Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal

Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal
TipoAssociação artística e cultural
Fundação1861
Extinção1887 (aprox.)
Grupo de artistas e fundadores da Sociedade Promotora das Belas-Artes, c. 1862

A Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal foi uma associação cultural e artística fundada em Lisboa em 1861 com o objetivo de fomentar o gosto público pelas belas-artes, aproximar artistas e amadores e organizar exposições regulares de arte. Os seus estatutos foram aprovados em 10 de janeiro de 1860 e confirmados por D. Pedro V em 8 de agosto de 1861. A sua fundação seguiu o exemplo da mais antiga Sociedade dos Amigos das Artes (sediada no Porto), e marcou os inícios do associativismo artístico moderno em Lisboa, antecipando o papel que viria a ser desempenhado pela Sociedade Nacional de Belas Artes.[1]

História

A ideia de criar uma associação artística em Lisboa remonta a 1853, quando Manuel Maria Bordalo Pinheiro (1815–1880) redigiu o projeto de estatutos da então designada "Sociedade de Belas-Artes", destinada a estabelecer um salão permanente de exposição e venda de obras de arte e a organizar uma exposição anual. Essa proposta seria retomada por um grupo de artistas e amadores que, em 1861, fundou oficialmente a Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal.[1]

A primeira assembleia geral realizou-se em 19 de dezembro de 1861, sob a presidência de D. Francisco de Melo, reunindo quarenta dos 179 associados. O Marquês de Sousa Holstein, vice-inspetor da Academia de Belas-Artes de Lisboa, foi o primeiro presidente efetivo e uma das figuras centrais da Promotora.[2]

Objectivos e estatutos

Nos seus estatutos, a Promotora definia como fins principais:

  • "Excitar a emulação entre os artistas portugueses";
  • "Propagar o conhecimento e o amor pelas artes";
  • "Facilitar a venda das obras de arte por meio de exposições públicas anuais";
  • "Proteger os artistas com a aquisição de objetos de arte expostos".[3]

Os cargos diretivos eram distribuídos de forma paritária entre artistas e amadores. O modelo refletia o espírito de cooperação entre os dois grupos, embora o círculo restrito de membros revelasse um certo carácter de mecenatismo elitista.[1]

Actividade

A primeira exposição da Sociedade inaugurou-se a 25 de maio de 1862, nas dependências da Academia de Belas-Artes de Lisboa, sob o patrocínio de D. Luís I. A mostra contou com 78 obras, das quais 27 foram vendidas, o que demonstrou a capacidade da Promotora para dinamizar o mercado artístico. Em 1863 seguiu-se a segunda exposição, que consolidou a reputação da associação como o principal centro artístico da capital.[4][5]

A Promotora criou também delegações em cidades como o Porto, Coimbra e Braga, nomeando representantes locais para alargar a rede de expositores e correspondentes.[6]

Entre as suas iniciativas mais relevantes destacou-se a publicação, sob os auspícios do Marquês de Sousa Holstein, do estudo de J. C. Robinson sobre a *Antiga Escola Portuguesa de Pintura*, dedicado a Grão Vasco, entre 1866 e 1868.[7]

Declínio

A Sociedade Promotora conheceu um período de prosperidade entre 1862 e 1876, mas a partir da década de 1880 enfrentou dificuldades financeiras e artísticas. Sob a direção do Conde de Almedina (Delfim de Guedes), tentou modernizar a sua programação e abrir um centro de encontro permanente entre artistas e amadores. Contudo, as novas correntes estéticas representadas por Silva Porto e pelo Grupo do Leão evidenciaram o desfasamento da Promotora face à nova geração de pintores naturalistas.[1] A 14.ª exposição, realizada em 1887, foi a última organizada pela associação, marcando o fim da sua atividade institucional.[8]

Legado

A Sociedade contribuiu para estabelecer o modelo de exposições anuais, incentivar o colecionismo e aproximar artistas e público num contexto moderno de mercado artístico. A sua influência estendeu-se também à criação de sociedades artísticas em outras cidades, como o Centro Artístico Portuense e o Ateneu Artístico Portuense.[1] Em 1901, a Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal fundiu-se com o Grémio Artístico,[9] dando origem à Sociedade Nacional de Belas Artes.

Ver também

Referências

  1. a b c d e Moncóvio, Susana (2014). O Centro Artístico Portuense (1880–1893) (Tese de doutoramento em História da Arte). Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto. pp. 85–89 
  2. Estatutos da Sociedade Promotora das Bellas-Artes em Portugal. Lisboa: Typographia de M. da Costa. 1863 
  3. Estatutos da Sociedade Promotora das Bellas-Artes em Portugal. Lisboa: Typographia de M. da Costa. 1863. pp. 5–7 
  4. Sociedade Promotora das Bellas-Artes em Portugal. Primeira Exposição. Lisboa: Typographia do Futuro. 1862 
  5. Sociedade Promotora das Bellas-Artes em Portugal. Segunda Exposição. Lisboa: Typographia Franco-Portugueza. 1863 
  6. Relatório e Contas da Sociedade Promotora das Bellas-Artes em Portugal no Ano Social de 1862–1863. Lisboa: Typographia Franco-Portugueza. 1863. 27 páginas 
  7. Robinson, J. C. (1868). A Escola Portugueza de Pintura. Lisboa: Typographia Universal 
  8. Sociedade Nacional de Belas Artes. Exposição Documental (1860–1951): Da Sociedade Promotora de Belas Artes e do Grémio Artístico à Sociedade Nacional de Belas Artes. Lisboa: Sociedade Nacional de Belas Artes. 1951. 5 páginas 
  9. «A SNBA – Sociedade Nacional de Belas Artes» (em inglês). Consultado em 15 de outubro de 2025 

Bibliografia

  • MONCÓVIO, Susana Maria Simões – O Centro Artístico Portuense (1880–1893). Tese de Doutoramento em História da Arte, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2014.
  • Estatutos da Sociedade Promotora das Bellas-Artes em Portugal. Lisboa: Typographia de M. da Costa, 1863.
  • Relatório e Contas da Sociedade Promotora das Bellas-Artes em Portugal no Ano Social de 1862–1863. Lisboa: Typographia Franco-Portugueza, 1863.
  • ROBINSON, J. C. – A Escola Portugueza de Pintura. Lisboa: Typographia Universal, 1868.
  • Sociedade Nacional de Belas Artes. Exposição Documental (1860–1951): Da Sociedade Promotora de Belas Artes e do Grémio Artístico à Sociedade Nacional de Belas Artes. Lisboa: SNBA, 1951.