Sucute Albarguati

Sucute Albarguati
Dirrã de Sucute
Rei da Taifa de Ceuta
Reinado1061-1074
Antecessor(a)Nenhum
Sucessor(a)Iáia Dia Adaulá
Dados pessoais
Nascimentoséculo X
Morte1074
Descendência
Iáia Dia Adaulá
ReligiãoIslamismo

Sucute ibne Maomé Albarguati (em árabe: سقوط محمد البرغواطي; romaniz.: Suqūṭ Muḥammad al-Barghawāṭī) foi um berguata que governou a Taifa de Ceuta entre 1061 e 1077. Ex-escravo dos hamúdidas, tornou-se governador de Tânger e Ceuta e depois governante independente, reconhecendo o Califado Abássida e rivalizando com os abádidas de Sevilha. Na década de 1070 resistiu à expansão almorávida no Magrebe, instigando rebeliões e enfrentando campanhas enviadas por Iúçufe ibne Taxufine. Derrotado em 1077 por um grande exército almorávida, morreu em batalha perto de Tânger, sendo sucedido pelo filho Iáia Dia Adaulá.

Vida

Dinar de Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106)

Sucute nasceu no final do século X e pertencia à tribo dos berberes berguatas. Originalmente era um escravo do séquito de Hamude, um membro da família dos hamúdidas, que o adquiriu como cativo nas várias guerras contra os berguatas. Eventualmente, Sucute foi vendido para Ali ibne Hamude Anácer (m. 1018). Por demonstrar lealdade e talento, Ali o nomeou, ainda na condição de escravo, como governador de Tânger e Ceuta. Eventualmente, quando seus senhores desapareceram ao longo dos anos 1020 nas lutas pelo trono do Califado de Córdova (929–1031), Sucute tornar-se-ia um governante independente da Taifa de Ceuta, um reino concentrado nas cidades costeiras nas quais já era governador.[1] Sucute decidiu submeter-se à autoridade do Califado Abássida de Baguedade e disputou o controle dos seus domínios com os abádidas da Taifa de Sevilha, no Alandalus.[2] Nos anos 1070, com a ascensão do movimento almorávida no Magrebe, Sucute opôs-se aos invasores e incitou revoltas contra os almorávidas entre as tribos sujeitas a seu governo. Em 1072/3, o exército do emir Iúçufe ibne Taxufine (r. 1062–1106) conquistou a cidade de Adimna, ao sudeste de Tânger, a um dia de marcha de Ceuta. De lá, marchou para o monte Aludane.[1]

Em meados de 1073, os almorávidas tomaram o controle de Calate Almadi em Fazaz. Por fim, em 1077, sob o comando do general Sale ibne Inrane, os almorávidas marcharam contra Sucute com um exército de 12 mil cavaleiros lantunas e 20 mil soldados de outras tribos vassalas do Magrebe. À época, Sucute já tinha ao menos 90 anos, mas decidiu deixar Tânger com seu exército e confrontar os invasores. Diz-se que ao ver no horizonte a poeira levantada com a aproximação dos almorávidas, exclamou: "Enquanto eu viver, por Deus, o povo de Tânger nunca ouvirá os tambores dos almorávidas".[3] Os exércitos se encontraram às margens do rio Mina, nas cercanias de Tânger. As baixas de ambos os lados foram altas, mas os almorávidas venceram o combate e tomaram Tânger. Sucute pereceu no combate e foi sucedido por seu filho Iáia Dia Adaulá, que escapou do confronto e se aquartelou em Ceuta.[4]

Referências

  1. a b Messier 2010, p. 64.
  2. Ferhat 1995, p. 690.
  3. Messier 2010, p. 64-65.
  4. Messier 2010, p. 65.

Bibliografia

  • Ferhat, Halima (1995). «Sabta». In: Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W. P.; Lecomte, G. al-Nukhayla. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume VIII: Ned–Sam. Leida: E. J. Brill. pp. 689–691. ISBN 978-90-04-09834-3 
  • Messier, Ronald A. (2010). The Almoravids and the Meanings of Jihad. Santa Bárbara: Praeger/ABC-CLIO. ISBN 978-0-313-38590-2