Sete Clássicos Militares
Os Sete Clássicos Militares (chinês tradicional: 武經七書, chinês simplificado: 武经七书, pinyin: Wǔjīngqīshū, Wade–Giles: Wu ching ch'i shu) são sete importantes textos militares da antiga China, entre os quais se encontra A Arte da Guerra, de Sun-Tzu. Tais textos foram canonizados com esse nome no século 11 d.C. e, a partir da Dinastia Song, passaram a integrar a maioria dos leishu militares.[1] O imperador Shenzong, sexto imperador da Dinastia Song, decidiu quais textos seriam incluídos nessa antologia em 1080.[2] Para oficiais imperiais, alguns ou todos esses trabalhos eram leitura obrigatória para que pudessem ser promovidos, tal como o requisito para todos os burocratas conhecerem a obra de Confúcio. A Arte da Guerra chegou a ser traduzida no tangute com comentários.[3][4]
Lista
De acordo com Ralph D. Sawyer e Mei-chün Sawyer, responsáveis por uma das traduções mais recentes, os Sete Clássicos Militares são:[5]
- Seis Ensinamentos Secretos, de Jiang Ziya (Taigong)
- Os Métodos de Sima (também conhecido como A Arte da Guerra de Sima Rangju)
- A Arte da Guerra, de Sun Tzu
- Wuzi, de Wu Qi
- Wei Liaozi
- Três Estratégias de Huang Shigong
- Perguntas e Respostas entre o Imperador Taizong e Li Weigong
Não se conhecem outras variações da antologia que troquem qualquer um dos membros. No entanto, os próprios textos tiveram múltiplas versões, especialmente A Arte da Guerra, que conta com várias dezenas de traduções para o inglês apenas no século 20.
Apesar de haver destaque para textos militares no Yi Zhou shu, nenhum dos capítulos da antologia foi considerado clássico.[6]
Influência
Muitas antologias diferentes surgiram ao longo dos séculos, com distintas anotações e análises de estudiosos, resultando nas versões atuais em publicações ocidentais. O Imperador Kangxi, da Dinastia Qing, comentou sobre os sete clássicos militares, dizendo: “Eu li todos os sete livros; alguns de seus conteúdos não são necessariamente corretos e há coisas supersticiosas que podem ser usadas por pessoas más.”
Membros do Partido Comunista da China também estudaram esses textos durante a Guerra Civil Chinesa, assim como diversos estrategistas militares europeus e norte-americanos.[1]
A Arte da Guerra era estudada por clãs japoneses em guerras civis, como a Guerra Genpei, o Sengoku Jidai e a Guerra Boshin no Japão.[7][8]
Vários textos militares chineses, como Su Shu, San Liu, Seis Ensinamentos Secretos e A Arte da Guerra, foram traduzidos para o idioma manchu.[9][10][11][12] Os manchus utilizavam traduções manchus do romance chinês Romance dos Três Reinos para aprender estratégia militar.[13]
Referências
- ↑ a b Van de Ven, Hans J. (2000). Warfare in Chinese History. [S.l.]: Brill. p. 7. ISBN 9004117741
- ↑ Gawlikowski, Kzysztof e Michael Loewe. (1993). "Sun tzu ping fa", in Early Chinese Texts: A Bibliographical Guide, Michael Loewe, ed., Berkeley: The Society for the Study of Early China, p. 449.
- ↑ Galambos, Imre (2015). «Translating Chinese Tradition and Teaching Tangut Culture : Manuscripts and Printed Books from Khara-khoto». Studies in Manuscript Cultures. 6. Berlin/Boston: Walter de Gruyter GmbH. pp. 8, 76, 87, 177, 190, 286. ISBN 978-3-11-044406-3. doi:10.1515/9783110453959
- ↑ Shi, Jinbo (2020). «2 Tangut Manuscripts». Tangut Language and Manuscripts: An Introduction. 40 of Languages of Asia. Li Hansong. [S.l.]: BRILL. p. 47. ISBN 978-9004414549. doi:10.1163/9789004414549_004
- ↑ Sawyer, Ralph D.; Mei Mei-chün Sawyer (1993). The Seven Military Classics of Ancient China. [S.l.]: Westview Press. ISBN 0813312280
- ↑ McNeal, Robin. Conquer and Govern. 2012:124.
- ↑ Knutsen, Roald (2006). Sun Tzu and the Art of Medieval Japanese Warfare First ed. [S.l.]: Brill Academic Pub. ISBN 978-19-05-24600-7. doi:10.1163/9789004213524
- ↑ Knutsen, Roald (2006). Sun Tzu and the Art of Medieval Japanese Warfare. [S.l.]: Gloval Oriental. ISBN 1905246005
- ↑ Shou-p'ing Wu Ko (1855). Translation (by A. Wylie) of the Ts'ing wan k'e mung, a Chinese grammar of the Manchu Tartar language (by Woo Kĭh Show-ping, revised and ed. by Ching Ming-yuen Pei-ho) with intr. notes on Manchu literature. Alexander Wylie. [S.l.: s.n.] p. xxxvi
- ↑ Shou-p'ing Wu Ko (1855). Translation (by A. Wylie) of the Ts'ing wan k'e mung, a Chinese grammar of the Manchu Tartar language (by Woo Kĭh Show-ping, revised and ed. by Ching Ming-yuen Pei-ho) with intr. notes on Manchu literature. Alexander Wylie. [S.l.: s.n.] p. xxxix
- ↑ Möllendorff, P. G. Von (1890). «Journal of the China Branch of the Royal Asiatic Society for the Year». Xangai: The Branch. Journal of the China Branch of the Royal Asiatic Society for the Year 1889-90. XXIV: 40
- ↑ DURRANT, STEPHEN. “MANCHU TRANSLATIONS OF CHOU DYNASTY TEXTS.” Early China, vol. 3, 1977, pp. 52–54. JSTOR, http://www.jstor.org/stable/23351361.
- ↑ West, Andrew. «The Textual History of Sanguo Yanyi : The Manchu Translation». Babel Stone. Cópia arquivada em 2023