Joseph Feldman
| Joseph Feldman | |
|---|---|
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| Nome completo | Joseph Feldman |
| Nascimento | 1899 |
| Morte | 1978 Rio de Janeiro, Brasil |
| Nacionalidade | Brasileiro nascido na Russia |
| Cônjuge | Esther Ita Feldman |
| Filho(a)(s) | Guili Alexandre Feldman; Daniel Feldman; Eliahu Feldman |
| Ocupação | Artesão, fotógrafo, antiquário, fabricante de artefatos Judaicos |
Joseph Feldman (1899–1978) foi um artesão, fotógrafo, antiquário e fabricante de objetos rituais judaicos (Judaica) judeu brasileiro, nascido na Rússia. Ativo no Rio de Janeiro entre as décadas de 1920 e 1970, tornou-se conhecido pela produção artesanal de hanukiot (lâmpadas de Hanucá) e outros objetos cerimoniais que, posteriormente, formaram o núcleo da Coleção Feldman no Museu Judaico do Rio de Janeiro.
Vida precoce
Joseph Feldman nasceu em 1899, na Rússia.[1] Detalhes sobre sua infância não são amplamente documentados, mas, como muitos judeus do Leste Europeu de sua geração, ele emigrou para a América do Sul no início do século XX. Feldman estabeleceu-se no Rio de Janeiro em 1925, juntando-se a uma crescente comunidade de imigrantes judeus.
Embora tenha se fixado permanentemente no Rio de Janeiro em 1925, o testemunho oral de sua esposa indica que ele continuou a viajar para a Polônia durante o período entreguerras. Em uma dessas visitas, conheceu Esther Ita Cukierkorn em Varsóvia, onde ela estudava e trabalhava na época. O encontro ocorreu por meio de conhecidos mútuos dentro da comunidade judaica.[2]
Carreira
Feldman exerceu diversos ofícios ao longo de sua vida, incluindo fotografia, mineração em pequena escala, comércio de antiguidades e metalurgia artesanal.[1] Sua contribuição mais duradoura foi a criação de objetos rituais judaicos, particularmente hanukiot (candelabros de oito braços para a festa de Hanucá). Motivado pelo desejo de que “cada lar judeu tivesse uma hanukiá”, ele começou a produzir réplicas inspiradas em designs europeus dos séculos XVIII e XIX.
Seu trabalho obteve amplo reconhecimento na comunidade judaica do Rio de Janeiro. Um conjunto de sessenta e nove de suas hanukiot — hoje conhecido como a **Coleção Feldman** — foi posteriormente doado ao Museu Judaico do Rio de Janeiro por Yvone e Leon Herzog. A coleção é considerada um dos acervos fundadores do museu e permanece em exibição permanente.[1]
De acordo com a história oral de Esther Ita Feldman, registrada em 1988, o interesse de seu marido por Judaica foi moldado, em parte, pelos objetos rituais que ele encontrou na casa da família dela na Polônia, incluindo castiçais e menorot antigos. Ela recordou que ele era fascinado por designs históricos que via em livros e buscava reproduzi-los para os lares judeus contemporâneos no Brasil.[2]
Ao longo de quatro décadas, Feldman reuniu uma coleção pessoal de mais de 400 chanukiot, cada uma selecionada ou fabricada para refletir a diversidade cultural das comunidades judaicas ao redor do mundo. Seu objetivo era usar esses objetos rituais para narrar a história do povo judeu por meio da forma material. A coleção incluía peças italianas com detalhes ornamentados, lâmpadas marroquinas com motivos arabescos e exemplares poloneses inspirados na arte folclórica. O item mais antigo era uma chanukiá triangular do século XIV, no estilo arquitetônico siciliano.[3]
A musicóloga Myrna Herzog, que se casou com o filho de Feldman, Eliahu, descreveu-o posteriormente como “um colecionador apaixonado de instrumentos”, creditando a ele sua introdução a instrumentos históricos raros e às histórias que os cercavam.[4]
Coleção
A paixão de Feldman pela arte ritual judaica culminou em uma coleção privada de mais de 400 chanukiot, reunida ao longo de 40 anos. Seu objetivo era preservar e mostrar as variações estilísticas e culturais das lâmpadas de Hanucá nas diversas diásporas judaicas. A coleção incluía peças da Itália, Marrocos, Polônia e outras regiões, com designs que variavam do exuberante ao minimalista. Uma lâmpada triangular siciliana do século XIV estava entre as mais antigas do acervo. Uma parte desta coleção — 69 lâmpadas — foi doada ao Museu Judaico do Rio de Janeiro, onde permanece em exibição.[3][1]
Vida pessoal
Feldman foi casado com Esther Ita Feldman (1909–1999), tradutora e editora que mais tarde tornou-se editora-chefe do semanário judaico Aonde Vamos?.[5] O casal teve pelo menos dois filhos: Guili Alexandre Feldman e Eliahu Feldman.
Feldman conheceu sua futura esposa na Varsóvia, durante uma de suas viagens de retorno à Polônia no final da década de 1920 ou início da de 1930. O casal estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde criou seu primeiro filho, Guili Alexandre Feldman, que havia nascido na Polônia.[2]
Um obituário e convite de memorial publicado no Jornal do Brasil registra a participação da família na cerimônia de revelação da lápide de Feldman (“Descoberta da Matzeiva”) no Cemitério Israelita de Vila Rosali, incluindo seu filho Eliahu Feldman e netos.[6]
Morte
Joseph Feldman faleceu no Rio de Janeiro em 1978.[1] Ele está sepultado no Cemitério Israelita de Vila Rosali, um dos principais cemitérios judaicos que atendem à comunidade do Rio de Janeiro.
Legado
Feldman é lembrado por sua contribuição à preservação e disseminação da arte ritual judaica no Brasil. Suas hanukiot — fabricadas em uma época em que poucos objetos desse tipo estavam disponíveis localmente — ajudaram a moldar a cultura material dos lares judeus no Rio de Janeiro de meados do século XX. A Coleção Feldman no Museu Judaico do Rio de Janeiro permanece como um exemplo significativo da produção artesanal judaica no Brasil e um recurso fundamental para o estudo do artesanato de imigrantes judeus.
Ver também
Referências
- ↑ a b c d e «Jewish Museum of Rio de Janeiro». Museu Judaico do Rio de Janeiro. Consultado em 20 de dezembro de 2025
- ↑ a b c «Depoimento de Esther Ita Feldman». Museu da Pessoa. Consultado em 20 de dezembro de 2025
- ↑ a b «Joseph Feldman – Coleção de Chanukiot». Manchete 1088 ed. 1973
- ↑ Herzog, Myrna (2003). «Is the Quinton a Viol? A Puzzle Unraveled». Journal of the Viola da Gamba Society of America. 40: 5–31
- ↑ Chermont, Lucia (2020). «Revista Aonde Vamos? – Um Projeto Judaico Brasileiro». Cadernos de Língua e Literatura Hebraica (17): 27–39
- ↑ «Descoberta da Matzeiva – Joseph Feldman». Jornal do Brasil. 11 de março de 1979
