Bagatelas
| Bagatelas | ||||
|---|---|---|---|---|
| Autor(es) | Lima Barreto | |||
| Idioma | Português | |||
| País | ||||
| Gênero | Crônicas | |||
| Editora | Empresa de Romances Populares | |||
| Editor | Vasco Lima | |||
| Lançamento | 1923 | |||
| Cronologia | ||||
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Bagatelas é um livro de crônicas do do escritor brasileiro Lima Barreto, publicado póstumamente em 1923. Foi o último livro que o autor preparou para publicação.[1]
Segundo o autor, na advertência da obra, "este pequeno livro não visa outro intuito senão permitir aos espíritos bondosos que me têm acompanhado, nos meus modestos romances, a feitura de algumas reflexões sobre fatos, coisas e homens da nossa terra, que, julgo, talvez sem razão, muito próximas a mim".[2]
Crônicas
Ao todo, o livro é composto de 41 crônicas. Uma delas, "A Matemática Não Falha", havia sido publicada como conto no livro Histórias e Sonhos, em 1920.
- "A Superstição do Doutor"
- "São Paulo e os Estrangeiros"
- "Casos de Bovarismo"
- "Tenho Esperança Que..."
- "O Caso do Mendigo"
- "Vera Zassulitch"
- "Que Fim Levou?"
- "O Convento"
- "No Ajuste de Contas"
- "Da Minha Cela"
- "Carta Aberta"
- "Não Valia a Pena"
- "Um Ofício da A. P. S. A."
- "Problema Vital"
- "Quem Será, Afinal?"
- "Procurem a sua Josefina!"
- "São Capazes de Tudo..."
- "Sobre o Maximalismo"
- "Os Uxoricidas e a Sociedade Brasileira"
- "A Matemática Não Falha"
- "O Nosso "Ianquismo""
- "Edificantes Notas ao Southey"
- "Henrique Rocha"
- "Livros de Viagem"
- "Duas Relíquias"
- "Dois Livros"
- "Sobre o Nosso Teatro"
- "Pela "Seção Livre""
- "Sestros Brasileiros"
- "A Circular do Reverendo Vigário Geral"
- "Uma Simples Nota"
- "A Missão dos Utopistas"
- "Meia Página de Renan"
- "As Lições da Grande Guerra"
- "O "Negócio" da Bahia"
- "Homem ou Boi de Canga?"
- "O Cedro de Teresópolis"
- "Coisas Eleitorais"
- "Após a Guerra"
- "Mais Uma Vez"
- "A Nossa Situação"
Análise
A obra é composta por crônicas e textos curtos que haviam sido previamente publicados na imprensa periódica, onde o autor aborda temas do cotidiano urbano, política, cultura, imprensa e costumes da sociedade brasileira do início do século XX. Barreto enxergava a necessidade de imprimir em livros a sua participação na imprensa, tirando da condição volátil encontrada nos artigos espalhados nos jornais diários e revistas, principalmente por entender que os periódicos em que os publicou eram modestos e que talvez não fossem percebidos. É uma tentativa de registrar a literatura militante do autor, para que não caia no esquecimento.[3]
Há um discurso "do fora" que se faz presente em muitas destas crônicas, um discurso através do qual manifesta-se uma dimensão de enfrentamento ao poder instaurado, seja a lei, a norma, o governo, a tradição, a direita; é um "pensamento de resistência".[4]
No que tange ao título Bagatelas, existe uma clara sugestão ao status "marginal" dos textos que compõem a obra. Com efeito, o livro teria recebido esse título pois a maioria dos escritos apareceram em periódicos “baratos”. Lima Barreto tinha preferência pela pequena imprensa, devido à sua maior liberdade de expressão. O termo “bagatelas” também pode estar sugerindo um tipo de discurso que se encontre alinhado ao lado dos menos favorecidos, dos "pequenos", dos que não são importantes aos olhos do poder.[5]
Referências
- ↑ FERNANDES, Ana Helena Cobra. Bagatelas em perspectiva: Lima Barreto - crônicas anotadas. 2010. 2 v. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, SP. Disponível em: 20.500.12733/1612310. Acesso em: 26 jan. 2026.
- ↑ BARRETO, Lima. Bagatelas. Rio de Janeiro: Empresa de Romances Populares, 1923. Disponível em: https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4791
- ↑ CAMARGO, Áureo Joaquim. A bagatelização da literatura de Lima Barreto: análise do legado editorial do escritor. 2015. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual Paulista (UNESP).
- ↑ LOYOLLA, Dirlenvalder do Nascimento. A crônica do “fora” em Bagatelas e Marginália, de Lima Barreto. Revista Cerrados, v. 27, n. 46, p. 181–201, 2018. DOI: https://doi.org/10.26512/cerrados.v27i46.19637 .
- ↑ LOYOLLA, Dirlenvalder do Nascimento. Bagatelas e marginália: cultura intelectual e revide ao Poder nas crônicas de Lima. 2014. 198 f. Tese (Doutorado em Literatura)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

