Grémio Artístico
Grémio Artístico de Lisboa
O Grémio Artístico de Lisboa foi uma associação cultural e profissional portuguesa fundada na década de 1890, que reuniu artistas, críticos e intelectuais dedicados à promoção da arte contemporânea e à defesa dos interesses dos artistas plásticos. A sua criação insere-se no contexto da renovação artística que sucedeu ao movimento do Grupo do Leão e na sequência do diálogo com instituições do Porto como o Centro Artístico Portuense.[1][2]
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História
O Grémio teve origem c. de 1890 (José-Augusto França situa o início das suas atividades em 1891), na crescente necessidade de organização profissional dos artistas lisboetas durante as últimas décadas do século XIX. Foi constituído por pintores, escultores e arquitectos que procuravam criar uma instituição com estatutos, sede e capacidade de organizar exposições regulares, premiar trabalhos e conceder bolsas de estudo.[3]
Entre os associados e figuras de relevo estiveram nomes da geração naturalista portuguesa como Columbano Bordalo Pinheiro, João Vaz, Silva Porto, José Júlio de Souza Pinto[4], e José Malhoa, bem como outros artistas envolvidos nas mostras coletivas de fim de século. A última exposição documentada data de 1899.[3][5]
Relação com o Grupo do Leão
O Grémio Artístico pode ser visto como um desenvolvimento institucional do espírito do Grupo do Leão: enquanto o Grupo do Leão foi essencialmente um movimento de confraternização e renovação estética (actuando ativamente entre 1881 e 1889), o Grémio procurou formalizar essa actividade através de estatutos, direcções e um calendário expositivo regular. Muitos dos participantes de uma e outra organização sobrepuseram-se, tal como Silva Porto, e a transmissão de práticas e contactos foi significativa para a cena artística lisboeta do período. [5][1]
Relação com o Centro Artístico Portuense
O Grémio manteve trocas intelectuais e organizativas com o Centro Artístico Portuense — as duas instituições representavam os dois grandes polos artísticos do país (Lisboa e Porto) e promoveram, mediante convites e intercâmbios, exposições e contactos entre artistas das duas cidades. Essas trocas contribuíram para a consolidação de uma rede artística nacional na viragem para o século XX.[2][3] Como exemplo, temos o artista João Marques de Oliveira.
Legado
Ao longo da última década do século XIX, o Grémio Artístico de Lisboa ajudou a profissionalizar a actividade artística em Portugal e a criar espaços de apresentação alternativos às academias oficiais. Em 1901, fundiu-se com a Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal, dando origem à Sociedade Nacional de Belas Artes,[1][2][6]
Ver também
Referências
- ↑ a b c França, José-Augusto (1966). A Arte em Portugal no Século XIX. Lisboa: Bertrand
- ↑ a b c Pereira, Fernando António Baptista (1999). A Arte Portuguesa do Século XIX. Lisboa: Estampa
- ↑ a b c Serrão, Vítor (1986). História da Arte em Portugal: O Naturalismo e o Simbolismo. 10. Lisboa: Publicações Alfa
- ↑ «SOUSA PINTO Pintor 1856-1939» (PDF). Câmara Municipal de Lisboa
- ↑ a b Pires, Ana Filipa (2014). O Grupo do Leão e a modernidade artística em Portugal (1880–1890) (Dissertação). Universidade Nova de Lisboa
- ↑ «A SNBA – Sociedade Nacional de Belas Artes» (em inglês). Consultado em 15 de outubro de 2025