Omphalotus subilludens

Omphalotus subilludens

Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Fungi
Filo: Basidiomycota
Classe: Agaricomycetes
Ordem: Agaricales
Família: Omphalotaceae
Género: Omphalotus
Espécie: O. subilludens
Nome binomial
Omphalotus subilludens
(Murrill) H.E. Bigelow 1982
Sinónimos
Clitocybe subilludens (Murrill) Murrill 1945[1]

Monodelphus subilludens Murrill 1945

Omphalotus subilludens
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Características micológicas
Himêmio laminado
Píleo é infundibuliforme
Lamela é decorrente
Estipe é nua
A cor do esporo é branco
A relação ecológica é saprófita
Comestibilidade: venenoso

Omphalotus subilludens é uma espécie de fungo basidiomiceto do gênero Omphalotus.[2] A espécie foi registrada na Flórida e no Texas, com relatos adicionais no Arizona e no México.[2][3][4][5][6] Produz basidiomas de tamanho relativamente grande, de cor laranja a laranja-amarronzada, que surgem em aglomerados durante os períodos mais quentes do ano em árvores mortas ou em declínio.[5][4] Está mais proximamente relacionada com O. olivascens, O. olearius e O. japonicus, apresentando alta compatibilidade de cruzamento com O. olivascens e O. olearius.[6][3] É venenosa para humanos e animais quando ingerida, mas raramente causa sintomas potencialmente fatais; os envenenamentos geralmente se resolvem em 24 a 48 horas, com predominância de sintomas gastrointestinais.[7][8] Compostos presentes nesses cogumelos possuem potencial farmacológico, com possíveis aplicações como anticoagulantes, terapias anticâncer e antibióticos.[9][10][11] Apresenta bioluminescência, emitindo um brilho fraco nas lamelas por meio da oxidação da luciferase.[12]

Descrição

Morfologia do basidioma

O. subilludens frutifica em madeira morta ou em declínio na primavera, verão e outono, sendo a maioria das observações registrada no final do verão e outono.[4][5] Os basidiomas crescem em grupos, possuem odor e sabor desagradáveis.[4] O píleo apresenta superfície laranja a castanho-avermelhada escura, é convexo a subexpandido e deprimido ou cônico no centro.[4][13] Pode atingir até 15 cm de diâmetro.[4] É glabro, liso ou rugoso, com margem inteira, ondulada ou lobada.[4] A pileipellis contém hifas refratárias e um pigmento incrustante laranja a marrom.[13] As lamelas podem ser bioluminescentes, e variam de laranja a laranja-acastanhado ou castanho-avermelhado e escurecem com a idade.[2][4][12][13] São decorrentes e muito juntas na margem.[4] O estipe é amarelo-intenso a amarelo-alaranjado, assim como a carne.[13] É firme, frequentemente excêntrico, com linhas longitudinais e textura glabra.[4]

Genética e morfologia dos esporos

O. subilludens possui sistema de acasalamento tetrapolar.[6] Os esporos são brancos, elipsoides, alongados ou ovóides e lisos.[4] Medem aproximadamente 7–9 por 5 μm e não há cistídios associados aos basídios.[4] Outra fonte indica comprimento médio de 7,0 ± 0,5 μm (variação de 6,3 a 8,1 μm) e largura média de 4,8 ± 0,3 μm (variação de 4,2 a 5,8 μm).[13] A morfologia dos esporos é característica importante para distinguir O. subilludens das demais espécies de Omphalotus.[4][13]

Filogenia

Agrupamento jovem de O. subilludens coletado em Fort McCoy, Flórida

Coletada pela primeira vez por William A. Murrill em 21 de abril de 1944, crescendo em uma palmeira Phoenix canariensis em Gainesville, Flórida, foi descrita inicialmente como Monodelphus subilludens e sinônimo de Clitocybe subilludens, sendo posteriormente transferida para o gênero Omphalotus por H.E. Bigelow.[4][6] Originalmente considerada muito próxima de O. illudens devido à semelhança morfológica (com diferença notável apenas na morfologia dos esporos), estudos de sequenciamento de espaçador interno transcrito revelaram diferença de 7,35 % entre as sequências das duas espécies.[3][4][14] Estudos de cruzamento e sequenciamento do espaçador interno transcrito demonstraram que o gênero Omphalotus é dividido em dois complexos de espécies distintos.[6][3] Um deles é o clado O. olearius, que inclui O. subilludens, O. olivascens, O. japonicus e O. olearius como parentes mais próximos, com O. nidiformis como grupo externo mais distante.[3] O outro clado é o O. illudens, que contém O. illudens e O. mexicanus.[3] Testes de cruzamento mostraram alta compatibilidade de O. subilludens com O. olearius e O. olivascens; no entanto, as três espécies apresentaram baixa compatibilidade com O. illudens.[6] Alguns autores já defenderam que O. olearius, O. olivascens e O. subilludens deveriam ser consideradas uma única espécie devido às numerosas semelhanças morfológicas; no entanto, em razão das distribuições geográficas distintas e de pequenas diferenças morfológicas, continuam sendo tratadas como espécies separadas.[3]

Grupo mais velho de O. subilludens de Fort McCoy, Flórida

Ecologia

Habitat

O. subilludens é um fungo saprófito que coloniza tocos e raízes de árvores de madeira dura e palmeiras mortas ou em declínio.[4] Algumas fontes sugerem especialização em palmeiras.[14] Observações formais e informais, porém, indicam ocorrência em diversos tipos de madeira.[4][5] É comum em florestas de madeira dura e áreas suburbanas com árvores mortas ou em declínio. Mais pesquisas são necessárias para compreender completamente seu ciclo de vida.

Distribuição

Exemplares foram encontrados na Flórida e no Texas, Estados Unidos, com possíveis registros no Arizona e no México.[2][3][4][5][13]

Intoxicações

Uma interação significativa desse cogumelo com o ambiente é o potencial de intoxicação de humanos e animais.[7][8] Embora raramente seja fatal, as illudinas presentes nas espécies de Omphalotus podem causar desconforto gastrointestinal intenso, com náuseas, vômitos, diarreia e sudorese.[8] Os sintomas podem variar entre as espécies do gênero; por exemplo, O. olearius pode causar também vertigem e salivação excessiva.[8] Relatos específicos de intoxicação por O. subilludens ainda são escassos. A espécie é frequentemente confundida com cantarelos que ocorrem no mesmo habitat, o que pode levar ao consumo equivocado.[8]

Bioquímica

Bioluminescência

O. subilludens, assim como outros membros do gênero Omphalotus (mas não todos), produz brilho visível nas lamelas por ação da enzima luciferase no basidioma.[12] O brilho pode ser bastante intenso e é facilmente registrado em fotografias no escuro.

Farmacologia

A atromentina e o ácido teléforo são compostos químicos encontrados em culturas de O. subilludens.[11] A atromentina é um anticoagulante eficaz, com atividade biológica semelhante à heparina.[9] A atromentina também apresenta atividade antibacteriana, inibindo a enzima enoíl-[proteína transportadora de acilos]-redutase (essencial à biossíntese de ácidos graxos) em Streptococcus pneumoniae.[10]

O. subilludens também contém illudinas, um grupo de compostos com grande potencial em terapias anticâncer e antibióticos,[13][15] especificamente as illudinas illudidina e illudina M.[13] A illudina M demonstrou atividade antibacteriana contra Mycobacterium smegmatis e alta toxicidade a células de leucemia.[15] Por serem muito tóxicas em sua forma natural, as illudinas necessitam de mais pesquisa e desenvolvimento.[15] Derivados de illudinas já demonstraram eficácia in vitro e chegaram a ensaios clínicos iniciais com resultados promissores.[15]

Ver também

Referências

  1. Murrill, W.A., 1945, Quarterly Journal of the Florida Academy of Science 8(2): 198
  2. a b c d «Southern Jack O'Lantern (Omphalotus subilludens) - mushrooms of Eastern Texas». www.texasmushrooms.org. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  3. a b c d e f g h Kirchmair, Martin; Morandell, Sandra; Stolz, Daniela; Poder, Reinhold; Sturmbauer, Christian (novembro de 2004). «Phylogeny of the Genus Omphalotus Based on Nuclear Ribosomal DNA-Sequences». Mycologia. 96 (6): 1253–1260. JSTOR 3762142. PMID 21148949. doi:10.2307/3762142 
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Murrill, William A. (1945). «New Florida Fungi». Quarterly Journal of the Florida Academy of Sciences. 8 (2): 175–198. ISSN 0015-3850. JSTOR 24313306 
  5. a b c d e «Southern Jack-O'-Lantern (Omphalotus subilludens)». iNaturalist (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  6. a b c d e f Petersen, Ronald H.; Hughes, Karen W. (1998). «Mating systems inOmphalotus (Paxillaceae, Agaricales)». Plant Systematics and Evolution. 211 (3–4): 217–229. ISSN 0378-2697. doi:10.1007/bf00985360 
  7. a b Puschner, Birgit (2018), «Mushroom Toxins», ISBN 978-0-12-811410-0, Elsevier, Veterinary Toxicology (em inglês), pp. 955–966, doi:10.1016/b978-0-12-811410-0.00067-2, consultado em 27 de novembro de 2025 
  8. a b c d e Vanden Hoek, Todd L; Erickson, Timothy; Hryhorczuk, Daniel; Narasimhan, Kris (maio de 1991). «Jack o'lantern mushroom poisoning». Annals of Emergency Medicine (em inglês). 20 (5): 559–561. PMID 2024797. doi:10.1016/S0196-0644(05)81617-8 
  9. a b Khanna JM, Malone MH, Euler KL, Brady LR (1965). «Atromentin – anticoagulant from Hydnellum diabolus». Journal of Pharmaceutical Sciences. 54 (7): 1016–20. PMID 5862512. doi:10.1002/jps.2600540714 
  10. a b Zheng CJ, Sohn MJ, Kim WG (2006). «Atromentin and leucomelone, the first inhibitors specific to enoyl-ACP reductase (FabK) of Streptococcus pneumoniae». Journal of Antibiotics. 59 (12): 808–12. PMID 17323650. doi:10.1038/ja.2006.108Acessível livremente 
  11. a b Sullivan, G.; Garrett, R. D.; Lenehan, R. F. (1971). «Occurrence of atromentin and thelephoric acid in cultures ofclitocybe subilludens». Journal of Pharmaceutical Sciences. 60 (11): 1727–9. PMID 4332377. doi:10.1002/jps.2600601134 
  12. a b c Desjardin, Dennis E.; Oliveira, Anderson G.; Stevani, Cassius V. (2008). «Fungi bioluminescence revisited». Photochemical & Photobiological Sciences (em inglês). 7 (2): 170–182. ISSN 1474-905X. doi:10.1039/b713328f 
  13. a b c d e f g h i Kirchmair, M. (2002). «Chemotaxonomical and morphological observations in the genus Omphalotus (Omphalotaceae)». Persoonia - Molecular Phylogeny and Evolution of Fungi. 17: 583–600. – via Research Gate 
  14. a b Petersen, Ronald H.; Hughes, Karen W. (1999). «Species and Speciation in Mushrooms». BioScience. 49 (6). 440 páginas. doi:10.2307/1313552Acessível livremente 
  15. a b c d Schobert, R.; Knauer, S.; Seibt, S.; Biersack, B. «Anticancer Active Illudins: Recent Developments of a Potent Alkylating Compound Class». Current Medicinal Chemistry (em inglês). 18 (6): 790–807. doi:10.2174/092986711794927766