Lydia Pereira Felício de São Mamede
| Lydia Pereira Felício de São Mamede | |
|---|---|
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| Dados pessoais | |
| Nascimento | Bonn, Alemanha |
| Morte | 9 de setembro de 1973 (94 anos) Porto Alegre, Brasil |
| Cônjuge | Joaquim Francisco de Assis Brasil (c. 1898; v. 1938) |
| Pai | José Ferreira Pereira Felício |
| Mãe | Lydia da Cruz Guimarães Smith de Vasconcelos |
| Irmão(ã) | Alfredo Ferreira Pereira Felício |
Lydia Ferreira Pereira Felício de São Mamede (Bonn, Alemanha, 4 de novembro de 1878— Porto Alegre, Brasil, 9 de setembro de 1973), foi uma nobre luso-brasileira, casada com o diplomata e político brasileiro Joaquim Francisco de Assis Brasil, que construiu em sua homenagem o Castelo de Pedras Altas, no Rio Grande do Sul. Pelo lado materno, era neta do Barão de Vasconcellos, José Smith de Vasconcellos, e prima em primeiro grau de Jaime Smith de Vasconcelos, terceiro barão de Vasconcellos, construtor do castelo do Barão de Itaipava, residência oficial dos Smith de Vasconcelos. Pelo lado paterno, era filha de José Ferreira Pereira Felício, o segundo Conde de São Mamede e neta de Rodrigo Pereira Felício, o primeiro Conde de São Mamede. Era também irmã de Alfredo Ferreira Pereira Felício, herdeiro do título monárquico.
Biografia

Conhecida também por Lydia de Assis Brasil, levava o mesmo nome de sua mãe: Lydia da Cruz Guimarães Smith de Vasconcelos- uma jovem de tradicional família, que estudava em Londres, onde conheceu seu pai, José Ferreira Pereira Felício, então estudante na mesma cidade. Casaram-se em 1875, na capital do Reino Unido.[1]
Lydia nasceu alguns anos depois em Bonn, na Alemanha, onde o seu pai, José Ferreira Pereira Felício, o segundo Conde de São Mamede, estudava juntamente com o Rei Dom Carlos de Portugal, com quem manteve estreita amizade. Ocasião em que ele passa a ocupar o cargo de secretário particular do monarca na Alemanha.[2]
Ainda na infância, Lydia cresceu no ambiente da corte europeia, sendo educada por preceptoras particulares. Sua formação refinada a tornou fluente em cinco idiomas. Em 1886 foi aia do grandioso casamento da Rainha Amélia de Orleães, cerimônia que mobilizou toda Lisboa.[3]
Foi em um evento da nobreza da família real, em Portugal, que a jovem conheceu seu futuro esposo, Joaquim Francisco de Assis Brasil, diplomata e político brasileiro viúvo, que à época servia como embaixador do Brasil. Casaram-se em Lisboa, no dia 6 de maio de 1898.[2]

Após o casamento, Lydia acompanhou o marido a Washington D.C., onde ele ocupava o cargo de Embaixador, representando diplomaticamente o Brasil nos Estados Unidos. Lá, nasceram as suas primeiras filhas Cecília e Lydia.[4]



No ano de 1905, Lydia conhece o Brasil, local, no qual, o casal passou a residir. Logo após, em 1908, Assis Brasil iniciou a construção do castelo prometido à esposa — uma residência que refletisse o conforto e a elegância europeia a que ela estava acostumada.[5] Surgia, assim, o Castelo de Pedras Altas, cuja construção levou pouco mais de quatro anos e foi concluída em 1913. A imponente fortaleza, com 44 cômodos, foi erguida com materiais importados da Europa, com exceção de suas pedras da fachada em granito rosa, as quais foram retirada da própria região.[6]

Lydia acompanhou Assis Brasil em diversos momentos da vida pública e política. Destacou-se por sua presença no Pacto de Pedras Altas, tratado de paz assinado no castelo, que encerrou a Revolução de 1923, da qual Assis Brasil foi um dos principais articuladores como líder de paz.[7]

Também enfrentou com a família o exílio no Uruguai, durante os períodos de instabilidade política que se seguiram. Em 1933, participou ao lado do marido da Conferência Monetária e Econômica Mundial de Londres, ocasião em que o casal — acompanhado de algumas filhas — foi recebido pelo Príncipe de Gales, entre outros eventos de grande relevância diplomática.[8]


Em março de 1934, o casal sofreu a perda trágica da filha mais velha, Cecilia de Assis Brasil, então com 34 anos, atingida por um raio enquanto cavalgava com os irmãos nas redondezas do castelo. Cecília deixou um diário escrito ao longo dos anos, preservado pela família e publicado em 1983 sob o título “O Diário de Cecília de Assis Brasil”.[9]
Em dezembro de 1938, Joaquim Francisco de Assis Brasil faleceu, às vésperas do Natal. Foi sepultado no Cemitério da Boa Viagem, local projetado por ele próprio para servir como “última morada” da sua família.
Viúva, Dona Lydia passou as quatro décadas seguintes dividindo a administração da Granja de Pedras Altas com as duas filhas solteiras, Joaquina e Lydia, conhecida como “menina Lydia”.[2]
O castelo recebeu visitantes ilustres, amigos do casal, entre eles Santos Dumont, presidentes da República, chefes de Estado e intelectuais como Capistrano de Abreu, dentre outros.[10]
Lydia mantinha correspondência com autoridades e personalidades de diversas partes do mundo, cultivando as relações diplomáticas estabelecidas durante os anos de vida pública ao lado do marido.
No município de Pedras Altas atualmente, o antigo Hospital da cidade, em sua homenagem chama-se Hospital Lydia de São Mamede, pois ela ajudara a construí-lo. Foi, também,uma benemérita. Ainda antes de tornar-se município, enquanto um pequeno vilarejo, Dona Lydia, por anos, deu aulas de português a noite, após a jornada de muitos trabalhadores que lá moravam e não sabiam ler nem escrever.[11]

Em 1972, a extinta revista Manchete, publicou uma reportagem sobre Dona Lydia, então com mais de 90 anos, recebendo em Pedras Altas, o presidente da República, Emílio Garrastazu Médici.[12]

Lydia de Assis Brasil faleceu em 1973, prestes a completar 95 anos, em Porto Alegre.[12] O castelo permaneceu sob administração das duas filhas até o falecimento delas, sendo posteriormente gerido por outros descendentes da família, nas décadas de 1990 e 2000.
Em 2022, diante da necessidade de restauração, os herdeiros da família Assis Brasil venderam o castelo à família Segat, que, desde então, são os novos proprietários.[13] Os novos proprietários conduzem um amplo projeto de recuperação, oferecendo visitas guiadas e preservando a memória de Lydia e de Joaquim Francisco de Assis Brasil.[14]
As redes sociais do castelo registram as etapas do restauro, a exposição de relíquias e diversas curiosidades históricas, como por exemplo o convite de casamento do rei Carlos III do Reino Unido, na época, ainda, Príncipe de Gales com a princesa Lady Diana, endereçado à família Assis Brasil — uma das muitas peças que agora integram o acervo do museu e são conhecidas por visitas públicas ao castelo.

Lydia e Assis Brasil tiveram 8 filhos, todos já falecidos:
Cecília (1899-1934), Lydia (1900-1993), Joaquina (1902-1988), Francisco (1905-1986), Joana (1908-1968), Dolores (1910-1991), Joaquim (1912-1985) e Lina (1916-2003).[8]
Além de diversos netos e bisnetos.

Referências
- ↑ "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, pp.224
- ↑ a b c «O castelo de Assis Brasil-O início do Romance em Revista Cruzeiro-Ano 1971-Edição 0003-Pág 125». Revista O Cruzeiro. Consultado em 29 de março de 2025
- ↑ Silveira Osório, Pedro Luiz da. "Assis Brasil - Coleção Esses Gaúchos". Porto Alegre: Editora Pallotti, 1986, 62 pp.
- ↑ Rocha, Artheniza Weinmann. "J.F. de Assis Brasil - Interpretacões". Santa Maria: Editora da UFSM, 1994, 58 pp.
- ↑ «O castelo de um visionário gaúcho». Site: Imagina Conteúdo. 22 de novembro de 2010. Consultado em 31 de março de 2025
- ↑ «Castelo de Pedras Altas é vendido e abrirá para à visitação.». Site: Matéria do Jornal Correio do Povo. 8 de março de 2022. Consultado em 31 de março de 2025
- ↑ Rocha, Artheniza Weinmann. "J.F. de Assis Brasil - Interpretacões". Santa Maria: Editora da UFSM, 1994, 68 pp.
- ↑ a b Aita, Carmem. "O Senhor do Castelo - Sonhos e Memórias do Pampa”. Porto Alegre: Editora Governo do Estado do Rio Grande do Sul, 2008, 42 pp.
- ↑ Reverbel, "Diário de Cecília de Assis Brasil". Porto Alegre: Editora L&PM, 1983, 12 pp.
- ↑ Silveira Osório da, Pedro da Silveira Osório."Assis Brasil-Coleção esses Gaúchos". Porto Alegre: Editora Pallotti, 1986, 42 pp.
- ↑ «Castelo Medieval de 1913 no interior do Rio Grande do Sul». Site Almanaque Literário. Consultado em 24 de Janeiro de 2026
- ↑ a b «Lydia de Assis Brasil, viúva do Chefe Liberal Gaúcho e Diplomata Joaquim Francisco de Assis Brasi». Site o Explorador, citando a matéria da Revista Veja em 1973. Consultado em 31 de março de 2025
- ↑ «Família de Assis Brasil garante que venda do castelo de Pedras Altas está em fase final». Site do Jornal Tribuna do Pampa. 17 de fevereiro de 2022. Consultado em 29 de março de 2025
- ↑ «Com arquitetura medieval europeia, Castelo em Pedras Altas abrirá as portas para visitantes e historiadores.». Site do Jornal Zero Hora. 13 de agosto de 2022. Consultado em 29 de março de 2025
