Histórias e Sonhos
| Histórias e Sonhos | ||||
|---|---|---|---|---|
| Autor(es) | Lima Barreto | |||
| Idioma | Português | |||
| País | ||||
| Gênero | Contos | |||
| Editora | Livraria Schettino | |||
| Lançamento | 1920 | |||
| Cronologia | ||||
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Histórias e Sonhos é uma coletânea de contos do escritor brasileiro Lima Barreto. Foi publicada em 1920, sendo esta a última obra que publicou em vida.[1] A primeira edição saiu pela Livraria Schettino, e foi a única coleção de contos organizada expressamente pelo autor.[2]
Estilo e temática
A obra é caracterizada por suas sátiras às mazelas sociais, por exemplo, em "Harakashy e a Escola de Java" em que denuncia a pseudo-inteligência e a corrupção. Nele, o enunciador, ao destacar a desaprovação do caráter de sujeitos que compõem a sociedade elitizada, trabalha com uma linguagem clara, porém, pejorativa.[3] Contém intertextualidade com Os Bruzundangas, conjunto de crônicas publicado póstumamente em 1922.
Alguns contos da coletânea, como "O Moleque", inovam nos aspectos da linguagem e dos recursos estilísticos, e dialogam com outras linguagens artísticas, como a da crônica, sem perder as características próprias do gênero conto.[4] Outros, como "Lívia", demonstram uma hábil construção estrutural e narrativa que vinculam um perfil linguístico e social que são construídos ao longo dos textos.[5]
Contos
- "Amplius!" (prefácio)
- "O Moleque"
- "Sua Excelência"
- "Harakashy e as Escolas de Java"
- "Congresso Pan-Planetário"
- "Cló"
- "Hussein Ben Ali-Al-Balek e Miquéas Habacuc"
- "Agaricus Auditae"
- "Adelia"
- "O Feiticeiro e o Deputado"
- "Uma Noite no Lírico"
- "Um Musico Extraordinário"
- "A Biblioteca"
- "Livia"
- "Mágoa que Rala"
- "Clara dos Anjos"
- "Uma Vagabunda"
- "A Barganha"
- "A Matemática não Falha"
- "Uma Conversa Vulgar"
Segunda edição
Em 1951, uma nova versão do livro foi publicada. Além de retificar vários erros que tinham a primeira edição da obra, o livro inclui duas novas seções.
Outras Histórias
A segunda parte do livro é constituída por textos avulsos, até então não reunidos em livro. Inclúi, além dos contos, duas produções teatrais de Lima Barreto.
- "Por Que Não se Matava"
- "Ele e Suas Ideias"
- "Numa e a Ninfa"
- "Uma Conversa"
- "A Cartomante"
- "O Cemitério"
- "Na Janela"
- "Despesa Filantrópica"
- "O Caçador Doméstico"
- "Uma Academia da Roça"
- "A Mulher do Anacleto"
- "Dentes Negros e Cabelos Azuis"
- "A Doença do Antunes"
- "A Indústria da Caridade"
- "Casa de Poetas" (Comédia em um ato)
- "Os Negros" (Esboço de uma peça)
Contos Argelinos
A terceira parte do livro é constituída exclusivamente por contos satíricos acerca da política brasileira nos tempos do marechal Hermes da Fonseca, com suas bandalheiras e favoritismos propositadamente destacados por Lima Barreto.[6]
Neles, Lima Barreto denuncia a ditadura militar, o estado de sítio imperante, a carestia econômica e as rebeliões populares que estouravam nesse momento; tudo devidamente alterado e com nomes camuflados. No país de Al-Patak, havia canatos, domínios dos sultões, dos xeiques e outros chefes, correspondentes aos nossos estados.[7]
- "S. A. I. Jan-Ghothe"
- "El-Kazenadji"
- "O Juramento"
- "A Firmeza de Al-Bandeirah"
- "O Desconto"
- "A Solidariedade de Al-Bandeirah"
- "O Reconhecimento"
- "O Oráculo"
- "A Chegada"
- "Um Candidato"
- "Um Bom Diretor"
- "Os Quatro Filhos d'Aymon"
- "A Consulta"
- "Que Rua é Esta?"
- "Abertura do Congresso"
- "Medidas de Sua Excelência"
- "Uma Anedota"
- "A Nova Glória"
- "Era Preciso..."
- "Faustino I"
- "O Rico Mendigo"
- "Projeto de Lei"
- "Firmeza Política"
- "Cincinato, o Romano"
- "O Ideal"
- "A Fraude Eleitoral"
- "As Teorias do Dr. Caruru"
- "O Anel de Perdicas"
- "O Congraçamento"
- "Nós! Hein?"
- "Um Debate Acadêmico"
- "Coisas Parlamentares"
- "Os Kalogheras"
- "Conservou o Fez"
- "Arte de Governar"
- "O Destino do Chaves"
- "Uma Opinião de Peso"
- "O Poderoso Dr. Matamorros"
- "Um Fiscal de Jogo"
- "Boa Medida"
- "Falar Inglês"
- "Manifestações Políticas"
- "Na Avenida"
- "Rocha, o Guerreiro"
- "Um do Povo"
- "Hóspede Ilustre"
- "Interesse Público"
Referências
- ↑ BARRETO, Lima. Historias e sonhos: contos. Rio de Janeiro: GianLorenzo Schettino, 1920. 186 p. Disponível em: https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4786. Acesso em: 23 jan. 2026.
- ↑ SCHWARCZ, Lilia Moritz. “Introdução – Lima Barreto: termômetro nervoso de uma frágil república”. In: BARRETO, Lima. Contos completos. Organização e introdução de Lilia Moritz Schwarcz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010
- ↑ SANTOS, J. S. A construção figurativa em contos de Lima Barreto: um olhar semiótico. 2019. Dissertação (Mestrado em Letras) – Campus de Três Lagoas, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas, 2019. Disponível em: https://posgraduacao.ufms.br/portal/trabalho-arquivos/download/7055. Acesso em: 23 jan. 2026.
- ↑ SILVA, Rodrigo de Albuquerque. Lima Barreto: representações, diálogos e trajetórias literário-culturais. 2008. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/14384. Acesso em: 23 jan. 2026.
- ↑ GOMES, J. V.; SILVA, C. R. Análise estruturalista do conto "Lívia", de Lima Barreto. In: XII Encontro Internacional de Produção Científica (EPCC), 2021, Maringá. Anais [...]. Maringá: UniCesumar, 2021. Disponível em: https://www.unicesumar.edu.br/anais-epcc-2021/wp-content/uploads/sites/236/2021/11/441.pdf. Acesso em: 23 jan. 2026.
- ↑ SCHWARCZ, Lilia Moritz. “Introdução – Lima Barreto: termômetro nervoso de uma frágil república”. In: BARRETO, Lima. Contos completos. Organização e introdução de Lilia Moritz Schwarcz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010
- ↑ OLIVEIRA, Sílvio Roberto dos Santos. Os contos argelinos de Lima Barreto. Artigo de conferência publicado na SEMOC – Semana de Mobilização Científica – Qualidade de Vida e Dignidade da Pessoa Humana, Salvador, BA, 2005. Repositório Institucional da UCSAL. Disponível em: https://ri.ucsal.br/handle/prefix/2620

