Taxufine ibne Solimão Almassufi
Abu Maomé Taxufine ibne Solimão Almassufi (em árabe: أبو محمد تاشفين بن سليمان المصوفي; romaniz.: Abū Muḥammad Tāshfīn ibn Sulaymān al-Maṣūfī) foi um oficial do Império Almorávida, ativo no tempo do emir Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106).
Vida
As origens de Taxufine são incertas, salvo que pertencia à tribo dos massufas, uma das tribos que da confederação dos sanajas e que compunham o núcleo do movimento almorávida. Seu pai se chamava Solimão e teve ao menos um irmão, chamado Omar. Ibne Alcatane o chamou Ibne Abi Ranja, Ibne Idari o chamou Ibne Abi Ranque e Ibne Abi Zar o chamou Ibne Abi Zalfa.[1] Quando foi mencionado em 1108, era governador de Córdova. Nos primeiros dias de maio, Tamime ibne Iúçufe reuniu um grande exército composto de magrebinos e andalusinos e partiu de Granada, em direção ao rio Tejo. Ao chegar a Xaém, deteve-se alguns dias, à espera das tropas de Taxufine, das de Maomé ibne Aixa, e dos contingentes de Ibne Fátima, que ainda não havia sido substituído por Maomé ibne Alhaje no governo de Valência.[2][3]
Cruzando o Guadalquivir, os almorávidas reuniram-se em Baena, onde devem ter traçado o plano de marcha e ataque. Pela praça fronteiriça de Consuegra, os almorávidas penetraram nas terras de Zaida, até chegar diante da fortaleza de Uclés, o ponto mais importante da região e centro do sistema defensivo ao sul do alto Tejo. Na quarta-feira, 27 de maio de 1108, cercaram-na e iniciaram de surpresa uma série de ataques que em poucas horas puseram fim à resistência oferecida pelos seus defensores. No mesmo dia, os almorávidas entraram no recinto amuralhado, capturando um bom número de prisioneiros. Alguns cristãos conseguiram escapar e refugiar-se na alcáçova, de onde não puderam ser desalojados. Os homens de Tamime e dos outros alcaides incendiaram a igreja e saquearam tudo o que puderam. Os poucos muçulmanos mudéjares que havia em Uclés procuraram abrigo junto aos vencedores e fizeram causa comum com eles.[2]
Na noite de 28 para 29, os almorávidas permaneceram acampados nos arredores do povoado. Um dos cristãos que havia conseguido escapar deve ter avisado, nesse meio-tempo, do ocorrido aos alcaides da fortaleza mais próxima, correndo logo a notícia pela região, até Toledo, pois na sexta-feira, dia 29, marchou contra os almorávidas um exército castelhano liderado por Álvaro Fanhes e Garcia Ordonhes, que foi acompanhado por seis condes que escoltavam Sancho Afonses, herdeiro de Afonso VI (r. 1072–1109). Na batalha que se seguiu, os cristãos foram derrotados e obrigados a fugir. Sancho e seus protetores tentaram fugir, mas foram eventualmente alcançados e mortos. Tamime redigiu uma carta oficial a seu irmão Ali para informá-lo do resultado e nela fala-se de um grande butim — cavalos, mulas, armas, dinheiro. Depois disso, o governador de Granada regressou imediatamente à sua capital, enquanto os demais comandantes fingiram abandonar o cerco para motivar os sitiados a saírem. Quando os defensores descuidaram-se, muitos deles foram mortos e a fortaleza foi tomada.[4]
Referências
- ↑ Lagardère 1978, p. 62.
- ↑ a b Vilá & López 1998, p. 181.
- ↑ Kennedy 2014, p. 172-173.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 182-183.
Bibliografia
- Kennedy, Hugh (2014). Muslim Spain and Portugal: A Political History of al-Andalus. Londres e Nova Iorque: Routledge
- Lagardère, Vincent (1978). «Le gouvernorat des villes et la suprématie des Banu Turgut au Maroc et en Andalus de 477/1075 à 500/1106». Revue de l'Occident musulman et de la Méditerranée. 25 (1): 49–65. ISSN 0035-1474. doi:10.3406/remmm.1978.1803
- Messier, Ronald A. (2010). The Almoravids and the Meanings of Jihad. Santa Bárbara: Praeger/ABC-CLIO. ISBN 978-0-313-38590-2
- Vilá, Jacinto Bosch; López, Emilio Molina (1998). Los almorávides. Granada: Editorial Universidade de Granada. ISBN 9788433824516