Luísa Isabel da França

 Nota: Não confundir com Luísa Isabel de Bourbon (Princesa de Conti).
Luísa Isabel
Madame Real
Infanta da Espanha
Duquesa Consorte de Parma, Placência e Guastalla
Reinado18 de outubro de 1748
a 6 de dezembro de 1759
PredecessoraIsabel Cristina de Brunsvique-Volfembutel
SucessoraMaria Amália da Áustria
Dados pessoais
Nascimento14 de agosto de 1727
Palácio de Versalhes,
Versalhes, França
Morte6 de dezembro de 1759 (32 anos)
Palácio de Versalhes,
Versalhes, França
Sepultado emBasílica de Saint-Denis,
Saint-Denis, França
Nome completo
Maria Luísa Isabel (em francês: Marie Louise-Élisabeth)[1][2]
MaridoFilipe, Duque de Parma
Descendência
Isabel de Parma
Fernando, Duque de Parma
Maria Luísa de Parma
CasaBourbon (por nascimento)
Bourbon-Parma (por casamento)
PaiLuís XV da França
MãeMaria Leszczyńska
ReligiãoCatolicismo
AssinaturaAssinatura de Luísa Isabel
Brasão

Luísa Isabel[a] (em francês: Marie Louise-Élisabeth; Versalhes, 14 de agosto de 1727 – Versalhes, 6 de dezembro de 1759) foi a esposa do duque Filipe I e Duquesa Consorte de Parma, Placência e Guastalla de 1748 até sua morte, sendo a governante de facto dos ducados.[3]

Nascida uma princesa da França,[nota 1] filha primogênita do rei Luís XV e de Maria Leszczyńska, Luísa Isabel foi usada como instrumento político em um casamento destinado a fortalecer as alianças entre as potências católicas da França e da Espanha, unindo-se ao infante Filipe de Bourbon, segundo filho do rei Filipe V da Espanha e de Isabel Farnésio. Ambiciosa e determinada, ela jamais se conformou com o destino que lhe foi imposto, pois se via desiludida e relegada a um papel secundário ao lado de um príncipe sem direito ao trono. Sua ambição levou-a a envolver-se nas intrigas da corte, empenhada em alcançar seus objetivos políticos e conquistar para si e para o marido um reino próprio.[3]

Pelo Tratado de Aquisgrão de 1748, seu marido, Filipe, tornou-se Duque de Parma, fundando a Casa de Bourbon-Parma. Inteligente e politicamente ativa, ela participava de todas as decisões do governo e mantinha forte ligação com a França, buscando sempre ampliar o poder e prestígio de sua família. Considerava a Espanha como rival e apoiou alianças que favorecessem os interesses franceses, como o Tratado de Versalhes de 1756. Exerceu grande influência política, mas morreu jovem em 1759, aos 32 anos, sem alcançar a posição de rainha que tanto desejava, ainda assim garantindo casamentos vantajosos para seus filhos com os herdeiros da França e da Áustria.[3]

Personalidade

Retrato póstumo de Luísa Isabel da França, Duquesa de Parma, em traje de corte
Jean-Marc Nattier, 1761

Madame Infante é frequentemente descrita como uma pessoa de personalidade firme, consciente de sua posição e dotada de "uma vontade bastante determinada". Em Versalhes, seus contemporâneos destacavam com frequência sua presença precoce na corte, onde, ainda muito jovem, recebia mulheres de alta posição e embaixadores. Demonstrou também notável interesse pelos assuntos políticos e administrativos, além de firmeza de caráter, especialmente quando, já estabelecida em Madrid, surgiu a questão de assegurar uma residência para si e para Dom Filipe. Essa ambição manifesta-se claramente na pintura de Van Loo, A Família de Filipe V, em que ela aparece em posição central na composição, próxima à coroa, símbolo da glória e da grandeza às quais a filha mais velha do rei da França aspirava desde a infância.[5]

Primeiros anos

Luísa Isabel e sua irmã gêmea, Henriqueta Ana, retratadas em uma pintura atribuída a Pierre Gobert, por volta de 1737

Nascida em 14 de agosto de 1727, no Palácio de Versalhes, junto com sua irmã gêmea Henriqueta Ana, Luísa Isabel foi a primogênita do rei Luís XV da França e de sua esposa Maria Leszczyńska.[6] Quando ela e sua irmã gêmea nasceram, o rei Luís XV, que se tornou pai aos dezessete anos, emocionado, exclamou: "On m'avait dit incapable d'engendrer et j'ai fait coup double" (Em português, "Foi me dito que era impotente e dei um um golpe duplo").[7] Luísa Isabel foi batizada na Capela de Versalhes no dia 27 de abril de 1737,[nota 2] tendo como padrinhos o Duque de Chartres e sua homônima, a Princesa de Conti.[6] Na corte, ela era conhecida como Madame Première ou Madame Royale ("Madame Real"), título tradicional concedido à filha solteira mais velha do monarca francês,[4] ou simplesmente como Madame. O rei a chamava de Babette.[9]

Ela foi criada em Versalhes, junto com suas duas irmãs, Henriqueta Ana e Maria Adelaide, e seu irmão, Luís Fernando, Delfim da França. Juntamente com o delfim, foi a única entre seus dez irmãos a se casar. Ao contrário de suas irmãs mais novas, Vitória, Sofia Filipina e Luísa Maria, que foram enviadas para a Abadia de Fontevraud para serem criadas,[10] Luísa Isabel cresceu no seio de uma família amorosa. Inteligente e precoce, ela se parecia fisicamente com o pai, sendo sua filha favorita.[11]

Casamento

Antecedentes

A Família de Filipe V em 1723, por Jean Ranc; no centro, Filipe, acompanhado da mãe Isabel Farnésio

Após a Guerra da Sucessão Espanhola (1700–1713), um monarca Bourbon assumiu o trono em Madrid. Contudo, logo as ambições da Espanha passaram a divergir das diretrizes políticas da França. Filipe V recusou-se a aceitar o Tratado de Utrecht, que lhe retirara diversos territórios da Coroa Espanhola, especialmente na península Itálica. Após casar-se com Isabel Farnésio em 1714, o rei empreendeu várias tentativas de recuperar influência na Itália. A primeira, com as expedições à Sardenha e à Sicília em 1717 e 1718, terminou em fracasso. Já a segunda, mais bem-sucedida, garantiu a Dom Carlos a herança Farnésio, que ele posteriormente renunciou em troca dos reinos de Nápoles e da Sicília, conquistados durante a Guerra da Sucessão Polonesa (1733–1738). Nesse período, as relações entre França e Espanha oscilaram entre crises e reaproximações. A devolução à Espanha da jovem infanta Mariana Vitória pela França em 1725 afastou temporariamente as duas monarquias. Entretanto, após os êxitos alcançados pela aliança de 1733, Filipe V, buscando fortalecer ainda mais os laços entre os dois ramos da Casa de Bourbon, propôs em 1739 o casamento de seu filho mais novo, Filipe, com uma filha de Luís XV.[5]

Em 30 de março de 1739, o Cardeal de Fleury, após mostrar a Madame um retrato de Filipe de Bourbon pela primeira vez, relatou o ocorrido ao Conde de La Marck, embaixador do rei em Madrid: "Inicialmente, tentei disfarçar o retrato com outro nome para ver o que ela diria, mas ela não se enganou e, com grande alegria, respondeu que era o retrato do Infante Dom Filipe. Ela ficou completamente satisfeita e, se tivesse ousado, acredito que teria beijado o retrato com todo o seu coração."[12] A notícia logo se espalhou. Em 23 de agosto, o Marquês de La Mina chegou com grande cerimônia para pedir a mão de Madame em casamento ao rei, pedido que ela aceitou prontamente.[5]

Cerimônia de casamento e e partida para a Espanha

Celebrações no Palácio do Louvre em ocasião do casamento de Luísa Isabel

O noivado foi recebido com desagrado na corte francesa, pois Filipe era apenas o terceiro na linha de sucessão ao trono, o que tornava remota a possibilidade de vir a reinar na Espanha. O jurista Barbier registrou em seu diário: "Parece extraordinário que a filha mais velha da França não se case com uma cabeça coroada." Já o marquês d’Argenson sugeriu que a união fora planejada apenas com o intuito de preparar o infante para se tornar o futuro rei de Nápoles e da Sicília. A própria Luísa Isabel via seu destino como menos glorioso do que julgava merecer e, ao ser perguntada se ficaria satisfeita em ser chamada de Infanta, teria reagido com uma expressão de desdém.[3] A cerimônia de casamento aconteceu em 26 de agosto, na capela do Palácio de Versalhes, onde o Duque de Orleães se casou por procuração com aquela que passou a ser denominada Madame Infante. Seguiram-se vários dias de celebrações, marcados por grande brilho e solenidade, até o momento da separação.[13]

Na manhã de 31 de agosto, Luísa Isabel despediu-se da família. O Duque de Luynes relata o comovente episódio em suas Mémoires. Maria Leszczyńska conversou com a filha por meia hora. O rei, por sua vez, empalideceu quando ela entrou em seus aposentos privados, onde houve ainda mais choro de ambos os lados. Antes de partirem, as irmãs gêmeas, Luísa Isabel e Henriqueta Ana, abraçaram-se, irrompendo em lágrimas, e, sem conseguir se separar, disseram: "É para sempre". Luísa Isabel, de treze anos, então entrou em sua carruagem, na qual Luís XV sentou-se ao seu lado, acompanhando-a por algumas léguas. O monarca aproveitou esses momentos finais para oferecer à filha seus últimos conselhos. Aconselhou-a a considerar o Rei da Espanha "como seu tio e como seu pai", acrescentando que ela não deveria ter "nenhuma outra aplicação ou preocupação senão a de agradá-lo". Por fim, Luís XV pediu-lhe que "se lembrasse de tudo o que vira em Versalhes, porque o Rei Católico, que conhecia bem aquele lugar, certamente lhe faria muitas perguntas". Já em Plessis-Picquet, pai e filha se abraçaram pela última vez antes de a princesa seguir para Saint-Jean-Pied-de-Port e depois para a fronteira espanhola.[5]

Na Espanha

Ao chegar em Madrid, Luísa Isabel impressionou positivamente os sogros, sendo tratada com grande respeito e rapidamente se tornando uma figura admirada na cidade.[3] Madame Infante também conheceu seu marido, Dom Filipe, um jovem de 18 anos com um temperamento equilibrado, rosto encantador e interesse por leitura, especialmente sobre assuntos militares, embora ainda apresentasse alguns traços infantis, como vaidade.[5]

Luísa Isabel da França, esposa do Infante Filipe, futuro Duque de Parma
Louis-Michel van Loo, 1745

A vida de Madame Infante na corte espanhola foi relativamente tranquila, sem o brilho de Versalhes, mas sob a orientação de sua sogra, Isabel Farnésio, ela adquiriu muito conhecimento, especialmente sobre política. A rainha expressou satisfação com sua pupila, escrevendo ao Bispo de Rennes sobre Luísa Isabel: "Ela observa e escuta com grande atenção, nunca deixando transparecer qualquer indício de indiscrição. Em resumo, desde sua chegada, não há nada a ser recriminado em sua conduta".[5] No entanto, o relacionamento com a sogra, logo se tornou tenso. A rainha não gostou da falta de pagamento do dote da princesa pela França, nem da ausência de apoio francês na guerra contra a Grã-Bretanha. Além disso, após algum tempo, Isabel percebeu que não conseguiria controlar Luísa Isabel como fazia com seu filho, e temeu que a nora pudesse ter mais influência sobre ele do que ela própria.[5] De fato, Madame Infante logo passou a dominar seu marido. Embora ele fosse oito anos mais velho que ela, ele, assim como seu pai, era supostamente tímido, passivo e submisso. Luísa Isabel, embora sentisse afeição por ele, geralmente o tratava como se fosse "um menino muito mais jovem", apesar da diferença de idade.[3] O Duque de Luynes observou mais tarde: "Embora o príncipe, aos vinte e oito anos, seja tão infantil como aos quatorze ou quinze, ele tem, no entanto, uma consideração afetuosa pela infanta".[3]

Detalhe da pintura A Família de Filipe V (1745) por Louis-Michel van Loo; no centro, Madame Infante, acompanhada do marido e de membros da família real espanhola

Descrita como "afiada, ambiciosa e empreendedora, incansável em suas energias e apaixonadamente dedicada a mudar a Europa em benefício de sua dinastia, espalhar o amor pela França e fazer de seu filho um príncipe digno dos grandes antepassados franceses",[3] ela não estava satisfeita com sua posição como esposa de um príncipe sem perspectivas de se tornar rei. Manteria contato constante com a corte francesa, especialmente com sua irmã gêmea, Henriqueta Ana, e mantinha seu irmão, o Delfim, informado sobre todos os acontecimentos na corte espanhola. Já em 1740, havia estabelecido uma rede de contatos na corte francesa para ajudá-la em sua ambição de conquistar uma posição independente tanto para si mesma quanto para seu esposo, uma posição "digna do nascimento de ambos".[3] Sua irmã gêmea, normalmente vista como apática em relação à política, teria se dedicado de forma apaixonada a trabalhar para a ambição política da irmã mais velha, assim como sua irmã mais nova, Maria Adelaide, e sua cunhada, a delfina Maria Teresa Rafaela. Os poderosos Conde de Noailles e Conde de Maurepas se aliaram à Madame Infante para alcançar o mesmo objetivo, e o embaixador francês em Madrid, Monsenhor Vaurdal, arcebispo de Reims, estava tão disposto a ajudá-la que chegou a ser alvo de zombarias por isso.[3]

Em 1741, aos quatorze anos, Luísa Isabel deu à luz a uma filha, Isabel, após um parto difícil de dois dias. Dois meses depois, Filipe partiu para a Guerra da Sucessão Austríaca, e só retornou quando Isabel já tinha oito anos. Durante esse tempo, a rainha Isabel Farnésio, receosa da proximidade entre o casal, garantiu que Filipe permanecesse no acampamento militar, longe de sua esposa, para evitar que ela se tornasse a figura mais importante em sua vida. Em suas cartas, a rainha perguntava constantemente se Filipe ainda amava Luísa Isabel: "Quero saber se você a ama" e "Diga-me a verdade!"[3] Enquanto isso, Madame Infante demonstrava pouco carinho por sua filha, tratando-a como um fardo.[14] Quando Isabel se comportava mal, ela a castigava severamente, levando sua avó a intervir.[14] Apesar da animosidade entre sogra e nora, as duas estavam unidas por um interesse comum: suas ambições em relação ao infante Filipe.[3] Durante a guerra, a rainha trabalhou para garantir a seu filho um trono na Itália, enquanto Madame Infante usou sua rede de contatos para fazer o mesmo. Seu objetivo foi alcançado com o Tratado de Aquisgrão de 1748, que que pôs termo à Guerra da Sucessão Austríaca, e forçou a imperatriz Maria Teresa da Áustria a ceder os ducados de Parma, Placência e Guastalla à Espanha. Luísa Isabel e o marido tornaram-se Duques de Parma.

Em 1743 Luísa Isabel foi admitida na Academia da Arcádia e adotou o nome de Clorisbe Dircea.[15]

Duquesa de Parma

Duquesa de Parma com sua filha Isabel
Jean-Marc Nattier, 1750

Após o Tratado de Aquisgrão, em 1748, Luísa Isabel conseguiu deixar a Espanha. Embora estivesse satisfeita com sua nova posição, sentia a necessidade de conquistar uma renda independente da Espanha. Por isso, decidiu ir à corte francesa com a ambição de obter uma pensão de seu pai.[3] Luísa Isabel foi recebida em Choisy por sua irmã gêmea e seu irmão, o Delfim. Ela chegou a Versalhes no dia 11 de dezembro de 1748, acompanhada por uma comitiva composta por sua camareira-mor, a Marquesa de Lcyde, seu secretário de Estado, o Duque de Monteiano, e três damas de honra.[3] A corte francesa ficou surpresa com a simplicidade de sua chegada; dizia-se que ela parecia não ter mais roupas do que aquelas que trouxe da França nove anos antes.[3]

Durante sua estadia, um membro da corte a descreveu como "encantadora, com olhos penetrantes e inteligência aguçada".[3] Outro observador, mais crítico, afirmou que ela era "uma jovem bem-dotada, amadurecida pela maternidade".[3] Durante sua permanência em Versalhes, Luísa Isabel passou a maior parte do tempo com seu pai, o rei, que a visitava várias vezes ao dia por uma escada privada para discutir assuntos de Estado. Ela alcançou seu objetivo quando seu pai concedeu uma pensão de duzentos mil francos ao duque de Parma.[3] Sua determinação e influência sobre o rei chegaram a preocupar a amante do monarca, Madame de Pompadour.[3]

Quando deixou Versalhes, em 18 de outubro de 1749, Luísa Isabel partiu com uma comitiva de seguidores franceses e um enxoval tão grande que o Marquês d'Argenson comentou que sua viagem custou ao Estado mil e duzentas mil libras.[3]

Em dezembro de 1749, Luísa Isabel e seu séquito de cortesãos espanhóis e franceses chegaram ao Ducado de Parma, onde foram recebidos por Filipe e saudados com grandes festas públicas em sua homenagem. Em Parma, ela e Filipe se instalaram no Palácio Ducal de Colorno.[16] O palácio, no entanto, havia sido previamente despojado de grande parte de sua decoração e móveis pelo antecessor e irmão de Filipe, Dom Carlos, e a residência também não possuía um jardim. A nova duquesa investiu grandes quantias para transformar o local em uma residência e corte à sua maneira. Todo o arranjo e planejamento do palácio foram refeitos, e ela organizou cerimônias de corte e recebeu diversas festividades, incluindo óperas seis vezes por semana, além de viagens à segunda residência em Colonna e Placência.[3]

Para reforçar o estatuto do ducado, embora já estivesse formalmente sob a proteção da França e da Espanha, Luísa Isabel também introduziu a presença de um regimento de cem carabineiros e um regimento de couraceiros.[3]

Governante de facto de Parma

Madame Luísa Isabel, Duquesa de Parma – A Terra
Jean-Marc Nattier, 1750

Como duquesa de Parma, Luísa Isabel estava ativamente envolvida nos assuntos do Estado; Filipe nunca negociava um acordo sem antes consultá-la, e ela, por sua vez, nunca tomava uma decisão sem considerar a opinião da França e de seus conselheiros franceses.[3] A maioria dos funcionários da corte e do governo eram franceses, e o francês era a língua falada na corte, inclusive por Filipe, que, apesar de ser espanhol, recebeu uma educação francesa.[3] A influência francesa em Parma não era bem vista; a opinião pública se revoltou contra os governantes franceses e espanhóis.[3] Em 1750, a dama de companhia da duquesa, Madame de Leydc, teria envenenado o ministro-chefe da França em Parma, supostamente por ele ser francês.[3] O estresse financeiro do ducado também gerou grande descontentamento.[3]

A irmã gêmea da duquesa, Henriqueta Ana, faleceu em 1752, e Luísa Isabel retornou à França em setembro, visitando seu túmulo em Saint-Denis e permanecendo em Versalhes por quase um ano. Ela trouxe consigo o Duque de Noailles, que a auxiliou nas transações políticas que ela manteve com seu pai durante sua estadia, ajudando-a a navegar entre as facções políticas na corte. Luísa Isabel apresentou a Luís XV e seus ministros um relatório sobre a situação de Parma, destacando a necessidade financeira do ducado.[3] Noailles foi enviado ao embaixador francês em Madrid para iniciar negociações entre França e Espanha sobre as contribuições do ducado em janeiro de 1753, nas quais a duquesa participou ativamente, utilizando todos os seus contatos tanto na França quanto na Espanha. Ela apoiou a proposta francesa de que França e Espanha compartilhariam as despesas do ducado, desde que este pudesse garantir sua independência.[3] Pelo acordo franco-espanhol de 1753, o Ducado de Parma recebeu 25 mil francos, dois milhões em impostos e assistência adicional sempre que necessário, além de tornar oficial a influência francesa sobre Parma.[3] A duquesa foi amplamente elogiada na França por garantir a presença da influência francesa no exterior por meio desse acordo, no qual ela desempenhou um papel fundamental.[3]

A duquesa retornou a Parma em outubro de 1753. Após seu retorno, ela nomeou Guillaume du Tillot como ministro-chefe e administrador do ducado, garantindo sua própria política pró-francesa e marcando a conquista de fato de Parma pela França.[3] Em sua política, Luísa Isabel trabalhou para libertar Parma da influência espanhola; garantir a sucessão do ducado para seu filho e, se possível, obter um trono maior para ele com ajuda francesa; e garantir casamentos dinásticos para suas filhas.[3] De acordo com suas ambições, ela via a Espanha como seu inimigo e, portanto, apoiou o Tratado de Versalhes de 1756, que aliou a França à Áustria.[3] No Tratado, havia sido sugerido que a Áustria cederia os Países Baixos Austríacos como um reino para Filipe, o que seria ainda mais favorável para a França do que ter Parma como vassalo, um plano que foi apoiado tanto por Luísa Isabel quanto por Luís XV.[3] Neste plano, ela trabalhou em conjunto com Madame de Pompadour para garantir a aliança franco-austríaca; ambas também se juntaram em seu apoio ao secretário de Estado de Luís XV, o Duque de Choiseul.[3]

Última viagem a Versalhes e morte

Retrato póstumo de Luísa Isabel da França, Duquesa de Parma, com seu filho, comissionado pelas Mesdames da França; as sombras em seu rosto e na parede atrás dela podem simbolizar a morte

Luísa Isabel voltou à França novamente em setembro de 1757 para participar das negociações entre a França e a Áustria. Ela apoiou o desejo da Áustria de fazer dos Países Baixos Austríacos um reino para Filipe em troca de recuperar a Silésia da Prússia com o apoio da França, pois isso significaria uma independência final da Espanha, mas não teve sucesso.[3] No tratado entre a Espanha e a Áustria de 3 de outubro de 1759, apoiado por Choiseul, a duquesa apenas conseguiu garantir o direito de Filipe de suceder ao trono de Nápoles e da Sicília caso seu irmão Carlos herdasse o trono da Espanha, o que foi uma grande decepção para ela.[3] Durante sua estadia na França, ela manteve contato com Filipe por carta e informou-o de seus atos, negociações, esperanças e sucessos, bem como as intenções e ações do governo do pai. Durante este tempo, a duquesa também nomeou o filósofo Condillac como tutor de seu filho, apesar da oposição dos jesuítas, e arranjou o casamento de sua filha mais velha, Isabel, com o arquiduque José da Áustria, realizado em 1760.[3] Além disso, arranjou o casamento de sua filha mais nova, Maria Luísa, com Luís, Duque da Borgonha, herdeiro do trono francês, casamento que, no entanto, não se concretizou devido à morte prematura do jovem duque.[17]

A duquesa adoeceu quando se encontrava em Versalhes e morreu de varíola no dia 6 de dezembro de 1759 aos trinta e dois anos.[18] Foi sepultada na Basílica de Saint-Denis ao lado da irmã gêmea, Henriqueta Ana, em 27 de março do ano seguinte. Os seus túmulos foram profanados e destruídos durante a Revolução Francesa.[19]

Retratos póstumos de Luísa Isabel

Títulos, estilos e honras

Títulos e estilos

  • 14 de agosto de 1727 – 25 de outubro de 1739: Sua Alteza Real Madame Real
  • 25 de outubro de 1739 – 18 de outubro de 1748: Sua Alteza Real, a Infanta da Espanha
  • 18 de outubro de 1748 – 6 de dezembro de 1759: Sua Alteza Real, Duquesa de Parma, Placência e Guastalla

Honras

Descendência

A Família de Filipe, Duque de Parma (1757). Por Giuseppe Baldrighi, Galeria Nacional de Parma, Parma, Itália
Nome Imagem Nascimento Morte Observações
Isabel 31 de dezembro de 1741 27 de novembro de 1763 Casou-se com José da Áustria em 1760, com descendência.
Fernando 20 de janeiro de 1751 9 de outubro de 1802 Duque de Parma. Casou-se com Maria Amália da Áustria em 1769, com descendência.
Maria Luísa 9 de dezembro de 1751 2 de janeiro de 1819 Casou-se com Carlos IV da Espanha em 1765, com descendência.

Ancestrais

Notas e referências

Notas

  1. Tecnicamente as filhas dos reis da França no Antigo Regime nunca foram princesas, elas ostentavam o título de Fille de France (Filha da França) e o tratamento Mesdame (Madame). No caso de Luísa Isabel, por ser a primogênita do monarca francês, ostentava o tradicional título de Madame Royale (Madame Real), reservado às filhas mais velhas do rei.[4]
  2. Devido à alta mortalidade infantil, era comum que as crianças da realeza francesa fossem batizadas apenas quando já estavam um pouco mais velhas.[8]
  1. Embora a maioria das fontes se refira a ela simplesmente como "Luísa Isabel", algumas fontes apresentam seu nome completo de nascimento como "Maria Luísa Isabel".[1][2]

Referências

  1. a b Stryienski, C. (1912). The Daughters of Louis XV. [S.l.]: Brentano's. p. 1. Consultado em 30 de setembro de 2023 .
  2. a b Haggard, A. (1907). The Real Louis the Fifteenth. [S.l.]: Hutchinson. p. 288. Consultado em 30 de setembro de 2023 .
  3. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai aj ak al am Latour. L.-T. (1927). "The Daughters Of Louis XV". In Princesses Ladies and Salonnières of the Reign of Louis XV (em inglês). Traduzido por Ivy E. Clegg. Kegan Paul, Trench, Trübner & Co, pp. 219-261.
  4. a b Chambaud, L. (1783). A Grammar of the French Tongue (em inglês). [S.l.]: C. Bathurst. p. 409 .
  5. a b c d e f g Peyrat, M. (2025). "Introduction". In Madame Infante à la cour de Parme. Rennes: Presses universitaires de Rennes. pp. 17-30. https://doi.org/10.4000/13j9x.
  6. a b Dussieux, L. (1872). Généalogie de la maison de Bourbon (em francês). [S.l.]: Lecoffre fils et cie. p. 104 .
  7. Maucort. É. À l'ombre d'un chêne: Fils de Louis XIV, de Louis XV, de Napoléon: trois vies en marge de l'Histoire (em francês). Quint'feuille, 2022. ISBN 9782373970968.
  8. Heraldica. "Royal Princes". In The French Royal Family: Titles and Customs. www.heraldica.org. Consultado em 30 de outubro de 2025.
  9. Gooch. G.P. Louis XV: The Monarchy in Decline (em inglês). Longmans, 1962, p. 132.
  10. Poignant. S. «L'Abbaye de Fontevrault et les filles de Louis XV (em francês). Nouvelles éditions latines, Paris, 1966, p. 186.
  11. Hopkins. D. R. The Greatest Killer: Smallpox in History (em inglês). University of Chicago Press, 2002, p. 61. ISBN 9780226189529.
  12. Stryienski, C. (1904). Le gendre de Louis XV, Don Philippe: Infant d'Espagne et duc de Parme, d'après des documents inédits tirés des archives de Parme, des archives des Affaires étrangères. Paris: Librairie Plon, pp. 15-16.
  13. Moine, M.-C. (1991). Les fêtes du mariage de Madame Première à Versailles les 26 janvier et 26 août 1739. Bibliothèque de l’École des Chartes, 149 (1), pp. 107‑129.
  14. a b Badinter, É. (2008). «Isabelle de Bourbon-Parme [1741–1764]». Je meurs d'amour pour toi... ». Lettres à l'archiduchesse Marie Christine. 1760–1763 (em francês). [S.l.]: Tallandier. pp. 13–16. ISBN 9782847345087. LCCN 2008478877. OCLC 261400711. OL 23391459M 
  15. " Luisa Elisabetta di Borbone, duchessa di Parma e Piacenza" – Donne in Arcadia (1690-1800). www.arcadia.uzh.ch. Consultado em 30 de outubro de 2025.
  16. «WALL LIGHTS, LOUIS XV, CIRCA 1752–1753 FROM THE DUCHESSE DE PARME AT COLORNO». Sothebys. Consultado em 30 de outubro de 2025.
  17. Bourzat. J.-D. (2008). Les après-midi de Louis XVI, La Compagnie Litteraire, p. 9.
  18. Hopkins. D. R. (2002). The Greatest Killer: Smallpox in History (em inglês). University of Chicago Press, p. 372. ISBN 9780226189529.
  19. Demichel. F. (1993). Saint-Denis ou le Jugement dernier des rois. Éditions PSD, p. 243.
  20. Encyclopædia Heraldica: Or, Complete Dictionary of Heraldry
  21. Genealogie ascendante jusqu'au quatrieme degre inclusivement de tous les Rois et Princes de maisons souveraines de l'Europe actuellement vivans (em francês). Bourdeaux: Frederic Guillaume Birnstiel. 1768. p. 12.
  22. Żychliński, Teodor (1882). Złota księga szlachty polskiéj: Rocznik IVty (em polaco). [S.l.]: Jarosław Leitgeber. p. 1. Consultado em 1 de agosto de 2018 .

Ligações externas

Luísa Isabel da França
Casa de Bourbon
Ramo da Casa de Capeto
14 de agosto de 1727 – 6 de dezembro de 1759
Precedida por
Isabel Cristina de Brunsvique-
Volfembutel

Duquesa Consorte de Parma, Placência
e Guastalla

18 de outubro de 1748 – 6 de dezembro de 1759
Sucedida por
Maria Amália da Áustria