Língua baré
| Baré Baré | ||
|---|---|---|
| Pronúncia: | baˈɾɛ | |
| Outros nomes: | Baria Baraúna Barawana | |
| Falado(a) em: | ||
| Região: | Cucuí - AM | |
| Total de falantes: | 1 falante | |
| Família: | Arawak Médio Rio Negro Baré | |
| Escrita: | Alfabeto latino | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | --
| |
| ISO 639-2: | --- | |
| ISO 639-3: | bae
| |
O baré é uma língua da família linguística arawak falada no alto Rio Negro até o período colonial, na fronteira entre o Brasil e a Venezuela.[1][2]
O baré é também conhecido como baria, baraúna e barawana. O idioma apresenta algumas características semelhantes a de demais línguas do tronco linguístico arawak, como a ocorrência dos prefixos pessoais (nu - primeira pessoa do singular; bi - segunda pessoa do singular). A língua tem tendência aglutinante e é predominantemente sufixal, possuindo uma quantidade limitada de prefixos. O baré possui classes gramaticais abertas (nomes, adjetivos, verbos e advérbios) e classes gramaticais fechadas (pronomes pessoais e demonstrativos, posposições e proformas interrogativas).
Os baré passaram por um processo de extinção da língua, a partir da retirada do povo de suas aldeias de origem para as chamadas repartições[3], os indígenas foram perdendo a língua materna, sendo assim, atualmente fluentes em nheengatú e português. Entretanto, há ainda algumas pessoas com idade acima de 70 anos que se recordam de algumas palavras do idioma, mas que não conseguem formar sentenças completas, o que as enquadra na categoria de semifalantes. Há dados de que, no município em Cucuí - AM, o sr. Candelário da Silva dominava a língua baré perfeitamente; enquanto que a sra. Catalina Cadena, também residente em Cucuí, e o sr. Pedro, residente na Venezuela, lembravam vagamente de algumas palavras do idioma e, por vezes, confundiam-no com espanhol e nheengatú.
Etimologia
A palavra "baré" tem origem tupi-guarani e o seu significado é "a língua falada por indígenas".[4]
A palavra "baraúna" também é originária do tupi e significa "árvore faseolácea cesalpiniácea, nativa do Brasil, de madeira própria para construções". Tem origem etimológica da palavra "imbira'una", em que a partícula "imbira" é um substantivo que signifca "fibra vegetal que se emprega como corda", enquanto a partícula "una" é um adjetivo que possui diversos significados, dentre eles os de "singular", "tornar um", "reunir".[5]
Distribuição
O povo baré tem a sua origem na região dos Rios Cassiquiare e Baria, afluente do Pasimoni, e já foi considerado um dos grupos mais populosos do noroeste amazônico e cujo idioma era um dos mais difundidos no Rio Negro ou Rio Guainia. Na Venezuela, o grupo dos baré se espalhou pelo alto do Rio Oreneco até a confluência com o povo maipure, havia também alguns baré que trabalhavam como colonistas e canoeiros nessa área. No Brasil, Koch-Grünberg (1911) teoriza que os baré podem ter se deslocado em direção ao leste do Rio Negro e justifica a hipótese com base nos topônimos e hidrônimos da região, nomes que possuíam origem baré. Durante a época de Natterer (1831), o povo baré habitava o Rio Negro até Barcelos, que era a capital da Capitania do Rio Negro. Nimuendajú (1927) diz que, no Brasil, o idioma baré era falado "até a ilha Timini, na boca do Teya, onde se confinava com o manao", e também era falado em um local que havia sido ocupado pelos povos warekéna e carutana baniwa, após a saída dos baré dessa região, a do baixo Rio Içana. Ernst Migliazza (1985) forneceu informações mais recentes de que os baré se encontram nos povoados de Santa Lucía, Santa Rosa de Amanadona, São Carlos e Solano. Muitos dos baré que vivem nos povoados mencionados se deslocaram para as cidades de São Carlos e Puerto Ayacucho à procura de melhores condições de vida e trabalho. Atualmente, os falantes da língua são alguns poucos idosos, cujos descendentes substituíram o baré pelo nheengatú, que vem sendo substituído, aos poucos, pelo português ou espanhol.
Influência nas línguas macus
O nadëb e o dâw, duas línguas macus, mostram influências baré. Exemplos do nadëb e do ihini baré (Ramirez 2019: 584; 2020: 60):
| Português | Nadëb | Ihini Baré |
|---|---|---|
| veado | marajóʔ | mará(h)ajʊ |
| lontrinha | mo͂koʔjar | bakʊ́jari |
| onça | jaraak | jaraka |
| urubu | kuruidúʔ | khʊrʊidʊ |
| pica-pau | kawahéd | kʊwédere |
| arara-vermelha | kawéd | kawéi |
| papagaio | kujáʔ | kʊjáʊ |
| piraíba | mokúr | mhʊ́kʊri |
| pirarara | mapaǎh | mapha |
| tucunaré | daǎp | dápa |
| abelha | mabaa | mába |
| cupim | kamaʔráʔ | kama(da) |
| caranguejo | tahuʔú | dʊ́hʊ |
| banana | maçeér | masérʊ |
História
A etnia baré era a mais populosa do Amazonas, entretanto, devido à intensa miscigenação e contato com não indígenas no início da colonização amazônica, na década de 1990, o povo baré entrou na lista de povos indígenas em processo de extinção, consequentemente, perderam grande parte de suas tradições, cultura, língua e autonomia política e econômica. Missionários europeus foram os primeiros que se estabeleceram no território dos baré e foram responsáveis por impor aos indígenas um novo modo de vida, retirando-os de suas comunidades e os incutia a religião cristã e a cultura europeia, por isso, os baré ficaram conhecidos como "índios brancos", uma vez que, eventualmente, assimilaram a cultura dos estrangeiros brancos. Atualmente, após a miscigenação e fragmentação do povo baré, não são mais encontradas aldeias ou comunidades da etnia, apenas algumas pequenas organizações de grupos familiares e descendentes dispersos pelo Rio Negro, como em São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro.[6]
Não há muitas informações sobre a documentação da língua, mas há estudiosos que já realizaram pesquisas e fizeram registros sobre a língua em meados de 1970.
Fonologia
Vogais
As vogais podem ser de três tipos: oral, nasal e não vozeada:
| Anterior | Central | Posterior | ||
|---|---|---|---|---|
| Fechada | Oral | i | u | |
| Nasal | ĩ | ũ | ||
| Não vozeada | i̥ | u̥ | ||
| Média | Oral | e | ||
| Nasal | ẽ | |||
| Não vozeada | e̥ | |||
| Aberta | Oral | a | ||
| Nasal | ã | |||
| Não vozeada | ḁ | |||
- Os sons das vogais /a ã ḁ/, /e ẽ e̥/, e /u ũ u̥/ são ouvidos como [ɵ ɵ̃ ɵ̥], [ɛ ɛ̃ ɛ̥], e [o õ o̥] quando em posição átona.
- /a/ é ouvido como um som posterior [ɑ] quando se encontra após /w/.
Consoantes
| Labial | Alveolar | Palatal | Velar | Glotal | ||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Plosiva/
Africada |
Aspirada | pʰ | tʰ | t͡ʃʰ | kʰ | |
| Não vozeada | p | t | t͡ʃ | k | ||
| Vozeada | b | d | ||||
| Nasal | Não vozeada | m̥ | n̥ | j̊ | w̥ | |
| Vozeada | m | n | j | w | ||
| Fricativa | s | h | ||||
| Flap | r | |||||
- Os sons /t, n/ são dentais e palatais [t̪] [ɲ] antes e depois de /i/.
- /d/ é africado [d͡ʒ] antes de vogais anteriores.
- /ɾ/ pode tender a flutuar para um [ɫ] velar em variação livre.[7]
Diacríticos
O idioma baré possui regras gerais e específicas quanto à acentuação de suas palavras:[8]
Regras gerais
- Nas palavras que possuem duas ou três sílabas, o acento recai sobre a penúltima;
- Nas palavras de quatro ou mais sílabas, o acento recai sobre a antepenúltima.
Assim, a maioria das palavras em baré são paroxítonas ou proparoxítonas.
| Baré | Português |
|---|---|
| `iti | semente |
| `isa | canoa |
| nu`sani | minha canoa |
| u`dini | seio dela |
| da`nabati | asa |
| me`dusia | cabeça deles |
| wakada`hawaka | antigamente |
| nukatehe`sawaka | não sei |
Regras específicas
- Após uma palavra monossílaba receber um afixo, o acento permanece na sílaba original, o que explica a existência de palavras oxítonas;
- O sufixo -ni (aspecto imperfeito) atrai o acento para a sílaba que o antecede;
- O sufixo -ni (adjetivo) não é considerado como unidade acentuável, e, quando o sufixo está em sua forma reduzida, a palavra segue as regras gerais de acentuação;
- Os sufixos -ha/-he/-hí encontrados em alguns radicais adverbiais também não são considerados unidades acentuáveis, o que explica algumas exceções da regra geral em relação às proparoxítonas;
- Os direcionais te "para (alativo)" e tei "de (ablativo)" provocam o deslocamento do acento: quando em advérbios, atraem o acento para a sílaba final do radical;
- Em nomes derivados que possuem o locativo -(u)ku e os direcionais, vale a regra geral de acentuação.
Alguns exemplos:
| Baré | Português |
|---|---|
| hnu`mie | minha rede |
| hnu`nu | meu pescoço |
| ha`yani | voou |
| nubina`dani | eu esfreguei |
| `kurini | verde/azul |
| `heruni | molhado |
| `nenaha | quem |
| `kudehe | longe |
| kude`hete | para longe |
| kude`hetei | de longe |
| dama`karuku | o mato |
| dama`karute | para o mato |
| damaka`rutei | do mato |
Sílabas
Os padrões silábicos na língua baré são V, CV e CVN, o último tem ocorrência restrita à posição medial da palavra:[9]
| Baré | Sílaba | Português |
|---|---|---|
| su`bukure | CV.CV.CV.CV | tartaruga |
| iba`bukuni | V.CV.CV.CV.CV | muito |
| ku`dua | CV.CV.V | jacu carará |
| na`hantibe | CV.CVN.CV.CV | meus filhos |
As possíveis combinações de vogais no idioma baré são ii, ee, aa, uu, ie, ia, iu, ei, eu, ai, au, ui, ue e ua, sendo que sílabas do tipo V podem vir em sequência no máximo duas vezes, e as combinações ae e ea não são possíveis no idioma:
| Baré | Português |
|---|---|
| i`ida | pele dele |
| aphia`nani | achar graça |
| u`kue | tucano |
| nabi`suhui | coluna vertebral |
Ortografia
O sistema de escrita utilizado no idioma baré é o alfabeto latino e conta com 24 caracteres, não incluindo as letras C, F, G, J, L, O, Q, V, X, Z. Abaixo estão os caracteres do alfabeto da língua baré, como e onde o seu som é formado, uma palavra em baré que se inicia com a letra e a tradução dessa palavra para o português. [10]
| Caracteres | Som | Exemplo | Significado |
|---|---|---|---|
| a | Aberta central oral | ada | árvore |
| b | Plosiva labial vozeada | babuku | fruta |
| d | Plosiva alveolar vozeada | danaha | braço |
| e | Média anterior oral | enu | céu |
| h | Fricativa glotal | hakani | coração |
| i | Fechada anterior oral | iti | semente |
| k | Plosiva velar não vozeada | kameni | fogo |
| kh | Plosiva velar aspirada | khi | lua |
| m | Nasal labial vozeada | mawahauri | abacaxi |
| hm | Nasal labial aspirada | hmi | rede |
| n | Nasal alveolar vozeada | numahai | boca |
| hn | Nasal alveolar aspirada | hniyu | esposa |
| p | Plosiva labial não vozeada | panara | banana |
| ph | Plosiva labial aspirada | phani | casa |
| r | Flap alveolar | ramaka | molhar |
| s | Fricativa alveolar | sewepi | arco |
| t | Plosiva alveolar não vozeada | tikuahari | cachoeira |
| tʃ | Plosiva palatal não vozeada | tʃabati | passarinho |
| tʃh | Plosiva palatal aspirada | ||
| u | Fechada posterior oral | uni | água |
| w | Velar não aspirada | witihi | olho |
| hw | Velar aspirada | hwina | cair |
| y | Palatal não aspirada | yaharika | agora |
| hy | Palatal aspirada | hya | voar |
Gramática
Substantivos
Os substantivos podem funcionar como sujeito, objeto, núcleo do sintagma nominal ou como predicado da oração. Quando fazem função de núcleo, podem também ser modificados pelos adjetivos e posposições e ser determinados pelos demonstrativos e quantificadores. Quando fazem função de predicado, os substantivos expressam a categoria morfológica de negação pelo sufixo -ka, juntamente do advérbio de negação hena. Os nomes apresentam as categorias morfológicas de gênero (feminino e masculino), número (singular e plural), posse e negação. Há também a subdivisão em nomes alienáveis (ou não obrigatoriamente possuídos) e inalienáveis (ou obrigatoriamente possuídos). Em ambas as subdivisões, a posse é expressa pelo prefixo pessoal e por um sufixo genitivo, no nome do possuído. Quando o nome do possuidor está explícito, o prefixo pessoal não ocorre.[11]
Nomes alienáveis
Nessa subdivisão, a posse é marcada pelos prefixos pessoais e sufixos genitivos (-ni e -e). A categoria de número é marcada pelos sufixos -be (plural) e -nu(hu) (coletivo).[12]
| Baré | Português |
|---|---|
| isa | canoa |
| nusani | minha canoa |
| kameni | fogo |
| nukamenie | meu fogo |
| witihi | olho |
| nuwitibe | meus olhos |
Nomes inalienáveis
Nessa subdivisão, a posse é marcada pelo prefixo pessoal que se junta à raiz nominal. A forma possuída dos nomes inalienáveis é a não marcada. A forma não possuída destes nomes é marcada pelo sufixo -hVi, que indica "forma absoluta".[13]
| Baré | Português |
|---|---|
| ditihi | carne |
| nuditi | minha carne |
| nenehei | língua |
| nunene | minha língua |
Adjetivos
Os adjetivos podem funcionar como modificadores, quando dentro do sintagma nominal, ou como predicativos do sujeito, quando na oração. Na função de modificadores, os adjetivos precedem o nome, enquanto que, na função de predicativos, os adjetivos aparecem após o nome. Os adjetivos podem receber o sufixo de negação -waka em ocorrência simultânea com o advérbio de negação hena.[14]
| Baré | Português |
|---|---|
| kunehe ra rawihi | aquele bicho é gordo |
| wawinikarehe hena kunehewaka | nossa comida não é gordurosa |
Quantificadores e numerais
Os quantificadores do baré funcionam como determinantes e costumam anteceder o nome determinado, também podem funcionar como pronomes. Apresentam morfologicamente a categoria de negação (hena ... -waka). Os quantificadores não apresentam a categoria de gênero.
Os numerais do baré funcionam como pronomes ou determinantes, podendo proceder ou preceder o nome determinado. Diferentemente dos quantificadores, os numerais não possuem a categoria de negação, mas apresentam a categoria de gênero, por exemplo "bakunakari" (um) e "bawahanaka" (uma). Os numerais na língua baré são "bakunakari" (um), "bikunama" (dois) e "khtrikunama" (três), a partir do numeral três há o empréstimo de palavras do português. [15]
| Baré | Português |
|---|---|
| wara idiana uni | todos já beberam água |
| idiã wara uni | ele bebeu toda a água |
Verbos
Os verbos funcionam como predicado e podem ser modificados por advérbios. Apresentam as categorias inflexionais de modo, tempo/aspecto e negação e expressam a concordância com o sujeito por meio dos prefixos pessoais: nu- (1ª pessoa do singular), bi- (2ª pessoa do singular), i- (3ª pessoa do singular masculina), u- (3ª pessoa do singular feminina), wa- (1ª pessoa do plural), i- (2ª pessoa do plural), me- (3ª pessoa do plural). Nos casos em que o sujeito já é explícito na oração, os prefixos acima podem ser substituídos por a- (∅P). O prefixo ba- (4ª pessoa ou impessoal) indica um sujeito ou possuidor indeterminado, portanto, ele jamais será expresso abertamente.[16]
| Baré | Português |
|---|---|
| bayada kamuhu biranaka uni utei | vê-se o sol levantar da água |
| hiya ramakasã khadi | a chuva molhou a terra |
Os verbos podem derivar de adjetivos e de outros verbos por meio dos sufixos derivativo -da e causativo -sa, podem derivar de substantivos por meio de conversão (ou marca derivacional ∅), e podem derivar substantivos pelo sufixo de finalidade -waka.[17]
São sufixos aspecto-temporais -na (perfeito) e -ni (imperfeito). O tempo está ligado à categoria de aspecto, embora também possa ser expresso por um advérbio, ou pelo uso de verbos auxiliares. Locuções com o verbo auxiliar -hiwa (ir) expressam intenção de ação e estão relacionadas ao tempo futuro (absoluto ou relativo). [18]
| Baré | Português |
|---|---|
| itikuani | ele está deitado |
| itikuana | ele já se deitou |
Advérbios
Os advérbios modificam as demais palavras da oração, desde ue não sejam nomes, podendo ser o verbo, o adjetivo, o próprio advérbio e toda a sentença. A língua baré possui advérbios de tempo, lugar, modo, intensidade, frequência, ênfase e negação.[19]
| Baré | Português |
|---|---|
| nutʃanani aweheni | eu moro aqui |
| bi bitʃerekani iduari bare | você fala bem baré |
Pronomes
Os pronomes pessoais da língua baré apresentam distinções de gênero (feminino e masculino) e de número (singular e plural). Antes do verbo, o pronome indica sujeito e, após, objeto.[20]
| 1ª | 2ª | 3ª | |
|---|---|---|---|
| singular | nuni (eu) | bini (você) | kuhũ/kuhu (ele/ela) |
| plural | wini (nós) | ini (vocês) | kuhuni (eles) |
A palavra demonstrativa possui um prefixo demonstrativo a- , a raiz, e um sufixo, que pode ser -ha ou -hi, de acordo com a vogal da mesma, ela pode também receber a marca de pessoa, em que as categorias de número e gênero são expressas somente desta maneira. Como o marcador de pessoa não ocorre obrigatoriamente, geralmente não há expressão dessas categorias nos demonstrativos. Quando da ocorrência do marcador pessoal, ele se coloca após o prefixo a-.[21]
| Baré | Português |
|---|---|
| ri | este/esse |
| sa/ra/da | este/aquele |
Sufixos
(Ramirez 2019: 587):[1]
Sufixos nominais
A língua baré possui alguns sufixos nominais, que se juntam aos substantivos e alteram o seu significado, na tabela seguem alguns exemplos:
| Baré | Glosa |
|---|---|
| -(i)te | alativo (“para”) |
| -(i)tei | ablativo (“de”) |
| -wa | perlativo (“ao longo de”) |
| -be, -nʊ, -nʊbe | plural |
| -ti | diminutivo |
| -mini- | marca do defunto |
Relacionadores
A língua baré possui alguns relacionadores que conectam termos ou orações, na tabela seguem alguns exemplos:
| Baré | Glosa |
|---|---|
| -ʊkʊ, -ʊ | em (a segunda forma usada em combinação com o alativo ou o ablativo, dando: -ʊ-te e -ʊ-tei) |
| -habi, -hasi | em cima de |
| -dʊkhabi | embaixo de |
| -babi | na volta de |
| -bʊhʊ, -nabi | atrás de |
| -baha | em frente de |
| -iku | para (beneficiário) |
| -ima, -ahaʊ | com (comitativo) |
| -abi | com (instrumental) |
| -(j)ehewa | de (separativo) |
Sufixos verbais
A língua baré possui alguns sufixos verbais, que se juntam aos verbos e alteram o seu significado, na tabela seguem alguns exemplos:
| Baré | Glosa |
|---|---|
| -sa | causativo |
| -tini | reflexivo, recíproco |
| -na | perfectivo, passado |
| -ni | imperfectivo, presente |
| -ina, -ida | incoativo |
| -ka | declarativo, subordinativo |
| -waka | a fim de que, para |
Vocabulário
Vocabulário baré e guinau
(Ramirez 2019):[1]
| Português | Baré | Guinau |
|---|---|---|
| animal de criação | bija-be | bija |
| tatu-canastra | hajána | hazána |
| capivara | khiʊ | kejʊ |
| cutia / paca | wajʊrʊ + jaba | wajuru |
| anta | tema | tsema |
| veado | marahajʊ | maraaju |
| onça | kʊ(w)ati + tʃinʊ | kuaʃi |
| morcego | bijahaʊ | bijawu / beesawe |
| pato | ʊrʊma | huruma |
| jacu | maradi | maradi |
| jacamim | ja͂bi | jabi |
| tucano | ʊkʊwe | kue |
| beija-flor | bʊmidi | humidi |
| lagarto | kʊwidʊ | kuedu |
| jacaré | hadʊri | haduri |
| jabuti | kʊrimaʊ | kurumaru |
| rã | dʊkʊwahʊ | tukuuru / tukurau |
| peixe | kʊbati | kubaʃi |
| piranha | baʊmehe | umahe |
| arraia | namarʊ | jamarui |
| saúva | kʊte | kuse |
| abelha | maba | maba |
| cupim | kama(jʊ) | kamada |
| pernilongo | hanijʊ | haniju |
| piolho | tʊwida | tʃiweda |
| pulga | mabatini | mabaʃini |
| árvore | ada | da-muna |
| inajá | ʊkarisi | kariki |
| açaí | manaka | manaka |
| abacaxi | mawaháʊri | mawari |
| batata-doce | kahaʊ | kaau |
| mandioca | kaniti | kani (-tʃeri) |
| tabaco | ari | iri |
| arco | sewe-pi | tʃebi |
| forno | bʊdari | betari |
| zarabatana | widaba | wataba |
Vocabulário baré e nheengatú
(Tellus 2019):[22]
| Baré | Nheengatú | |
|---|---|---|
| eu | nuni | ixé |
| tu | bini | indé |
| ele | kuhu | ae |
| ela | kuhũ | aé |
| nós | wani | yandé |
| vocês | ini | penhẽ |
| eles/elas | kuhuni/meni | aintá |
| cabeça | dúsia | akanga |
| coração | ákhani | piá |
| mão | khábi | pu |
| pé | ísi | pi |
| tucunaré | dápa | tukunaré |
| piranha | báumehe | piranha |
| fogo | itíki | tatá |
| olho | witi | sesá |
| galho | iwáku | rakanga |
| arco | sewépe | mirá-para |
| ovo | kudúbati | supiá |
| terra | kádi | iwí |
| orelha | dátini | nambí |
| cão (onça) | kuwáti | yawara |
| Língua (linguagem) | nenê-hei | nheenga |
| Anta | téma | tapíra |
| peixe | kubáti | pirá |
| nariz | tí | tī |
Referências
- ↑ a b c Ramirez, Henri (2019). Enciclopédia das línguas arawak: acrescida de seis novas línguas e dois bancos de dados. (no prelo)
- ↑ Ramirez, Henri, & França, Maria Cristina Victorino de. (2019).Línguas Arawak da Bolívia. LIAMES: Línguas Indígenas Americanas, 19, e019012. https://doi.org/10.20396/liames.v19i0.8655045
- ↑ Lima, Ademar dos Santos; Martins, Silvana Andrade; Pedrosa, Jéssica Nayara Cruz (3 de setembro de 2019). «Os últimos falantes da Língua Baré». Tellus: 207–226. ISSN 2359-1943. doi:10.20435/tellus.v19i39.584. Consultado em 18 de maio de 2023
- ↑ QA_AMP, QA_AMP (22 de setembro de 2016). «Confusão Baré: Os motivos do atraso no Amazonense». Placar. Consultado em 10 de fevereiro de 2025
- ↑ S.A, Priberam Informática. «Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 10 de fevereiro de 2025
- ↑ «O povo Baré: mais de 600 anos de cultura apagados pela colonização». Ateliê Amazônico. Consultado em 3 de março de 2025
- ↑ Cunha de Oliveira, Christiane (1993). Uma descrição do Baré (Arawak): Aspectos fonológicos e gramaticais [A description of Bare (Arawak): phonological and grammatical aspects] (Tese de Master's). Universidade Federal de Santa Catarina. Consultado em 2 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 26 de maio de 2024
- ↑ Oliveira 1993, pp. 55–58.
- ↑ Oliveira 1993, pp. 21–22.
- ↑ Oliveira 1993, p. 85.
- ↑ Oliveira 1993, pp. 61–62.
- ↑ Oliveira 1993, pp. 62–63.
- ↑ Oliveira 1993, p. 62.
- ↑ Oliveira 1993, p. 64.
- ↑ Oliveira 1993, pp. 65–66.
- ↑ Oliveira 1993, p. 66.
- ↑ Oliveira 1993, p. 67.
- ↑ Oliveira 1993, pp. 67–68.
- ↑ Oliveira 1993, p. 72l.
- ↑ Oliveira 1993, pp. 72–73.
- ↑ Oliveira 1993, p. 73.
- ↑ Lima, Ademar dos Santos; Martins, Silvana Andrade; Pedrosa, Jéssica Nayara Cruz (3 de setembro de 2019). «Os últimos falantes da Língua Baré». Tellus: 207–226. ISSN 2359-1943. doi:10.20435/tellus.v19i39.584. Consultado em 18 de maio de 2023
Bibliografia
- Aikhenvald, Alexandra Y. (1995). Bare. Languages of the World, Materials 100. Munich: Lincolm Europa.
- Lopez-Sanz, Rafael (1972). El Baré: estudio lingüístico. Caracas: Universidad Central de Venezuela.
- Oliveira, Christiane Cunha (1993). Uma Descrição do Baré (Arawak) Aspectos Fonológicos e Gramaticais. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil): [s.n.]
- Pérez, Antonio (1988). Los Bále (Baré). Los Aborígenes de Venezuela 3(35): 413-479. Caracas.
- Pérez de Borgo, Luisa Elena (1992). Manual Bilingüe de la lengua Baré. Puerto Ayacucho: Alcadía del Territorio Federal Amazonas, Dirección de Cultura.
