Alfredo Ferreira Pereira Felício
| Alfredo Ferreira Pereira Felício | |
|---|---|
| Terceiro Conde de São Mamede pelo Reino de Portugal | |
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| Investidura | 15 de maio de 1905 |
| Sucessor(a) | - |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 27 de dezembro de 1881 São Mamede de Infesta, Matosinhos, Portugal |
| Morte | 23 de outubro de 1962 (80 anos) Rio de Janeiro, Brasil |
| Cônjuge | Fernanda Lobo d'Ávila Vasconcelos da Graça (c. 1885–1958) |
| Pai | José Ferreira Pereira Felício |
| Mãe | Lydia da Cruz Guimarães Smith de Vasconcellos |
| Ocupação | Engenheiro Agrônomo e último Conde de São Mamede |
| Religião | Catolicismo |
Alfredo Ferreira Pereira Felício (São Mamede de Infesta, Matosinhos, 27 de dezembro de 1881 – Rio de Janeiro, 23 de outubro de 1962), terceiro e último Conde de São Mamede, foi um engenheiro agrônomo português,[1] exilado no Sul do Brasil em 1917. Criou a Câmara Portuguesa de Comércio do Rio Grande do Sul, bem como foi Conselheiro e Membro da União dos Criadores Gaúchos, tendo significativa participação no melhoramento do gado bovino no estado.
Biografia
Com a morte do seu pai em 1905, Alfredo torna-se o 3.º Conde de São Mamede, título nobiliárquico, criado por Dom Luís I de Portugal, em 1869, em favor do seu avô; Rodrigo Pereira Felício, 1.º Conde de São Mamede.[2]

Filho de dois brasileiros; uma cearense, radicada em Londres e de um carioca naturalizado português, seus pais Lydia e José, se conheceram na Europa, aonde viveram a maior parte de suas vidas. Porém, foram diversos fatores que levaram Alfredo a deixar o seu país de origem e imigrar com sua família para o Brasil.[1]
A perda precoce de sua irmã em 1906, bem como de seu pai, em 1905; e principalmente com o fim da Monarquia em Portugal, em 1910; tudo isso foi fator determinante e contribuiu para deixarem Portugal em busca de reconstruir uma nova vida.[1]
No ano de 1907, em 8 de junho, casou-se, em uma grandiosa cerimônia, em Lisboa, com Fernanda Lobo d'Ávila Vasconcelos da Graça, sua esposa Fernanda pertencia também a aristocracia portuguesa. Seu pai, o militar Joaquim Lobo de Ávila da Graça, possuía grande prestígio na corte. A cerimônia reuniu figuras ilustres de Lisboa e região. O evento foi retratado em fotografia em jornais da época.[3]



Somente dez anos depois do casamento, em 1917, que o casal muda-se com a sua filha Helena, com 8 anos de idade, definitivamente para o Brasil.
Usou o seu título de Conde, com a autorização do então ex-rei, Dom Manuel II de Portugal para facilitar a sua saída do país.
No Brasil, Alfredo, escolhe o estado do Rio Grande do Sul, para viver com sua família. Foi através de seu cunhado, o ilustre Joaquim Francisco de Assis Brasil o responsável por projetar para o conde a sua moradia- um palacete inspirado nos castelos franceses de Paris. Assim surge o chamado Castelo da Granja da Cachoeira no município de Capão do Leão
inicialmente, durante o período de construção, o Conde, com sua esposa e filha, passam a residir no Castelo de Pedras Altas, residência oficial da família de sua irmã, Lydia Pereira Felício de São Mamede.[4]
Neste mesmo ano, nasce em Pelotas a sua segunda filha, Maria Luisa Graça Felício de São Mamede.

Logo Alfredo de São Mamede torna-se um dos principais criadores de gado da raça Devon da região. Procurou, em sua criação bovina, buscar sempre o constante melhoramento e desenvolvimento da raça. Seus exemplares foram premiados em diversas exposições agropecuárias, tanto no estado do Rio Grande do Sul quanto no Rio de Janeiro, cidade com que o Conde possuía bastante vínculo.[2]
No final da década de 20, a família vende o castelo da granja da Cachoeira mudando-se se para a capital fluminense.
o novo proprietário da granja em Capão do Leão torna-se o Sr Dario da Silva Tavares, cujos seus descendentes da tradicional família Wrege permanecem na propriedade até os dias de hoje. O local torna-se uma referência na criação de grandess exemplares premiados de equinos crioulos.
No período em que morou no Sul do Brasil, o Conde desempenhou uma atuação de destaque em diversas frente. Alfredo foi membro-acionista da Companhia Frigorífica do Rio Grande, conselheiro e membro da União dos Criadores Gaúchos,[5] assim como também presidente da Comissão Pró-Pátria Portuguesa de Pelotas e fundador da Câmara Portuguesa de Comércio do Rio Grande do Sul.[5]
Entretanto, na época em que ainda morava em Portugal, com o fim da Monarquia no ano de 1910 e instauração da República, Alfredo fez parte do movimento conhecido como as “Incursões Monárquicas de Vinhais e Chaves”.[1]
As incursões monárquicas foram um levante de “invasão” em algumas regiões, por um grupo de pessoas determinadas a restaurar a Monarquia em Portugal, durante a fase da primeira República. Esses levantes ocorreram em 1911 e 1912, respectivamente.[6]
Embora não houvessem obtido êxito, de certa forma foi uma maneira de grandes grupos ligados à monarquia serem fiéis e agradecidos à família real, que tanto tinha interesse em voltar ao poder,[7] do mesmo modo que os detentores de títulos de nobreza, como era o caso do Conde de São Mamede e diversos outros, também desejavam que a situação fosse revertida. Foi um período bastante conturbado de transição, que culminou no exílio do Conde e sua família para o Brasil.[8]
Alfredo Ferreira Pereira Felício veio a falecer na cidade em que seu avô, Rodrigo Pereira Felício, havia prosperado como banqueiro, e também cidade em que seu pai, José Ferreira Pereira Felício, havia nascido: no Rio de Janeiro- com 80 anos de idade, no ano de 1962. Ano em que o último Conde de São Mamede morre, encerrando junto a ele mais um capítulo da história da monarquia luso-brasileira.
Referências
- ↑ a b c d "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, pp.229
- ↑ a b «Versão completa do Archivo Nobiliarchico Brasileiro no Archive.org». www.archive.org. Consultado em 30 de março de 2025
- ↑ «O Casamento de Dona Fernanda Barbosa da Graça com Alfredo Felício». Site com fotos do casamento em Arquivo Municipal de Lisboa. Consultado em 30 de março de 2025
- ↑ Reverbel. "Diário de Cecília de Assis Brasil". Porto Alegre: Editora L&PM, 1983, 26 pp.
- ↑ a b «Anuário da Casa Imperial do Brasil= 29 de março de 2025» (PDF). www.monarquia.org.br
- ↑ «Primeira República-Primeira Fase- Revolta e Incursões Monárquicas- 1910-1914"». Site do Arquivo Histórico Militar de Portugal. Consultado em 31 de março de 2025
- ↑ «Biblioteca Municipal apresentou "República e Incursões Monárquicas"». Site da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto. Consultado em 31 de março de 2025
- ↑ "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, pp.223
