire généalogique et chronologique de la maison royale de Bourbon, Vol. 2, (Publisher Mansut Fils, 4 Rue de l'École de Médecine, Paris, 1825), 155.
  3. Chambaud, L. (1783). A Grammar of the French Tongue (em inglês). [S.l.]: C. Bathurst. p. 409 .
  4. «Madame Victoire (FR)». agorha.inha.fr (em francês). Consultado em 5 de setembro de 2025 .
  5. a b c d e f g Madame Campan, Memoirs of the Court of Marie Antoinette, Queen of France (em inglês), Project Gutenberg.
  6. a b c d Latour, Louis Therese (1927). Princesses Ladies and Salonnières of the Reign of Louis XV (PDF) (em inglês). Traduzido por Ivy E. Clegg. [S.l.]: Kegan Paul, Trench, Trubner & Co. pp. 219–261 .
  7. Luynes (Charles-Philippe d’Albert, duque de), Mémoires du duc de Luynes sur la cour de Louis XV (1735-1758), publiés sous le patronage de M. le duc de Luynes par Louis Dussieux et Eudore Soulié, Paris, Firmin Didot, 1860-1865, 17 vol.
  8. Montagu, Violette M. (1914). The Celebrated Madame Campan: Lady-in-waiting to Marie Antoinette and Confidante of Napoleon. [S.l.]: J.B. Lippincott. p. 18 .
  9. Fraser, Antonia (2002). Marie Antoinette: The Journey. [S.l.]: Knopf Doubleday Publishing Group. p. 65. ISBN 9781400033287 .
  10. Campan, Mme. Jeanne-Louise-Henriette (1895). Memoirs of the Court of Marie Antoinette. 1. [S.l.]: H. S. Nichols & Company. p. 4 .
  11. Gibbs, Philip (1906). Men and Women of the French Revolution. [S.l.]: Kegan Paul, Trench, Trübner & Co. Ltd. p. 12 .
  12. Cangioli, Paolo (1989). Versailles. [S.l.]: Manfred Pawlak. p. 12. ISBN 9780948248764 .
  13. Joan Haslip (1991). Marie Antoinette. [S.l.: s.n.] pp. 72–73 .
  14. a b Joan Haslip (1991). Marie Antoinette. Stockholm: Norstedts Förlag AB. ISBN 91-1-893802-7.
  15. a b c Joan Haslip (1991). Marie Antoinette. [S.l.: s.n.] pp. 79–80 .
  16. a b c d e Maxwell-Scott, Mary Monica, Madame Elizabeth de France, 1764-1794, London: E. Arnold, 1908.
  17. a b c d e Imbert de Saint-Amand, 1834-1900; Martin, Elizabeth Gilbert, b. 1837, tr, Marie Antoinette at the Tuileries, 1789-1791, Nova York, C. Scribner's sons, 1891.
  18. Ladré (1793). «Paroles de Mort de Louis Capet». www.chantsdefrance.fr. Consultado em 31 de outubro de 2025 .
  19. Jill Berk Jiminez, Dictionary of Artists' Models, London, 2001.
  20. Ellis Cornelia Knight, Autobiography of Miss Cornelia Knight, Lady Companion to the Princess, Harvard College Library, 1861.
  21. Justin C. Vovk: In Destiny's Hands: Five Tragic Rulers, Children of Maria Theresa (2010), p 277.
  22. Les Princesses vagabondes (em francês). Paris: Éditions Jean-Claude Lattès. 1998. 201 páginas. ISBN 2-7096-1902-4  bnf=369788219.
  23. Cortequisse, Bruno. Mesdames de France: les filles de Louis XV. Paris, 1989. 365 p. - [8] p. de pl. ; 21 cm. Bibliothèque nationale de France, département Philosophie, histoire, sciences de l'homme, 16-LN17-359. http://catalogue.bnf.fr/ark:/12148/cb350759037. Consultado em 31 de outubro de 2025. Identifiant : ark:/12148/bpt6k3355524c.
  24. «Maria Antonieta (2006)». IMDb. Consultado em 26 de junho de 2012. Arquivado do original em 15 de junho de 2012 .
  25. «Marie Antoinette (2022)». IMDb. Consultado em 31 de outubro de 2025 .
  26. Brigitte Salino, « Théâtre : Suzanne de Baecque, 27 ans, « actrice.com » », lemonde.fr, 18 de Outubro de 2022.
  27. Frederic Guillaume Birnstiel, ed. (1768). Genealogie ascendante jusqu'au quatrieme degre inclusivement de tous les Rois et Princes de maisons souveraines de l'Europe actuellement vivans (em francês). Bourdeaux: [s.n.] p. 12 .
  28. Żychliński, Teodor (1882). Jarosław Leitgeber, ed. Złota księga szlachty polskiéj: Rocznik IVty (em polaco). [S.l.: s.n.] p. 1 .