Igreja da Misericórdia da Pederneira
| Igreja da Misericórdia da Pederneira | |
|---|---|
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| Informações gerais | |
| Estilo dominante | Maneirista |
| Construção | Século XVI |
| Património de Portugal | |
| Classificação | |
| DGPC | 73956 |
| SIPA | 3310 |
| Geografia | |
| País | Portugal |
| Localização | Nazaré |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |
| [♦] ^ DL Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210 de 12-09-1978 | |
A Igreja da Misericórdia da Pederneira, ou Igreja da Santa Casa da Misericórdia da Pederneira, localiza-se no lugar da Pederneira, na freguesia de Nazaré do município da Nazaré, região Oeste e distrito de Leiria, em Portugal.[1]
Este templo, de cariz maneirista e fundação quinhentista, está classificada desde 1978 como Imóvel de Interesse Público.[1]
História
A génese da Misericórdia da Pederneira remonta à segunda metade do século XVI. Embora a data exacta da fundação da irmandade permaneça desconhecida, a sua existência está documentada em 20 de Março de 1561, data em que um alvará de D. Catarina autorizou a anexação do hospital local à Santa Casa da Misericórdia. Inicialmente, a confraria não possuía templo próprio, instalando-se nas dependências do referido hospital para administrar a assistência aos necessitados.
O actual edifício terá sido erguido sobre as ruínas de uma estrutura eclesiástica anterior em finais do século XVII. Em 1702, a Misericórdia promoveu importantes trabalhos de decoração na capela-mor, contratando o pintor leiriense José da Cruz, da escola obidense, para a execução das telas O Milagre das Rosas e Santo António e o lava-pés, bem como para a pintura do tecto. No primeiro quartel do século XVIII, especificamente em 1721, a igreja e os seus anexos sofreram uma remodelação profunda custeada por João de Almeida Salazar. Este benfeitor, após regressar do Brasil e ingressar na Congregação de São Filipe Nery, financiou a construção do hospital e obteve autorização pontifícia para prestar auxílio aos enfermos.
A actividade artística prosseguiu em 1737 com a intervenção do pintor Pedro Peixoto e de seu filho na capela-mor e no camarim. Entre 1737 e 1756, a colecção litúrgica foi enriquecida com um cálice de prata cinzelado pelo ourives António de Almeida. A relevância social da instituição manifestava-se igualmente nas práticas devocionais, como a cedência da imagem de Cristo à Confraria de Nossa Senhora da Nazaré para as celebrações da Quaresma no Sítio.
A extinção da irmandade ocorreu a 21 de Outubro de 1876, por decreto oficial, resultando na transferência do seu património para a Real Casa de Nossa Senhora da Nazaré em 1877. Esta última instituição fundou posteriormente um novo hospital no Sítio da Nazaré para assegurar a continuidade da missão assistencial. No ano de 1897, procedeu-se à demolição das dependências anexas localizadas na fachada Oeste, que se encontrariam em avançado estado de degradação. No século XX, o monumento enfrentou períodos de instabilidade, incluindo um assalto em 1917 e o roubo do sino em 1920.
As intervenções de conservação contemporâneas tiveram início na década de 1990, abrangendo o restauro das telas de José da Cruz no Seminário Maior do Cristo Rei, a consolidação de estruturas exteriores e a modernização de infra-estruturas eléctricas. No século XXI, realizaram-se obras de restauro integral nos retábulos, púlpito e cantarias, culminando na instalação de novos vitrais na tribuna da Misericórdia.
Descrição
Exterior
O monumento, ao gosto da arquitectura religiosa maneirista, apresenta uma implantação urbana adossada, situada no cume do Largo da Misericórdia, sendo confrontada a Este e a Sul pelo recinto do cemitério, cujo portal exibe uma inscrição relativa à ampliação ocorrida em 1909. O edifício possui uma planta rectangular que compreende a nave e o presbitério, aos quais se adossaram, em período posterior, a sacristia e a casa do despacho, de configuração quadrangular, localizadas no flanco esquerdo. A volumetria é escalonada, com coberturas diferenciadas em telhados de duas e três águas, rematados por beirada simples e fachadas rebocadas a branco.
A fachada principal, orientada a Norte, é delimitada por cunhais apilastrados coroados por pináculos de tipo pera, assentando sobre um soco de cantaria. O conjunto termina num entablamento e frontão contracurvo, coroado por uma cruz latina sobre acrotério. O eixo central destaca-se pelo portal de verga recta, com moldura almofadada sobre plintos ornados de losangos, encimado por um nicho de arco de volta perfeita com abóbada concheada e aletas decorativas. No tímpano do frontão, observa-se um brasão com as armas nacionais e um óculo de formato oval. Os portais laterais encontram-se actualmente entaipados, mantendo as molduras simples e frontões triangulares, sobrepostos por janelas de varandim convertidas em janelas de peitoril.
As fachadas laterais são percorridas por uma dupla cornija de argamassa e rasgadas por janelas rectilíneas. No alçado de Leste, subsiste uma estrutura rectangular avançada com vitral polícromo, enquanto a fachada de Oeste mantém vestígios do antigo hospital e da casa da irmandade, nomeadamente o portal de acesso em arco recortado e uma escada de dois lanços com guarda plena de cantaria e colunas toscanas que suportam um alpendre.
Interior
O interior da igreja, caracterizado por uma nave única, tecto em falsa abóbada de berço abatido em madeira e pavimento de taburnos, revela uma notável uniformidade construtiva. Sobre o portal de entrada, encontra-se um painel de azulejos polícromos do século XVII que representa a Virgem da Misericórdia, ostentando as iniciais "F.M.C.", em referência a Frei Miguel Contreiras. Do lado do Evangelho, o púlpito de bacia rectangular assenta sobre consolas e possui um baldaquino em talha dourada barroca ornamentado com acantos e motivos fitomórficos. No lado oposto, correspondente à Epístola, destaca-se a tribuna da Irmandade, composta por quinze colunas jónicas de mármore organizadas em cinco ordens de três, que comunicava originalmente com a sala do despacho.
O presbitério é acedido através de quatro degraus e delimitado por uma balaustrada de madeira em forma de U. O retábulo-mor, de estilo joanino e reformado no final do século XVIII, é executado em talha pintada a verde e dourado, com planta côncava e colunas salomónicas de capitéis coríntios. Este conjunto alberga a imagem do Senhor dos Passos, sob a qual se encontra um altar de caixa envidraçado com a representação de Cristo Morto. As capelas laterais, dedicadas a Nossa Senhora das Dores e ao Senhor da Cana Verde, ostentam retábulos de talha polícroma e dourada de transição para o barroco tardio. Na sacristia, o silhar de azulejos polícromos de padrão é considerado de rara ocorrência, tal como as pinturas murais barrocas que simulam um retábulo pictórico com colunas torsas e elementos vegetalistas.
Junto à entrada, no lado da Epístola, encontram-se duas lápides com inscrições em letra capital quadrada, datadas de 1716, que detalham as obrigações litúrgicas e as doações efectuadas à instituição:
OBOS Q. TEM ESTA S.TA CASA HUA MISA / SEMANARIA PELAS ALMAS DOS IRMÃ / OS UIUOS E DEFUNTOS E BMFEITORES / DESTA S.TA CASA . TEM MAIS UINTE E NOV / E MISSAS TODOS OS ANNOS PELAS ALL / MAS DOS DEFUNTOS Q. DEICHARA / O CEUS BENS A ESTA S.TA CASA . TEM M / AIS HUA MISA SEMANÁRIA DA CAPE / LA QUE ISTETUHIO O DEFUNTO JOSÉ GO / MES DE GÓIS P.A O Q. DEICHOU DOIS / MIL CRUSADOS A ESTA SANTA CASA / O ANNO DE 1716 TEM MAIS DE OBRIGAS HUA MISA / COTIDIANA PELAS ALMAS BEND / ITAS DA CAPELA Q. INSTITUHIRAO / OS HOMENS DO MAR DESTA UILA E / SÍTIO DE NOSA SR.A DE Q. FISERAO / E DOARAO P.A CENPRE ADEMINIS / TRAÇAM A ESTA S.TA CASA DANDO / DE CADA COATRO MIL RS Q. / D.S LHE DER DE SUAS PESCARIAS / HUM TOSTÃO P.A A DITA CAPELA D / Q. FISERAO INREUOGÁUEL ESC / RITURA A ESTA S.TA CASA DE MIS.A[2][3][4]
Galeria
Referências
- ↑ a b Ficha na base de dados SIPA
- ↑ «Igreja da Misericórdia». www.cm-nazare.pt. Consultado em 23 de dezembro de 2025
- ↑ «PESQUISA GERAL». imovel.patrimoniocultural.gov.pt. Consultado em 23 de dezembro de 2025
- ↑ ALMEIDA, Álvaro Duarte de; BELO, Duarte (2007). Portugal Património: Guia-Inventário. VI. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 15
Ligações externas
- Igreja da Misericórdia da Pederneira na base de dados Ulysses da Direção-Geral do Património Cultural
- Igreja da Misericórdia da Pederneira na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural
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