Psilocybe aucklandiae

Psilocybe aucklandiae

Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Fungi
Filo: Basidiomycota
Classe: Agaricomycetes
Ordem: Agaricales
Família: Hymenogastraceae
Género: Psilocybe
Espécie: P. aucklandiae
Nome binomial
Psilocybe aucklandiae
Guzmán, King & Bandala (1991)
Psilocybe aucklandiae
float
float
Características micológicas
Himêmio laminado
  
Píleo é cônico
  ou umbonado
Lamela é adnata
Estipe é nua
A cor do esporo é púrpura-acastanhado
A relação ecológica é saprófita
Comestibilidade: psicotrópico

Psilocybe aucklandiae é uma espécie de fungo agaricoide da família Hymenogastraceae. É conhecida da Região de Auckland, na Nova Zelândia, onde cresce em solos argilosos tanto em plantações exóticas de pinheiros quanto em florestas nativas.[1] Filogeneticamente é muito próxima ou praticamente idêntica a Psilocybe zapotecorum, do México e da América do Sul. Por pertencer ao grupo das espécies de Psilocybe que azulam ao serem manipuladas, contém os compostos psicoativos psilocina e psilocibina.[2]

Taxonomia

Psilocybe aucklandiae foi formalmente descrita em 1991 por Gastón Guzmán, Chris King e Victor Bandala no artigo “A new species of Psilocybe of section Zapotecorum from New Zealand”. O epíteto é feminino; a ortografia original é aucklandii, que tem um sufixo masculino.[3] O holótipo encontra-se na Nova Zelândia sob o número de acesso PDD 57236,[4] tendo sido coletado nas Cordilheiras Waitākere [en],[5] enquanto o isótipo está depositado no herbário XAL, no México. O nome refere-se à distribuição geográfica quase restrita à Região de Auckland, que abrange a maior cidade do país (Auckland) e localiza-se na metade superior da Ilha Norte. Na época da publicação, a espécie era conhecida apenas dessa área.[5]

Descrição

Underside of Psilocybe aucklandiae mushroom cap, showing the gills.
P. aucklandiae: gills.

O píleo mede 15–55 mm de diâmetro, é amplamente cônico, tornando-se amplamente umbonado até quase plano, com margens ligeiramente voltadas para cima e frequentemente fendidas na maturidade; seco; sem restos de véu; castanho-escuro a castanho-amarelado, estriado até a margem, higrófano, secando para amarelo-pálido-acastanhado ou cor de palha; mancha de verde-azulado com danos ou idade; carne branca. As lamelas são adnatas, próximas, amarelo-acastanhado acinzentado, tornando-se violeta-escuras na maturidade, com margem estreita e pálida bem visível. O estipe mede 35–100 por 1,5–5 mm, é cilíndrico, finamente pruinoso na parte superior e sedoso-fibriloso próximo à base, branco, amarelo ou castanho-arroxeado rosado, com carne acastanhada. Véu cortinoide e pouco desenvolvido, desaparecendo à medida que o píleo amadurece. Todas as partes mancham de verde-azulado profundo ou preto-azulado com dano ou manuseio. A esporada é violeta-acastanhada.[5]

Os esporos medem (6,5-)7-9,5 por 4-5,5 por 3,5-4,5 μm, em média 8,1 por 4,9 por 4,3 μm, ovados em vista frontal, elíptico-ovados em vista lateral; parede castanha e lisa, espessura de 0,5 μm, com poro apical; basídios 20-28 por 4,5-6 μm, cilíndricos, com 4 esporos, com fíbulas; queilocistídios 15-32 por 4-8 μm, ventricoso-rostrados (inchados e irregulares com bico), com pescoço longo, afilado, flexuoso e por vezes bifurcado, hialinos, de parede fina, até 12 μm de comprimento; pleurocistídios 13-19 por 4,5-6 μm, esparsos, semelhantes aos queilocistídios mas com pescoço mais curto, até 4,5 μm.[5]

Espécies semelhantes

Psilocybe zapotecorum, do México e da América do Sul, é semelhante. Como observaram Guzmán et al. (1991), "P. aucklandii é muito semelhante a P. zapotecorum R. Heim emend. Guzmán, comum no México e conhecida da América do Sul. As duas espécies são quase indistinguíveis microscopicamente, embora a comparação com descrições publicadas (Guzmán 1983) indique que P. aucklandii pode ter pleurocistídios ligeiramente mais estreitos e esporos ligeiramente mais largos. As ilustrações publicadas de P. zapotecorum (Guzmán 1983) parecem mostrar que P. aucklandii é uma espécie menos robusta".[5]

Distribuição e habitat

Cresce no solo e em serrapilheira, especialmente solos argilosos, em florestas nativas e plantações de pinheiros, quase sempre na ampla Região de Auckland, Nova Zelândia. É comum na plantação exótica de pinheiros de Riverhead.[5] Foi registrada em Waipoua (Ilha Norte) e na Austrália como Psilocybe sect. Zapotecorum, provavelmente filogeneticamente muito próxima ou idêntica.

Exemplares examinados para a descrição: Auckland: Floresta Estadual Woodhill, no solo em serrapilheira de floresta mista de pinheiros e nativa, C. C. King, jun 1989 PDD 57236 (holótipo).[6] Cordilheiras Waitakere: Sharps Bush, em serrapilheira sob Leptospermum e Dacrydium: PDD 43043; Atkinson Park, Titirangi Beach, no solo sob Leptospermum: PDD 49789; Quarry Track, Piha Valley Forest, em serrapilheira: PDD 58423. Cordilheiras Hunua: Orere, no solo: PDD 34593; Mangatangi Valley, em madeira apodrecida: PDD 34594.[7]

Ver também

Referências

  1. Johnston P, Buchanan PK. The genus Psilocybe (Agaricales) in New Zealand. New Zealand Journal of Botany 1995;33(3):379-388. Johnston, Peter R.; Buchanan, Peter K. (1995). «The genus Psilocybe(Agaricales) in New Zealand». New Zealand Journal of Botany. 33 (3): 379–388. Bibcode:1995NZJB...33..379J. doi:10.1080/0028825X.1995.10412964 
  2. Ramírez-Cruz, Virginia; Guzmán, Gastón; Villalobos-Arámbula, Alma Rosa; Rodríguez, Aarón; Matheny, Brandon; Sánchez-García, Marisol; Guzmán-Dávalos, Laura (2013). «Phylogenetic inference and trait evolution of the psychedelic mushroom genus Psilocybe sensu lato (Agaricales)». Botany. 91 (9): 573–591. Bibcode:2013Botan..91..573R. doi:10.1139/cjb-2013-0070 
  3. Segedin, B.P.; Pennycook, S.R. (2001). «A nomenclatural checklist of agarics, boletes, and related secotioid and gasteromycetous fungi recorded from New Zealand.». New Zealand Journal of Botany. 39 (2): 285–348. Bibcode:2001NZJB...39..285S. doi:10.1080/0028825X.2001.9512739 
  4. «PDD 57236 – Psilocybe aucklandiae Guzmán, C.C. King & Bandala - Specimen Details». scd.landcareresearch.co.nz. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  5. a b c d e f Johnston, P.R.; Buchanan, P.K. (1995). «The genus Psilocybe (Agaricales) in New Zealand». New Zealand Journal of Botany. 33 (3): 379–388. Bibcode:1995NZJB...33..379J. doi:10.1080/0028825X.1995.10412964 
  6. «PDD 57236 – Psilocybe aucklandiae Guzmán, C.C. King & Bandala - Specimen Details». scd.landcareresearch.co.nz. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  7. Guzman G, Bandala VM, King C (1991). «A new species of Psilocybe of section zapotecorum from New Zealand». Mycological Research. 95 (4): 507–508. doi:10.1016/S0953-7562(09)80856-3