Recordações do Escrivão Isaías Caminha
| Recordações do Escrivão Isaías Caminha | ||||
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![]() Capa da edição de 1917 | ||||
| Autor(es) | Lima Barreto | |||
| País | ||||
| Gênero | Romance | |||
| Editora | Livraria Clássica Editora | |||
| Editor | A.M. Teixeira & CIA | |||
| Lançamento | 1909 | |||
| Páginas | 234 (1a. edição) | |||
| Cronologia | ||||
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Recordações do Escrivão Isaías Caminha é o primeiro romance do escritor brasileiro Lima Barreto.[1] Com referência autobiográfica, tem como tema o racismo e a subordinação.[2]
Os primeiros capítulos do romance saíram na Revista Floreal, editada por Lima Barreto, em 1907.[3] Sua primeira publicação completa foi no ano de 1909, por A.M. Teixeira & CIA, pela Livraria Clássica de Lisboa, do qual Antonio Maria era proprietário. No ano de 1909, Lima Barreto lhe enviou uma carta agradecendo e oferecendo, como pagamento da edição e publicação, uma quantidade em livros para comercialização.[4]
Crítica
Monteiro Lobato não fez restrições à linguagem do autor, criticada na época por conta de "alguns deslizes". Lobato gostou do texto e o elogiou ao amigo Godofredo Rangel:[5]
Como ainda estou de resguardo e preso em casa, leio como nos bons tempos de Taubaté. Fechei neste momento um romance de Lima Barreto, Isaías Caminha. É dos tais legíveis de cabo a rabo. Romancista de verdade.
— Lobato, A Barra, 384 - 24/11/1918[6]
O jornal "O Globo" da ficção de Barreto, e nele alvo de críticas duras, era na verdade o prestigioso Correio da Manhã, segundo Lobato. Os jornalistas da época tentaram ignorar a obra devido à ofensa da denúncia, o que certamente prejudicou muito o início da carreira de Lima. Ainda segundo Lobato, Lima é o criador de uma nova fórmula de romance: a crítica social sem doutrinarismo dogmático.[7]
Lima chegou a trabalhar no Correio da Manhã, mas com a publicação de Recordações do Escrivão Isaías Caminhas − onde faz críticas contundentes a Edmundo Bittencourt, o proprietário do jornal − Lima Barreto tornou-se persona non grata, não só nesse jornal como em todos os outros grande jornais do Rio de Janeiro.[8][9]
Referências
- ↑ Lima Barreto. Sammlung. Editorial Universidad de Costa Rica; ISBN 978-84-89666-29-0. p. 639.
- ↑ Lima Barreto - Recordações do Escrivão Isaías Caminha , Brasiliana USP
- ↑ BARRETO, Lima (org.). Floreal: publicação bimensal de crítica e literatura. Rio de Janeiro: Typ. Rebello Braga; Typ. da Revista dos Tribunaes, 1907. Disponível em: https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm-ext/1273 . Acesso em: 01 fev. 2026.
- ↑ Carta a A. M. Teixeira
- ↑ Marli Quadros Leite. Metalinguagem e discurso (2. ed.). Editora Humanitas; 2006. ISBN 978-85-98292-76-2. p. 135.
- ↑ José Bento Monteiro Lobato. A barca de Gleyre. Globo Livros; 1959. ISBN 978-85-250-5012-0. p. 453.
- ↑ Luciana Hidalgo. Literatura da urgência: Lima Barreto no domínio da loucura. Annablume; 2008. ISBN 978-85-7419-813-2. p. 97.
- ↑ Crônicas cariocas e ensino de história. 7Letras; 2008. ISBN 978-85-7577-464-9. p. 33.
- ↑ Beatriz Resende, Sonhos e mágoas de um povo, Ediora Agir, 2004, p. 11
Bibliografia
- CAMPATO JR., João Adalberto. Lima Barreto: Retórica e Literatura Militante nas Recordações do Escrivão Isaías Caminha. Curitiba: CRV, 2013.
- CRUZ, Izabel Cristina Cavalcanti. Isaías Caminha e o mal-estar na civilização brasileira no limiar do século XX. Rio de Janeiro: Rizoma Editorial, 2015.


