Iugoslávia e a Organização da Unidade Africana

Iugoslávia e a Organização da Unidade Africana

Organização da Unidade Africana

Iugoslávia

Durante o período da Guerra Fria, o antigo país do sudeste europeu da República Socialista Federativa da Iugoslávia (RSFI) estabeleceu e manteve importantes intercâmbios e relações políticas, culturais e econômicas com estados africanos recém-independentes. Embora a maioria dos intercâmbios multilaterais tenha sido organizada pelo Movimento Não Alinhado e pelas Nações Unidas, uma cooperação significativa também se desenvolveu com a Organização da Unidade Africana (OUA), antecessora da contemporânea União Africana. A Iugoslávia foi o único país não africano que participou no financiamento do Comitê de Libertação da Organização da Unidade Africana. [1] [2] Embora estivesse singularmente envolvido no funcionamento do organismo, o país preferia, no entanto, relações bilaterais com movimentos de libertação individuais. [3] A Organização da Unidade Africana incluiu o princípio do Não Alinhamento na sua carta, enquanto a Iugoslávia considerava a organização como a única representante legítima de todo o continente africano durante a era da Guerra Fria. [4] A Iugoslávia seguiu, portanto, a linha comum da OUA nas suas próprias políticas em relação às questões em África. [4]

Contexto

A Iugoslávia, ao contrário de muitos países do Bloco Ocidental na Europa, não teve nenhum passado colonial direto, o que complicou as relações entre antigas metrópoles e estados recém-independentes. O país acreditava que suas próprias experiências históricas de dominação estrangeira pelos impérios Austro-Húngaro e Otomano, desafios no desenvolvimento e complexa estrutura federalista multiétnica são semelhantes às experiências de países pós-coloniais recém-independentes na África. Ao mesmo tempo, a partir da Ruptura Tito–Stalin em 1948, o país não estava mais sob a esfera de influência da União Soviética e, em vez disso, estava focado em países fora do Bloco. À medida que o espaço de manobra para países neutros na Europa profundamente dividida diminuía, a Iugoslávia voltou seu foco de política externa para novos aliados entre antigas colônias e territórios de mandato, principalmente na África e no Oriente Médio.

A empresa de construção iugoslava Energoprojekt construiu e projetou o Centro Internacional de Conferências de Kampala em 1975 para acomodar a 13.ª Cúpula da Organização da Unidade Africana. [5] O arquitecto iugoslavo Mario Jobst foi convidado a trabalhar também no centro de conferências para a 14.ª Cimeira da OUA em Libreville. [6] Algumas trocas permaneceram no nível de planejamento com o arquiteto iugoslavo Branko Petrović criando o plano geral para o edifício da sede da Organização da Unidade Africana em Adis Abeba no início da década de 1960, que nunca foi implementado na prática. [7]

Galeria

Relações exteriores da Iugoslávia com Estados africanos

País Independência Início Notas
 Argélia 5 de julho de 1962[8] 2 de julho de 1962[8]
 Angola 11 de novembro de 1975[8] 1975[8]
 Benim 1 de agosto de 1960[8] 1962[8]
 Botsuana 30 de setembro de 1966[8] 1970[8]
 Burkina Faso 5 de agosto de 1960[8] 1968[8]
 Burundi 1 de juhlo de 1962[8] 1962[8]
 Camarões 1 de janeiro de 1960[8] 1960[8]
 Cabo Verde 5 de julho de 1975[8] 1975[8]
 República Centro-Africana 13 de agosto de 1960[8] 1960[8]
 Chade 11 de agosto de 1960[8] 1966[8]
 República Democrática do Congo 30 de junho de 1960[8] 1961[8]
 República do Congo 15 de agosto de 1960[8] 1964[8]
 Djibuti 27 de junho de 1977[8] 1978[8]
 Egito 28 de fevereiro de 1922[8] 1 de fevereiro de 1908 (continuação das relações do Reino da Sérvia)[8]
 Guiné Equatorial 12 de outubro de 1968[8] 1970[8]
 Etiópia Nunca colonizado (ocupação italiana temporária)[8] 1952[8]
 Gabão 17 de agosto de 1960[8] 1960[8]
 Gâmbia 18 de fevereiro de 1965[8] 1965[8]
 Gana 6 de março de 1957[8] 1959[8]
 Guiné 2 de outubro de 1958[8] 1958[8]
 Guiné-Bissau 10 de setembro de 1974[8] 1975[8]
 Costa do Marfim 7 de agosto de 1960[8] 1968[8]
 Quênia 12/20 de dezembro de 1963[8] 1963[8]
 Lesoto 4 de outubro de 1966[8] 1972[8]
 Libéria 26 de julho de 1847[8] 1959[8]
 Líbia 24 de dezembro de 1951[8] 1955[8]
 Madagascar 26 de junho de 1960[8] 1960[8]
 Mali 22 de setembro de 1960[8] 1961[8]
 Mauritânia 28 de novembro de 1960[8] 1961[8]
 Marrocos 2 de março de 1956[8] 2 de março de 1957[8]
 Maurícia 12 de março de 1968[8] 1969[8]
 Moçambique 25 de junho de 1975[8] 1975[8]
 Namíbia 21 de março de 1990[8] 1990[8]
 Nigéria 1 de outubro de 1960[8] 1960[8]
 Ruanda 1 de julho de 1962[8] 1971[8]
 Saara Ocidental 28 de novembro de 1984[9]
 São Tomé e Príncipe 12 de juhlo de 1975[8] 1977[8]
 Seychelles 29 de junho de 1976[8] 1977[8]
 Senegal 20 de agosto de 1960[8] 1961[8]
 Serra Leoa 27 de abril de 1961[8] 1961[8]
 Somália 1 de julho de 1960[8] 1960[8]
 Sudão 1 de janeiro de 1956[8] 1956[8]
 Suazilândia 6 de setembro de 1968[8] 1968[8]
 Tanzânia 1961, 26 de abril de 1964 (unificação)[8] 1961[8]
 Togo 27 de abril de 1960[8] 1960[8]
 Tunísia 20 de março de 1956[8] 1957[8]
 Uganda 9 de outubro de 1962[8] 1963[8]
 Zâmbia 24 de outubro de 1964[8] 1964[8]
 Zimbabwe 18 de abril de 1980[8] 1980[8]

Ver também

Referências

  1. Pustaj, Marko. Ekonomski odnosi SFRJ i nesvrstanih zemalja Afrike 1973 - 1981 (PDF) (Thesis) 
  2. Markakis, John (Out 1966). «The Organisation of African Unity: A Progress Report». The Journal of Modern African Studies. 4 (2): 135–153. Consultado em 12 fev 2021 
  3. Milorad Lazic (2021). «Arsenal of the Global South: Yugoslavia's Military Aid to Nonaligned Countries and Liberation Movements». Nationalities Papers. 49 (3): 428–445. doi:10.1017/nps.2020.6 
  4. a b R. Radonić, Nemanja. Слика Африке у Југославији (1945-1991) (PDF) (Doctoral Thesis) 
  5. Donald Niebyl. «10 Works of Yugoslav Modernist Architecture in Africa & the Middle East». Spomenik. Consultado em 12 fev 2021 
  6. Jovana Georgievski. «Jugoslavija, Tito i nesvrstani: Kako je socijalistička arhitektura osvojila Afriku». BBC. Consultado em 12 fev 2021 
  7. Lidija Butković Mićin; Saša Šimpraga. «Afrički i azijski opusi hrvatskih arhitekata». Vizkultura. Consultado em 12 fev 2021 
  8. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai aj ak al am an ao ap aq ar as at au av aw ax ay az ba bb bc bd be bf bg bh bi bj bk bl bm bn bo bp bq br bs bt bu bv bw bx by bz ca cb cc cd ce cf cg ch ci cj ck cl cm cn co cp cq cr Radina Vučetić; Pol Bets; Radovan Cukić; Ana Sladojević (2017). Tito u Africi: slike solidarnosti (PDF). [S.l.]: Museum of Yugoslavia. ISBN 978-86-84811-45-7 
  9. «RECONOCIMIENTOS DE LA RASD - Reconnaissances de la RASD - Recognitions of the SADR». Universidad de Santiago de Compostela. Consultado em 13 nov 2020