José de Barros Alarcão
José de Barros Alarcão
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|---|---|
| Bispo da Igreja Católica | |
| Bispo do Rio de Janeiro | |
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| Atividade eclesiástica | |
| Diocese | Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro |
| Nomeação | 19 de agosto de 1681 |
| Entrada solene | 13 de julho de 1682 |
| Predecessor | D. Manuel Pereira (bispo) |
| Sucessor | D. Francisco de São Jerônimo, CSJE |
| Mandato | 1680 - 1700 |
| Ordenação e nomeação | |
| Ordenação presbiteral | 3 de dezembro de 1679 |
| Ordenação episcopal | 16 de março de 1681 por D. José Antonio de Lencastre |
| Brasão episcopal | ![]() |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Leiria, Reino de Portugal 28 de novembro de 1634 |
| Morte | Rio de Janeiro (Reino de Portugal) 6 de abril de 1700 (65 anos) |
| Nacionalidade | português |
| dados em catholic-hierarchy.org Bispos Categoria:Hierarquia católica Projeto Catolicismo | |
Dom José de Barros Alarcão (Leiria, 28 de novembro de 1634[1] - Rio de Janeiro, 6 de abril de 1700[2]) foi um bispo português, sendo o primeiro bispo efetivo[3] da recém criada Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, hoje Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro,[4] durante os anos de 1680 a 1700.[3] Tomou posse por meio de procuração no dia 14 de dezembro de 1681[5] e assumiu pessoalmente a diocese em 13 de julho de 1682,[6] embora já tivesse sido nomeado para o cargo pela Santa Sé desde 19 de agosto de 1680.[1]
| Igreja Católica |
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Vida
Nasceu em 28 de Novembro de 1634 na cidade Litorânea de Leiria, Portugal.[1]
Foi filho de Francisco de Barros de Vasconcelos e Paula de Vilhena de Alarcão. Estudou desde cedo e se tornou Doutor em Direito Canónico pela Universidade de Coimbra.[6][5] No dia 03 de Dezembro de 1679 aos 45 anos foi ordenado Sacerdote da Igreja Católica pela Ordem Secular,[4] tendo desde cedo reconhecimento como "Possuidor de grandes qualidades".[5] Como parte de seu grande reconhecimento de santidade, com pouco mais de um ano de Ordenação Sacerdotal,[1] foi convidado e nomeado a se tornar bispo para assumir a recém criada Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro no dia 19 de Agosto de 1680.[4]
Morreu em 06 de Abril de 1700, poucos dias após retornar de Portugal ao Rio de Janeiro, devido a necessidade de ir a Lisboa prestar considerações decorrentes de sua administração episcopal diocesana.[3]
Episcopado
Inicialmente escolhido para suceder Frei Manoel Pereira OP, que nunca chegou a assumir a diocese por motivos auto assumidos de saúde.[7]
Alarcão foi ordenado Bispo por Dom José Antonio de Lencastre, O. Carm[1] no dia 16 de março de 1681 por meio de uma procuração autorizada pela Santa Sé,[5] embora só tenha chegado na província do Rio de Janeiro para assumir pessoalmente a sua diocese que tinha o tamanho equiparado ao que hoje é a Ucrânia[4] no dia 13 de Julho de 1682.[3]
Desde o inicio de seu episcopado efectivo conseguiu consideráveis feitos pastorais, como a organização da Catedral (a qual era emprestada),[8] e a organização das funções dos Cônegos, também como buscou fundar novas Paroquias, assim como nomeou o Prelado Francisco da Silveira Dias como Deão e Vigário Geral.[3]
Embora sua administração também tenha sido controversa, tendo sérios problemas com a população local pela grande exigência de rigorosidade na admissão de candidatos as ordens religiosas, de principio[3] gerando certo desconforto com a população local, que acabaria anos depois apoiando as revoltas na Câmara Municipal.
O bispo tratou em seu episcopado de visitar todas as capitanias que faziam parte da sua administração eclesiástica[3][9] e vendo que havia maior qualidade de vida dentre os clérigos em outras localidades, já que no Rio de Janeiro, tinha problemas no seu pagamento da Côngrua[3] ( embora falte na historiografia informações sobre a os motivos administrativos da Cúria em fazer o pagamento ao clero, estabelecido na região). morando assim, em uma casa alugada,[3] decidiu por isso morar três anos em São Paulo,[6] onde fundou o Recolhimento de Santa Teresa juntamente com Lourenço Castanho Taques.[10][11]
Devido ao longo período de ausência do Bispo em sua cátedra,[3] foi instaurado um processo na corte por conta de manifestações que ocorreram na Câmara Municipal do Rio de Janeiro contra suas decisões,[3] tendo ele sido chamado a Portugal para justificar-se, onde acabou ficando entre 1689-1699 em Portugal, esperando a resolução do caso, porem devido a demora a população carioca reivindicou novamente na câmara a volta do Bispo.[6]
Tendo por isso Alarcão, depois de dez anos da abertura do processo sua justificativa aceita, ganhado o direito de retornar a sua diocese amparado pela Carta Régia de 19 de Outubro de 1699.[12]
Chegou de volta em sua Cátedra no Rio de Janeiro no dia 28 de Março de 1700, falecendo poucos dias depois no dia 06 de Abril de 1700.[3]
Foi substituído por Dom Francisco de São Jerónimo, C.S.J.E.[2][1][4]

A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi criada em 1565[2] e seu território foi sujeito a jurisdição do Bispo da Bahia até o 1575 quando o Papa Gregório XIII criou a prelazia pelo decreto “In superemminenti militantis Ecclesiae”.[2]
Com crescimento estrondoso das cidades longínquas de Salvador e de Olinda o Papa Inocêncio XI elevou a prelazia a categoria de diocese em 1676 como sufrágio da Sé de Salvador criada na mesma data pela Bula “Romani Pontificis pastoralis sollicitudo”[2][8]
Durante quase todo o século XVII, a cidade do Rio de Janeiro teve um desenvolvimento urbano lento. Uma rede de pequenas ruelas conectava entre si as igrejas, ligando-as ao Paço e ao Mercado do Peixe, à beira do cais. A partir delas, nasciam as principais ruas do atual centro.[13]
Porém, com a invasão holandesa no Nordeste brasileiro, a produção de açúcar é aumentada a partir dos vários engenhos que se espalham pela cidade, gerando um crescimento geográfico e demográfico estrondoso. Com cerca de 30 mil habitantes na segunda metade do século XVII, o Rio de Janeiro tornara-se a cidade mais populosa do Brasil,[13] passando a ser uma cidade chave para o domínio colonial em toda região sul americana devido ao seu enorme e importante porto.[14]

Neste contexto José de Barros Alarcão assume a diocese que tem um território mal estabelecido o qual não possuía nem catedral própria[3] onde a igrejinha construída pelo Governador Salvador de Sá no Morro do Castelo, serviu de Catedral da Diocese nos seus primeiros 58 anos.[15]
Mesmo com tão poucos recursos a cátedra era responsável por um território que variava desde territórios do sul como São Paulo quantos centrais como Mariana, Goiás e Cuiabá quando os do norte, como os amazonenses.[16]
Do território original da diocese do Rio de Janeiro, assumido por Dom José de Alarcão, que era a segunda maior diocese do mundo. Deste território imenso foram desmembradas 131 dioceses, arquidioceses e prelazia diferentes.[8]
Acontecimentos na cidade do Rio de Janeiro durante o Bispado
Em 1679, a lagoa que se localizava no sopé do Morro de Santo António foi aterrada, dando origem ao atual largo da Carioca.[17]
Por volta de 1680, o tesoureiro da sé, o padre Clemente Martins de Matos, comprou terrenos no atual bairro de Botafogo e nomeou o morro que limitava sua propriedade como Dona Marta, em homenagem a sua mãe.[18]
Durante o período a atual rua Miguel Couto concentravam o comercio de mercadores de prata trazida legal ou ilegalmente do Peru. Esses comerciantes de prata, frequentemente de nacionalidade boliviana ou peruana, construíram uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Copacabana, dando origem ao bairro de Copacabana
A partir de 1693, o forte de Santiago passou a servir de calabouço para escravos que tivessem cometido alguma penalidade. Por esse motivo passou a ser chamado de ponta do Calabouço.[19]
Em 1695, uma esquadra francesa comandada por De Gennes que explorava o Atlântico Sul foi bombardeada pelas fortalezas da cidade.[20]
Em 1696, foi inaugurada a igreja de São Francisco da Prainha, no morro da Conceição.
Em 1697, o caminho ao lado do morro de Santo Antônio começou a ser transformado em rua.

Legado
Dom José de Alarcão tornou-se conhecido na Sé Apostólica por suas grandes viagens pastorais que fez dentro de todo o território das capitanias as quais faziam parte de sua jurisdição eclesiástica.[5]
Não obstante resolveu causas sociais polémicas, como a autorização para ordenamento sacerdotal de Cristãos Novos, autorizada pelo Breve Apostólico "ex defectus sanguinis" obtido junto ao Papa Inocêncio XII, pelo seminarista Francisco de Paredes.[21]
Nessa época, grande parte da população branca da cidade era composta por cristãos-novos, ou seja, por judeus recém convertidos ao cristianismo. Porém, como a repressão religiosa era branda, os cristãos-novos continuaram a manter suas tradições religiosas judaicas, ao lado das práticas cristãs. Os cristãos-novos da cidade se dedicavam a diferentes profissões: eram médicos, artesãos, funcionários públicos, donos de engenhos de açúcar e até faziam parte do Clero (após a decisão de Alarcão).
Hoje inúmeras ruas por todo o Brasil levam seu nome como homenagem dos Governos Municipais.[22]
Ordenações episcopais
Coordenante de
- Bispo Francisco de Lima, O.Carm. (1692)
- Dom António Vasconcelos e Souza (1692)
- Bispo Timóteo do Sacramento, OSPPE (1693)
Referencias
- ↑ a b c d e f Cheney, David M. «Bishop José de Barros Alarcão»
- ↑ a b c d e «ArqRio». www.arqrio.com.br. Consultado em 25 de outubro de 2019
- ↑ a b c d e f g h i j k l m NERRY, Frederico Morato (2015). Os primeiros episcopados do Rio de Janeiro: de D. José de Barros Alarcão a D. Frei Antônio do Desterro Malheiros. Rio de Janeiro: [s.n.] pp. 296–297
- ↑ a b c d e Tempesta, Orani João. «DADOS HISTÓRICOS DA ARQUIDIOCESE». Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro Cúria Metropolitana
- ↑ a b c d e Lima, Maurilio Cesar de (2004). Breve história da igreja no Brasil. [S.l.]: Ediçoes Loyola. pp. Pag. 74
- ↑ a b c d RUBERT, Arlindo (1992). História de la Iglesia em Brasil. Madri: MAPFRE. 213 páginas
- ↑ RUBERT, Arlindo (1988). A Igreja no Brasil - Expansão Territorial e Absolutismo Estatal (1700-1822). Santa Maria (RS): Editora Pallotti. pp. Pag. 160
- ↑ a b c Tempesta, Orani João. «A história da Catedral, desde a pedra fundamental, até os dias de hoje». Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
- ↑ Bacellar, Carlos de Almeida Prado (2001). Viver e sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba, séculos XVIII e XIX. São Paulo: Annablume. pp. Pag. 23
- ↑ Loureiro, Edson (3 de julho de 2019). «O Recolhimento de Santa Teresa». São Paulo Passado Um pouco da história da capital paulista
- ↑ GODINHO, Antônio de Oliveira (1983). Museu de Arte Sacra de São Paulo. São Paulo: Banco Safra. pp. 184–185
- ↑ SOUZA, Ney de (2004). Catolicismo em São Paulo: 450 anos de presença da Igreja Católica em São Paulo, 1554-2004. [S.l.]: Paulinas. pp. 56–57
- ↑ a b Cavalcanti, Nireu Oliveira. O Rio de Janeiro setecentista: a vida e a construção da cidade. [S.l.: s.n.] pp. Pag 140
- ↑ HUTTER, Lucy Maffei (2004). Navegação nos séculos XVII e XVIII: rumo: Brasil. [S.l.: s.n.] pp. Pag 103
- ↑ «História – Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro». Consultado em 25 de outubro de 2019
- ↑ «São Sebastião do Rio de Janeiro (Latin (or Roman) Archdiocese) [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 25 de outubro de 2019
- ↑ «Rio de Janeiro». www.marcillio.com. Consultado em 22 de novembro de 2019
- ↑ Janeiro, Anderson Dezan, iG Rio de (25 de janeiro de 2011). «Conheça a origem dos nomes de algumas favelas do Rio - Rio de Janeiro - iG». Último Segundo. Consultado em 22 de novembro de 2019
- ↑ «Museu Nacional - UFRJ». www.museunacional.ufrj.br. Consultado em 22 de novembro de 2019
- ↑ FRANÇA, Jean; HUE, Sheila. Piratas no Brasil. [S.l.: s.n.]
- ↑ OLIVEIRA, Anderson José Machado de; MARTINS, William de Souza (2018). Dimensões do Catolicismo no império português (Séculos XVI-XIX). [S.l.]: Editora Garamond
- ↑ «Alarcão». OpenStreetMap. Consultado em 22 de novembro de 2019
Bibliografia utilizada
BACELLAR, Carlos de Almeida Prado (2001). Viver e Sobreviver em uma vila colonial: Sorocaba séculos XVIII e XIX. São Paulo: Annablume.
GODINHO, Antonio de Oliveira(1983) Museu de Arte Sacra de São Paulo. Banco Safra.
LIMA, Maurilio Cesar de (2004). Breve Historia da Igreja do Brasil.:Editora Loyola
NERRY, Frederico Morato(2015). Os primeiros episcopados do Rio de Janeiro: de D. José Barros Alarcão a D. Frei Antônio do Desterro Malheiros. Rio de Janeiro.
OLIVEIRA, Anderson JOsé Machado de (2018); MARTINS, William de Suuza (2018). Dimensões do Catolicismo no império português( Séculos XVI-XIX).
RUBERT, Arlindo(1998). A igreja no Brasil - Expansão Territorial e Absolutismo Estatal(1700-1822). Santa Maria (RS): Editora Pallotti.
RUBERT, Arlindo (1992). História de la Iglesia en Brasil. Madri: MAPFRE.
SOUZA, Ney de (2004) Catolicismo em São Paulo: 450 anos de presença da Igreja Católica em São Paulo, 1554-2004. Paulinas.
Ligações externas
- «Perfil em Hierarquia Católica» (em inglês)
- http://w2.vatican.va/content/vatican/pt.html
- «GCatholic» (em inglês)
- https://www.vaticannews.va/it.html(em italiano)
| Precedido por Manuel Pereira (bispo) |
![]() Bispo do Rio de Janeiro 1680 - 1700 |
Sucedido por Francisco de São Jerônimo |




