Relações entre Alemanha Oriental e Brasil

Relações entre Alemanha Oriental e Brasil

Mapas da Alemanha Oriental e Brasil

As relações bilaterais entre a Alemanha Oriental (República Democrática Alemã) e o Brasil referem-se ao conjunto de interações diplomáticas, econômicas, culturais e políticas estabelecidas entre os dois países durante o período de existência da RDA, entre 1949 e 1990. Embora o Brasil tenha mantido tradicionalmente relações diplomáticas com a República Federal da Alemanha (RFA), o país estabeleceu relações oficiais com a Alemanha Oriental na década de 1970, no contexto da política de détente da Guerra Fria. [1]

Estabelecimento das relações diplomáticas

O Brasil reconheceu oficialmente a República Democrática Alemã (RDA) em 1973, no contexto da política de aproximação conhecida como Ostpolitik, promovida pelo governo da Alemanha Ocidental sob a liderança do chanceler Willy Brandt. A decisão brasileira seguiu uma tendência observada em outros países latino-americanos, como México e Argentina, que também estabeleceram relações diplomáticas com a Alemanha Oriental no mesmo período.[2][3]

As relações foram formalizadas por meio da troca de notas diplomáticas e da instalação de embaixadas em Brasília e Berlim Oriental, respectivamente.[4]

Cooperação política e econômica

Apesar das diferenças ideológicas entre os regimes, o Brasil sob regime militar e a RDA como Estado socialista aliado da União Soviética, os dois países mantiveram um relacionamento diplomático pragmático. [1] Foram firmados acordos de cooperação nas áreas comercial, científica e técnica, com destaque para o interesse da RDA em ampliar sua presença em países do chamado Terceiro Mundo.[1][2]

A pauta comercial bilateral incluía, por parte do Brasil, exportações de produtos agrícolas, como café e soja, enquanto a Alemanha Oriental fornecia máquinas, equipamentos industriais e produtos químicos.[3]

Intercâmbio cultural e científico

Durante a década de 1980, intensificaram-se as atividades de intercâmbio cultural entre os dois países. A RDA promoveu, no Brasil, exposições artísticas, mostras de cinema e apresentações musicais. Também houve envio de estudantes brasileiros para instituições de ensino superior da RDA, especialmente nas áreas de engenharia, medicina e ciências sociais.[4][5]

Intelectuais e membros da esquerda brasileira mantiveram contatos com entidades políticas da RDA, como o Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED), no contexto de aproximações político-ideológicas não oficiais.[1]

Encerramento das relações e reunificação alemã

Com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o subsequente processo de reunificação alemã, concluído em outubro de 1990, a RDA foi dissolvida e seu território incorporado pela República Federal da Alemanha. As embaixadas da Alemanha Oriental foram encerradas, e suas atribuições foram absorvidas pela representação diplomática da Alemanha reunificada.[2]

O Brasil manteve normalmente suas relações diplomáticas com a Alemanha unificada, consolidando os laços históricos com ambas as ex-Alemanhas.[3]

Legado

As relações entre o Brasil e a Alemanha Oriental constituem um capítulo singular da diplomacia brasileira durante a Guerra Fria. O relacionamento, embora limitado, foi caracterizado por pragmatismo e intercâmbio cultural significativo. Estudos acadêmicos e documentos diplomáticos contribuem para o entendimento do posicionamento brasileiro frente aos dois Estados alemães durante o período bipolar internacional.[1][2][5]

Ver também

Referências

  1. a b c d e Saraiva, José Flávio Sombra. O Lugar da Alemanha na Política Externa Brasileira (1949–1990). Brasília: IPRI-Funag, 2010.
  2. a b c d Hilger, Andreas. "The German Democratic Republic and Latin America". Journal of Cold War Studies, vol. 13, no. 3, 2011, pp. 4–28.
  3. a b c Alves, João Roberto. Diplomacia e Guerra Fria: A política externa do Brasil frente às Alemanhas. São Paulo: EdUSP, 2002.
  4. a b Arquivo Histórico do Itamaraty – Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Relatórios de missões diplomáticas do Brasil na RDA (1973–1990).
  5. a b Bundesarchiv (Arquivo Federal Alemão). "Beziehungen der DDR zu Brasilien, 1973–1990".