Iacir ibne Amir

Iacir ibne Amir (em árabe: ياسر بن عامر; romaniz.: Yāsir ibn ʿĀmir; m. 615) foi um dos companheiros do profeta islâmico Maomé.

Vida

Iacir ibne Amir nasceu em data incerta ao longo do século VI, no Iêmem. Pertencia ao ramo iamita da tribo alancita. Passou sua infância em sua terra natal e em algum momento antes do advento do islamismo foi a Meca com seus irmãos Harite e Maleque à procura de um quarto irmão desaparecido. Harite e Maleque retornaram ao Iêmem, mas Iacir decidiu se fixar na cidade. Segundo os costumes da época, era necessário entrar sob a proteção de uma família mecana; assim, ele firmou um pacto de proteção (ḥilf) com Abu Hudaifa ibne Almuguira, dos maquezumitas. Algum tempo depois, Abu Hudaifa deu-lhe em casamento sua escrava Sumaia binte Hubate. Dessa união nasceu Amar ibne Iacir. Conforme as normas vigentes, por estar ligado à condição materna, Amar tinha o estatuto de escravo, mas Abu Hudaifa o manumitiu. Iacir e sua família não se afastaram de Abu Hudaifa até a morte deste. Iacir tivera, no período da Jailia (Período Pré-Islâmico), um filho chamado Hurais, morto antes do Islã; após Amar, teve ainda um filho chamado Abedalá.[1]

O primeiro da família de Iacir a tornar-se muçulmano foi Amar, que se dirigiu à casa de Alarcame ibne Abi Alarcame com Suaibe ibne Sinane, ouviu Maomé e abraçou o Islã. Iacir, Sumaia e Abedalá converteram-se por sua iniciativa. Incluída entre os primeiros quarenta muçulmanos, a família de Iacir, por ser pobre e desprotegida, foi alvo de advertências e agressões verbais por parte dos idólatras de Meca. A essas pressões, destinadas a intimidar e dissuadir, seguiram-se intervenções físicas; como também não surtiram efeito, os idólatras — sobretudo alguns membros dos maquezumitas — recorreram à tortura. Alguns maquezumitas, entre eles Abu Jal, levavam Iacir e sua família a um lugar fora de Meca chamado Abta ou Bata, onde os deitavam sobre areia e pedras incandescentes para torturá-los.[1] Para isso, eram vestidos com armaduras de ferro e deixados durante horas sob o sol escaldante (Musnade, I, 404).[2]

Certa vez, quando Maomé foi a Abta com Otomão, Iacir, estendido sobre a areia ardente, perguntou: "Ó Mensageiro de Deus, isso continuará assim?". Maomé o consolou, dizendo: "Sê paciente!", e fez a súplica: "Ó Deus, perdoa a família de Iacir! Tu já os perdoaste" (Musnade, I.62). Em outra ocasião, disse-lhes: "Sede pacientes, ó família de Iacir; em verdade, vosso lugar de encontro é o Paraíso!" (Ibne Sade, IV.137). Segundo alguns eruditos, entre aqueles a quem se refere o versículo "Há pessoas que se sacrificam para obter o agrado de Deus; e Deus é, em verdade, misericordiosíssimo para com tais servos" (Albacara 2/207) estariam Iacir e sua família (Assuiuti, II.487). Iacir foi brutalmente assassinado por Abu Jal, provavelmente em 615, logo após sua esposa Sumaia — a primeira mártir da história islâmica —, o que o fez o primeiro mártir masculino do Islã. Há também relatos segundo os quais Iacir teria sido martirizado antes de Sumaia (Albaladuri, I.160).[1]

Referências

  1. a b c Efendioğlu 2013, p. 341.
  2. Uraler 2010, p. 134.

Bibliografia

  • Efendioğlu, Mehmet (2013). «Yâsir b. Âmir». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 43. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 30 de dezembro de 2025 
  • Uraler, Aynur (2010). «Sumeyye bint Hubbât». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 43. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 30 de dezembro de 2025